Barba — Enciclopédia Bíblica Online
Na Bíblia Hebraica, “barba” e “bigode” aparecem como sinais corporais com funções normativas, rituais, sociais e simbólicas, ancoradas sobretudo em dois termos: זָקָן (zāqān, “barba”) e שָׂפָם (śāp̄ām, “bigode/lábio superior”). Em Levítico, a barba integra tanto o campo da santidade identitária — onde se proíbe “danificar” suas “extremidades” como marca de separação cultual (Lv 19.27) — quanto procedimentos de pureza, nos quais ela pode ser área de inspeção e, na reintegração ritual, objeto de raspagem total (Lv 14.9); o śāp̄ām, por sua vez, aparece como ponto facial a ser “coberto” em contexto de impureza, sinalizando publicamente uma condição social-religiosa (Lv 13.45). Nas narrativas, a barba funciona como linguagem de honra e vulnerabilidade: pode ser instrumento de contato e domínio (1Sm 17.35), componente de saudação que se converte em mecanismo de violência (2Sm 20.9), alvo de ultraje diplomático que produz vergonha pública e exige tempo de “restauração” antes do retorno (2Sm 10.4–5), e também superfície onde se encena marginalidade para fins estratégicos (1Sm 21.13).
Em textos de lamento e contrição, raspar ou cortar a barba compõe um repertório reconhecível de pranto e humilhação coletiva, enquanto arrancar pelos da barba intensifica o gesto como autopenitência dolorosa (Ed 9.3), e na poesia a barba entra como imagem litúrgica de consagração, servindo de “trajeto” para o óleo de unção associado ao sacerdócio (Sl 133.2). Nos profetas, a barba participa da semântica do juízo e da subjugação por meio do “rapar” imposto (Is 7.20) e, em torno do śāp̄ām, o gesto de cobrir o lábio superior funciona como sinal de luto e vergonha que dramatiza silêncio e colapso da palavra pública (Mq 3.7). Já o NT não menciona explicitamente os termos “barba” ou “bigode” em suas páginas.
I. Delimitação lexical no AT
No hebraico do AT, o vocábulo central para “barba” é זָקָן (zāqān), termo que designa a barba enquanto traço masculino visível, frequentemente associado ao “queixo/face inferior” como área corporal identificável; em Levítico 19.27, por exemplo, a proibição ritual se formula com a expressão פְּאַת זְקָנֶךָ (pəʾat zəqāneḵā, “a extremidade da tua barba”), em “לֹא תַשְׁחִית אֵת פְּאַת זְקָנֶךָ” (lōʾ tašḥît ʾēt pəʾat zəqāneḵā, “não destruirás a extremidade da tua barba”). Nesse ponto, as traduções modernas convergem quanto a “barba”, mas variam no verbo e na imagem: ARA diz “nem danificareis as extremidades da barba”, enquanto a NVI explicita o gesto com “nem aparem as pontas da barba”. Em inglês, a divergência é análoga: NIV fala em “clip off the edges of your beard”, ESV em “mar the edges of your beard”, e a família literal (como YLT) conserva “destroy the corner of thy beard”, o que mostra que o núcleo semântico é estável (“barba”), mas o contorno pragmático (“aparar”, “desfigurar”, “arruinar”) pode ser interpretado com gradações distintas.
Já “bigode” (ou, mais precisamente, “lábio superior / região do lábio superior”) é tipicamente expresso por שָׂפָם (śāp̄ām, “bigode; lábio superior”), termo que aparece em contextos de vergonha, luto e sinalização social, e cuja tradução oscila mais do que zāqān. Em Levítico 13.45, a instrução sobre o acometido por ṣāraʿat inclui “וְעַל־שָׂפָם יַעְטֶה” (wə-ʿal-śāp̄ām yaʿṭeh, “e ele cobrirá o bigode / o lábio superior”), deixando claro que o ato é “cobrir” uma zona facial superior ao queixo. Aqui, as versões evidenciam a ambiguidade interpretativa: ARA traduz “cobrirá o bigode”, enquanto a ACF prefere “cobrirá o lábio superior”; em inglês, NASB é explícita (“mustache”), ESV fala em “upper lip”, e NIV reinterpreta a referência anatômica como “lower part of their face”. Esse conjunto deixa um dado metodológico importante: quando śāp̄ām ocorre, a decisão tradutória pode “deslocar” o referente de um elemento piloso (“bigode”) para uma área anatômica (“lábio superior”) ou, ainda, para uma zona mais ampla (“parte inferior do rosto”), com impacto direto na leitura cultural do gesto.
O caso mais instrutivo para delimitar śāp̄ām é 2 Samuel 19.24, porque várias versões portuguesas nivelam a expressão como “barba”, embora o hebraico fale do “bigode/lábio superior”. Na forma hebraica preservada na tradição massorética, lê-se “וְאֶת־שְׂפָמוֹ לֹא עָשָׂה” (wəʾet-śəp̄āmô lōʾ ʿāśâ, “e o seu bigode ele não tratou / não fez”), descrevendo desleixo ritual-social como marca de luto ou protesto. Em português, ARA/ACF/NVI/NVT preferem “barba” (“nem espontado a barba / nem feito a barba”), o que aproxima o quadro do universo de zāqān; em contraste, as versões inglesas mais usadas em crítica textual e exegese (NIV/ESV/NASB) traduzem “mustache”, enquanto ASV mantém “beard”. Esse desalinhamento entre “barba” (português) e “mustache” (parte do inglês moderno) sinaliza que convém tratar śāp̄ām como termo distinto de zāqān, registrando explicitamente onde as tradições de tradução os confundem.
