2015/09/21

Significado de Lucas 2

Significado de Lucas 2

Significado de Lucas 2



Lucas 2

2.1,2 — César Augusto foi o imperador de Roma (31 a.C. a 14 d.C.), e Cirênio [Quirino, na NVI] foi o empreendedor de um importante censo, organizado para facilitar o pagamento de taxas. O único recenseamento vinculado a Cirênio em registros não bíblicos data de 6 d.C., mas tal acontecimento é tardio para se tratar do referido aqui. Por causa disso, muitos estudiosos consideraram esta nota de Lucas como errônea.

Entretanto, é possível que Cirênio tenha atuado como governador por duas vezes em sua vida, visto que há uma lacuna de governança registrada entre 4 a.C. e 1 d.C., no período entre Varo e Gaio César. O problema é que este espaço se segue à morte de Herodes, e não a precede, como o ajuste de tempo do nascimento de Jesus exigiria (Mt 2). Pode ser que o censo tenha se estendido desde Varo até Cirênio, e fora associado com o nome daquele que o finalizou, no período seguinte à morte de Herodes. Neste caso, Lucas diminuiu historicamente a data, como era comum se fazer, e isso não é um erro.

Outra explicação possível é que o termo primeiro algumas vezes pode ser traduzido como anterior (Jo 15.18). Sendo assim, o que Lucas possivelmente teria dito é que o recenseamento precedeu a administração de Cirênio, e isso também não configura um erro.

2.3,4 — O registro, seguindo o costume judaico, acontecia na cidade natal das pessoas (2 Sm 24) A viagem de Nazaré a Belém durava aproximadamente três dias, cerca de 145 km.

2.5 — O fato de Maria fazer a viagem com José sugere que eles já estavam casados. Entretanto, o casamento não tinha sido consumado (Mt 1.24,25).

2.6 — Há uma base histórica que explica o tradicional 25 de dezembro, aceita nas igrejas gregas e latinas, como uma data aproximada. O dia do nascimento de Jesus pode ser fixado com alguma precisão, considerando que Mateus 2.19 diz claramente que Ele nasceu numa época próxima à de Herodes, o Grande.

Estudiosos mencionam que a morte de Herodes aconteceu entre um eclipse e a Páscoa. O único eclipse mencionado neste período ocorreu em março de 4 a.C., enquanto a Páscoa teria acontecido no meio de abril. Então, Jesus nasceu pelo menos alguns meses antes da primavera de 4 a.C., no inverno de 5 a.C, ou na primavera seguinte. Por isso as datas do nascimento de Jesus compreendem de 5 a 4 a.C.

A fixação da data do Natal no dia 25 de dezembro aconteceu por volta da época de Constantino (306—337 d.C.). A celebração se tornou a maneira de a Igreja festejar o nascimento de Jesus e apresentar uma alternativa à comemoração de uma popular festa pagã.

2.7 — Os panos eram tiras de tecido enroladas ao redor do bebê para manter seus braços e pernas seguros. A manjedoura era provavelmente um cocho de alimentação dos animais. E possível que Jesus tenha nascido em um estábulo ou em uma gruta que servia como tal. A estalagem, ao que tudo indica, era um quarto para receber pessoas em uma casa particular ou um abrigo público, e não uma grande construção com vários quartos individuais.

A expressão filho primogênito indica que Maria teve outros filhos (Mt 1.25; 13.55; Mc 3.31-35).

2.8 — As vigílias eram feitas para proteger as ovelhas de ladrões e animais selvagens.

2.9 — A palavra glória faz referência ao sinal da presença majestosa de Deus, mais tarde associada a Jesus (At 7.55). Neste cenário, a glória é a aparição da luz em meio às trevas.

2.10 — Novas de grande alegria. A associação desses dois conceitos [boas novas de salvação e alegria] ocorre apenas aqui e em Lucas 1.14, mas eles resumem qual deve ser a resposta à presença de Jesus.

2. 11,12 — A cidade de Davi, aqui, faz referência a Belém. Em outras passagens, a expressão quer dizer Jerusalém (2 Sm 5.7). Salvador, Cristo e Senhor são três títulos que juntos sumarizam a ação salvadora de Jesus e Sua posição soberana. Deus foi chamado de Salvador em Lucas 1.47, e Jesus recebe o mesmo título aqui. A palavra Cristo quer dizer Ungido, aludindo à posição real e messiânica de Jesus. A palavra Senhor era o título de um soberano. O significado do termo foi definido por Pedro em Atos 2.30-36. Jesus estava destinado a sentar-se ao lado de Deus e conceder-nos os benefícios da salvação reinando com o Pai.

