2015/09/21

Significado de Lucas 13

Significado de Lucas 13

Significado de Lucas 13


Lucas 13

13.1 — Os detalhes do acontecimento mencionado aqui, no qual sangue judeu foi derramado no templo, ou perto deste, durante a época dos sacrifícios, não são conhecidos. Pilatos era conhecido por sua insensibilidade em relação ao povo judeu em sua administração. O episódio provavelmente ocorreu durante a Festa da Páscoa ou dos Tabernáculos, quando os galileus estavam no templo.

13.2 — A pergunta de Jesus refletia a opinião de Seus ouvintes. A ideia de que o julgamento e a morte são as consequências do pecado levou à crença de que a morte trágica acontecia como resultado de uma ofensa extrema. Embora tal concepção fosse comum no judaísmo, nem sempre era uma conclusão correta (Ex 20.5; Jó 4.7; 8.4,20; 22.5; Pv 10.24,25; Jo 9.1-3).

13.3 — Jesus quis dizer aqui que todas as pessoas estão à beira da morte até que o arrependimento aconteça. Essa morte é a espiritual, e não a física.

13.4 — O acontecimento mencionado aqui foi uma tragédia natural quando contrastado com o violento ato humano citado no versículo 2. Tanto no versículo 2 como no 4, a ideia central das perguntas é a mesma: as vítimas eram mais culpadas do que todos os habitantes de Jerusalém? O modo trágico como a pessoa morre não significa que se trata da justiça divina por causa do pecado. Antes é necessário que todos se arrependam, senão de igual modo todos perecerão. Siloé localizava-se na parte sudeste de Jerusalém.

13.5 — A maneira como uma pessoa morre não é medida de justiça. O que é importante é não morrer “fora” da graça e do cuidado de Deus. A forma de evitar tal destino é arrepender-se (Lc 5.32).

13.6 — A figueira geralmente representa a bênção de Deus ou um povo que tem uma relação especial com Ele (Mq 7.1,2). Nesta parábola, o homem representa Deus, e a figueira, Israel.

13.7 — A figueira geralmente precisa de mais tempo para dar bons frutos, porque tem uma complexa estrutura de raízes que demora para se desenvolver. Três anos é o suficiente para que ela produza frutos.

13.8 — Aquele que cuidava da árvore pede que o homem deixe a figueira por mais um ano. É um apelo de compaixão. Ele cuidaria para que a figueira pudesse dar frutos.

13.9 — Caso a árvore, que simbolizava Israel, produzisse frutos, escaparia do julgamento. Se não se tornasse produtiva, o julgamento recairia sobre ela. O julgamento é descrito em Lucas 19.41-44- A queda de Jerusalém, que aconteceu em 70 d.C., está em foco. O tema também é abordado em Lucas 20.9-19.

13.10-12 — Mulher, estás livre da tua enfermidade. Esta foi uma declaração que disse que ela estava livre do poder de Satanás (v. 16).

13.13 — A cura, como era comum, ocorreu instantaneamente e foi seguida de um louvor de agradecimento a Deus (Lc 4.39; 5.13,25; 7.15; 8.44).

13.14 — O dirigente da sinagoga não ficou satisfeito e disse isso à multidão, ao mesmo tempo em que censurou Jesus por achar que tais curas não deveriam acontecer no Sábado, um dia que precisava ser honrado.

13.15 — Quando o dirigente da sinagoga se mostrou indignado por causa da cura de Jesus no Sábado (v. 10-14), o Salvador explicou que, se a compaixão fundamental era utilizada com os animais neste dia, uma compaixão muito maior deveria ser demonstrada com relação à mulher sofredora (v. 16). Na verdade, a prática judaica variava em tais casos. Alguns textos da Mishná [principal e mais recente obra do judaísmo rabínico escrita em aramaico do segundo século após Cristo, uma fonte central do pensamento judaico posterior] mostram que certas atividades relativas ao rebanho eram permitidas, como por exemplo soltá-lo, alimentá-lo e levá-lo até a fonte de água, contanto que esta não fosse muito longe. Entretanto, em Qumran, uma atividade como a que Jesus descreveu era proibida no Sábado se a pessoa precisasse fazer um trajeto de mais de dois mil côvados (cerca de 1 km) para chegar até a água. Em Qumran, um homem só poderia afastar-se da cidade mil côvados no Sábado (Nm 25.4), enquanto, em alguns casos, permitia-se que os fariseus percorressem uma distância de até dois mil côvados.

13.16 — Esta filha de Abraão. Esta descrição da mulher indica quão especial era ela. Jesus quis demonstrar que não havia dia melhor do que o Sábado para triunfar sobre Satanás.

13.17 — As respostas contrastantes demonstram a divisão que Jesus originava (Lc 12.51).

13.18,19 — Jesus comparou o crescimento do Reino de Deus a uma pequena semente que se transforma em uma grande árvore, onde os pássaros encontram abrigo. A árvore da mostarda cresce até 3,5 m. A imagem de aves fazendo ninhos em árvores é frequentemente encontrada no Antigo Testamento (SI 104.12; Ez 17.22-24; Dn 4.10-12).

13.20,21 — Nesta ilustração, a mulher esconde o fermento em uma grande quantidade de farinha (em grego 3 satos. O sato era uma medida de capacidade para secos. As estimativas variam entre 7 e 13 litros). O fermento mistura-se com o alimento e faz com que este cresça. Geralmente esta imagem é negativa, como em 1 Coríntios 5.6. No entanto, nesta parábola é positiva. O Reino começaria pequeno, mas cresceria e, consequentemente, preencheria a terra. A ênfase não está no processo de crescimento, mas na diferença entre o início do Reino e o final.