Nessa delimitação, a LXX é útil apenas como controle semântico pontual: em Levítico 19.27, o grego usa πώγων (pōgōn, “barba”) em “τὴν ὄψιν τοῦ πώγωνος ὑμῶν” (tēn opsin tou pōgōnos hymōn, “a aparência da vossa barba”), confirmando que zāqān foi percebido como “barba” sem disputa relevante. Já em Levítico 13.45, o grego não recorre a “bigode” como substantivo piloso, mas descreve a ação como “περὶ τὸ στόμα αὐτοῦ περιβαλεῖ” (peri to stoma autou peribalei, “envolverá ao redor de sua boca”), o que mostra uma tendência antiga a ler śāp̄ām como “zona oral/face” (metonimicamente), não apenas como “bigode”. Em 2 Samuel 19.24 (numeração grega correspondente), a LXX é ainda mais reveladora por empregar μύσταξ (mystax, “bigode”), em “τὸν μύστακα αὐτοῦ οὐκ ἐποίει” (ton mystaka autou ouk epoiei, “o seu bigode ele não tratava”), evidenciando que pelo menos aí a tradição grega distinguiu “bigode” de “barba” de modo terminológico.
Textos proféticos confirmam a estabilidade desse par semântico: em Ezequiel 24.17, o hebraico ordena “וּשְׂפָם לֹא תַעְטֶה” (ūśəp̄ām lōʾ taʿṭeh, “não cobrirás o bigode”), e a ARA conserva “não cubras os bigodes”, enquanto a NVI desloca a imagem para “não cobrirão o rosto”; em Miqueias 3.7, a ARA novamente traduz “cobrirão o seu bigode”. Esses exemplos permitem fixar uma regra de leitura: quando o texto hebraico usa zāqān, trata-se de “barba/queixo” de modo direto; quando usa śāp̄ām, o referente primário é o “lábio superior / bigode”, mas a tradição de tradução pode ampliar para “boca/rosto” conforme a compreensão cultural do gesto de “cobrir” nessa região.
II. Inventário e distribuição das ocorrências por corpus e gênero literário
No AT, a nomenclatura traduzida por “barba” e “bigode” aparece, de modo concentrado, em quatro ambientes literários que moldam o valor do vocábulo: legislação cultual/pureza (normativo), narrativa histórica (gesto social), poesia (imagem litúrgica) e profetas (sinal e linguagem simbólica). O eixo lexical orbita principalmente em torno de זָקָן (zāqān, “barba”) e שָׂפָם (śāp̄ām, “bigode; lábio superior”), mas a distribuição mostra que o mesmo termo pode oscilar entre referência anatômica (área do corpo), marcador de status e honra (código social) e veículo de comunicação profética (ato-sinal).
Em Levítico, o vocabulário entra no domínio técnico da pureza e do ritual, porque barba e bigode integram procedimentos de diagnóstico e de conduta pública. Levítico descreve lesões “na cabeça ou na barba” (Lv 13.29–30) e, ao tratar de impureza cutânea, prescreve gestos visíveis: o enfermo deve “cobrir” a região do śāp̄ām (o que explica por que traduções oscilam entre “lábio superior”, “bigode” e paráfrases do tipo “parte inferior do rosto”). A ESV traduz a ação como “cover his upper lip” e ainda sinaliza em nota a possibilidade “mustache”, enquanto a NVI verte com perífrase (“cobrirá a parte inferior do rosto”), mostrando que algumas versões preferem evitar uma identificação anatômica estreita (Lv 13.45). A legislação também fixa limites para o trato da barba em contexto identitário (“não… danificareis as extremidades da barba” na ARA/ACF; “clip off the edges of your beard” na NIV; “mar the edges of your beard” na ESV), reforçando que aqui a barba não é mero detalhe físico, mas item regulado por costume e separação cultural (Lv 19.27; cf. Lv 21.5).
Nas narrativas históricas, o campo semântico desloca-se do normativo para o social: barba e bigode aparecem como pontos de contato físico, sinais de luto, instrumentos de engano e objetos de humilhação pública. Em 2 Samuel, o episódio diplomático em que os mensageiros de Davi têm a barba parcialmente raspada transforma o zāqān em emblema de honra masculina violada; por isso, o retorno é adiado “até que… torne a crescer a barba”, pois o dano não é apenas estético, mas reputacional e político (2Sm 10.4–5). No retrato de Mefibosete, a falta de cuidado com pés, vestes e barba funciona como marcador de aflição prolongada, com versões inglesas alternando entre “trimmed his beard” (ESV) e formulações equivalentes, enquanto versões portuguesas mantêm “feito a barba” (2Sm 19.24). Em Esdras, o gesto de “arrancar… os cabelos da cabeça e da barba” comunica choque e contrição diante da transgressão coletiva, novamente com barba como superfície corporal onde o luto se inscreve (Ed 9.3).
Na poesia, o uso tende a ser estável e figurativo, com a barba integrada a uma cena litúrgica de unção e bênção comunitária: em Salmos, o óleo “desce pela barba, a barba de Arão”, imagem de abundância que corre da cabeça ao corpo e serve para concretizar a ideia de unidade fraterna (Sl 133.2). Nesse gênero, o termo não opera como prescrição nem como etiqueta social de vergonha/honra imediata, mas como veículo de uma comparação sensorial.
