Significado de Lamentações 2

Significado de Lamentações 2





2.1-22 — O segundo poema do livro tem quatro movimentos: (1) porque vem do Senhor (v. 1-10); (2) porque afeta o mensageiro de Deus (v. 11-13); (3) porque provoca reações pessoais (v. 14-19); e (4) porque faz uma reclamação contra o Senhor (v. 20-22). 

2.1,2Sua ira é uma expressão contumaz que descreve a insatisfação de Deus ante a iniquidade e o pecado. No entanto, a ira do Senhor nunca nos afasta de Sua compaixão (SI 77.9). A glória de Israel estava no templo (Isaías 64.11) e na arcado concerto (1 Sm 4.21,22; SI 78.60,61). Em 1 Crônicas 28.2, o escabelo dos pés de Deus é identificado com a arca do concerto. Ocasionalmente, o Senhor é descrito como entronizado e assentado entre os querubins que repousavam sobre a arca (1 Sm 4.4; 2 Sm 6.2; Sl 80.1; 99.1,5; 132.7). Esse trecho afirma que Deus, em Sua ira, havia abandonado o escabelo de seus pés. 

2.3Retirou para trás a sua destra. Geralmente, a mão direita do Senhor é compreendida como instrumento de ajuda para o Seu povo, estendida contra seus inimigos (Êx 15.6; SI 20.6). Aqui ela está recolhida, deixando o povo à mercê dos adversários. 

2.4 — Como inimigo. O Senhor não havia apenas retirado Sua proteção de Judá (v. 3). Ele estava trabalhando propositadamente contra Seu povo com a Sua destra. Tudo o que era formoso à vista refere-se às virgens e aos jovens — o orgulho da nação (Lm 1.18). 

2.5 — Devorou. Á s vezes, o Sheol, ou a morte, é descrita como algo que vai “engolindo” o povo (Pv 1.12; 27.20; 30.16). Aqui, Deus é aquele que devora (v. 2). 2.6,7 — E arrancou a sua cabana com violência, como se fosse a de uma horta. Aqui cabana equivale ao tabernáculo ou templo. A ideia parece ser a de que o templo glorioso de Deus foi desmantelado (Am 9.11). O templo de Deus se tornara como uma cabana de palmas, semelhante às utilizadas na Festa dos tabernáculos (Sucote). Altar, santuário, muros e C asa. Cada um desses termos faz alusão ao santo templo (v. 6). 

2.8 — Quatro semanas após a conquista de Jerusalém, Nabucodonosor havia destruído o templo, o palácio, as casas do povo e os muros da cidade (2 Rs 25.9,10; Jr 52.13,14). 

2.9 — Não há lei. Esta expressão não indica o fim da Lei divina, mas sim a desobediência do povo à Lei, que impediu as bênçãos de Deus (Dt 6.1-3). Nem acham visão alguma os seus profetas. A instrução divina cessou tanto para a nação como para os israelitas, individualemente. Mas isso não é o mesmo que afirmar que a Lei e as profecias não estivessem mais sendo transmitidas. Deus falou a Jeremias dez dias após o profeta pedir uma palavra da parte do Senhor (Jr 42.4-7). Além disso, Ezequiel e Daniel profetizaram durante os 70 anos de exílio na Babilónia. 

2.10Jogar pó sobre a cabeça (Jó 16.15; Is 29.4; Mq 1.10) era uma atitude comum para demonstrar luto (em Israel e em outros países do mundo antigo). A tristeza das virgens de Jerusalém foi aumentada por elas saberem que aquele não era um período para se unirem em matrimônio e constituírem família; embora ainda estivessem vivas, não teriam o futuro desejado. 

2.11 — Já se consumiram os meus olhos com lágrimas. Essa é a reação de Jeremias, que sofria juntam ente com os afligidos (Lm 1.2). Nesse versículo, a palavra traduzida como coração em hebraico é fígado, que dentro desse contexto cultural aludia a uma emoção profunda. 

2.12 — As palavras trigo e vinho são utilizadas aqui aludem ao alimento. 

2.13 — Que testemunho te trarei e para te consolar. Jeremias não tinha palavras para consolar as mulheres de Jerusalém enquanto elas observavam, impotentes, a morte de seus filhos. 

2.14 — Aqui, empregam-se as palavras vaidade e loucura para indicar que os falsos profetas transmitiam suas mentiras vãs. 

2.15,16Meneiam a cabeça era uma expressão comum de desprezo (Sl 22.7; 109.25; Jr 18.16; veja também 1 Rs 9.8; Jó 27.23; Jr 19.8; 49.17; 50.13; Ez 27.36; Sf 2.15). Ser ridicularizado no Oriente Médio antigo era algo terrível para qualquer pessoa. Nos Salmos (Sl 48.2; 50.2), Jerusalém é mencionada como o gozo de toda a terra, a fonte de bênçãos espirituais para todas as nações (Gênesis 12.3). Agora, havia sido profanada (v. 2) e permanecia impura (Lm 1.17). 

2.17 — O Senhor fez o que havia proposto. Ele prometera a Moisés que julgaria o pecado (Dt 28.15,16). A destruição de Jerusalém era o cumprimento dessa promessa. Jeremias utilizou a mesma linguagem para afirmar que Deus havia planejado julgar também a Babilônia (Jr 51.12). 

2.18,19 — A muralha no coração do povo era mais difícil de romper do que os muros de Jerusalém (Lm 2.7,8). 

2.20Hão de as mulheres comer o fruto de si mesmas. A fome era tão desesperadora em Jerusalém que as mulheres lutavam para decidir qual filho morto seria comido em seguida (Lm 4.10). A menção de o sacerdote e o profeta indica que muitas pessoas tementes a Deus pereceram em Jerusalém. 

2.21O moço e o velho. O castigo de Jerusalém afetou a todos, inclusive as virgens e os jovens. A punição de Jerusalém estendia-se a tudo o que era formoso à vista (Lm 1.18; 2.4) 

2.22 — De toda parte os meus receios. O povo caçoou de Jeremias mencionando a frase terrores por todos os lados (NVI), porque os cidadãos consideravam que o profeta enxergava catástrofes em tudo.

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