2019/09/12

Estudo sobre João 6

Estudo sobre João 6

Estudo sobre João 6 



João 6
3) Alimentando a multidão (6.1-15)
v. 1. Algum tempo depois: Alguns acham que esse capítulo deveria preceder o cap. 5 na sequência cronológica, com base no aspecto de que 7.1 segue de forma mais natural o cap. 5 (v. em particular 5.18). Mas a ideia não está suficientemente fundamentada para torná-la satisfatória (v. comentário de 7.15). mar de Tibertades: Assim denominado segundo a cidade, fundada por Herodes Antipas em 26 d.C. em honra a Tibério César. João pode ter usado o nome atualizado para o benefício dos não-judeus (cf. 21.1). v. 4. a festa judaica da Páscoa: Essa Páscoa, provavelmente, ocorreu um ano depois da mencionada no cap. 2, pois na ocasião anterior João Batista ainda não havia sido preso; e, de acordo com Marcos, ele não só havia sido preso, mas também executado na época da multiplicação dos pães aos 5 mil. A Páscoa estava suficientemente próxima, talvez, para permitir que João inserisse uma nota cronológica, que abre o caminho para o discurso posterior (v. 22-59) à luz da festa da Páscoa (cf. ICo 5.7; Mt 15.29-39). v. 5. vendo uma grande multidão que se aproximava: Tendo caminhado em volta da margem nordeste do lago, Jesus se compadece das pessoas (cf. Mc 6.33,34). Filipe-. Nos Sinópticos, são os discípulos que expressam preocupação pela multidão. Aqui, de forma complementar, Jesus testa um deles.
v. 9. mas o que é isto para tanta gente?: O problema de André é registrado para mostrar como são escassos os recursos do homem em comparação às suas necessidades, v. 11. Jesus [...] deu graças (gr. eucharistêsas): O fato de João descrever esse incidente de forma extensa, enquanto não registra a última ceia em detalhes, certamente é significativo. Ação de graças é, no entanto, somente o que poderíamos ter esperado de Jesus, e a palavra de João para isso pode conter um significado técnico que iria associar esse evento imediatamente à ceia do Senhor. A lição principal aqui, aparentemente, é que Jesus estava agindo em dependência do Pai, de forma que as associações eucarísticas não deveriam ser exageradas, v. 12. Ajuntem os pedaços que sobraram-. Qualquer projeção de pensamento por parte do evangelista aqui para a completude do corpo de Cristo simbolizado na mesa da ceia é muito improvável. Antes, é evidência clara do fato de que Jesus se importava com o desperdício e tinha a intenção de trazer os discípulos de volta à realidade da necessidade humana distante do mundo dos milagres, v. 14. Sem dúvida este ê o Profeta: O assassinato recente de João Batista tinha intensificado o desejo de se encontrar um Messias popular. A aclamação deles saudou Jesus como o profeta como Moisés (Dt 18.15ss) que antigamente havia alimentado o seu povo de forma semelhante (cf. ICo 10.15). v. 15. Sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei\ A multidão “como ovelhas sem pastor” (Mc 6.34) era um exército procurando um comandante para conduzi-la contra os romanos, retirou-se-, Marcos nos diz que foi para orar (cf. Mc 6.46). Esse era um momento crítico. O reinado terreno estava longe dos anseios de Jesus (cf. 18.33,34) como a tentação já havia mostrado (cf. Mc 4.1-11).

