2019/09/13

Apocalipse 13 — Comentário Literário da Bíblia

Apocalipse 13 — Comentário Literário da Bíblia

Apocalipse 13 — Comentário Literário da Bíblia




Apocalipse 13

13.1 — A descrição das duas bestas no capítulo 13 é baseada em parte em Jó 40 e 41, a única passagem do AT que retrata duas bestas satânicas que se opõem a Deus. O monstro do mar da passagem de Jó tem uma companheira classificada como uma “besta da terra” (thêrion [40.15-32 LXX]). As bestas apresentam atributos demoníacos e foram “feitas para serem ridicularizadas pelos anjos” (LXX: 40.19; 41.25 [sobre os dois seres demoníacos de Jó 40, v. Day 1985, p. 62-87]). As duas bestas de Jó 40 e 41 (cf. esp. LXX) encontram eco por todo o capítulo 13 de Apocalipse: uma delas é chamada de “dragão” do mar (Jó 40.25 LXX), e a besta da terra será morta por Deus com uma espada (40.19 TM); o dragão do mar conduz uma “guerra travada por sua boca” (40.32 LXX). “Tochas flamejantes” e “faíscas de fogo saem de sua boca” (41.11,13 LXX), e “não há nada na terra que se compare a ele” (41.25 LXX). Os capítulos 40 e 41 de Jó fazem alusão a uma derrota primordial imposta por Deus ao dragão (v. 41.8 TM [assim Midr. Rab. de Êx 15.22]), mas também implica uma batalha futura (40.19 TM; 41.9 TM), que é necessária, em razão da atitude contínua de desafio da besta do mar (e.g., 41.33,34 TM). Mesmo derrotada, a besta continua a existir, embora em condição subjugada (Jó 7.12 TM; Am 9.3; cf. Apoc. Ab. 10; 21). A tradição judaica ensinava que no quinto dia da Criação Deus criou o Leviatã para viver no mar e o Beemote para habitar na terra ( lE n 60.7-10; 4E d 6.49- 52; 2B r 29.4; b. B. Bat. 74b-75a; Pesíq. Rab Kah. Suppl. 2.4). As duas bestas simbolizavam os poderes malignos e deveriam ser destruídas no Juízo Final (explicitamente, em 2Baruque; Midr. Rab. de Lv 13.3; b. B. Bat. 74b; implicitamente, nos outros três textos anteriores [para outras referências às duas bestas no judaísmo antigo, v. Ginzberg 1967, 5:26-7, 43-6]). Essa tradição pode ter se desenvolvido pelo fato de as pessoas na Ásia Menor associarem tudo que vinha “do m ar” como estrangeiro e tudo que vinha da terra como nativo. Assim, uma das expressões iniciais da primeira besta foi Roma, cujos governadores chegavam a Éfeso frequentemente pelo mar. A segunda besta representava as autoridades políticas e econômicas nativas (Ramsay 1904, p. 103-4). Os navios romanos pareciam estar emergindo do mar quando surgiam no horizonte da costa da Ásia Menor. O material em 13.1,2 é uma reelaboração criativa de Daniel 7.1-7. A “besta” que subia do mar e seus “dez chifres” são baseados em Daniel 7.2,3 e 7.7,20,24, respectivamente. Muitos estudiosos entendem as “sete cabeças” como uma referência a um monstro marinho de um antigo mito do Oriente Próximo, anterior à época de Daniel (cf. Leviatã com sete cabeças no C T A 5.1.1-3; 3.III.37-39, cf. tb. Jó 40 e 41; Sl 74.13,14; 89.10; Is 27.1; 51.9; v. tb. Odes Sal. 22.5). Isso é possível, mas seria melhor entender as “sete cabeças” como uma combinação das cabeças das quatro bestas de Daniel 7 (assim Hengstenberg 1853, 2:20; Farrer 1964, p. 152; Ernst 1967, p. 132; Kraft 1974, p. 175; Prigent 1981, p. 201). Essa ideia é preferível porque as outras características das bestas de Daniel também são aplicadas à besta de Apocalipse 13.2 (a imagem do antigo Oriente Próximo pode ainda estar presente, mas em segundo plano). Além disso, as “dez coroas” sobre os “dez chifres” são uma referência à quarta besta de Daniel, cujos “dez chifres” são interpretados como “dez reis” (Dn 7.24). Da mesma forma, os “nomes de blasfêmia” estão conectados com a figura blasfema que profere “palavras arrogantes” (Dn 7.8,11), também associada com o quarto reino (cf. Ap 13.5,6). Sobre a identificação do judaísmo de Roma com a quarta besta de Daniel 7.7,8, 11,23, v., e.g., Midr. Rab. de Gn 44.17; 76.6; Midr. Rab. de Êx 15.6; 25.8; cf. Mt 24.15 com Lc 21.20; v. tb. 4 F J 12.10; 2Br 39.5-8; Asc. Mois. 10.8; cf. Josefo, Ant. 10.203-210 com Ant. 10.272-278; Si. Sal. 2.25 identifica um governante romano como o “dragão”.