Nos profetas, a barba reaparece, mas agora como linguagem simbólica de juízo, vergonha e privação, frequentemente por meio do ato de raspar ou cortar. Isaías anuncia um “rapar” que alcança cabeça, pelos e barba, compondo a figura de despojamento imposto por potências estrangeiras; as versões portuguesas mantêm explicitamente “barba” (Is 7.20). Em oráculos de lamento, a barba rapada acompanha a cabeça calva como padrão público de pranto e desolação (Is 15.2; Jr 48.37), e a mesma linguagem aparece na descrição de peregrinos que chegam “com a barba rapada… e o corpo retalhado”, sinalizando um repertório ritualizado de aflição (Jr 41.5). Em Ezequiel, o motivo torna-se ato-sinal: o profeta deve passar “navalha… pela… barba” e dividir os fios, dramatizando a sorte de Jerusalém (Ez 5.1). Já em Ezequiel 24 e Miqueias 3, retorna o vocábulo associado ao śāp̄ām, e é precisamente aqui que as traduções variam mais: a ARA traz “não cubras os bigodes”, enquanto a NVI prefere “não cubra o rosto”; em inglês, há versões que leem “do not cover your mustache and beard” (NIV) e outras que registram “cover… lips” (tradição representada em versões mais literais/antigas). Essa variação não altera o núcleo do gesto (cobrir a região oral em contexto de luto/embaraço), mas define se a tradução nomeia o ponto anatômico (bigode/lábios) ou o apresenta de forma mais geral (rosto) (Ez 24.17; Mq 3.7).
Levítico concentra o uso normativo (o que se ordena fazer ou evitar com barba/bigode, inclusive em ritos de impureza), as narrativas fixam a barba como marcador social (honra, vergonha, luto, engano e etiqueta), os Salmos a utilizam como imagem litúrgica, e os profetas a convertem em signo de julgamento e humilhação pública, às vezes por atos performativos (raspar, cortar, cobrir). A partir daqui, cada bloco do estudo pode avançar do inventário para a análise temática (ritos de pureza; honra e diplomacia; luto e contrição; imagem cultual; simbolismo profético), mantendo a distinção entre usos descritivos e usos prescritivos indicada pela própria distribuição das ocorrências.
III. Barba e bigode na legislação de impureza e diagnóstico sacerdotal
Em Levítico 13.29–30, a “barba” entra como zona anatômica relevante para inspeção ritual: a legislação pressupõe que certas afecções cutâneas podem ocorrer “na cabeça” ou “na barba”, e o procedimento sacerdotal avalia profundidade aparente, coloração e condição do pelo na área examinada. O termo hebraico זָקָן (zāqān, “barba”) funciona aqui de modo descritivo, sem carga simbólica direta: trata-se de localizar a lesão em região pilosa masculina, sujeita aos mesmos critérios de diagnóstico aplicados a outras partes do corpo (Lv 13.29–30).
Em Levítico 13.45, a referência passa do diagnóstico para o “sinal público”: a pessoa declarada impura deve rasgar as vestes, manter o cabelo em desalinho e “cobrir o bigode”, clamando sua condição. A expressão hebraica preserva um ponto fino de interpretação: וְעַל־שָׂפָם יַעְטֶה (wəʿal-śāp̄ām yaʿṭeh, “cobrirá o bigode / lábio superior”), onde שָׂפָם (śāp̄ām, “bigode; lábio superior”) pode ser entendido como a área do bigode/parte superior da boca, mas as traduções oscilam entre “bigode” e a ideia mais ampla de “boca/parte inferior do rosto”. ARA mantém “cobrirá o bigode” (Lv 13.45), enquanto NVT prefere “cobrirá a boca”; em inglês, NIV verte “cover the lower part of their face”, ESV “cover his upper lip” e NASB “cover his mustache”, explicitando leituras distintas do mesmo gesto (Lv 13.45).
Em Levítico 14.9, já no rito de purificação e retorno à normalidade cultual, a “barba” aparece no barbeamento total como ato técnico e liminar: “rapará todo o seu cabelo, a cabeça, a barba e as sobrancelhas”, seguido de lavagem e banho, culminando na declaração de limpeza (Lv 14.9). ARA e NVI preservam a enumeração explícita (“barba”), enquanto NVT reexpressa a referência como “pelos faciais”, mantendo o conteúdo, mas alterando a forma de designar a região; o ponto do texto, em qualquer caso, não é estética, mas uma remoção integral de pelos como marcador ritual de transição, associada à reintegração (Lv 14.9).
IV. Barba na “santidade cotidiana” e na identidade do culto
Em Levítico 19.27, a proibição envolve simultaneamente cabelo e barba e é formulada como um “não” a práticas que alteram a borda/contorno: “não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba” (Lv 19.27). A diferença de tradução é instrutiva: ARA/ACF tendem a “danificar”, enquanto NVI formula “aparem as pontas da barba”; em inglês, NIV traz “clip off the edges of your beard”, e NASB “harm the edges of your beard”, aproximando-se da força do verbo hebraico לֹא תַשְׁחִית (lōʾ tašḥît, “não destruirás / não arruinarás”), aplicado a פְּאַת זְקָנֶךָ (pəʾat zəqāneḵā, “extremidade da tua barba”). O contexto imediato (Lv 19.28, sobre incisões e marcas em luto) favorece ler a regra como barreira contra estilizações rituais específicas, mais do que uma simples norma de higiene ou “comprimento permitido” (Lv 19.27–28).
