2019/08/03

Interpretação de Atos 1

Interpretação de Atos 1

Interpretação de Atos 1 




Atos 1
A. Preparação. O ministério de após ressurreição e a ascensão de Jesus. 1:1-14.
1, 2. Os dois primeiros versículos constituem uma pequena introdução que liga Atos ao Evangelho de Lucas. Os versículos introdutórios do Evangelho (Lc. 1:1-4) têm a intenção de servir a ambos, o Evangelho e o livro de Atos; Atos 1:1, 2 é um tipo de introdução secundária que retrocede a Lc. 1:1-4. O primeiro livro. O Evangelho de Lucas. Atos é a segunda parte da obra de dois volumes, Lucas e Atos. O Evangelho contém tudo o que Jesus começou a fazer, e a ensinar; Atos segue o curso do ministério contínuo do Cristo elevado, através do Espírito Santo operando nos apóstolos. Não sabemos quem era o Teófilo, se um cristão que precisava de mais instrução ou um pagão interessado (veja Lc. 1:3).
2. Esta referência ao Espírito Santo revela a principal nota teológica de Atos - a obra do Espírito Santo.
3. O ministério pós-ressurreição de nosso Senhor durante quarenta dias tinha um objetivo duplo: fornecer uma demonstração positiva da realidade de sua ressurreição, dando explicações mais detalhadas dos seus ensinamentos sobre o reino de Deus. Podemos, pois, esperar que esse tema reapareça no ministério dos apóstolos. As boas novas sobre o reino de Deus foram o conteúdo da mensagem de Filipe em Samaria (8:12), da pregação e ensinamentos de Paulo em Éfeso (20:25), e da mensagem de Paulo tanto a judeus como a gentios em Roma quando finalmente chegou àquela cidade (28:23, 31).
4. A ordem de Lc. 24:49 foi repetida aqui. Uma vez que o ministério dos apóstolos seria obra do Espírito Santo, eles deviam aguardar em Jerusalém até que se cumprisse a promessa da vinda do Espírito Santo – promessa dada pelo Pai no V.T. (Joel 2:28; Ez. 36:27) e confirmada pelo Filho. A expressão que foi traduzida para estando com eles (ERC) é de significado incerto, também pode ser traduzida para “comendo com eles” (como ERA) ou “hospedando-se com eles”.
5. O ministério de João Batista, batizando os homens com água, foi preparação para a vinda do Messias. Uma realidade maior, o batismo do Espírito Santo logo aconteceria.
6. Este versículo expande as últimas palavras do versículo 3. Para os judeus do primeiro século, o reino de Deus significava um reino de Israel terreno e político. Num determinado ponto do ministério de nosso Senhor, o povo esteve prestes a tomar Jesus pela força compelindo-o a tornar-se o rei deles (Jo. 6:15). A missão de Cristo, entretanto, não foi a de introduzir o reino no esplendor terreno, mas introduzi-lo em poder espiritual. Foi uma lição difícil para os discípulos aprenderem. Durante os quarenta dias, uma de suas principais perguntas era se Jesus estabeleceria logo esse reino terrestre por meio de Israel.
7. Jesus respondeu que essa pergunta não devia preocupá-los no momento. Tempos ou épocas provavelmente se referem ao tempo que deve se passar antes do final estabelecimento do reino de Deus, e ao caráter dos acontecimentos que acompanharão seu estabelecimento. O Pai determinou esses acontecimentos para sua exclusiva autoridade. Isto não significa que Deus tenha desistido de Israel; Romanos 11:26 diz que todo Israel será salvo. O N.T. nos diz quase nada sobre o tempo e a maneira da futura salvação de Israel.
8. Em lugar de se ocuparem com debates sobre o final estabelecimento do reino judeu, os apóstolos deviam se preocupar com outras coisas. O Espírito Santo viria sobre eles para lhes conceder poder sobrenatural, na força do qual seriam testemunhas de Cristo por todo o mundo. Este versículo é um resumo de todo o livro de Atos: em Jerusalém cobre os capítulos 1-7; em toda a Judeia e Samaria cobre os capítulos 8:1 - 11:18; e aos confins da terra vai de 11:19 até o final do livro.
