2016/11/29

Romanos 5 — Comentário Evangélico

Romanos 5 — Comentário Evangélico

Romanos 5 — Comentário Evangélico







Romanos 5  


Esse capítulo explica a última pa­lavra do capítulo 4: justificação. Se quisermos captar o sentido da justi­ficação pela fé, é essencial termos a clara compreensão do argumento de Paulo.

I.    A bênção da justificação (5:1-11)
Lembre-se que a justificação é a declaração de Deus de que o cren­te pecador é justo em Cristo. É a justiça imputada, posta em nossa conta. A santificação é a justiça concedida, que, pelo Espírito, atua em nossa vida e por intermédio dela. A justificação é nossa posi­ção diante de Deus; a santificação é nosso estado terreno diante dos outros. A justificação nunca muda; a santificação, sim. Veja as bênçãos que temos na justificação:
A.    Paz (v. 1)
Houve um tempo em que fomos ini­migos de Deus (v. 10), mas em Cristo temos paz com ele. Paz com Deus quer dizer que o sangue de Cristo re­solveu nosso problema com o peca­do. Deus é nosso Pai, não nosso Juiz.
B.     Acesso a Deus (v. 2a)
Em Cristo, temos uma posição per­feita diante de Deus e podemos entrar em sua presença (Hb 10:19- 25), enquanto antes estávamos “em Adão” e condenados.

C.    Esperança (v. 2b)
“Na esperança da glória de Deus.” Leia Efésios 2:11 -12 e verifique que a pessoa não-salva “não t[inha] es­perança”. Não podemos nos gloriar nas boas obras, pois elas não trazem salvação (Ef 2:8-9), mas podemos fazê-lo na salvação magnífica que Deus nos deu em Cristo.
D.    Segurança diária (vv. 3-4)
“Também nos gloriamos nas tribu- lações.” O verdadeiro cristão tem confiança em meio às tribulações da vida atual, não apenas esperança para o futuro. Parece que a “fórmu­la” é esta: a provação mais Cristo é igual a paciência; paciência mais Cristo é igual a caráter [experiên­cia]; experiência mais Cristo é igual a esperança. Observemos que não nos gloriamos a respeito das tribu­lações nem com elas, mas nelas. Compare com Mateus 13:21; 1 Tes- salonicenses 1:4-6 e Tiago 1:3ss.
E.     Vivenciamos o amor de Deus (vv. 5-11)
O Espírito derrama o amor de Deus em nós e por nosso intermédio. A morte de Cristo na cruz pelos “fra­cos”, pelos “ímpios”, pelos “peca­dores” e pelos “inimigos” revela e prova o grande amor de Deus. Este é o argumento de Paulo: o que Deus não fará por nós agora que somos seus filhos, se fez tudo isso por nós enquanto éramos seus inimigos? Somos salvos pela morte de Cristo (v. 9) e também por sua vida (v. 10) quando “o poder da sua ressurrei­ção” (Fp 3:10) opera em nossa vida. Agora, vivenciamos o amor de Deus em nossa vida porque recebemos a “reconciliação” (expiação, v. 11).