A LXX só é decisiva aqui na medida em que explicita o foco na “configuração” visível da barba: οὐδὲ φθερεῖτε τὴν ὄψιν τοῦ πώγωνος ὑμῶν (oudè phthereite tēn opsin tou pōgōnos hymōn, “nem corrompereis o aspecto da vossa barba”), usando πώγων (pōgōn, “barba”) e vinculando a proibição ao “aspecto” (ὄψις) da barba (Lv 19.27 LXX). Essa formulação ajuda a entender por que algumas versões preferem “desfigurar/arruinar” (em vez de “aparar” em sentido neutro): o alvo é a alteração do contorno como marcador identitário e ritual.
Em Levítico 21.5, a regra reaparece com endereçamento sacerdotal e com paralelos claros de luto corporal: “não farão calva na sua cabeça e não cortarão as extremidades da barba” (ARA), ao lado da vedação de ferimentos no corpo (Lv 21.5). NVI torna explícito o sujeito (“os sacerdotes”) e usa “apararão as pontas da barba”; NIV aproxima-se do hebraico com “shave off the edges of their beards”, e NASB mantém “shave off the edges of their beards” (Lv 21.5). A repetição do motivo “bordas/extremidades” sugere que, no caso sacerdotal, a mesma fronteira identitária é reforçada com maior rigor por causa da função cultual: a barba não é exaltada como “virtude” em si, mas tratada como um ponto sensível onde o corpo pode ser codificado por sinais públicos de pertença, luto e santidade (Lv 21.5).
V. A barba como ponto de contato: apreensão física, “beijo” e vulnerabilidade
Em 1 Samuel 17.35, a barba aparece como ponto de apreensão corporal em situação de confronto: Davi descreve que, ao reagir contra o predador, “agarrei-o pela barba” (1Sm 17.35). A forma hebraica subjacente emprega זְקָנוֹ (zəqānô, “sua barba”) na locução בִּזְקָנוֹ (bizzəqānô, “pela sua barba”), em construção que torna a barba um “ponto de pegada” para dominar o oponente. Nessa passagem, algumas tradições de tradução preservam “barba” (ARA, e.g. “agarrei-o pela barba”), enquanto outras preferem soluções que deslocam o referente para o pescoço/queixo, sobretudo por o agente ser um animal: a NVI verte “agarro pelo pescoço” e versões inglesas oscilam entre “beard” e alternativas como “mane/hair” (1Sm 17.35). Esse contraste mostra que, no nível semântico, זָקָן (zāqān, “barba”) pode ser mantido literalmente por algumas versões mesmo em cenário zoológico, enquanto outras optam por uma equivalência funcional (“juba/pelo/queixada/pescoço”) para evitar a leitura de “barba” aplicada ao leão; ainda assim, o ponto narrativo comum permanece: trata-se de uma zona da cabeça usada para controle físico imediato do adversário.
Em 2 Samuel 20:9, a barba reaparece como elemento de protocolo social — e, precisamente por isso, como vetor de vulnerabilidade. Joabe aproxima-se de Amasa com fórmula de saudação (“Vais bem…?”) e, com a mão direita, “lhe pegou a barba, para o beijar” (2Sm 20.9). O hebraico registra o gesto com a expressão בִּזְקַן עֲמָשָׂא (bizzəqan ʿĂmāśāʾ, “pela barba de Amasa”), integrada ao infinitivo lamed de finalidade לִנְשָׁק־לֹו (linšāq-lô, “para beijá-lo”), compondo uma cena em que o toque na barba funciona como marca pública de proximidade e deferência, ao mesmo tempo em que fixa o rosto do outro e reduz sua capacidade de reação. A convergência entre versões modernas aqui é alta (a maioria mantém “barba” e explicita o “beijo”), o que reforça que o efeito literário não depende de uma nuance lexical rara, mas da coreografia social: uma saudação “correta” torna-se o mecanismo de desarme do interlocutor (2Sm 20.9).
VI. A barba como alvo de ultraje: desonra diplomática e encenação de marginalidade
Em 2 Samuel 10.4–5, a barba se torna alvo direto de violência simbólica: os emissários de Davi têm “rapou metade da barba” e, em paralelo, suas vestes são cortadas de modo degradante; o narrador destaca que ficaram “sobremaneira envergonhados”, e a resposta régia inclui a ordem prática de permanecerem em Jericó “até que vos torne a crescer a barba” (2Sm 10.4–5). O hebraico explicita a ação com וַיְגַלַּח אֶת־חֲצִי זְקָנָם (waygallaḥ ʾet-ḥăṣî zəqānām, “e raspou metade das barbas deles”), construção que evidencia o caráter deliberado e mensurável do ultraje (“metade”), sugerindo não mera remoção estética, mas mutilação socialmente legível. A mesma lógica reaparece no paralelo de 1 Crônicas 19.4–5, que reitera o ataque às barbas e a estratégia de “esperar” a recomposição do sinal público de honra antes de regressar (1Cr 19.4–5). O dado decisivo não é apenas que a barba “existe”, mas que sua integridade funciona como índice de dignidade: a narrativa trata o crescimento posterior como restauração de condição apresentável diante da comunidade, e não como detalhe cosmético (2Sm 10.4–5; 1Cr 19.4–5).
Em 1 Samuel 21.13, a barba volta ao centro como superfície onde se encena rebaixamento público: Davi, simulando loucura, deixa “escorrer saliva pela barba”. O hebraico formula a imagem com וַיּוֹרֶד רִירוֹ אֶל־זְקָנוֹ (wayyōred rîrô ʾel-zəqānô, “e sua saliva descia para a sua barba”), fazendo da barba o lugar visível onde a desordem (real ou performada) se manifesta e convence observadores externos. Aqui, a barba não é agredida por terceiros, mas “exposta” como palco de degradação controlada: a cena pressupõe que a saliva na barba comunica, de modo imediato, perda de autocontrole e status, funcionando como linguagem corporal socialmente decodificável.
VII. Bigode como marcador de descuido deliberado, lealdade e etiqueta pessoal
No hebraico bíblico, o termo mais específico para a região do lábio superior é שָׂפָם (śāp̄ām, “bigode/lábio superior”), e sua ocorrência é relevante porque desloca o foco do “rosto inteiro” para um sinal visível e socialmente codificado: aquilo que se deixa aparar, ou se deixa crescer/ficar “por fazer”, e aquilo que se cobre ou não se cobre em situações rituais. Em Levítico, a instrução dada ao acometido por doença cutânea inclui “cobrir” essa zona: וְעַל שָׂפָם יַעְטֶה (wəʿal-śāp̄ām yaʿṭeh, “e sobre o bigode cobrirá”) (Lv 13.45). A tradição grega antiga, ao verter esse membro corporal, não escolhe uma palavra “barba”, mas reexprime o gesto como cobertura da boca: περὶ τὸ στόμα αὐτοῦ περιβαλέσθω (peri to stoma autou peribalesthō, “cubra ao redor de sua boca”), o que ajuda a entender por que algumas traduções modernas preferem “cobrir a boca/parte inferior do rosto” em vez de “bigode”, enquanto outras mantêm “bigode” como equivalente direto.
No relato histórico, a forma verbal aplicada ao mesmo elemento mostra que ele também pode funcionar como “marcador de apresentação pública”: ao narrar o estado de Mefibosete durante a ausência do rei, o texto inclui “não tratar” o seu śāp̄ām: וְלֹא־עָשָׂה שְׂפָמוֹ (wəlōʾ-ʿāśâ śəp̄āmô, “e não tratou o seu bigode”, cf. 2Sm 19.24). É precisamente aqui que se percebe a oscilação de versões: em português, há tradução tradicional que verte como “barba” (ACF), ao passo que versões inglesas conservadoras e formais podem optar por “mustache” (p. ex., NASB/NET), evidenciando que o problema não é “estilo”, mas a escolha do referente anatômico do hebraico. A Septuaginta, por sua vez, confirma a leitura “bigode” ao empregar o substantivo com esse valor, τὸν μύστακα (ton mystaka, “o bigode”), reforçando que o foco do versículo não é “barba” em geral, mas o aspecto do lábio superior como sinal externo de cuidado ou de suspensão deliberada do cuidado.
VIII. Barba e luto: raspar, cortar, arrancar
Em textos poéticos e proféticos, a barba (e, por extensão, o cabelo) integra um repertório público de sinais de aflição e humilhação: a cabeça “calva/rapada” e a barba “rapada/cortada” aparecem como fórmula de lamentação coletiva, sem preocupação estética, mas como gramática social do pranto. Isaías descreve Moabe em estado de luto com a imagem estereotipada “todas as cabeças se tornam calvas, e toda barba é rapada” (Is 15.2), e Jeremias retoma a mesma linguagem para o lamento nacional, combinando-a a outros sinais corporais e vestimentários: “toda cabeça ficará calva, e toda barba, rapada” (Jr 48.37).
A mesma codificação aparece em narrativa histórica com um detalhe adicional: a barba raspada pode compor, junto de vestes rasgadas e cortes no corpo, um “conjunto ritual” de lamentação que antecede ou acompanha atos de culto. O texto menciona um grupo vindo a Jerusalém “com a barba rapada, as vestes rasgadas e o corpo retalhado”, levando ofertas e incenso “para levarem à Casa do Senhor” (Jr 41.5). Nesse quadro, a barba não é um adorno em debate, mas um suporte semiótico do sofrimento publicamente visível, capaz de identificar imediatamente a condição do grupo a qualquer observador, antes mesmo de qualquer fala ou explicação.
Há, por fim, um gesto mais agressivo e individualizado: não apenas raspar ou cortar, mas arrancar pelos da barba, o que desloca o sinal do “código social” para a autopenitência dramática. Em Esdras, a reação ao escândalo comunitário inclui “arranquei os cabelos da cabeça e da barba”, vinculada ao rasgar das vestes e ao estado de atônito (Ed 9.3). A diferença entre raspar/cortar e arrancar não é trivial: enquanto o primeiro pode operar como estereótipo público de lamentação, o segundo sugere um ato de contrição intensificada, que marca o corpo com violência deliberada e traduz a gravidade do evento em forma visível e dolorosa.
IX. O “cobrir o bigode” como silêncio, vergonha e interrupção da palavra
Em Ezequiel 24.17, a orientação de não executar ritos usuais de luto inclui uma expressão que, em português, pode aparecer como “bigode”, “rosto” ou “lábios”, conforme a tradição tradutória. O hebraico emprega a forma com o substantivo שָׂפָם (וּשְׂפָם לֹא תַעְטֶה, ūśəp̄ām lōʾ taʿṭeh — “e não cobrirás o bigode/lábio superior”), de modo que o gesto descrito se localiza na zona do “lábio superior” (com sua projeção pilosa) e, por extensão, no ato de velar parcialmente a boca. Por isso, ARA explicita “bigodes”, enquanto a NVI generaliza para “rosto”, dissolvendo o foco corporal do lábio superior e convertendo o gesto em cobertura facial mais ampla.
