Apocalipse 22 — Comentário Literário da Bíblia

Comentário Literário da Bíblia




Apocalipse 22

22.1,2a O versículo de abertura do capítulo 22 combina as imagens proféticas de uma nascente ou rio de “água viva” que flui da Nova Jerusalém (Zc 14.8) e de seu templo (Ez 47.1-9). O versículo introdutório do capítulo 22 remete a um passado ainda mais distante que as profecias de Ezequiel, Joel e Zacarias: o jardim do Éden, em Gênesis 2.10: “Do Éden sai um rio...” Em associação com o primeiro rio, do Éden, o “ouro” o “bdélio” e a “pedra de berilo” eram característicos de um de seus afluentes, com paráveis com as pedras preciosas ao redor do rio de Apocalipse 22.1 (cf. 21.18-21). O argumento é que Deus “fará o fim, como o princípio” [Barn. 6.13), em bora o jardim consumado existirá num nível superior em comparação ao primeiro (v. Beasley-Murray, 330). Como em Ezequiel 47, a água da vida flui do templo, ainda que agora Deus e o Cordeiro sejam o templo (21.22). Em bora a água possa se referir ao Espírito Santo, a metáfora aqui representa principalmente a vida de com unhão eterna com Deus e com Cristo, corroborada pela maneira em que 22.3-5 desenvolve 22.1,2 (para a água com o símbolo do Espírito no AT, no judaísmo e no NT, v. Ez 36.25-27; Jo 3.5; 4.10-24; cf. lJo 5.7,8; 1QS IV, 21; em Pesiq. Rab. Piska 1.2 a água do templo terreno é interpretada como o Espírito Santo).

22.2b O cenário de um a terra futura, fértil e perene, com um rio e árvores cujas folhas possuem propriedades curativas, baseia-se em Ezequiel 47.12: “Junto do rio, em ambas as margens, nascerá todo tipo de árvore que dá fruto comestível. [...] Dará novos frutos nos seus meses [...]. O seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio [cura]”. O próprio cenário de Ezequiel é modelado, em parte, no jardim do Éden e nos afluentes do rio de Gênesis 2.9,10. Desse m odo, Ezequiel e Apocalipse preveem o restabelecimento, mas em nível m ais elevado, do jardim da primeira criação, no qual a presença de Deus habitava abertamente. Mesmo as palmeiras decorativas e os querubins retratados com o parte templo de Ezequiel (41.18-26) fazem alusão ao cenário do jardim no Éden, e o que se vê no templo de Ezequiel foi antecipado no Templo de Salomão, que possuía também esculturas de flores (e.g., lR s 6.18,29,32,35; 7.18,19) (v. Kline 1980, p. 42). O rio de Ezequiel 47.8,9,12 “purifica” (lit. “cura”) muita água (cf. “rio [puro]”, em Ap 22.1), dá “v ida” às criaturas que nela nadam e faz com que cresçam as árvores, cuja “folha” servirá de “remédio” [“cura”]. O rio de Ezequiel é a fonte que renova o mundo natural e simboliza a com unhão entre Deus e seu povo (cf. Is 35.6-9; 41.17-20; 43.18-20; J1 3.18). Em outras passagens do AT, as águas da nova criação servem não apenas para renovar o mundo natural, m as para que o povo de Deus seja por elas revigorado (Is 41.17- 20; 43.18-20).

22.3 A “cura das nações” é explicada adicionalmente em 22.3. Primeiro, “ali jamais haverá maldição”. Essa frase é extraída de Zacarias 14.11 e aplicada à nova ordem eterna, na qual encontra sua consumação definitiva. Embora o termo “maldição” de Zacarias seja anathema na LXX, enquanto Apocalipse traz katathema, ambas as palavras são traduções legítimas do hebraico herem (cf., possivelmente, Is 34.1,2). No AT, herem geralmente se refere a pessoas colocadas sob maldição visando a sua destruição completa por causa dó pecado (cf. os cananeus no Hexateuco). Provavelmente o termo ecoa também a maldição do primeiro Éden, que será removida aqui. Segundo, a observação anterior, em 7.15, de que os santos servem a Deus com o sacerdotes em seu templo celestial indica que aqui eles também estão prestando serviço sacerdotal no templo da cidade dos últimos tempos. Encontra eco aqui a profecia de Isaías 61.6 (“Sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros do nosso Deus”), que será cumprida no novo templo cósmico. A presença de Isaías 61.6 é evidenciada pelo fato de que as alusões a esse livro estão entrelaçadas ao longo de 21.1—22.5 (v. esp. Is 61.10 em 21.2 e alusões a Is 60 em 21.23-26; 22.5).