13.2 — Enquanto em Daniel 7.3-8 as imagens do leão, do urso, do leopardo e da besta “terrível e apavorante” representam quatro impérios mundiais sucessivos, em Apocalipse 13.1,2 os quatro retratos são aplicados a uma única besta. É provável que exista aqui uma conotação de Roma como a quarta besta, que na previsão de Daniel seria mais poderosa e terrível que as três bestas anteriores, mencionadas em Daniel 7.4-6 (para alusões específicas ao quarto reino de Daniel, v. comentário de 13.1). No mínimo, a reunião das quatro bestas em uma destaca a extrema ferocidade dessa besta. Uma vez que a quarta besta profetizada em Daniel 7 é o foco de Apocalipse 13.1,2, esses versículos introdutórios mostram o cumprimento inaugurado dessa profecia (v. mais sobre esse tópico em 13.3). Várias tradições exegéticas do judaísmo também entendiam o quarto reino de Daniel como não limitado a um período histórico determinado (a combinação das quatro bestas de Daniel em uma só também sugere essa noção). Em 4Esdras 12.12-13, Deus diz ao vidente que a interpretação, dada a Daniel, de que o quarto reino era a Grécia não estava errada, mas que agora aquele reino deveria ser identificado como Roma. Midrash Rabá de Gênesis 76.6 aplica os chifres do quarto reino de Daniel 7.8 a inúmeros impérios mundiais: o reino oriental romano-palmireno sob o reinado de Odenato, Babilônia, Pérsia (Média), Grécia e Roma. O mesmo midrash afirma que Daniel 7.2-8 “nos informa de que toda nação que reina no mundo odeia Israel e o subjuga”. No Midrash de Salmos 75.5, os dez chifres de Daniel 7.7 são usados como prova de que “as nações [pagãs] do mundo são simbolizadas pelas bestas descritas em Daniel e que, enquanto os chifres dos ímpios perdurarem, os de Israel permanecem cortados”

13.3 — João vê agora uma ferida numa das cabeças da besta. Deus deve ser o agente oculto responsável pela “ferida” (hêplêge) na cabeça da besta, visto que em qualquer outra passagem em Apocalipse plêgê (normalmente traduzido por “praga”) é um castigo infligido por Deus (assim 11 vezes + o verbo cognato em 8.12). A ferida na cabeça do grande inimigo do povo de Deus reflete Gênesis 3.15, especialmente se considerada em conjunto com Apocalipse 12.17 (cf. 12.17 com respeito a Tg. Neof. de Gn 3.15; v. Sweet 1979, p. 210). O texto de Apocalipse 13.14 acrescenta que foi uma espada que atingiu a cabeça da besta. A menção da espada, nesse contexto, lembra a profecia de Isaías 27.1 LXX: “Naquele dia, Deus trará a [espada] santa, grande e poderosa sobre o dragão, a serpente fugitiva; sobre o dragão, a serpente tortuosa. Ele destruirá o dragão” (cf. Jó 40.1; Ap 13.14). O fato de Isaías 27.1 ser também ecoado em Apocalipse 12.3,9 aponta para a conclusão de que a “ferida de morte” da besta surgiu através da morte e ressurreição de Cristo, que deu início ao cumprimento de Isaías 27 (v. Ap 12.7-12). Também incluí dos na reflexão do AT sobre a derrota da besta do mar por Deus podem estar Salmos 74.13 e Habacuque 3.8-15. A cura da ferida constitui uma imitação da ressurreição de Cristo.