A mesma locução retorna em Ezequiel 24.22, agora como norma coletiva: a comunidade repetirá o sinal profético e, portanto, não realizará o mesmo repertório de sinais funerários; a ARA mantém “bigodes”, preservando a materialidade do ato, e a NVI retém “rosto”, mantendo a leitura mais geral. O ponto lexicológico reaparece também no contraste entre versões inglesas: a ASV verte “lips”, e a NIV amplia para “mustache and beard”, isto é, reinterpreta o alcance do gesto como cobertura do conjunto “bigode + barba”, o que não é explicitado na forma hebraica, mas funciona como paráfrase cultural para leitores modernos.
Em Miqueias 3.7, o mesmo campo gestual ganha valor retórico: “cobrir o bigode” é reação de vergonha diante da ausência de resposta divina, isto é, o corpo dramatiza a interrupção da fala autorizada. O hebraico traz a mesma raiz nominal: וְעַל־שָׂפָם יַעְטוּ, wəʿal-śāp̄ām yaʿṭû — “e sobre o bigode/lábio superior eles se cobrirão”, em que o movimento de “cobrir” (עָטָה) converte a boca em lugar de silêncio público, como se o próprio órgão da declaração profética fosse velado. Aqui, a ARA mantém “bigode” de modo coerente com o valor corporal do termo, deixando claro que a humilhação não é abstrata, mas inscrita num gesto visível.
A Septuaginta, porém, é relevante exatamente por não preservar o mesmo gesto. Em Ezequiel 24.17 ela desloca o sentido para um eixo de “consolo” e “lábios” (χείλεσιν, cheilesin, “lábios”), e em Miqueias 3.7 altera o desenho da cena ao falar de confusão e falta de quem os escute, sem a imagem explícita do ato de velar o lábio superior. Esse afastamento entre a formulação hebraica e a grega antiga indica que, no nível tradutório e textual, a associação “bigode/lábio superior → silêncio ritual” não é uniformemente transmitida em todas as tradições antigas, o que aumenta o peso interpretativo do hebraico para a compreensão do gesto como sinal público de luto, vergonha e suspensão da palavra.
X. Barba na poesia e na imagem litúrgica
Em Salmo 133.2, a barba deixa de ser marcador de contrição ou desonra e se torna superfície poética para representar consagração e comunhão. O hebraico duplica o termo, criando ênfase imagética: עַל־הַזָּקָן זְקַן־אַהֲרֹן, ʿal-hazzāqān zĕqan-ʾAharōn — “sobre a barba, a barba de Arão”; a repetição encadeia “cabeça → barba → vestes”, de modo que a barba funciona como zona intermediária por onde a unção “desce” antes de alcançar a borda do traje sacerdotal. A LXX, aqui, confirma o referente corporal ao empregar πώγωνα (pōgōna, “barba”), preservando o eixo semântico da imagem.
As traduções modernas costumam concordar no núcleo (“barba de Arão”), mas variam na última moldura espacial: ARA traz “até a gola das suas vestes”, ao passo que outras tradições preferem “orla”/“barra” (ou equivalentes), pois a expressão hebraica que descreve a extremidade do vestuário admite mais de uma concretização em português contemporâneo. O ponto decisivo é que a barba é escolhida como elemento visualmente apto a tornar perceptível a abundância e o movimento descendente do óleo: ela torna a unção “visível” antes que a imagem alcance o tecido, conectando corpo sacerdotal e veste ritual numa única cena.
XI. Tradições clássicas do judaísmo
Na literatura rabínica, a barba é tratada прежде de tudo como objeto de delimitação normativa, derivada da leitura jurídica de “não destruirás a extremidade da tua barba” (Lv 19.27) e de sua aplicação à conduta concreta. A Mishná enquadra “destruir a extremidade da barba” como infração passível de sanção, ao lado de outros sinais corporais associados a práticas proibidas, e o Talmud babilônico explicita o alcance do termo פְּאַת זְקָנוֹ (peʾat zĕqānô, “extremidade da sua barba”), discutindo quantas “extremidades” são reconhecidas e qual modalidade de remoção caracteriza a violação, com ênfase na remoção “como navalha” (תַּעַר, taʿar, “navalha”), em contraste com meios que não reproduzem o efeito de lâmina (cf. Makkot 20a:9, Makkot 20a:10, Makkot 21a).
Além do aspecto estritamente penal, a tradição organiza o tema como fronteira cultural: “cantos” de cabeça e barba podem funcionar como sinais de separação em relação a costumes externos, sem reduzir o assunto a estética. Essa moldura aparece na forma como materiais rabínicos e organizadores temáticos conectam a linguagem bíblica a uma lógica de identidade coletiva, entendendo que certas formas de recorte/raspagem se tornaram, em contextos históricos, marcas visíveis de pertença a práticas alheias, e por isso são tratadas como área sensível de disciplina do corpo. A barba, nesse enquadramento, não é apenas um atributo masculino, mas um campo onde se regulam gestos e limites que distinguem a comunidade por sinais cotidianos. (Corners of the Head and the Beard, Jerusalem Talmud Makkot 3.5).
Quanto ao “bigode/lábio superior”, a tradição rabínica lê a fórmula profética “não cobrirás o bigode” (Ez 24.17) como chave para normatizar sinais de luto: o Talmud utiliza o verbo “cobrir” ligado a שָׂפָם (śāp̄ām, “bigode/lábio superior”) para inferir que o enlutado, em circunstâncias ordinárias, está obrigado a um tipo de cobertura/velamento que afeta a boca e a região do lábio superior, convertendo o gesto em símbolo público de aflição e retraimento social. Esse uso é tecnicamente relevante porque mostra a migração de um detalhe corporal (o śāp̄ām) para uma categoria ritual reconhecível: cobrir o lábio superior não é “barba”, mas uma etiqueta de luto e de contenção, extraída por inferência jurídica a partir do contraste profético. (Moed Katan 15a, Jerusalem Talmud Moed Katan 3.5).
