2015/08/28

Significado de Gênesis 1

Significado de Gênesis 1

Significado de Gênesis 1


Gênesis 1

1.1 — E no princípio [hb. bereshit] é uma expressão que pode ser parafraseada da seguinte forma: “Aqui está a história da criação dos céus e da terra por Deus”. Já em João 1.1, no princípio remonta a um tempo [eterno] que antecede a criação. Mas nenhuma informação é dada sobre o que aconteceu antes dessa época. E possível que a ascensão, a rebelião e o julgamento de Satanás tenham ocorrido antes desses eventos. No capítulo 3, o adversário já havia sido expulso do céu, pois ele tenta Eva na forma de uma serpente. Em Génesis 6.1-4, há menção de filhos de Deus que se envolvem com as filhas de homens-, uma possível referência a anjos caídos. Além disso, em Génesis 3.24, são mencionados querubins; logo, os anjos já existiam [antes da criação da terra e do ser humano - ver Jó 38.4-7]. No capítulo 1 de Génesis, o foco é na criação do mundo material — os céus e a terra — por Deus, designado pelo termo hebraico Elohim, um plural majestático ou de intensidade que, em vez do significado regular de plural (deuses), indica a magnitude divina, acentuando Sua glória e Seu poder como o Deus todo-poderoso. Observe que, mesmo que a palavra Elohim seja plural, o verbo criou [hb. bara] está no singular; e significa [trazer do nada à existência; e] moldar sob nova forma. Este verbo, usado frequentemente na Bíblia, sempre tem Deus como seu sujeito. Isso significa que Ele [criou e] renovou o que estava em um  estado caótico, transformou o caos em cosmos, a desordem em ordem, o vazio em abundância. Os céus e a terra abrangem toda a criação, o universo.

1.2 — A expressão sem forma e vazia [hb. tohu va-bohu] contém apenas um conceito: o caos. A Terra havia sido reduzida a este estado (Jr 4.23); ela não era da maneira que Deus primeiro a criara (Is 45.18). A palavra trevas [hb. chosher] é uma potente designação bíblica para o mal e o erro (Jó 3.5; SI 143.3; Is 8.22; J o 3.19). Abismo [hb. tehom] é um termo que descreve um lugar profundo, em cujo leito muitas vezes é possível encontrar água (Gn 7.11). Todas essas palavras juntas retratam o caos, o desastre e a devastação. E deste cenário de ruína, Deus trouxe à tona uma criação ordenada. O espírito de Deus se movia (como uma cegonha que paira sobre seu ninho, ou como uma pomba, conforme é descrito em Mateus 3.16) — um presságio de vida se erguia na escuridão, sobre os sombrios abismos do caos e do vazio. 

1.3 — Haja Luz. Estas palavras expressam um tema fundamental na Bíblia: Deus trazendo luz à escuridão (Is 9.1,2). Aqui, Deus produziu a luz física, mas, no Novo Testamento, Deus envia Seu Filho para ser a Luz do mundo (Jo 8.12). No final, não haverá mais escuridão (Ap 21.23). O fato é que disse Deus: Haja luz. E houve luz. Seu comando causou a realidade. 

1.4 — Examinando a luz, Deus declarou que ela é boa — uma qualidade poderosa que representa a bênção de Deus. 

1.5 — A nomeação da luz como dia e das trevas como noite é um marco da soberania de Deus. Na forma de pensar dos povos do antigo Oriente, dar nomes, conceder nomeações, era um símbolo de poder e domínio. Para eles, os nomes não eram meros rótulos, simples designações, mas descrições exatas [de caráter e de atributos] da coisa ou pessoa. Considerando-se que o sol ainda não havia sido criado (Gn 1.14-19), o significado de primeiro dia (literalmente o dia um) é ambíguo. Alguns estudiosos dizem que os sete dias equivalem ao período completo da criação [as eras geológicas - SI 90.4; 2 Pe 3.8]. Outros argumentam que esse período segue um padrão rigoroso, significando exatamente sete dias, com 24 horas de duração cada dia. 

1.6 — Firmamento. Na utilização bíblica significa céus; literalmente, abóboda celeste. 

1.7,8 — Separou as águas. A ideia das água sem cima e embaixo do firmamento é algo misterioso. A alusão pode ser simplesmente às águas concentradas no estado líquido, na superfície terrestre, e no estado gasoso, na atmosfera. Contudo, essa divisão das águas é mais um ato soberano de Deus, para estabelecer a ordem no caos. 

1.9 — A junção das águas e a separação da porção seca são outras ações de Deus para estabelecer ordem no caos, descrito no versículo 2. Cada ato (de separação, divisão) destitui a desordem e traz a organização; dá forma ao que, antes, era disforme; cria o cosmos do caos. Cada ato também demonstra o poder e a sabedoria de Deus (Pv 8.22-31). 