22.4 A presença divina permeia completamente o templo e a m orada eterna dos santos, uma vez que eles “verão a sua face”, esperança expressa pelos santos do AT (Sl 11.4-7; 27.4; 4 E d 7.98; cf. Sl 42.2; T. Zeb. 9.8). Toda a com unidade dos remidos é tida com o de sacerdotes que servem no templo e têm o privilégio de ver a face de Deus no novo lugar santíssimo, que agora engloba toda a cidade-templo (v. Schüssler Fiorenza 1972, p. 375-89).

22.5 A oração constante dos santos do AT era que Deus revelasse sua presença fazendo “resplandecer o seu rosto ” sobre eles (Nm 6.25,26; Sl 4.6; 31.16; 67.1; 80.3,7,19; 119.135; Pesiq. R ab. Piska 1.2). Essa oração é respondida de maneira completa em 22.5 (com o promete T. Zeb. 9.8; 4 E d 7.97-98). A ideia predominante é a bênção de Números 6.25-27, uma vez que ali o resplendor da face de Deus resulta em preservação e “paz” para os santos, equiparada com a bênção arônica de “colocar o meu nome sobre os israelitas” (seguindo Sweet 1979, p. 312).

Excurso: A abrangência universal da paradisíaca cidade-templo 

A paradisíaca cidade-templo parece abarcar a totalidade da recém-criada terra. Isto é, João não vê um a cidade e um templo semelhante ao jardim numa determinada localização geográfica da nova terra, mas retrata a nova criação com o equivalente a uma cidade e a um templo. Essa equação está implícita, por exemplo, em 21.27, que declara: “[No templo urbano] não entrará coisa algum a impura” (com o apoio de 22.15 e 21.8: os ímpios não podem entrar na cidade porque estão no “lago ardente de fogo”; eles estão fora da nova criação, da cidade e do templo [para razões a favor dessa equação, v. Beale 1999a, p. 1111]). A razão fundamental para a natureza universal do templo paradisíaco repousa na antiga noção de que o Templo do AT era um modelo microcósmico que englobava todo o céu e a terra (v. Fletcher-Lewis 1997, p. 156- 62). Um dos textos a afirmar isso de maneira mais explícita é Salmos 78.69: “ [Deus] edificou seu santuário como os lugares elevados, como a terra que estabeleceu para sempre”. Josefo entendia que a estrutura tripartida do Tabernáculo significava “a terra [= átrio exterior] e o mar [ = átrio interior], um a vez que estes [...] são acessíveis a todos, m as a terceira parte [= lugar santíssimo] ele reservou som ente para Deus, porque o céu também é inacessível aos homens” (Ant. 3.181 [cf. A n t. 3.123; v. tb. Midr. Rab. de Nm 19.19]).