A Mishná registra que, no calendário de certas sociedades ao redor, havia dias associados a atos identitários como “raspar a barba e os cachos”, e trata esses marcos como relevantes para delimitar interação e comércio em torno de festividades religiosas. A menção é significativa porque confirma, em linguagem normativa, que o ato de barbear-se podia ser um rito socialmente marcado, não um simples hábito neutro; por essa razão, a barba entra também no domínio do “tempo ritual” e das precauções contra participação indireta em celebrações de alteridade cultual (cf. Mishnah Avodah Zarah 1.3).
XII. Cabelos Faciais no Antigo Oriente Próximo
A documentação material do antigo Oriente Próximo sugere que as práticas de manejo de pelos faciais não funcionavam apenas como higiene, mas como um código visual capaz de demarcar pertença cultural, posição social e ideais de masculinidade (BENNETT, Beards as a Marker of Status during the Neo-Assyrian Period, 2022, pp. 81–106). Em certos contextos egípcios, o ato de raspar o rosto se associa a um ideal de cuidado corporal em que a “barba desgrenhada” pode ser interpretada como sinal de negligência, ao passo que, em horizontes mesopotâmicos e helenísticos, a barba tende a figurar como marcador público de maturidade masculina e de respeitabilidade, tornando-se parte do repertório normal de apresentação do homem adulto, com implicações para a leitura iconográfica de estatuária, relevos e pequenas imagens. (KAUL, The One-Edged Razor, 2018, pp. 161-176)
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| Cabeça de Apcalu. © Fonto de Osama Amin. |
No Egito faraônico, a tensão entre barbeamento cotidiano e barba “ritual” aparece com nitidez na iconografia régia: a barba postiça, cuidadosamente conformada, integra a gramática visual de autoridade e de legitimação, inclusive quando uma mulher exerce o poder em moldes tradicionalmente masculinos, adotando insígnias visuais de realeza que incluem a barba cerimonial (MARGETTS, The Masculine Character of Hatsheput, Queen of Egypt, 1951, pp. 559–62; MATIĆ, (De)Queering Hatshepsut, 2016, pp. 810–831; CZERWINSKi, Beard of Ramases VI, 2014). Em paralelo, a linguagem religiosa e funerária preserva a associação entre barba e esfera divina por meio de fórmulas onomásticas e epítetos, onde a “barba divina” aparece como marcador de sacralidade, reforçando o vínculo entre soberania, culto e representação do corpo (TEENER, Egyptian Art, 1994, pp. 21, 31)
Na Mesopotâmia, e particularmente na Assíria imperial, a barba funciona como um dispositivo de diferenciação social no qual forma, volume e tratamento estético participam da construção pública de identidade e hierarquia. O repertório neoassírio explora a barba como marcador de status, permitindo que a leitura de relevos e imagens associe tipos de barba a categorias de pessoa (rei, elite, subordinados), de modo que o rosto não é apenas fisiognomia, mas um “campo” de sinais disciplinados e reconhecíveis; por essa via, a barba se converte em elemento de linguagem política, e sua manipulação (preservação, exibição, alteração) adquire potencial comunicativo no registro da honra e do poder. (BENNETT, ibid., 2022) No corredor siro-anatólico e no Levante, a variabilidade dos estilos de barba pode ser lida como parte de um cenário de contatos intensos, em que tradições locais e influxos assírios coexistem e competem na elaboração de imagens de realeza e de elite.
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| Máscara egípcia funerária de Tutancamôn com barba postiça. Artefato está no Museu Egípcio do Cairo. © The Egyptian Museum |
A materialidade imagética de centros como Samʾal/Zincirli tem sido tratada como laboratório para discutir identidade “aramaica” e levantina justamente porque pormenores corporais e de vestimenta, entre eles o tratamento de cabelo e barba, ajudam a situar os monumentos em redes regionais de influência. Em paralelo, a escultura ammonita fornece exemplos em que a barba artificial (inclusive com tipologia “osiríaca”) participa do vocabulário de representação, indicando que a barba podia operar como insígnia formal em ambientes distintos do Egito, mas em diálogo com repertórios simbólicos amplos. (CORNELIUS, The Material Imagery of the Sam’al (Zincirli) Monuments and ‘Aramaean Identity’, 2019, pp. 183-205; ’AMR, Four Ammonite Sculptures from Jordan, 1990, pp. 114-18) O bigode e a barba, quando considerados em conjunto, também aparecem como objetos de cobertura, fixação e proteção em práticas que combinam motivos práticos e semânticos: impedir poeira, estabilizar o pelo, favorecer ocultação, produzir aquecimento, sinalizar luto e, em certos contextos, expressar ideais de pureza e sacralidade. Nesse horizonte, a cobertura do bigode não é detalhe marginal, mas parte de um repertório técnico e simbólico que se deixa observar comparativamente entre Egito e Mesopotâmia, incluindo usos capazes de diferenciar funções e grupos por sinais faciais (por exemplo, distinções entre escribas em tradições diversas) e de associar crescimento e tratamento do pelo a critérios de maturidade, prestígio, autoridade e religiosidade (ATTALLA, Facial Hair and Beard Coverings Motives for Growth and Coverage in the Ancient Egyptian and Mesopotamian Doctrine, vol. 7: iss. 1, art. 7)
Abreviaturas e siglas
1Cr = 1 Crônicas
1 Sm = 1 Samuel
2Sm = 2 Samuel
ACF = Almeida Corrigida Fiel
ARA = Almeida Revista e Atualizada
AT = Antigo Testamento
cf. = conferir
Ed = Esdras
e.g. = por exemplo
ESV = English Standard Version
Ez = Ezequiel
Is = Isaías
Jr = Jeremias
Lv = Levítico
LXX = Septuaginta
Mq = Miqueias
NASB = New American Standard Bible
NVI = Nova Versão Internacional
NVT = Nova Versão Transformadora
NT = Novo Testamento
p. ex. = por exemplo
Sl = Salmos
YLT = Young’s Literal Translation
Bibliografia
ATTALLA, Reda Ali Elsayed. Facial hair and beard coverings: motives for growth and coverage in the ancient Egyptian and Mesopotamian doctrine. Journal of the General Union of Arab Archaeologists, v. 7, n. 1, p. 108–141, 2022. DOI: 10.21608/jguaa2.2021.83442.1069.