9. A nuvem que recebeu Cristo na sua ascensão não foi simplesmente uma nuvem de vapor condensado mas foi um símbolo do Shequiná que representa a gloriosa presença de Deus (Êx. 33:7-11; 40:34; Mc. 9:7). A ascensão de Cristo significava que Ele interrompia a comunhão visível com Seus discípulos na terra, e, ainda de posse do seu corpo ressurreto, tinha entrado no mundo invisível da habitação de Deus.
10. Branco é a cor das vestes dos anjos (Mt. 28:3; Jo. 20:12).
11. Os anjos informaram aos apóstolos que esta experiência não era uma repetição da Transfiguração (Lc. 9:27-36). Jesus partia, mas um dia retornaria à terra da mesma maneira visível e gloriosa pela qual se ausentara. A expectativa da volta corporal de Cristo é o centro da fé cristã.
12. A Ascensão aconteceu no monte chamado Olival, que está situado bem a leste de Jerusalém, cerca de três mil pés afastado da cidade. Era a distância permitida aos judeus de caminharem no sábado sem transgredirem o descanso.
13. Este cenáculo deve ter sido o cenário da Última Ceia (Lc. 22:12) e provavelmente ficava na casa de Maria, a mãe de Marcos (Atos 12: 12). Para outras listas dos Doze, veja Mt. 10:2 e segs.; Mc. 3:16 e segs.; Lc. 6:14 e segs. Simão o Zelote. Simão Cananeu. Zelote pode se referir ao caráter ardoroso de Simão, mas parece mais indicar que ele pertencia a um partido nacionalista dos judeus que advogava rebelião declarada contra Roma.
14. Irmãos dele. Os meio-irmãos de Jesus (Mt. 13:55), que não creram nEle antes de Sua morte (Jo. 7:5) mas que tiveram sua fé despertada com a ressurreição. Um aparecimento a Tiago depois da ressurreição está registrado em I Co. 15:7. As mulheres pode indicar as esposas dos discípulos ou as mulheres mencionadas em Lc. 8:2; 24:10.
B. A Escolha de Matias. 1:15-26.
O colégio apostólico fora desfeito com o afastamento de Judas, e os apóstolos sentiam a necessidade de escolher um homem que o substituísse.
15. Pedro agora surge como o líder natural dos 120 crentes, que são chamados de irmãos.
16. Pedro lembrou ao grupo que a traição de Judas não foi uma tragédia imprevista mas que estava nos propósitos providenciais de Deus e portanto profetizada no V.T. (veja v. 20).
18, 19. Estes versículos são uma observação inserida por Lucas no registro das palavras de Pedro para explicar aos seus leitores o destino de Judas. De acordo com Mt. 27:7, os sumo sacerdotes compraram esse campo; mas ao que parece eles o fizeram em nome de Judas, uma vez que o dinheiro era legalmente dele. Precipitando-se poderia ser traduzido para inchando, e se refere a uma ruptura fatal. Agostinho interpreta esta passagem assim “ele amarrou uma corda ao seu pescoço e, caindo com o rosto em terra, rebentou pelo meio”. Aceldama. Uma palavra aramaica significando Campo de Sangue.
20. Pedro citou o Sl. 69:25 e 109:8 livremente. Encargo significa ofício de supervisor não no sentido técnico.
21, 22. As qualificações do sucessor de Judas no colégio apostólico eram duas: devia ter sido companheiro de Jesus e devia ter testemunhado a ressurreição de Jesus. Não há nenhuma referência à ordenação nesses versículos.
23. Não temos nenhuma informação sobre os dois candidatos igualmente qualificados.
24-26. Tal escolha por meio de sortes tem precedente no V.T. (Pv. 16:33), mas não ocorre nenhuma outra vez no N.T. e não é uma norma de prática cristã. Indo para o seu próprio lugar, Judas teve o destino que mereceu por causa de sua incrível traição. O lugar de Judas foi preenchido não porque ele morreu mas porque ele se desviou. Quando Tiago, o irmão de João, foi executado (Atos 12:2), seu lugar não foi preenchido. O Senhor a quem a oração foi dirigida (1:24) era provavelmente Jesus que fora elevado, pois Ele que escolhera os doze primeiros (v. 2) era agora solicitado a escolher outro. Senhor é a palavra comum no grego do V.T, para designar Deus; foi usada desde os primeiros dias da Igreja para designar Jesus que fora elevado. 



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