Josefo e Filo discutem diferentes formas em que o Tabernáculo/Templo ou suas partes simbolizam o cosmo (Filo, Moisés 2.71-145; Josefo, A n t. 3.123, 179-187; Josefo [G .J. 4.324] diz que os sacerdotes lideram a “adoração cósmica” [kosiníkê thrêskeia]). Eles também observam que o véu do Tabernáculo e do Templo foi feito para refletir os quatro elementos do cosmo: terra, ar, água e fogo (Filo, P E 2.85; Moisés 2.87-88; Josefo, G .J . 5.212-213; A n t. 3.183). As cortinas do Templo foram tecidas com materiais que lembram os elementos com os quais o mundo foi feito, um a vez que o próprio mundo criado era “o templo universal que existia antes do templo sagrado [de Israel]” (Filo, P E 2.85). Da mesma forma, ambos os escritores entendiam que as vestes do sumo sacerdote simbolizavam o cosmo (Filo, Moisés 2.117-126, 133-135, 143; Josefo, Ant. 3.180, 183-187). Filo (Moisés 2.135) chega a declarar explicitam ente que o sumo sacerdote “representa o mundo” e é um “microcosmo” (ou “pequeno mundo” [brachys kosmos]). Além disso, as sete lâmpadas do candelabro eram vistas com o símbolos cósmicos (v. comentário de 1.12; 1.13-16). É certo que Filo e Josefo tinham interpretações diferentes desse simbolismo, m as é provável que ambos testem unhem um entendimento cosmológico geral do Templo defendido pela principal corrente de pensamento judaico da época, bem com o pelo próprio AT (v. Kline 1980, p. 41-7; Poythress 1991, p. 13-35). (Para noções similares no antigo Oriente Médio, v. Niehaus 1995, cap. 5; Fletcher-Lewis 1997, p. 159, n. 47.) Essa reflexão cósmica do Templo implicitamente sugeria que seu propósito era apontar p ara um tempo futuro, quando ele englobaria todo o mundo (muito semelhante com a maquete de um edifício a ser lançado, uma pequena réplica do que está para ser construído em escala muito maior). Uma vez que o Templo do AT era a habitação geográfica da presença de Deus n a terra, sua correspondência com o cosmo apontava para o propósito escatológico da presença “tabernaculadora” de Deus por toda a terra, uma meta escatológica que 21.1—22.5 parece estar desenvolvendo (cf. 21.3). Parece-nos possível traçar a trajetória dessa imagem até ao próprio jardim do Éden (observe a proliferação de imagens edênicas nos caps. 21 e 22), se considerarmos plausível o argumento de que o jardim era entendido com o um a espécie de proto-templo a ser expandido até cobrir toda a terra (cf. esp. Beale 2004, cuja tese defende essa ideia; v. tb. Kline 1989, p. 31-2, 54-6; 1980, p. 35-42; Wenham 1994; em menor grau, Poythress 1991, p. 19, 31, 35). Essa interpretação encontra um paralelo marcante em Qumran (4Q418 frg. 81). Os membros da comunidade de Qumran são os verdadeiros “filhos de A dão” que irão “caminhar” num a “plantação eterna” (linhas 13-14) e “honrarão” a Deus, “consagrando-se a ele, em conformidade com o fato de ele vos ter posto com o um lugar santíssimo [acima de toda a] terra, acima de todos os anjos” (linha 4 [seguindo a tradução de Garcia Martínez e Tigchelaar 1997-1998; sobre a qual, v. Beale 2004, cap. 4]). Parece que João e Qumran não dependem um do outro, mas estabelecem trajetórias paralelas na interpretação do AT, dessa maneira, em bora ambos pudessem estar familiarizados com algum a antiga tradição que interpretava o AT dessa forma (para um a análise adicional em apoio a um a equação entre a nova criação, a Nova Jerusalém, o novo Templo e o novo Éden, no AT e em Ap 21.1-22, v. Beale 2004, cap. 12 [segmento inicial]). Apocalipse 22.6-21 A visão termina com a advertência de que suas palavras devem ser guardadas/obedecidas, porque Jesus voltará em breve.

22.10 A proibição: “Não seles as palavras da profecia” está ligada ao m andamento de Daniel na conclusão de sua profecia: “Sela as palavras e sela o livro até o fim dos tempos” (Dn 12.40; assim 8.26; 12.9 [cf. leituras da LXX]). Daniel profetizou um a tribulação final para o povo de Deus, a derrota derradeira dos reinos ímpios e o estabelecimento eterno do Reino de Deus. No entanto, Daniel não entendia precisam ente com o esses acontecimentos se dariam ou quando ocorreria o fim da história, quando as profecias finalmente se cumpririam (Dn 8.27; 12.8,9), em bora lhe fosse assegurado que o fim ainda não havia chegado (Dn 12.13). Portanto, o selamento do livro de Daniel significava que suas profecias não seriam compreendidas em sua totalidade nem cumpridas até que viesse o fim. O que Daniel profetizou pode ser entendido agora, porque as profecias começaram a se cumprir e os últimos dias já começaram , mas não foram consumados. “Não seles as palavras da profecia” significa, aqui em 22.10, que finalmente as profecias do AT sobre o final dos tempos, em especial as de Daniel, começaram a se cumprir. E, à luz desses cumprimentos, elas podem agora ser entendidas mais plenamente. Portanto, a questão de não selar o livro indica não apenas o início do cumprimento das profecias, mas também a revelação de um maior entendimento sobre as profecias que foram ocultadas dos santos do AT (assim Ef 3.4,5). Em particular, a morte, a ressurreição e o reinado de Cristo sobre a história, bem como a tribulação dos santos, são os cumprimentos inaugurais das profecias do AT. Através do cumprimento inicial e do ensino de Cristo, os santos podem ter um melhor entendimento da profecia do AT e são exortados a obedecer à palavra de Deus em suas gerações, não só com respeito à forma em que as profecias do AT começaram a se cumprir, mas também à maneira em que serão consumadas.

22.11 Mais um a vez, o anjo apela para a conclusão da profecia de Daniel: De que modo a alusão a Daniel contribui para o contexto teológico da dupla exortação de Apocalipse 22.11? O texto de Daniel prediz que, nos últimos dias, os falsos membros da comunidade da aliança não irão perceber o início do cumprimento da profecia (em alusão a Ap 22.10), por isso continuarão a desobedecer às leis de Deus. Os santos, no entanto, terão entendimento e discernirão o início do cumprimento da profecia ocorrendo ao seu redor, e sua reação será a obediência à Palavra de Deus. A mudança de uma predição em Daniel para os imperativos em Apocalipse 22.11 indica que a profecia de Daniel começou a se cumprir já na época de João e que os cristãos genuínos devem discernir essa revelação e responder de maneira positiva.

22.12a O tem a da repentina e rápida execução do juízo no final dos tempos também está presente no AT (v. Is 47.11; Ml 3.1; Jr 6.26). Talvez as ideias de um a aparição “iminente” e “rápida”, “inesperada”, estejam incluídas aqui, a última ideia dizendo respeito à possibilidade de que Jesus pode vir a qualquer momento, como em Mateus 24.36—25.13 (cf. At 1.7; lT s 1.9,10; 2Tm 4.8; Tt 2.13).

22.12b A segunda declaração de Jesus em 22.12 é um a alusão a Isaías 40.10; 62.11: O que Isaías profetizou acerca do Senhor agora Jesus profetiza que será cumprido por ele mesmo, outra das muitas afirmações da divindade de Jesus encontrada no livro (v. Gill 1811, p. 382). A última expressão do profeta Isaías em relação à “obra” define a “recompensa” e se refere à obra de Deus conceder as bênçãos da salvação ao seu povo fiel, embora o juízo dos ímpios provavelmente esteja implícito.

22.14 As imagens de um a árvore da vida e de portas abertas remetem à imagem de Isaías 60 e Gênesis 3 em 21.24—22.3, em que as nações adoradoras entram pelas portas abertas da cidade santa e têm acesso à “árvore da vida”, em contraste com as nações ímpias, que não poderão entrar (v. comentário de 21.24-26; 22.1,2a; 22.2b; 22.3). Apela-se aqui especificam ente a Isaías 62.10 LXX (“Passai, pelas portas”), possivelmente em conjunto com Isaías 26.2 LXX (“Abri as portas, para que entre um povo que guarda a justiça”). A frase de Isaías 62.10 é explicada adicionalmente com metáforas para a salvação em Isaías 62.11, um a das quais já foi mencionada em 22.12, apenas dois versículos atrás. No final da história, os verdadeiros santos herdarão a recompensa da “árvore da vida” que Adão e sua incrédula descendência não herdou. Os santos desfrutarão a realização dos anúncios proféticos de Isaías. Talvez Salmos 118.20 esteja incluído na alusão: “Os justos entrarão por ela [a porta]”, uma vez que Salmos 118.22 é um a das profecias messiânicas mais mencionadas em outras passagens do NT: a pedra rejeitada que se tornou a pedra angular (v. tb. SI 100.4).

22.15 A frase “todos lançam mão da falsidade”, de Jeremias 8.10, pode estar por trás de “todo o que ama e pratica a mentira”. Essa frase é aplicada aos israelitas idólatras (Jr 8.2) e equiparada à “apostasia” e ao “engano” (8.5). Da mesma forma, o salmo 101 relaciona “aqueles que praticam a apostasia” (101.3) com os que praticam o engano, a mentira e a iniquidade e que, portanto, devem ser excluídos da cidade de Deus (101.7,8): “O fraudulento não habitará em minha casa; o mentiroso não permanecerá em minha presença. [...] destruirei todos os ímpios da terra, para eliminar da cidade do Senhor todos os que praticam o m al”. Da mesma forma, o termo “cães”, no AT, pode se referir aos israelitas que violam a aliança com Deus (Sl 59.6,14). Em Deuteronômio 23.19 LXX (23.18 TP), “o salário de um cão [kynos]” é equiparada ao “pagamento de uma prostituta” e se refere aos israelitas fazendo ofertas em cumprimento do seu voto no templo, com dinheiro que aparentemente ganharam trabalhando com o prostituta(o) cultuai em um templo idólotra (cf. Dt 23.17: “Não haverá mulher israelita que se prostitua em rituais, nem haverá quem faça isso entre os homens israelitas”). Assim, os “mentirosos” e os “cães” simbolizam principalmente os que alegam ser parte da verdadeira com unidade da aliança da igreja, mas são na verdade enganadores, com o muitos que professavam fazer parte da com unidade da aliança de Israel, mas não eram verdadeiros israelitas pela fé. Malaquias 3.5 apresenta um a lista de pecados semelhante à de 22.15, juntamente com a afirmação de que Deus “sem demora” testemunhará contra esses pecadores pelo envio de seu “anjo” (Ml 3.1), ao qual o versículo seguinte faz uma alusão direta (“Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testemunhar” [22.16a]). A lista dos pecadores em Malaquias contém “feiticeiros”, “adúlteros”, “os que juram falsamente [em nome de Deus]” e os que cometem pecados na área econômica, “que exploram o trabalhador em seu salário, a viúva e o órfão, e distorcem o direito do estrangeiro”. Isso dá continuidade ao tem a do engano, expresso nas metáforas dos “mentirosos” e dos “cães”.

22.16,17 Em 5.5, o título de Jesus é “a raiz de Davi”, e agora o termo “geração ” é com binado com esse nome. “A raiz e a geração de Davi” pode muito bem ser um a paráfrase resumida da extensa expressão grega de Isaías 11.1: “Um ramo [hebr., ‘rebento’] b rotará do tronco de Jessé, e um renovo [hebr., ‘ramo’] frutificará das suas raízes”. A q u estão aqui p ode ser a identificação geral de Jesus com o cumprimento da esperança messiânica davídica conforme expresso em Isaías 11.1. A inda m ais nitidamente que em 21.6, o pensamento de Isaías 55.1 é esboçado aqui (talvez em conjunto com Jo 6.35; 7.37): “Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; vinde e comprai vinho e leite, sem dinheiro e sem custo”. Os três imperativos (“vinde”) para os ouvintes de Isaías provavelmente servem de modelo para os três imperativos de 22.17, caracterizados pela mesma esperança profética (v. Lang 1945, p. 391-2; p ara validação adicional da alusão a Isaías, v. Fekkes 1994, p. 260-4).

22.18,19 Esses versículos resumem o livro de Apocalipse como um novo código de leis para um novo Israel, modelado pelo antigo código de leis do Israel étnico. Embora muitos comentaristas considerem apenas Deuteronômio 4, João na verdade faz alusão a diversas passagens de advertências por todo o livro de Deuteronômio: Qual o significado de “acrescentar” e “tirar” algo da palavras da revelação? A resposta deve ser procurada em Deuteronômio. Em Dt 4.1,2 e 12.32, a linguagem denota um a dupla advertência contra o ensino enganoso que afirmava que a idolatria não era incompatível com a fé no Deus de Israel (v. Dt 4.3 [que faz menção ao episódio de Baal-Peor, de Nm 25.1- 9,14-18]; 13; v. tb. lEn 104.11). Aqueles que enganam dessa form a são falsos profetas (assim Dt 13.1-18). Esse ensino falso corresponde a “acrescentar” algo à lei de Deus e também a “tirar” algo da lei de Deus, um a vez que viola as prescrições positivas contra a idolatria (para o problema teológico sobre o ato de Deus tirar a parte de alguém “da árvore da vida e da cidade santa”, v. Beale 1999a, p. 1150-4). O texto de Apocalipse 22.18,19 aplica Deuteronômio por analogia à situação dos cristãos.

Índice: Apocalipse 1 Apocalipse 2 Apocalipse 3 Apocalipse 4 Apocalipse 5 Apocalipse 6 Apocalipse 7 Apocalipse 8 Apocalipse 9 Apocalipse 10 Apocalipse 11 Apocalipse 12 Apocalipse 13 Apocalipse 14 Apocalipse 15 Apocalipse 16 Apocalipse 17 Apocalipse 18 Apocalipse 19 Apocalipse 20 Apocalipse 21 Apocalipse 22