Gênesis 21 — Comentário Evangélico

Gênesis 21 — Comentário Evangélico

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Gênesis 21 

O teste do Senhor (Gn 22:1-24)
Satanás tenta-nos para que expo­nhamos o pior de nós, mas Deus testa-nos a fim de nos ajudar a tra­zer à tona o melhor de nós. Veja Tiago 1:12-15. Os testes mais difí­ceis não vêm das pessoas, mas do Senhor, contudo sempre são acom­panhados das bênçãos mais exce­lentes. Deus nunca testou Ló dessa forma. Ele viveu de um modo tão baixo que Sodoma e o mundo o tes­taram. Deus, para sua glória, faz os maiores testes com o santo que ca­minha mais próximo do Senhor.

A lição tipológica
Esse evento é um exemplo maravi­lhoso de Cristo: o único Filho que queria dar a vida para agradar seu Pai. Isaque e Cristo eram filhos pro­metidos; os dois nasceram de forma milagrosa (claro que Cristo nasceu da virgem Maria e não tinha peca­do); os dois trouxeram júbilo ao co­ração do pai; os dois nasceram no momento determinado por Deus. Os dois foram perseguidos pelos irmãos e foram obedientes até a morte. Cru­cificaram Cristo entre dois ladrões, e dois jovens foram com Isaque (v. 3). Isaque questionou seu pai; Jesus per­guntou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste" (Mt 27:46). E claro que, no fim, Cristo morreu, enquanto Isaque foi poupado. En­tretanto, na visão de Deus, Isaque "morreu". Hebreus11:19 diz que "figuradamente" (isto é, simbolica­mente) Isaque levantou da morte. O versículo 19 indica que Abraão retornou até os servos que espera­vam, mas não diz nada a respeito de Isaque. Isso também é um exemplo: pois na próxima vez que vemos Isa­que, ele está recebendo sua noiva (24:62ss). Da mesma forma, Cristo deu-se na cruz, voltou ao céu e, um dia, retornará para receber sua noi­va, a igreja.

A lição prática
A fé verdadeira sempre é testada. É óbvio que Deus não queria a vida de Isaque; ele queria o coração de Abraão. Abraão amava Isaque, e Deus quis certificar-se de que ele não era um ídolo entre ele e Abraão. É possível que Abraão te­nha feito aquilo porque achava que era Isaque quem cumpriria a pro­messa, e não por confiar em Deus. Como Abraão passou nesse teste? Graças ao fato de ele ter confiado nas promessas de Deus (Hb 11:17- 19). Deus prometera que Abraão teria muitos descendentes, e essa promessa não poderia ser cumpri­da, a menos que Isaque vivesse ou que Deus o ressuscitasse dos mor­tos. Abraão sabia que Deus não mentiria, portanto ele confiou em sua Palavra imutável. "Não duvide na escuridão do que Deus lhe disse a plena luz." Abraão obedeceu sem demora. Se fizermos o que Deus nos ordena fazer, ele revelará o próximo estágio no momento cer­to. A resposta de Deus nunca chega com um segundo de atraso! Deus providenciou um carneiro no exa­to momento em que foi necessário. Por isso, Abraão chamou o local de "O Senhor Proverá" — o Senhor proverá o que for preciso!

A lição profética
Esse evento se deu no monte Moriá (Ge 22:2), onde, no fim, se construiu o templo (2 Cr 3:1). Isaque pergun­tara: "Onde está o cordeiro?", mas Deus providenciou um carneiro. A resposta à pergunta dele veio na pessoa de Cristo: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1:29). Abraão disse: "No monte do Senhor se proverá" (v. 14); Cristo foi visto no templo e depois sacrificado no monte Calvá­rio. Veja também João 8:56.

A lição doutrinária
Tiago 2:14-26 discute a relação entre fé e obras, e Tiago usa esse evento para ilustrar seu ponto prin­cipal: prova-se sempre a verdadeira fé por meio da obediência. Obser­ve a tradução exata de Tiago 2:21: "Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio fi­lho, Isaque?". Abraão não foi salvo quando ofereceu Isaque, mas anos antes quando confiou na promessa de Deus (Gn 15:6). Tiago não nos diz que somos salvos por meio de obras ou de sacrifícios, mas a prova de que possuímos a fé salvadora é uma vida de obediência (veja Rm 4:1-5 e Gl 3:6ss).

Esses dois capítulos contrastam um com o outro, pois em um deles temos um funeral, e no outro, um casamen­to. A terra de Canaã é "terra de montes e de vales" (Dt 11:11); a vida cristã tem mágoas e alegrias. Contudo, Abraão, nas duas situações, caminhou pela fé (Hb 11:13-17). O capítulo 23 mostra Abraão como um lamentador, como alguém que lamenta, contudo não "como os demais, que não têm es­perança" (1 Ts 4:13ss). Que testemu­nho ele dava diante de seus vizinhos perdidos! Como o sepultamento de Sara foi diferente dos sepultamentos pagãos da época. Que estranho o fato de que o primeiro pedaço de terra que Abraão possuiu em Canaã fosse um túmulo! Gênesis 49:31-33 indica que, no fim, seis pessoas foram enterradas lá. Observe também com que cuidado Abraão lidava com seus assuntos de negócios, certificando-se de que tudo fosse feito "com decên­cia e ordem". É vergonhoso que cren­tes efetuem transações de negócios questionáveis, especialmente com aqueles que são perdidos.