BACH, Johannes; FINK, Sebastian (org.). The king as a nodal point of Neo-Assyrian identity. Münster: Zaphon, 2022. (Kasion 8).
BENNETT, Ellie. Beards as a marker of status during the Neo-Assyrian period. In: BACH, Johannes; FINK, Sebastian (org.). The king as a nodal point of Neo-Assyrian identity. Münster: Zaphon, 2022. p. 81–106.
COOPER, Wendy. Hair, sex, society, and symbolism. New York: Stein and Day, 1971.
CZERWIŃSKI, Piotr. The beard of Ramesses VI. Studies in Ancient Art and Civilization, Kraków, v. 18, p. 196–203, 2014. DOI: 10.12797/SAAC.18.2014.18.14.
FREEDMAN, David Noel; MYERS, Allen C.; BECK, Astrid B. Eerdmans Dictionary of the Bible. Grand Rapids, MI: W.B. Eerdmans, 2000.
KAUL, Flemming. The one-edged razor: a vivid medium of creativity and meaning. In: BENDER JØRGENSEN, Lise; SOFAER, Joanna; SØRENSEN, Marie Louise Stig (eds.). Creativity in the Bronze Age: understanding innovation in pottery, textile and metalwork production. Cambridge: Cambridge University Press, 2018. p. 161–176. DOI: 10.1017/9781108344357.022.
MARGETTS, Edward L. The masculine character of Hatshepsut, Queen of Egypt. Bulletin of the History of Medicine, v. 25, n. 6, p. 559–562, nov./dez. 1951.
’AMR, Abdel-Jalil. Four Ammonite sculptures from Jordan. Zeitschrift des Deutschen Palästina-Vereins, v. 106, p. 114–118, 1990.
CORNELIUS, Izak. The material imagery of the Sam’al (Zincirli) monuments and “Aramaean identity”. Die Welt des Orients, v. 49, n. 2, p. 183–205, 2019.
ROAF, Michael. Cultural atlas of Mesopotamia and the ancient Near East. New York: Facts on File, 1990.
TEETER, Emily. Egyptian art. Art Institute of Chicago Museum Studies, v. 20, n. 1, p. 21–31, 1994. DOI: 10.2307/4112949.
WEBER, C. Die Rasiermesser in Südosteuropa. Stuttgart: Franz Steiner Verlag, 1996. (Prähistorische Bronzefunde, Abt. VIII, Bd. 5).
Textos originais
BRENTON, Lancelot Charles Lee. The Septuagint with Apocrypha: Greek and English. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1990.
ELLIGER, Karl; RUDOLPH, Wilhelm (eds.). Biblia Hebraica Stuttgartensia. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.
Versões da Bíblia
BÍBLIA SAGRADA. Almeida Revista e Atualizada. 2. ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
BÍBLIA SAGRADA. Almeida Corrigida Fiel. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2011.
BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2001.
BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Transformadora. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.
HOLY BIBLE. New International Version. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2011.
HOLY BIBLE. English Standard Version. Wheaton, IL: Crossway, 2016.
HOLY BIBLE. New American Standard Bible. La Habra, CA: The Lockman Foundation, 2020.
HOLY BIBLE. American Standard Version. New York: Thomas Nelson & Sons, 1901.
Sites
SEFARIA. Corners of the Head and the Beard. Sefaria, s.d. Disponível em: //sefaria.org/topics/corners-of-the-head-and-the-beard. Acesso em: 8 jan. 2026.
SEFARIA. Jerusalem Talmud Makkot 3:5. Sefaria, s.d. Disponível em: //sefaria.org/Jerusalem_Talmud_Makkot.3.5. Acesso em: 8 jan. 2026.
SEFARIA. Jerusalem Talmud Moed Katan 3:5. Sefaria, s.d. Disponível em: //sefaria.org/Jerusalem_Talmud_Moed_Katan.3.5. Acesso em: 8 jan. 2026.
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SEFARIA. Mishnah Avodah Zarah 1:3. Sefaria, s.d. Disponível em: //sefaria.org/Mishnah_Avodah_Zarah.1.3. Acesso em: 8 jan. 2026.
SEFARIA. Moed Katan 15a. Sefaria, s.d. Disponível em: //sefaria.org/Moed_Katan.15a. Acesso em: 8 jan. 2026.
Cite este artigo:
GALVÃO, Eduardo. Barba. In: Enciclopédia Bíblica Online. [S. l.], 15 set. 2016. Disponível em: [Cole o link sem colchetes]. Acesso em: [Coloque a data que você acessou este estudo, com dia, mês abreviado, e ano].