4) Uma tempestade no mar (6.16-21)
Os discípulos retornam agora para o lado ocidental do mar da Galileia. v. 19. Depois de terem remado cerca de cinco ou seis quilômetros-, O termo grego stadion era equivalente a cerca de 185 metros. Andando sobre o mar (gr. epi tês thalassês): O sentido exato da frase grega tem sido debatido. Alguns defendem que significa “próximo do lago”, i.e., na margem, como em 21.1, assim descartando o sentido miraculoso das palavras, e fundamentando sua argumentação na alegação de que a alegria dos discípulos de receber Jesus no barco não os levou a de fato recebê-lo assim, pois logo chegaram à praia. Mas a sua chegada à margem não precisa ser tão rápida quanto as palavras podem sugerir, pois a distância em que estavam (v. 19) sugere que, quando viram o Senhor, tinham feito aproximadamente metade da travessia. E o texto é de difícil compreensão, a não ser que eles de fato tenham recebido Jesus dentro do barco com eles.
5) O pão vivo (6.22-59) v. 25. Mestre, quando chegaste aqui?-. A pergunta da multidão abre caminho para todo o discurso. A pergunta deles estava ligada ao tempo e à forma, pois a sua curiosidade pelo miraculoso não diminuía tão facilmente. Assim, Jesus diz: vocês estão me procurando [...] porque comeram os pães e ficaram satisfeitos (v.26). Mas que tipo de interesse eles tinham? Eles somente vinham a ele em virtude da satisfação do momento, e não pela comida que permanece e que, aqui e agora, nutre a vida eterna daqueles que a ingerem, v. 27. nele colocou o seu selo de aprovação-, O sinal dos pães e peixes é a autenticação divina das palavras de Jesus. v. 29. “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviouA compreensão que eles têm da ideia principal das palavras de Jesus ainda é limitada. Mas Jesus diz que a fé nele vai dar frutos naturalmente, não como um esforço ou obrigação. O tempo verbal denota continuidade, e não um ato único. v. 30. Que sinal miraculoso mostrarás-, A incredulidade deles é algo quase incrível. A multiplicação miraculosa dos pães, evidentemente, não produziu o efeito interior. Jesus rejeita a alusão que eles fazem a Moisés porque sua compreensão daquele milagre (cf. Ex 16.15; Ne 9.5) era deficiente, v. 32. é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão-, O maná de Moisés não era o “verdadeiro pão”, e, de qualquer forma, não foi dado por Moisés, mas por Deus. 
O verdadeiro pão dá vida ao mundo (v. 33). O povo começa a entender a distinção que Jesus está fazendo entre o maná e o sustento espiritual de que o maná é um tipo, de modo que responde com mais respeito mas ainda com entendimento incompleto. Senhor, dá-nos sempre desse pão! (v. 34), como a mulher samari-tana havia falado: “dê-me dessa água” (4.15). Por isso, Jesus torna a natureza do verdadeiro pão mais clara ainda. v. 35. Eu sou o pão da vida\ Até aqui no discurso, esse pão é dado pelo Filho do homem (v. 27) como o agente do Pai (v. 32); agora ele o identifica consigo mesmo, assim suscitando crítica ainda mais acentuada. Aquele que vem a mim nunca terá fome\ O compromisso total para com ele vai resultar em salvação total. Assim como não há nada de parcial no fato de Deus dar a vida, não pode haver também parcialidade em receber Cristo, v. 37. Todo aquele que o Pai me der virá a mim\ Isso é tão arbitrário assim? Temple acrescenta: “Perceber que o meu não ‘vir’ é em si devido à vontade do Pai, que ainda não me atraiu, e aceitar isso é um começo de confiança nele, um sinal de que de fato ele está me atraindo para vir” (v. 1, p. 88). v. 38. a vontade daquele que me enviow. Gf. v. 39,40. A vontade de Deus é o cerne da obra de Cristo na salvação. E a realização de Cristo dessa vontade é perfeita para que ele não perca nenhum (v. 39).
Vida eterna é o presente que Deus quer dar aos homens, v. 40. e eu o ressuscitarei. Westcott comentou apropriadamente que a doutrina da vida eterna toma óbvia a necessidade da ressurreição. João sempre pensa na vida eterna como uma possessão aqui e agora, embora o último dia mostre que ele também inclui a ideia de julgamento. v. 42. Este não é Jesus, o filho de José?-. A elaboração que Jesus faz dos ditos acerca do pão da vida, sem dúvida, conduziu alguns dos seus ouvintes a aceitarem o que ele estava dizendo como verdadeiro (cf. v. 34). Agora, no entanto, não é tanto o pão da vida que eles questionam, mas que essas reivindicações fossem feitas por alguém de origem tão humilde. v. 44. Ninguém pode vir a mim, se o Pai [...] não o atrair. A incredulidade dos judeus não contribui para a questão. Sempre é o Pai que toma a iniciativa para a salvação dos homens; assim, a resolução de enigmas teológicos não vai trazer vantagens finais, pois Todos serão ensinados por Deus (v. 45; cf. Is 54.12,13). Deus ensina os homens no aspecto de que só ele pode pronunciar a sua palavra. Todos os que ouvem e respondem de forma digna a essa palavra inevitavelmente vão se voltar para Cristo. O teste é franco (cf. v. 45,46).
