2019/09/19

Estudo sobre Êxodo 20

Estudo sobre Êxodo 20

Estudo sobre Êxodo 20



Êxodo 20
Os Dez Mandamentos (20.1-20)
Os princípios fundamentais da religião de Israel estão contidos nos Dez Mandamentos que são transmitidos ao povo por Moisés. Considerados no seu devido contexto, eles são os termos da aliança impostos por Deus a seus parceiros da aliança, visto que os registros das transações do Sinai apresentam características que ocorrem também nas alianças e tratados seculares daquela época. As comparações mais úteis têm sido feitas com os tratados de suserania do Oriente Médio, que ligavam um estado vassalo a um suserano (“senhor”) com a promessa de proteção durante o tempo em que as exigências do tratado fossem cumpridas. No Sinai, Deus, como Senhor e Salvador, ditou as suas normas, o povo demonstrou a sua aceitação e uma aliança foi ratificada (cf. 24.7,8).
Que esse “decálogo” é bem antigo é sugerido pela ausência de exigências cultuais (às vezes, ele é chamado de “decálogo ético” para distingui-lo do “decálogo ritual” de 34.11-26); que não se trata simplesmente de um código de leis, mas de um documento constitutivo, é indicado pela forma em que as exigências são expressas e pela ausência de punições a serem aplicadas caso fossem violados mandamentos individuais. Há outras seções legais no Pentateuco (e.g., o “Livro da Aliança” em 20.21—23.33) que explicam os mandamentos contidos nos Dez Mandamentos. A forma em que os mandamentos são apresentados merece atenção detalhada. As leis do Antigo Oriente Médio geralmente eram divididas em duas categorias principais: leis casuísticas e leis apodícticas. Leis casuísticas são expressas na maioria das vezes na forma “Se... (então) ...” (cf. 21.7) e podem ter cláusulas subordinadas (“se”) apensas (cf. 21.8-11). Leis apodícticas tratam com absolutos e estão exemplificadas da maneira mais clara nos Dez Mandamentos.
Estas são apresentadas principalmente na forma de proibições e são dirigidas ao israelita individual. Somente o quarto e o quinto mandamentos são expressos em forma de ordens afirmativas. Alguns eruditos têm con-jecturado que originariamente esses também eram proibições e então tentaram forçá-los a se amoldar ao padrão geral. O decálogo é repetido, com algumas pequenas modificações, em Dt 5.6-21; as divergências principais estão no tratamento dos quarto e quinto mandamentos. Parece ser correto afirmar que o comentário acrescentado a esses mandamentos não fazia parte da transmissão original; os mandamentos devem ter sido expressos de forma sucinta para que pudessem ser facilmente inscritos em pequenas tábuas. Três formas diferentes de contar dez mandamentos (cf. 34.28) nos v. 2-17 foram propostas. Neste comentário, vamos considerar o v. 3 o primeiro da série e os v. 4-6 o segundo, v. 2. Nos tratados de suserania mencionados, os termos eram normalmente prefaciados por um relato dos atos benevolentes realizados pelo suserano em favor do vassalo. A lembrança dos atos de libertação realizados por Deus são breves em comparação com outros exemplares, mas servem ao mesmo propósito,
v. 3. além de mim (“diante de mim”, BJ): diversas explicações do termo hebraico foram sugeridas; em outros contextos, a expressão denota hostilidade e exclusão mútua. O mesmo termo é usado no hebraico no v. 23 e é traduzido, por exemplo, por “ao lado de mim” (BJ). v. 4. ídolo\ feito de madeira ou pedra. Em 34.17 (q.v.), “ídolos de metal” também são proibidos. E a produção de imagens para uso na adoração que é proibida; nesse sentido, a adoração israelita era iconoclasta. Independentemente das aberrações que tenham desfigurado a história subsequente do povo de Israel, não há evidência que sugira que imagens de Javé tenham sido feitas em nenhuma época dessa história, nas águas debaixo da terra talvez reflita a cosmologia hebraica, mas também se poderia pensar em fontes e rios subterrâneos, v. 5. deles-, pode referir-se ao v. 4, embora o v. 3 de fato forneça um