2011/11/18

Parábolas e Símbolos no Livro de Apocalipse

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Parábolas e Símbolos no Livro de Apocalipse


Que contraste marcante no estilo existe entre as epístolas de João e Apocalipse, também escrito por ele! As epístolas não têm muitos adornos, longe de preocupações com imagens ou figuras, enquanto o livro de Apocalipse expressa-se através de parábolas. Em linguagem simbólica e apocalíptica, João foi inspirado pelo Espírito Santo a “encorajar e estimular o povo em tempos de angústia, por meio da segurança de um futuro glorioso pelo triunfo do tão esperado Libertador de Israel”. Ele governará como “o Príncipe dos reis da terra” (Ap 1:5).

Temos ainda um contraste de tom e temperamento entre as epístolas de João e o livro de Apocalipse. Todavia, ambos, trovão e ternura, estavam presentes no modo de ser de João (Mc 3:17). Os primeiros livros exibem seu trovão (Ap 2:22; 5:16; 2Jo 10; 3 Jo 9,10), enquanto que Apocalipse é eloquente, mas com ternura, assim como o trovão do juízo (Ap 1:9; 7:14-17; 21:3,4). O simbolismo que João usa não é de sua própria autoria, mas simplesmente uma nova combinação de antigos símbolos hebreus, quase todos achados no AT. O dr. Scroggie afirma que “todas as figuras do Apocalipse foram tomadas do AT. Dos seus 404 versículos, 265 contêm linguagem do AT, e há cerca de 550 referências a passagens do AT. Mas para o AT, esse livro continua um enigma”.

Esse último livro da Bíblia relaciona-se, por contraste e comparações, com o seu primeiro livro (Gênesis); todavia, essencialmente, Apocalipse, por seu conteúdo profético, relaciona-se mais com Daniel do que com qualquer outro livro do AT. Daniel esquematiza a história dos gentios durante os sucessivos impérios — Babilônico, Medo-Persa, Grego e Romano; João trata apenas da última fase da história romana. Daniel apresenta o curso total do Império Romano; Apocalipse é um livro das consumações, enquanto Gênesis é o livro das origens.

Nosso propósito é mostrar que o livro profético de João (Ap 1:3; 22:7,10,18,19) revela muitos acontecimentos futuros, apresentados em parábolas e com linguagem rica em símbolos. Desde o enunciado em seu prólogo: “Ele as enviou pelo seu anjo, e as notificou ao seu servo João”. A palavra “notificou” pode ser traduzida como “significou”, ou dado através de sinais e símbolos, que proliferam aqui mais do que em qualquer outro livro da Bíblia. Muitos negligenciam essas revelações por seu caráter altamente simbólico, pois desconhecem que os símbolos, se não explicados no próprio livro, o são em alguma outra parte da Bíblia. Ordenou-se a Daniel que “selasse” as palavras de sua profecia até o “tempo do fim” — não o fim do tempo — mas o fim do “tempo dos gentios”. João, ao escrever sobre o nosso tempo presente (Ap 22:10), foi instruído a “não selar” as palavras do livro.

O expressivo simbolismo de Apocalipse relaciona-se com Cristo e sua Igreja no começo do livro; com Israel, no meio do livro; e com as nações, no final. Na construção da cidade santa, a Nova Jerusalém, a Igreja é a fundação representada pelos nomes dos doze apóstolos; Israel simboliza as portas com os nomes das doze tribos escritos nelas; as nações salvas são as ruas, onde andam na luz da glória dessa majestosa cidade.

Uma explicação completa de todas as figuras de linguagem no livro Apocalipse significaria uma exposição desse fascinante livro como um todo — uma tarefa admiravelmente executada por Walter Scott em The Exposition of Revelation [A exposição do Apocalipse]. Tudo o que faremos é listar os símbolos, com um breve comentário dos seus respectivos significados, e assim concluir o nosso estudo das parábolas nas Escrituras.

Cf. Título do Livro de Apocalipse
Cf. Teologia do Livro de Apocalipse
Cf. Introdução Geral ao Livro de Apocalipse
Cf. Fundo Histórico do Livro de Apocalipse

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