2019/09/18

Estudo sobre João 17

Estudo sobre João 17

Estudo sobre João 17


A grande oração de Jesus (17.1-26)
Essa oração, como mostra o texto, trata de três questões distintas. Jesus se consagra para a obra que ele está para empreender (v. 1-5). Então, ele ora especificamente pelos discípulos (v. 6-19) e finalmente ora pela Igreja toda (v. 20-26). A consagração, aliás, é a ideia-chave que permeia o todo. Ao tentar analisar o significado das frases individuais, inevitavelmente se perde a majestade da oração como ela está no seu todo e a espontaneidade com que o Salvador passa de uma fase para a seguinte. Depois do estudo dos detalhes, deveria ser lida sem interrupção.
v. 1. Depois de dizer isso: Do cap. 13 ao 16, Jesus desenvolveu o significado da sua partida. Seu ensino conclui com as palavras: ”Eu venci o mundo” (16.33), dando a entender que se poderia dizer no final das contas que nele o propósito de Deus tinha sido e seria atingido. Assim, com os seus olhos levantados para o céu, Jesus conclui a sua obra como profeta na terra e pondera sobre sua obra como sacerdote, entrando, em espírito, no Lugar Santo. Essa oração tem sido apropriadamente chamada de “oração sacerdotal” — pela primeira vez, aparentemente, por David Chytraeus (séc. XVI). Glorifica o teu Filho-. A saída de Judas tinha significado a chegada da “hora” em que Jesus se entrega à sua morte (cf. 13.31), mas a glorificação do Filho já foi manifesta por suas palavras e obras (cf. 1.14; 2.11). v. 2. lhe deste autoridade-. Jesus já afirmava ter poder para exercer juízo (cf. 5.27) e perdão (cf. Mc 2.10). Ele já disse que não julga o homem (cf. 8.15) e agora vê o seu poder de estar na posição de “dar vida eterna” (cf. 1.14,12). v. 3. Esta é a vida eterna: que te conheçam-, O conhecimento do Pai precisa estar associado à compreensão do Filho, visto que a revelação de Deus em Cristo não pode ser excedida. Não é a compreensão intelectual, mas o aperfeiçoamento de confiança pessoal e moral. Jesus Cristo, a quem enviaste-, Lit. “aquele que tu enviaste, exatamente Jesus Cristo” (RV); pode ser que “exatamente Jesus Cristo” seja um acréscimo explicativo feito pelo evangelista (cf. 1.17). v. 4. Eu te glorifiquei na terra: A glória de Deus era soberana na vida de Jesus. Ele somente podia orar tendo estabelecido esse fato por meio de uma vida de submissão ao Pai. O tempo verbal denota uma ação concluída no passado.
v. 5. glorifica-me junto a ti: Não temos aí um pedido egoísta de reconhecimento. Antes, é uma oração que já reconhece que a obra histórica de Cristo de concessão de vida pode revelar verdadeiramente a natureza eterna da divindade, e também reconhece a relação entre a Palavra, imanente e ativa na criação e na salvação, e o Deus imutável e transcendente, v. 6. Eles eram teus: Jesus sempre reconhece a prioridade do propósito de Deus. Mas a sua parte nesse propósito era revelar o nome de Deus, i.e., sua natureza. A revelação divina foi feita em palavras. Jesus as transmitiu aos discípulos (cf. v. 8). Agora eles as aceitaram. Eles reconheceram de fato (v. 8): Uma convicção intelectual impregnada da evidência que eles viram em Jesus, de que ele tinha vindo do Pai, e creram, isto é, depositaram a sua confiança moral no fato de que Jesus fora enviado, não vindo somente na sua própria autoridade, mas com a autoridade completa da divindade, v. 11. Pai santo, protege (gr. têrêson)-os: Ou seja, separa-os da profanação do mundo, em teu nome. A santidade deles seria atingida somente pelo relacionamento com o Pai (cf. Lv 11.44,45), cujo nome, em princípio, já foi dado ao Filho (cf. Fp 2.9), para que sejam um. A união pode ser expressa perfeitamente por meio de um relacionamento de amor (cf. 5.42,43; 14.9-15) e é um reflexo da união eterna desfrutada pelas três pessoas em uma essência, a Trindade. v. 12. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição: A deserção de Judas foi a única e trágica exceção que provou a regra. O cumprimento das Escrituras nesse caso (cf. SI 41.9; Jo 13.18,31) indica que Judas foi destruído somente por suas próprias características, que poderiam ter sido usadas para o bem, mas foram empregadas para um fim nocivo e mau.
v. 15. do Maligno: Embora esteja claro que Jesus cria na personalidade de Satanás e ensinava esse conceito, as palavras aqui poderiam transmitir o sentido de que ele desejava que os discípulos fossem protegidos desse poder personalizado do mal que tinha se mostrado a Judas (cf. ljo 5.18,19). v. 17. Santifica-os na verdade-, Não é uma oração de purificação. Eles “já estão limpos” (cf. 15.3). Mas é a verdade, a revelação de valores eternos, que tanto pode mantê-los sem mancha quanto prover o conteúdo da sua mensagem. Essa verdade é a Palavra de Deus (cf. SI 119.142), que pode trazer libertação (cf. 8.32). v. 19. eu me santifico-. Ele deve tornar-se um “sumo sacerdote para sempre” em virtude de sua morte vicária. E a verdade está relacionada à morte de Cristo no fato de que o ministério dos discípulos será relevante somente se for influenciado pelas implicações dessa morte (cf. Hb 7.26ss; ICo 1.23).
Agora o Senhor se volta à oração pela Igreja inteira. Visto que sua oração é eficaz, o trabalho de evangelismo vai prosperar. Assim, a unidade precisa ser mundial, v. 21. para que todos sejam um [...] para que o mundo creia-. Aquele primeiro milagre de unidade que distinguiria os primeiros discípulos, Cristo vê como o caráter vital da Igreja em todas as épocas. Nada menos do que a unidade orgânica vai satisfazer a oração do Salvador. A essência é: Pai, como tu estás em mim-, e essa unidade tem um propósito específico: que o mundo possa saber que ele é, de fato, a Palavra encarnada, trazendo aos homens o conhecimento e o amor de Deus (cf. v. 23). v. 24. quero que os que me deste estejam comigo-. O Senhor quer que aquele companheirismo que tinha sido iniciado alguns anos antes seja levado para a eternidade. Historicamente, eles não o seguiriam imediatamente (cf. 13.33); mas Pedro a certa altura o seguiria por meio do sofrimento (cf. 13.36). Mas agora, com a sua obra concluída, com sua vontade expressa perfeitamente de ser um com o Pai, Jesus faz esse pedido pessoal. E ele vai obter a maior alegria do fato de saber que eles vão contemplar a sua glória, assim completando a compreensão que têm dele. A visão que eles têm do Pai também vai ser satisfeita,
v. 25. embora o mundo não te conheça-. Essa oração é essencialmente, se não gramaticalmente, subordinada ao que segue: embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes [os discípulos] sabem que me enviaste. O Salvador declara assim sua intenção de manifestar o nome de Deus novamente no ato decisivo da cruz. Mas essa é a escuridão antes da aurora, após a qual o Salvador vai revelar o amor de Deus de forma realista e prática em cada um dos seus. Assim, na sua exaltação ele vai continuar a ensiná-los.

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