v. 51. Este pão é a minha carne, que eu darer. Em resumo, Jesus novamente lembra os ouvintes de que o maná era somente um tipo do verdadeiro pão de Deus (cf. v. 49,50). Ele é o verdadeiro pão da vida. E a vida dele que será dada. Esse é o sacrifício de Jesus de si mesmo, pois ele dificilmente poderia dar sua carne e sangue (cf. v. 56) sem morrer, v. 53. Se vocês não comerem a carne [...] e não beberem o seu sangue-, A pergunta acerca da relação entre esse dito e a ceia do Senhor, em que os que participam assim o fazem por fé (ICo 10.16), é inevitável. Nos Sinópticos, a ceia do Senhor é registrada principalmente como instituída pelo próprio Senhor. Aqui, no entanto, podemos ver o ensino do Senhor Jesus que só pode ser completamente compreendido à luz da celebração que ele instituiu e que, sem se referir diretamente àquela ceia, transmite verdades que poderiam fornecer à ceia do Senhor um profundo significado para o crente. A linguagem é vividamente metafórica, denotando a apropriação de Cristo pela fé. “É uma figura”, diz Agostinho, “ordenando-nos que comuniquemos com a paixão do nosso Senhor e, secreta e proveitosamente, armazenemos na nossa memória que por nossa causa ele foi crucificado e morto” (On Christian Doctrine 3.16). Bernard explica as palavras Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue (v. 54) assim: “Aquele que reflete acerca da minha morte e segue o meu exemplo de mortificar seus membros que estão na terra tem a vida eterna — em outras palavras, ‘Se você sofrer comigo, vai também reinar comigo’ “ (On Loving God, 4.11). Deve-se observar que “carne” aqui corresponde a “corpo” nos Sinópticos e em ICo 10.16; 11.24,27,
29. Se há alguma distinção que deve ser feita entre os dois, seria que “carne” destaca a total humanidade de Cristo, enquanto “corpo” significaria sua pessoa como uma entidade orgânica, e o fato de que João tinha em mente os mestres docetistas não deve ser negligenciado nesse contexto. “Meu corpo” e “minha carne” representariam igualmente o termo aramaico bisri. v. 58. Este ê o pão que desceu dos céus\ O contraste entre Cristo e a Lei, entre o pão vivo e o maná, agora está completo. Como o Senhor Jesus está completamente identificado com o Pão de Deus, assim somente aquele que participa dele vai saber o que realmente significa a vida que vem de Deus.
6) A fé e a incredulidade dos discípulos (6.60-71) Jesus agora se concentra nos discípulos quando a oposição se acentua em outros ambientes. v. 60. Dura é essa palavra-, Não é de admirar que os discípulos ficassem tão consternados, em virtude do pouco conhecimento que tinham do futuro de Jesus. v. 62. Que acontecerá se vocês virem o Filho do homem subir. Ele desceu para dar vida. Vem o tempo quando vai retornar ao Pai em poder e glória. Se eles o viram na carne, que ele está prestes a dar pelo mundo, e estão maravilhados, qual será, então, a sua reação quando o virem subir num esplendor de glória? v. 63. O Espírito dá vida; a carne não produz nada-, Cf. os v. 53 e 55. As palavras de Jesus precisam ser entendidas num sentido espiritual, e não carnal. A sua carne é o veículo do Espírito e, por isso, pode transmitir a vida. Mas, como ele disse a Nicodemos, nada da base da natureza humana pode ajudar o homem na sua necessidade. v. 64. há alguns de vocês que não crêem-, Jesus aceitou a Paixão e já sabe quem são os que não vão crer. Além disso, essa é a sua primeira referência ao traidor e coincide exatamente com a primeira referência dos Sinópticos à Paixão. Jesus insiste (v. 65) em que alguns inevitavelmente vão voltar atrás, e, de fato, eles voltaram atrás (v. 66) naquele exato momento, v. 68. Tu tens as palavras de vida eterna-, Cf. Mc 8.29. A primeira fé impulsiva dos discípulos agora dá lugar à convicção racional fundamentada na experiência. As palavras de Jesus talvez sejam de difícil compreensão, mas suas reivindicações e autenticidade são muito claras. Eles crêem agora, mas eles foram escolhidos (v. 70), embora um deles, em vez de voltar atrás, permaneça entre os Doze, um membro desleal, talvez buscando distorcer o reino para se conformar ao seu próprio padrão. Era o filho de Simão Iscanotes ív. 71; cf. 13.2,26). O seu nome indica que ou ele vinha de Queriote-Hezrom, ou (o que é menos provável) que ele estava ligado aos sicários (cf. At 21.37,38 e “Sicários” no NBD).

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