13.4 — A expressão que denota a transferência de autoridade baseia-se em Daniel 7.6, em que a autoridade é concedida à terceira besta para que ela domine a terra e persiga o povo de Deus que nela vive. As multidões adoram a besta por causa de sua suposta incomparabilidade. O povo proclama em sua adoração: “Quem é semelhante à besta? Quem poderá lutar contra ela?”. A expressão de um poder satânico incomparável vem a ser o emprego irônico de expressões aplicadas a Yahweh no AT (esp. Êx 8.10; 15.11; Dt 3.24; Is 40.18,25; 44.7; 46.5; v. tb. SI 35.10; 71.19; 86.8; 89.8; 113.5; Mq 7.18). Trata-se de mais uma tentativa satânica de imitar a Deus.

13.5 — A informação, em 13.5, de que a besta expressará sua autoridade por meio da fala num período de três anos e meio é uma alusão coletiva a Daniel 7.6,8,11,20,25 — por exemplo: “Uma língua foi dada a ele [...] uma boca que falava com arrogância” (7.6,8 LXX).

13.6 — Daniel 7.25 é mencionado outra vez em 13.6 para descrever o resultado da autorização dada à besta (cf. Dn 11.36 LXX). Ambos os textos falam de um demônio escatológico que profere palavras contra Deus, equipara- -se com Deus (implicitamente, em Ap 13.4,6) e persegue os santos, o que também ocorre em Daniel 8.10,25 e 11.36 (cf. Dn 8.11,13; v. tb. Mart. Is. 4.6; Or. Sib. 5.33-34; Asc. Mois. 8.5). O fato de que “ele blasfema a Deus” implica difamar a Deus por meio da autodeificação (como faziam os imperadores romanos [v. Suetônio, Dom. 13]). Além disso, as blasfêmias encerram acusações ou ações contra os cristãos que têm o nome de Deus escrito neles (3.12; 14.1; 22.4; cf. 7.3). Em 13.6b, a expressão “seu tabernáculo” seguida imediatamente por “os que habitam no céu”, é uma recordação do “santuário” e do “exército” celestial de Daniel 8.10-13, respectivamente: o tirano do final dos tempos “cresceu até o exército do céu; e jogou por terra algumas das estrelas desse exército [...]. Ele cresceu até confrontar o príncipe do exército [...], e o lugar do seu santuário foi jogado por terra” (8.10,11). Temos aqui a continuação do tema em Apocalipse dos cristãos como parte do templo celestial e invisível do final dos tempos que se entende até a terra. Eles são atacados e perseguidos, mas não podem ser separados da presença tabernaculadora de Deus, a despeito de qualquer dano físico que venham a sofrer (11.1-4; 12.6,14), tudo em cumprimento parcial da profecia de Daniel 8.10-13

13.7a — Em 13 .7 ,o foco é direcionado outra vez para a profecia de Daniel 7 (i.e., 7.8 LXX; 7.21 T M/Θ) e para as ações de perseguição do “chifre”, a fim de demonstrar que a mesma ação da besta dá início ao cumprimento daquela profecia e afetam todas as classes de pessoas sobre a face da terra. A frase “atacar os santos e vencê-los” é praticamente idêntica a Daniel 11.7. Esses dois versículos baseiam-se em Daniel 7.8b LXX e 7.21 TM/Θ. Após a declaração de que o rei maligno tinha “uma boca que falava com arrogância”, o grego de Daniel 7.8 imediatamente acrescenta que o tirano “fazia guerra contra os santos”. O mesmo padrão é seguido aqui.

13:7b,8 — A influência de Daniel 7 continua através da alusão a 7.14, em que se lê que o “filho de homem” recebe adoração universal depois que lhe é atribuída autoridade soberana, mas aqui, ironicamente, ela é aplicada à besta que tenta usurpar a autoridade messiânica e divina.

13.10 — “Se alguém há de ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém há de ser morto à espada, morte à espada haverá de ser” (NVI). Trata-se de uma paráfrase que combina Jeremias 15.2 e 43.11. Jeremias profetiza a Israel que Deus os designou para o “cativeiro” e para sofrer pela “espada”. Esse é o castigo pela sua incredulidade pelo seu pecado. No presente contexto, parece aplicar-se aos crentes genuínos que sofrem perseguição por causa de seu testemunho. No entanto, a situação não parece inconsistente com o pensamento de Jeremias, o qual permite supor que o remanescente fiel de Israel teria experimentado o mesmo sofrimento que a maioria infiel, embora para o primeiro grupo as tribulações tenham o efeito de refinar sua fé (v. a mesma ideia em Ez 14.21-23 e sua aplicação em Ap 6.8 — sobre o qual, v. o comentário de 6.7,8; v. tb. Beale 1999a, p. 704-5). O trecho de Apocalipse 13.10 agora ressalta que a mesma profecia se aplica ao remanescente fiel cristão.