II.     O fundamento da justificação (5:12-21)
Essa seção é complexa, portanto Ieia-a diversas vezes e use uma tra­dução moderna. Aqui, Paulo explica como todos os homens são pecado­res e como a morte de um Homem pode dar ao pecador ímpio uma po­sição correta diante de Deus.
Por favor, primeiro, observe a repetição da palavra “um” (vv. 12,15-19 — 11 vezes). Nos versícu­los 14,17,21, veja o uso de “reinar”. O pensamento-chave é que Deus vê apenas dois homens — Adão e Cristo — quando olha para a raça humana. Todo ser humano ou está “em Adão” e perdido, ou está “em Cristo” e salvo; não há meio-termo. O versículo 14 afirma que Adão é a figura (retrato) de Cristo; ele é o “primeiro Adão”, e Cristo, o “último Adão” (1 Co 15:45).
Podemos contrastar os dois Adãos da seguinte forma: (1) o pri­meiro Adão foi feito da terra; mas o último (Cristo) veio do céu (1 Co 15:47); (2) o primeiro Adão era o rei da criação (Gn 1:26-27); e o último é o Rei-Sacerdote da nova criação (2 Co 5:1 7); (3) o primeiro Adão foi tentado em um jardim perfeito e desobedeceu a Deus; o último foi testado em um deserto horrível e obedeceu ao Senhor, e, no jardim de Getsêmani, entregou-se à vonta­de do Senhor; (4) a desobediência do primeiro Adão trouxe pecado, condenação e morte para a raça hu­mana; a obediência do último Adão trouxe justiça, salvação e vida para todos os que crêem; (5) por meio do primeiro Adão, a morte e o pecado reinam neste mundo (vv. 14,17,21); mas, por intermédio do último, rei­na a graça (v. 21), e os crentes “rei­nam em vida” (v. 17).
O Antigo Testamento “é o livro da genealogia de Adão” (Gn 5:1-2) e termina com a palavra “maldição” (Ml 4:6). O Novo Testamento é o “li­vro da genealogia de Jesus Cristo” e termina com “nunca mais haverá qualquer maldição” (Ap 22:3). Em Apocalipse, por intermédio da cruz, recupera-se o paraíso de Gênesis, perdido por Adão.
Aqui, Paulo ensina a unidade da raça humana em Adão (veja At 17:26). No versículo 12, a expres­são “todos pecaram” refere-se ao fato de que, a partir do momento em que Adão pecou, todos peca­mos nele. Identificamo-nos com ele como o “cabeça” da raça humana; assim, o pecado dele é nosso peca­do, e sua morte, nossa morte. Nos versículos 12-14, o argumento de Paulo é este: todos sabemos que o homem morre se desobedece à lei de Deus. Todavia, da época de Adão até Moisés não havia lei, e, mesmo assim, os homens morreram! Sabe­mos que Adão morreu porque de­sobedeceu à lei divina, porém as gerações de Adão a Moisés não ti­nham uma lei à qual desobedecer. Portanto, a causa da morte é o peca­do de Adão. Como nascemos “em Adão”, herdamos seu pecado e sua condenação. Todavia, Deus, em sua graça, deu-nos o “último Adão”, um novo “Cabeça”, que, por sua vida e morte, desfez tudo o que Adão cau­sou com seu pecado. A seguir, Paulo apresenta diversos contrastes entre a salvação e o pecado:
Versículos 15-16ofensa ver­sus dom gratuito: a ofensa de Adão trouxe condenação e morte; o dom gratuito da graça de Deus traz justi­ficação e vida.
Versículo 17vida versus mor­te: a morte reinou como rainha por causa de Adão, mas agora o crente reina em vida (neste momento, não apenas no futuro), por intermédio de Cristo, e tem vida abundante!
Versículo 18  — condenação
versus justificação: o pecado de Adão condenou a raça humana; a morte de Cristo trouxe o direito de o homem permanecer com Deus. Adão afastou Deus; em Cristo, te­mos livre acesso ao Senhor!
Versículo 19 — desobediência versus obediência: Adão desobede­ceu a Deus e tornou-nos pecadores; Cristo obedeceu a Deus e, por meio da fé nele, somos feitos justos.
Versículo 20 — lei versus gra­ça: Deus não deu a Lei para salvar a humanidade, mas, antes, para re­velar o pecado. No entanto, a su- perabundante graça do Senhor sa­tisfez as exigências da Lei na morte de Cristo e, assim, forneceu o que a Lei não poderia prover — a salva­ção do pecado.
O versículo 20 resume todo o procedimento: na nova criação (2 Co 5:17, estar “em Cristo”), a graça reina, e não mais o pecado! A vida reina, não mais a morte! E nós reinamos em vida! “Cristo [...] nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus” (Ap 1:5-6). Agora, o importante é saber: estou “em Adão” ou “em Cristo”? Se estiver “em Adão”, então o pecado e a morte dirigem minha vida, e estou condenado. Se, “em Cristo”, então a graça reina, e eu posso, por intermé­dio de Cristo, reinar em vida e não sou mais escravo do pecado (tema de Rm 6). Em Rm 5:6-11, Paulo en­sina a substituição: Cristo morreu na cruz por nós. Todavia, em Rm 5:12-21, ele vai mais adiante e ensina a iden­tificação: os crentes estão em Cristo e podem vencer o pecado.

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