2.13 — A expressão exércitos celestiais faz referência a um séquito de anjos.

2.14 — O termo glória, aqui, faz alusão ao louvor a Deus.

Boa vontade para com os homens. Esta expressão indica que as pessoas são os objetos da graça divina. No antigo judaísmo, esta frase descrevia um grupo limitado de indivíduos, os recebedores da graça especial de Deus. A promessa de paz (Lc 1.79) e de boa vontade chegaria àqueles que acolhessem o único Filho de Deus.

2. 15-20 — De forma semelhante ao nascimento de João (Lc 1.65,66), o nascimento de Jesus gerou maravilha e admiração.

2.21 — De acordo com a Lei, um menino judeu deveria ser circuncidado no oitavo dia (Gn 17.12; Lv 12.3).

2.22-24 — O termo purificação faz referência ao rito no qual a mulher que deu à luz era declarada cerimonialmente pura de novo (Lv 12.6). A solenidade acontecia 40 dias após o nascimento. Neste ritual, a mãe poderia oferecer um cordeiro ou dois pombinhos (Lv 12.8). A família de Jesus levou as aves (v. 24), indicando que ela não possuía nem podia comprar outro animal. A distância de Belém a Jerusalém era apenas 8 km. A expressão apresentarem ao Senhor alude à apresentação comum do filho primogênito ao Senhor (Êx 13.2,12; Nm 18.6; 1 Sm 1; 2). Lucas mostra que os pais de Jesus eram judeus fiéis e que eles cumpriam as exigências da Lei.

2.25,26 — Simeão estava esperando pela consolação de Israel, o Confortador de Israel, uma esperança que tem paralelo com a esperança do resgate nacional expresso nos dois hinos do capítulo 1. Este resgate envolveria a obra do Messias, como o versículo 26 sugere, o mesmo trecho em que Lucas destaca a presença do Espírito no começo da obra de Deus em Jesus.

2 .27,28 — O local para onde foram dentro do templo não é citado, mas a presença de Maria sugere ou o pátio dos gentios ou o pátio das mulheres.

2.29 — Segundo a tua palavra. Vemos aqui que Simeão agradece a Deus (glorifica a Deus) e recorda o cumprimento da promessa do Senhor (v. 26). Esta é a promessa que sugere que Simeão é um ancião, embora sua idade não seja mencionada. Simeão, um exemplo de fé, poderia descansar sabendo que o plano de Deus seria cumprido, ainda que ele não visse toda a realização durante sua vida.

2.30 — Simeão identificou a salvação de Deus como personificada em Jesus. A vinda de Cristo era a vinda da salvação do Senhor.

2.31 — Tu preparaste. Esta expressão indica o desígnio de Deus e o cumprimento do plano.

2.32 — Luz para alumiar as nações e para glória de teu povo Israel. Esta é a primeira frase explícita em Lucas que inclui os judeus e os gentios. A salvação é ilustrada como luz (Lc 1.79). Isso era uma revelação para os gentios, pois eles poderiam participar da bênção de Deus com a completude que não fora revelada no Antigo Testamento (Ef 2.11-22; 3.1-7). Jesus é a glória porque, por intermédio dele, a nação veria o cumprimento das promessas de Deus. O papel especial da nação no plano do Senhor seria reivindicado (Is 46.13; 60.1-3; Rm 9.1-5; 11.11-29).

2.33,34 — Eis que este é. posto para queda e elevação de muitos. Esta declaração de Simeão é o primeiro sinal de que a trajetória de Jesus não seria somente rosas. O plano é enfatizado pela expressão é posto. A ilustração da queda e elevação é conceitualmente paralela a Isaías 8.14,15 e 28.13-16, que são frequentemente usados no Novo Testamento para descrever a divisão que Jesus trouxe para a nação (Rm 9.33; 1 Pe 2.6-8; Lc 20.17,18).

Há uma discussão se a alusão se dá a um grupo em Israel que se eleva e depois cai, ou se a referência é feita em relação à divisão da nação em dois grupos. É mais provável que seja a segunda hipótese, visto que Lucas recorre à ideia da divisão causada por Jesus (Lc 6.20-26; 13.28,29,33-35; 16.25; 18.9-14; 19.44,47,48; 20.14-17, especialmente em Lc 12.51). A menção de que Jesus seria um sinal que é contraditado também acrescenta ênfase ao registro de divisão.

