terça-feira, 8 de junho de 2010

FARISEUS, JUDAÍSMO, ESTUDO BIBLICOS, TEOLOGICOS
De acordo com Josefo (Ant., 13.5.9, seção 171-3), os fariseus já existiam no tempo de Jonatas (160-143 a.C), mas em outro lugar (Ant., 13.10.5-7, seção 288-99) ele afirma que eles são mencionados pela primeira vez na história em conflito com João Hircano (134-104 a.C).

Eles exerceram uma grande influência por um período de cerca de três séculos e fizeram mais do que qualquer outro partido para determinar a forma de Judaísmo nos anos seguintes. Sua ascendência espiritual pode ser traçada até os Hasidim que, ao apoiarem os Macabeus, haviam dado sanção religiosa à proposta de liberdade destes. Eles não constituíam um partido político, mas essencialmente uma seita religiosa, originados em grande parte da classe média da sociedade, que gradativamente passou a ocupar uma forte posição religiosa e social na comunidade.

Várias explicações têm sido cogitadas para o nome fariseu, tais como, “expositor” (das escrituras, no interesse da lei oral) ou “separatista” (das coisas impuras ou no sentido de “expelido”, isto é, do Sinédrio). O Dr. T. W Manson afirma que a palavra significa “persa” e era aplicada a eles por seus oponentes que, nesse sentido, chamava-os de inovadores em teologia. Mais tarde, o nome passou a ser considerado como “uma construção etimológica” e era associado à raiz hebraica que significa “separar” sendo entendida como “separatista”. É certamente verdade que, embora os fariseus fossem firmes defensores da “tradição”, para eles ela não era coisa morta e, sem dúvida em algumas de suas doutrinas (como por exemplo, o reino messiânico, a vida eterna, a crença na multiplicidade de demônios e anjos, etc), eles foram influenciados pelo pensamento persa.

Ao longo de todo esse período, porém, eles se levantaram como um bastião contra a invasão do helenismo, demonstrando serem os defensores valentes da religião da Torah. Mas era justamente a interpretação que eles faziam da Torah que os distinguiam da maioria de seus oponentes, os saduceus. Os fariseus criam que a lei oral devia ser considerada como de igual autoridade que a Torah escrita (cf. Ant, 13.10.6, seção 297), ao passo que os saduceus consideravam a autoridade sagrada da Torah escrita como completamente acima e separada das novas tradições e observâncias.

Ao ensinar e interpretar a Torah, escrita e oral e ao aplicá-la à vida do dia a dia, eles “democratizaram a religião”, tornando-a pessoal e operativa na experiência das pessoas comuns. O principal instrumento para propagação da Torah era a sinagoga que se tornou uma instituição mais poderosa dentro de Judaísmo, não apenas em Jerusalém mas também por todas as regiões da Dispersão. A leitura da Torah acompanhada de uma tradução interpretativa no vernáculo tornou-se uma característica distintiva dos ofícios das sinagogas.

Nestes, os escribas, muitos dos quais eram membros do partido dos fariseus, tinham um papel importante a desempenhar. Os Evangelhos oferecem alguma indicação da posição que as sinagogas passaram a ocupar como fortalezas da religião da Torah mesmo antes do tempo de Jesus.

Mas está claro, pelos registros, que o farisaísmo era, no fundo, de caráter legalista, e que o legalismo pode facilmente conduzir ao formalismo, e o formalismo ao externalismo e à irrealidade, defeitos que se revelaram no decurso do tempo em pelo menos algumas fases do farisaísmo. Mas, apesar disso, os fariseus criaram um espírito de verdadeira piedade e devoção que afetou profundamente as vidas das pessoas, e desenvolveram um individualismo religioso que deu uma nova relevância à Torah de Deus.


Veja outros estudos bíblicos relacionados:

Cf. Macabeus - Quem eram? (1)
Cf. Macabeus - Quem eram? (2)
Cf. Estudo Bíblico: Saduceus

Fonte: Between the Testaments: From Malachi to Matthew, de Richard Neitzel Holzapfel.

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