1.10 — A nomeação da terra neste versículo demonstra que o termo foi usado antecipadamente no versículo 2.

1.11-13 — As palavras erva verde, árvores e frutos são usadas de forma bastante clara; abrangem todas as plantas e árvores frutíferas. A referência às sementes e suas espécies indica o fato de que o reino vegetal se reproduzirá. Deus não só criou a vida da planta, mas também fez com que esta tivesse a capacidade de perpetuar-se [num ciclo de vida: semente/broto/árvore/fruto]. 

1.14,15 — A criação do sol, da lua e das estrelas é descrita em termos gerais nestes versículos. Nos versículos 16-18, há mais detalhes. Os luminares (hb. me' orot) na expansão dos céus, no firmamento, são o sol e a lua, corpos celestes que brilham. Eles estabelecem a separação, a diferença, entre o dia e a noite. Algumas pessoas entendem os termos sinais e estações [em sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos (v. 14b nvi)] de forma errônea, como dessem base bíblica para a astrologia. Contudo, o termo sinais tem relação com as fases da lua e a posição das estrelas [em relação ao sol] no firmamento, que nos ajudam a marcar o tempo, do ponto de vista do observador na Terra. Sinais e estações formam um par que pode ser entendido como sinais sazonais. 

1.16 — Como nos versículos 14 e 15, o termo luminares significa luzeiros, e pode referir-se tanto ao sol, que emite luz, como à lua, que a reflete. Fez também as estrelas. Esta é uma afirmação notável! No antigo Oriente, outras religiões cultuavam e divinizavam as estrelas. Os vizinhos de Israel veneravam as estrelas e guiavam-se por elas. Mas, na história bíblica da criação, as estrelas são apenas mencionadas como parte da criação. Ê como se o escritor sagrado, ao falar delas de forma indiferente, dissesse. “Ah, sim, Deus também criou as estrelas”. [Elas são apenas parte da imensa criação de um Criador vivo e todo poderoso, e servem ao propósito que Ele estabeleceu: diferenciar o dia e a noite e as estações do ano]. Essa realidade atesta a grandeza, a soberania e a onipotência de Deus (SI 29; 93), bem como a mentira e a loucura da astrologia.

1.17-19 — E Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra. E interessante notar que o sol e a lua não são novamente nomeados aqui, mesmo que haja referência clara a eles [pelo uso do pronome substantivo os]. [O sol e a lua são objeto direto do verbo pôr, cujo sujeito, o agente da ação, é Deus.] O ponto principal nestes versículos indica que Deus está sozinho no controle de Sua criação. 

1.20,21 — O verbo criou (hb. bara) utilizado no versículo 21 [para assinalar a criação das aves, dos répteis e animais aquáticos] é o mesmo usado no versículo 1 (bem como no versículo 27, que fala da criação do homem). A disposição para se multiplicarem — cada um conforme as suas espécies — indica que todos esses seres foram feitos com a capacidade de reprodução (v. 12). Deus não só criou as criaturas vivas, uma extensa variedade de espécies, como também deu a elas o poder de proliferarem-se em grande número e ocuparem os mares e o ar. 

1.22,23 — E Deus os abençoou. E a primeira vez que esta importante expressão é usada na Bíblia (outras ocorrências: Gn 1.28; 2.3; 12.2,3). 

1.24 — A expressão alma vivente foi usada para os animais, mas também pode designar outros seres vivos, inclusive pessoas; depende do contexto. Ela foi empregada para descrever o homem [criado por Deus] em Génesis 2.7. Os termos gado, répteis e bestas feras — essas três amplas categorias descritas indicam, como nos versículos 11 e 20, que Deus criou todas as coisas vivas. 

1.25 — Deus viu que isso era bom. E a sexta vez que esta expressão é usada (Gn 1.4,10,12,18,21). Tudo o que Deus fez era bom. 

1.26-28 — E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Este é o ápice da criação, o ponto culminante ao qual as passagens anteriores nos levam desde o começo. Do ponto de vista das Escrituras, não há nada mais grandioso do que a criação do homem, único ser que Deus fez à Sua imagem e semelhança, para refletir a Sua glória. 