13.22-24 — Pela porta estreita. Esta expressão quer dizer que uma pessoa desenvolve a salvação seguindo os mandamentos do Senhor. Os que querem entrar, mas não estão aptos, são aqueles que buscam entrar no Reino de Deus tentando utilizar seus próprios meios. Muitos perderão as bênçãos divinas porque pensam que podem alcançar a salvação por mérito próprio ou baseando-se em autopiedade, e não porque vieram a conhecer Deus por intermédio de Jesus (v. 25).

13.25 — Quando a vida de alguém chega ao fim, a porta da oportunidade para responder ao convite de Deus se fecha e o acesso à presença divina não pode mais ser obtido. Não sei de onde vós sois. A mensagem aqui é: relacione-se pessoal e adequadamente com Deus por intermédio de Jesus Cristo. O versículo 26 esclarece que o Senhor à porta é Jesus, visto que Seu ministério é mencionado. Aqueles que buscarem ingressar depois que a porta se fechar serão rejeitados, pois eles não chegaram a Deus pelos Seus critérios, por intermédio de Jesus.

13.26 — Temos comido e bebido na tua presença [...] tu tens ensinado. O apelo aqui é feito pelas pessoas que experimentaram a presença de Jesus. Esse texto, originalmente, diz respeito àqueles judeus que testemunharam o ministério do Salvador. Eles estavam tentando entrar na presença de Deus simplesmente pelo fato de terem observado Jesus. O Senhor os recusou, alegando que isso não era suficiente para que eles pudessem ficar perto dele. Para termos um relacionamento de verdade com Deus, devemos abraçar Jesus e conhecê-lo de fato.

13.27 — Não sei de onde oós sois; apartai-vos de mim. Neste versículo, Jesus converte a questão relacionada à salvação (v. 23) em uma questão que diz respeito ao próprio conhecimento pessoal. Quando alguém falha na busca da salvação em Jesus significa que o pecado permanece na vida dessa pessoa.

13.28 — Haverá choro e ranger de dentes. Esta é uma ilustração que descreve a reação de alguém diante de uma notícia traumática. É um exemplo que mostra remorso, dor e frustração. Está claro aqui (embora não em todo lugar de sua ocorrência) que o cenário descreve a reação causada pelo fato de ser excluído da salvação, como a expressão lançados para fora evidentemente declara. Jesus diz que os grandes patriarcas e profetas estarão lá dentro, mas aquele que não entrou pela porta estreita será rejeitado.

13.29 — Oriente... Ocidente... Norte... Sul. A cena muda no versículo 29. Pessoas virão de todos os cantos da terra e entrarão no Reino de Deus. Essa passagem alude à inclusão dos gentios no Reino de Deus.

13.30 — Haverá muitas surpresas no Reino de Deus. Aqueles que são desprezados na terra — alguns gentios, por exemplo — serão grandemente honrados. De forma inversa, os que são considerados influentes e poderosos na terra podem não ter o nobre privilégio no Reino de Deus (compare com Jo 2.28).

13.31-33 — Herodes quer matar-te. Este aviso dos fariseus foi, aparentemente, uma tentativa de tirar Jesus da região, e também de fazê-lo “parar de atrapalhar”. Não fica claro se foi um aviso verdadeiro.

Raposa. O termo aqui alude à malignidade de Herodes. A resposta de Jesus ap aren te mente indica que Ele validou a avaliação dos fariseus.

Sou consumado. Jesus previu Sua ressurreição em Jerusalém. Por causa de Sua missão divina, o Salvador não poderia deixar de ministrar na região. O verbo traduzido como consumado indica o ciclo completo de algo, motivo pelo qual faz referência à ressurreição de Jesus, o momento conclusivo de Seu ministério. A expressão hoje, amanhã e no dia seguinte é figurada, visto que Jesus estava falando de mais de três dias restantes de ministério.

13.33 — Para que não suceda que morra. Jesus alude a uma longa linhagem de profetas que foram executados na capital da nação (1 Rs 18.4,13; 19.10,14; 2 Cr 24.21; Jr 2.30; 26.20-23; 38.4-6; Am 7.10-17).

13.34 — Jerusalém, Jerusalém. A repetição do nome revela a tristeza profunda de Jesus (2 Sm 18.33; Jr 22.19). A cidade executou muitos mensageiros de Deus. Estêvão faz uma abordagem similar a respeito da nação de Israel em Atos 7.51-53.

Quis eu ajuntar. Como profeta, Jesus falou por Deus, na primeira pessoa. Ele comparou o desejo divino de reunir o Seu povo ao ato de uma galinha que acolhe e protege seus pintinhos. Infelizmente, o Seu povo não quis ser reunido.

13.35 — Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. Jesus declarou que a nação estava sob julgamento, similar ao que a levou ao exílio na Babilônia (Jr 12.7; 22.5). Deus abandonaria a nação, até que esta respondesse ao Messias. Bendito aquele. Esta é uma citação de Salmos 118.26. O povo de Israel não veria o Messias novamente, até que estivesse pronto para recebê-lo e reconhecer que Ele fora enviado por Deus. O Salmo 118 retrata a saudação de um sacerdote a um grupo entrando no templo. Jesus usou a linguagem desse salmo para ilustrar a saudação de Deus a Ele.


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