13.11 — Como em 13.1, a visão começa com a imagem de uma besta que emerge, que é uma recordação coletiva das bestas de Daniel 7, especialmente 7.17 LXX: “Esses grandes animais, são quatro reis que se levantarão da terra” (cf. 7.3a,4b,5a). Os dois chifres, além de parodiar as duas testemunhas, os dois candelabros e as duas oliveiras, refletem o governante maligno de Daniel 8. Assim como a primeira besta foi descrita com atributos das bestas de Daniel 7, a figura dos “dois chifres semelhantes aos de um cordeiro”, da segunda besta, é extraí­da de Daniel 8.3 TM: “um carneiro com dois chifres” (cf. Dn 7.7 LXX).

13.13 — O conceito de imitação continua em 13.13. Primeiro, as ações da besta são descritas por um eco irônico dos atos de Moisés, cuja autoridade profética foi validada pela realização de “grandes sinais” (e.g., Êx 4.17,30; 10.2; 11.10). Mesmo na narrativa de Êxodo (7.11) os magos do faraó “fizeram o mesmo [sinal] por meio do seu ocultismo”. A ideia é reforçada por Daniel, em que Deus é louvado por fazer “sinais e maravilhas” (cf. Dn 4.37a LXX com Ap 13.13a). Fazer descer fogo do céu na presença de pessoas recorda a demonstração profética de Elias (lRs 18.38,39; 2Rs 1.10-14), embora aqui ela descreva uma ação pseudoprofética.

13.14 — Os sinais enganosos levam os moradores da terra a se submeterem à sua ordem de fazer “uma imagem à besta” (para legõn como “ordem”, “com ando”, “exigência”, cf. 10.9; At 21.21). A ordem conclusiva, em 13.14c antecipa a referência explícita a Daniel 3 em 13.15. À luz da influência de Daniel em 13.1-11, a besta que “enganava”, em 13.14a, pode ser um eco do rei que, segundo Daniel, surgirá no final dos tempos e que “leva o engano a prosperar através de sua influência” (Dn 8.25 TM) e ainda “por meio de palavras suaves levará à impiedade aqueles que agem de maneira perversa” (Dn 11.32 TM). Além disso, os “sinais que lhe fora permitido fazer” expressam também o padrão de concessão de autoridade de Daniel 7, visto com o recapitulado novam ente na era da igreja.

13.16,17 — No AT, Deus diz a Israel que a Tora “servirá de sinal em tu a mão e de memorial entre teus olhos”, com o lembrança constante de seu com promisso e de sua lealdade a Deus (Êx 13.9; assim Êx 13.16; Dt 6.8; 11.18), materializada nos filactérios (bolsas de couro), que continham porções das Escrituras e eram usados na testa e no braço. O equivalente no NT é o selo invisível ou o nome de Deus (v. comentário de 7.2,3). A “testa” representa seu compromisso ideológico, e a “mão”, as consequências práticas desse compromisso.

13.18 — A resposta com a “sabedoria” (sophia) e o “entendimento” (nous) necessários para compreender o “número da besta ” é m ais bem entendida no contexto da “sensata percepção” (sãkal) e do “entendimento ” (bín) requeridos em Daniel para se compreender as visões e os acontecimentos dos últimos dias. Especialmente em Daniel 11.33 e 12.10, a combinação dessas duas palavras hebraicas tem o mesmo propósito de sophia e nous no presente capítulo: 1) exige-se que os santos tenham percepção espiritual a fim de compreender 2) os acontecimentos da tribulação do final dos tempos 3), causados por um rei maléfico que persegue os santos, 4) engana outros para induzi-los a reconhecer sua pretensa soberania e os convence a espalhar o engano; 5) além disso, tanto em Daniel com o em Apocalipse, essa mensagem é comunicada por meio da visão de um profeta (sobre todo o contexto de Daniel para a combinação de sophia e nous, v. Beale 1980). Se os santos tiverem essa percepção, não serão enganados. A mesma resposta em 17.9 (com hõde [“aqui”] + sophia [“sabedoria”] e nous [“mente”]) tem o mesmo significado que aqui. Ela serve para exaltar os cristãos a não serem enganados pelas ações da besta, como os demais “habitantes da terra ” (17.8). Ela também funciona para exortá-los a perceber o significado simbólico das “sete cabeças” da besta, que dá prosseguimento à ideia de 17.7,8 sobre o engano promovido pelo Estado (v. comentário de 17.9a; 17.9b adiante). A não ser em 13.18 e 17.9, sophia (“sabedoria”) ocorre apenas em 5.12 e 7.12, em que a “sabedoria” é atribuída à competência do Cordeiro para planejar e executar a história redentora. Em 13.18 e 17.9, os fiéis devem obter “sabedoria”, que os capacite a conhecer o sábio plano de Deus profetizado por Daniel e a estar preparados para identificar os impostores divinos e seus marqueteiros (v. Ruiz 1989, p. 207). Uma vez que a mesma exortação de 17.9 se refere ao entendimento do sentido figurado de um número, a exortação e o número de 13.18 devem ser entendidos da mesma forma. João está exortando os santos ao discernimento espiritual e m oral, não à capacidade intelectual para resolver algum problema com plexo de m atem ática, porque tanto os incrédulos quanto os cristãos espirituais são mentalmente capazes de resolver um problema puramente m atem ático. Em consequência disso, a aplicação espiritual adequada do número 666 aos governantes perversos e instituições corruptas, bem com o aos falsos m estres, vai revelar aos fiéis sua natureza sedutora e imperfeita. “Onde há blasfêmia, ali o nome da besta será encontrado” (Minear 1968, p. 260). Os cristãos devem estar cientes de que o espírito do Anticristo pode se expressar nos lugares mais inesperados, até mesmo na igreja (assim l Jo 2.18,22; 4.1-3; 2 Jo 7). A profecia de Daniel 11.30-39 já advertiu que os apóstatas da com unidade da aliança seriam aliados do Estado ímpio e se infiltrariam n a com unidade dos crentes. Eles devem estar atentos espiritualmente, a fim de discernir essas manifestações proféticas, que podem surpreender os que não cultivam a sabedoria divina. Portanto, deve-se rejeitar qualquer abordagem interpretativa que proponha apenas a identificação de um a determinada personagem histórica por meio de cálculos m atem áticos em torno do número 666. Há um a alusão a Daniel 12.10 em 4Esdras 12.37-38, onde se diz que os verdadeiros santo s precisarão de “sabedoria ” e de “entendimento” para discernir a verdade n a tribulação do final dos tempos, causada pela besta do m ar de Daniel 7. A mesma coisa é dita em 2 Baruque 28.1 a respeito da última tribulação, em conexão direta com o “Leviatã [que] surgirá do mar” (cf. 2 B r 29.1-5). Em 4Esdras 14.13-17, o autor “instruídos que são sábios” a não amar “a vida que é corruptível, [para] afastares as preocupações com a vida mortal”, presumivelmente por causa de u m a perseguição econômica semelhante à de Apocalipse 13. Os leitores de 4Esdras 14 necessitam desse discernimento, porque a “verdade [...] e o engano estão muito próximos; pois a águia [a besta de Daniel 7] já se aproxima”. Esses paralelos confirmam o contexto de Daniel e apoiam a ideia de que a exortação em Apocalipse 13.18 diz respeito ao discernimento da verdade no meio do engano profetizado por Daniel, não a um cálculo matemático para identificar uma personagem maligna em especial. No entanto, um indivíduo poderia ser a encarnação do mal em algum período da história, e os cristãos precisariam ter sabedoria espiritual para discernir o perigo que tal pessoa representa. Se os leitores de João tiverem percepção espiritual, eles permanecerão fiéis e vencerão “a besta, a sua imagem e o número do seu nome” (15.2). Identificar-se com a besta pela adoração de sua imagem é identificar-se com sua natureza imperfeita, simbolizada pelo triplo 6. Não se identificar com ela é sair vitorioso de sua influência enganadora. A vitória de 15.2 não deve ser entendida com o vencer um jogo ao decifrar um enigma pela habilidade do intelecto, em bora a NEB e a JB traduzam o versículo de um a forma que se aproxima dessa perspectiva. Por exemplo, a JB traduz assim: “Há necessidade de astúcia aqui; se alguém é inteligente o bastante, ele poderá elucidar o número da besta”.

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