1.26 — Façamos o homem. A sentença é imperativa e enfatiza a majestade daquele que fala. Além disso, o uso do verbo conjugado na primeira pessoa do plural abre caminho para a posterior compreensão da Trindade (Gn 11.7; Mt 28.19). Logo, façamos se refere unicamente a Deus, e não aos anjos que estão junto dele, porque o homem foi feito exclusivamente à imagem e semelhança do seu Criador, e não à imagem de outros seres. Quanto à expressão à nossa imagem — o que é a imagem de Deus no homem? A visão tradicional é que a imagem de Deus no homem é a moral, a ética e a habilidade intelectual que foram dadas a este. Uma visão mais moderna, baseada na gramática hebraica e no conhecimento do antigo Oriente, interpreta essa frase como significando “façamos o homem como a nossa imagem” (a preposição hebraica equivalente a à nessa frase pode ser traduzida no sentido da conjunção como). Nos tempos antigos, um imperador ordenava a colocação de estátuas e bustos dele em pontos remotos do seu império. Estes símbolos declaravam que estas áreas estavam sob seu reinado e poder. De acordo com esta interpretação, Deus colocou a humanidade como símbolo vivo dele próprio na terra, para representar o Seu reino e domínio. Isto se encaixa perfeitamente na ordem que se segue: E domine [o homem] sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. Já a expressão conforme a nossa semelhança chama a atenção por tratar-se de uma figura de linguagem. Se Deus é espírito (Jo 4.24), não pode haver imagem e semelhança física. Sendo assim, posteriormente, foi proibido ao homem fazer qualquer imagem por causa das claras associações com a idolatria (Ex 20.4-6). Nós somos feitos à Sua imagem, conforme à Sua semelhança. Esta é a razão pela qual Deus nos estima tanto. Fomos feitos para refletir Sua majestade na terra. A expressão domine ele manifesta o controle do homem como o regente de Deus na terra. Sendo assim, as pessoas devem administrar sábia e prudentemente, como Deus o faria, todas as coisas que Ele fez (os peixes, as aves, o gado; o reino animal, vegetal e mineral). 

1.27 — E criou Deus o homem. Esta é a terceira vez que o verbo criar é usado em Gênesis 1 (v. 1,21). Aqui, é usado três vezes. A linguagem usada nos versículos 26 e 28 é prosa; neste, é pura poesia. As doze palavras do original hebraico estão distribuídas em três linhas, e possuem ritmo e cadência poética. O termo que designa o primeiro homem, Adão (hb. 'adam), está associado ao termo que designa a terra vermelha (hb. 'adama). Aqui, a palavra homem é genérica, designa a humanidade como um todo, incluindo o gênero masculino e o feminino, o que pressupõe os dois sexos [macho e fêmea]. Algumas pessoas pensam que o descobrimento da sexualidade humana de Adão e Eva se deu após eles comerem o fruto proibido no capítulo 3 de Gênesis. Entretanto, as palavras usadas para designar o homem e a mulher indicam que a sexualidade já fazia parte da criação original (5.2). Apesar de a prática errada da sexualidade ser amplamente condenada nas Escrituras (Lv 18), o padrão
correto é celebrado (Gn 2.24,25). Também vale lembrar que, nos versículos 26 a 28, a mulher não é retratada de maneira inferior ao homem na história da criação. 

1.28 — Deus os abençoou. Aqui vemos o “sorriso” de Deus; a ternura de Seu prazer (Gn 1.22; 2.3; 9.1; 12.2,3). Deus ficou feliz com a Sua obra (Pv 8.30,31). O verbo sujeitar (hb. kabash) — em e Deus lhes disse: [...] enchei a terra, e sujeitai-a — significa submeter à conquista. Esse termo forte é o mesmo usado para denotar conquistas militares (Zc 9.15) e o modo como Deus lida [com ira] com nossas injustiças (Mq 7.19). Da mesma forma que, em uma guerra, os militares conquistam um território, assim os humanos são ordenados por Deus em Gênesis a subjugar a terra e controlá-la. Por que essa necessidade de o ser humano subjugar a terra? Há, pelo menos, quatro possibilidades: 1) o pecado dominaria a terra, e as pessoas teriam de esforçar-se muito para conseguir viver nela (Gn 3.17-19); 2) Satanás desafiaria a vontade de Deus e tornaria tudo mais difícil; 3) a terra, abandonada a si mesma, não resultaria em uma boa coisa. Para que isso não acontecesse, Deus teria planejado que as pessoas a administrassem e controlassem; 4) a beleza da terra, no princípio, estaria restrita ao jardim que Deus plantou (Gn 2.8). O resto do mundo seria bastante hostil. Qualquer que seja o caso, sujeitar não significa destruir nem arruinar, e sim agir como um administrador que tem amplos poderes para controlar tudo o que Deus planejou. Esse comando [para sujeitar e dominar a terra] é dado ao homem e à mulher.

1.29 — Muitos estudiosos sugerem que Adão e Eva eram vegetarianos porque Deus lhes deu toda erva que dá semente e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente [...] para mantimento. 

1.30 — E a todo animal da terra [...] em que há alma vivente, toda a erva verde lhes será para mantimento. A implicação aqui é que, talvez, toda vida animal fosse herbívora no início. Entretanto, isso constitui mera especulação. O texto pode referir-se, de forma abreviada, à utilização dos vegetais como parte da cadeia alimentar, pois estes estão na base desta, no modelo divino. 

1.31 —Aqui, encontramos o sétimo uso da palavra bom na história da criação (Gn 1.4,10,12, 18,21,25). Esta palavra é apenas uma das muitas encontradas em múltiplos de sete neste texto.

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