antecedente plural, zeloso é boa tradução, pois ”ciumento” (BJ) tem conotações negativas. até a terceira e quarta geração “reflete a extensão máxima provável de membros de uma mesma família que vivam juntos numa casa” (Clements). v. 6. trato com bondade (“ajo com amor”, BJ): o amor conduz à obediência e tem sua recompensa (cf. Jo 14.21,23,24). v. 7. Concorda-se de forma unânime que esse mandamento protege o nome de Javé daquele uso ilegítimo que poderia ocorrer no juramento, na blasfêmia e na magia e, além disso, “sempre que Israel de alguma forma abrisse suas portas para o culto a outra divindade” (Stamm e Andrew).
Invocar o nome de Deus para a concretização de um pedido maldoso ou fraudulento era convidar a intervenção furiosa do próprio Deus. V. comentário de Lv 24.16. Igualmente repreensível era a afirmação de alguns falsos profetas de que estavam proclamando o “peso da palavra do Senhor” (cf. Ml 1.1, ARC); o simples uso dessa expressão era proibido (Jr 23.33-40). v. 8. Lembra-te\ Dt 5.12 traz “guardarás”. O shapattu babilônio era o nome pelo qual era conhecido o décimo quinto dia do mês (lua cheia). Apesar da sua aparente ligação com o shabbãt hebraico (“sábado”), a tentativa de descobrir uma relação entre as duas instituições tem se mostrado infrutífera. Não há razão para duvidarmos da observância do sábado na época de Moisés, ou até antes disso. Os v. 10,11 apresentam razões religiosas e humanitárias para a instituição do sábado, v. 11. Cf. Gn 2.1ss. Em Dt 5.14,15, o aspecto humanitário é destacado (“para que o teu servo e a tua serva descansem como tu”), e, em prosseguimento à argumentação, a referência à experiência de escravidão que os próprios israelitas tiveram no Egito substitui o argumento da criação que é usado aqui. Isso está em harmonia com a ênfase humanitária apresentada em Deuteronômio. E pouco provável que alguma dessas razões para a observância do sábado tenha sido incluída na formulação original do mandamento (v. antes), v. 12. Um princípio de ampla aplicação na “família ampliada” da sociedade israelita antiga. Tanto a mãe quanto o pai deveriam ser honrados. Cf. a responsabilidade conjunta conferida aos pais do “filho obstinado e rebelde” (Dt 21.18-21). O mandamento não foi anulado na dispen-sação cristã (cf. Ef 6.1ss).
v. 13. Não matarás: o uso do verbo rãsah no AT não está restrito a um tipo específico de matar. No presente contexto, significa algo parecido com “assassinar”; não haveria razão em legislar contra homicídio não intencional! Nem a pena de morte (por parte do Estado) nem o matar na guerra estavam incluídos nessa interdição, v. 14. A relação sexual com uma mulher não casada ou noiva (com contrato de casamento) não era punida tão severamente quanto o adultério; observe a diferença entre as penas prescritas em 22.16 e em Lv 20.10 (cf. Dt 22.22ss). Mt 5.27,28 volta diretamente aos primeiros princípios. O v. 15 trata do roubo em geral. Alguns estudiosos preferem interpretar isso de forma mais restrita ao roubo de pessoas (sequestro; cf. 21.16; Dt 24.7). Mesmo numa comunidade cristã, a prescrição talvez precise ser destacada e repetida (cf. Ef 4.28). v. 16. Lit. “Não responderás contra o teu próximo como testemunha falsa”. A evidência falsa não deveria ser colocada diante dos juízes com o objetivo de garantir a condenação de um réu. v. 17. não cobiçarás: afirma-se com frequência que essa ordem aponta além da motivação para a ação de fato. Mas o sentido normal do verbo e o uso em Dt 5.21 de um sinônimo cujo significado não é questionado depõem contra esse ponto de vista. Hyatt observa que “o mal da cobiça era conhecido e condenado muito tempo antes de Moisés na literatura sapiencial egípcia”, casa é explicado por aquilo que segue; cf. a tradução de “casas” por “famílias” em 1.21. v. 20. A própria majestade da teofania teria o efeito positivo de desencorajar o povo a violar os mandamentos que lhe foram ordenados.

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