2.35 — A ilustração de uma espada usada por Lucas é para expressar que Maria sofrerá muito ao ver a rejeição de Jesus e ao vê-lo formar um novo grupo com prioridades que levam a tal rejeição. Esta observação, como o texto registra, é um parêntese.

A expressão manifestem os pensamentos é o reconhecimento de que Jesus é o meio pelo qual as pessoas se posicionam perante Deus. Ele é o Juiz que exporá os pensamentos do povo (At 10.42,43; 17.30,31).

2.36,37 — Não fica claro no texto se os 84 anos mencionados correspondem à idade de Ana, ou ao tempo que esta era viúva. O testemunho desta mulher devota complementa o testemunho de Simeão. Ambos perceberam a obra de Deus muito cedo na vida de Jesus. O trabalho de Ana como profetisa no templo indica que ela falava a todos que precisavam ouvi-la, como faziam Miriã (Ex 15.20), Débora (Jz 4-4) e Hulda (2 Rs 22.14). As filhas de Filipe também são exemplos de profetisas no Novo Testamento (At 21.9).

2.38 — A expressão redenção em Jerusalém é outra forma de falar da consolação de Israel (v. 25).

2.39 — A família finalmente retorna ao lugar que será seu lar em Nazaré. Lucas não registra nenhuma das visitas ou viagens que Mateus 2 relata.

2.40 — E o menino crescia. Com este comentário, a história da infância de Jesus termina. A narrativa recomeça 12 anos depois, no versículo 41. Esses dois versículos revelam o crescimento da natureza humana de Jesus, enquanto, em Sua natureza divina, Ele era imutável e infinito. Os cristãos devem pesar estas duas naturezas quando falam do Senhor Jesus.

2.41 — A peregrinação anual a Jerusalém era costumeira para muitos que viviam fora da cidade. A Lei ordenava três peregrinações para os homens todos os anos: a da Páscoa, de Pentecostes e da Festa dos Tabernáculos (Ex 23.14-17). No primeiro século, a maioria dos homens judeus fez uma peregrinação anual por causa da distância que muitos tinham de percorrer devido à dispersão dos israelitas na Ásia Menor.

2.42 — Nesta idade (12 anos), Jesus começou a ter uma instrução intensiva, a fim de prepará-lo para a chegada da responsabilidade dos 13 anos, quando um menino era aceito na comunidade religiosa como um homem encarregado de cumprir a Lei.

2.43-45 — Membros de famílias inteiras frequentemente viajavam juntos. Essa situação pode ter contribuído para que os pais de Jesus não tivessem notado Sua ausência até o anoitecer no acampamento.

2.46-48 — Os doutores eram rabinos judeus. Note que Jesus não estava dando sermões, mas envolvendo os rabinos em discussões teológicas (v. 47).

2.4 9 — Apesar de ter apenas 12 anos, Jesus sabia que Deus o tinha encarregado de cumprir certas tarefas nesta terra (Lc 4.43; 9.22; 13.33; 17.25; 19.5; 22.37; 24.7,44). A primeira indicação no Evangelho de Lucas de que Jesus sabia que tinha uma missão singular e uma relação ímpar com o Pai é: me convém tratar dos negócios de meu Pai. O texto em grego é elíptico aqui e diz: “Eu devo estar no... de meu Pai”, sem especificar um lugar ou uma atividade. Tanto Jesus pode estar próximo da obra de Deus, assim como a tradução sugere, quanto pode estar na casa de Deus, discutindo Sua verdade. No final, as duas possibilidades não diferem muito uma da outra.

2.50-52 — Apesar da revelação que os pais de Jesus tiveram, eles ainda estavam tentando entender os aspectos da missão de seu filho. Os discípulos passariam por problemas semelhantes (Lc 9.45; 10.21-24; 18.34). A compreensão de quem é Jesus, às vezes, leva algum tempo, considerando que a Pessoa e a missão são únicas e quebram alguns conceitos (Mt 16.21-23; Jo 18.10,11).

Índice: Lucas 1 Lucas 2 Lucas 3 Lucas 4 Lucas 5 Lucas 6 Lucas 7 Lucas 8 Lucas 9 Lucas 10 Lucas 11 Lucas 12 Lucas 13 Lucas 14 Lucas 15 Lucas 16 Lucas 17 Lucas 18 Lucas 19 Lucas 20 Lucas 21 Lucas 22 Lucas 23 Lucas 24


Um comentário: