2015/09/21

Significado de Lucas 20

Significado de Lucas 20

Significado de Lucas 20


Lucas 20

20.1-4 — Nesse ponto, como em vários ao longo do Evangelho de Lucas, os ministérios de João Batista e de Jesus vinculam-se (Lc 1.5-80; 3.10-18; 7.18-35). A pergunta que Jesus fez aos fariseus os deixou em um dilema. Se reconhecessem que o ministério de João vinha do céu, estariam admitindo a mesma origem divina do similar ministério guiado pelo Espírito, e “independente”, de Jesus. Entretanto, se os fariseus negassem que João fora enviado por Deus, eles corriam o risco de enfrentar a ira de grande parte da população, que acreditava que o ministério de João foi celestial (Lc 20.5,6).

20.5-8 — E responderam que não sabiam. Os peritos religiosos, por conveniência, alegaram ignorar essa questão.

20.9 — Em uma variação de Isaías 5.1-7, a vinha aqui representa a promessa feita a Israel, enquanto os lavradores são a nação de Israel. O homem que plantou a vinha simboliza Deus. A ilustração da vinha relembra o exposto por Jesus na parábola em Lucas 13.6-9. Esta parábola também é encontrada em Mateus 21.33-44 e em Marcos 12.1-12, com algumas sutis variações de detalhes em cada passagem.

20.10 — Espancando-o, mandaram-no vazio. O tratamento dispensado ao servo nesta parábola representa a atitude do povo de Israel em relação aos profetas do Antigo Testamento. Durante o tempo dos profetas, a nação de Israel não gerou frutos; a desobediência grassava (Lc 11.49-51; 13.34; At 7.51-53).

20.11 — Afrontando-o, mandaram-no vazio. Novamente, o servo é rejeitado. Isto mostra que a recusa se repetiu.

20.12 — Ferindo também a este, o expulsaram. O terceiro servo é tratado da mesma maneira.

20.13 — Mandarei meu filho amado. O filho simboliza Jesus (Lc 3.21,22; 9.35).

20.14 — Este é o herdeiro... matemo-lo. Os lavradores supunham que, matando o filho, a herança ficaria para todos aqueles que estavam trabalhando na terra, um tipo de transferência de propriedade possível no mundo antigo. Deve-se observar que os detalhes dessa passagem não representam o pensamento daqueles que crucificaram Jesus. Os líderes de Israel pensavam que estavam detendo um indivíduo que era perigoso para o judaísmo, e não que eles iriam herdar o Reino de Jesus.

20.15 — Lançando-o para fora... o mataram. Aqui é apresentada uma alusão à morte de Jesus. Que lhes fará, pois, o senhor da vinha? A questão paralela é o que fará Deus, o Pai, àqueles que rejeitaram e assassinaram o Seu Filho?

20.16 — Irá, e destruirá estes lavradores. Deus exercerá Seu julgamento sobre aqueles que mataram o Seu Filho. Ele dará a outros a vinha. Jesus está referindo-se à inclusão dos gentios na promessa do Reino de Deus.

20.17 — A pedra que os edificadores reprovaram. Essa passagem, retirada de Salmos 118.22, ilustra a exaltação do honrado Jesus depois de Sua rejeição. A oposição não impedirá Deus de fazer daquele que foi rejeitado o centro de Sua obra de salvação.

Cabeça da esquina. Esta pode ser a grande pedra que liga a fundação de duas paredes de uma construção, ou a cimalha do topo de um portal.

20.18 — Jesus é a Pedra angular. Todo aquele que for contra essa pedra será destruído. A declaração de Jesus é similar a um posterior provérbio judaico: “Se uma pedra cai em uma panela, ai da panela! Se uma panela cai em uma Pedra, ai da panela!”. A imagem de Jesus como a Pedra também é encontrada em 1 Pedro 2.4-8, onde Pedro compara os cristãos a pedras vivas que edificam a casa espiritual para o Senhor.

20.19 — Os líderes religiosos judeus queriam conter Jesus, porque Ele representava uma ameaça direta a eles. Entretanto, temeram a reação da multidão. Assim, esperaram por um momento mais propício para destruí-lo.

20.20 — Os líderes religiosos observavam Jesus atentamente. Eles se fingiam de justos, coisa que, nesse contexto, indica que eles tentaram parecer sinceros. Na verdade, queriam pegar Jesus quando falasse qualquer coisa que fizesse com que Ele parecesse um revolucionário político, para assim o entregarem ao governador romano Pila tos.

20.21 — Ensinas com verdade o caminho de Deus. Esta é uma adulação hipócrita, considerando o contexto do versículo 20.

20.22 — E -nos lícito dar tributo a César ou não? Esta pergunta dizia respeito à cobrança do imposto de Roma, que era diferente dos impostos cobrados pelos coletores de impostos. Esse percentual era uma espécie de taxa paga diretamente a Roma, como uma indicação de que Israel estava sujeito à nação gentia. A indagação dos fariseus era bastante maliciosa. Se Jesus respondesse que sim, o povo ficaria irado, porque Ele estaria respeitando o poder estrangeiro. Se falasse que não, poderia ser acusado de sedição.

20.23 — E, entendendo Ele a sua astúcia. Jesus, que estava no controle, sabia a razão da pergunta dos fariseus.

20.24 — De quem tem a imagem e a inscrição? A resposta de Jesus foi muito sábia. Ele fez com que os fariseus lhe mostrassem uma moeda, demonstrando que eles próprios já haviam reconhecido a soberania de Roma, pois usavam seu dinheiro. O denário era uma moeda de prata que possuía a figura do imperador Tibério em sua face, naquela época. Em algumas delas, havia, no lado inverso, a imagem da mãe de Tibério, Lívia, ilustrada como a deusa da paz, com a inscrição sumo sacerdotisa.

20.25 — Os fariseus não puderam inverter a sábia resposta de Jesus e acusá-lo de sedição (Lc 23.2). De acordo com Jesus, o governador estabelecido pelo imperador César tinha o direito de cobrar os impostos. Todavia, Deus deveria ser honrado acima de qualquer governante. Honrar a Deus não exime alguém de cumprir as funções básicas como cidadão (Rm 13. 1-7), pois todas as funções de autoridade foram ordenadas por Deus.

20.26 — Maravilhados da sua resposta. Jesus escapa da armadilha e os ouvintes ficam admirados.

20.27 — Os saduceus, os fariseus e os essênios eram as três maiores facções do judaísmo do primeiro século. Os saduceus rejeitavam as tradições orais a que os fariseus obedeciam rigorosamente. Em vez de seguirem a tradição oral, eles baseavam seu ensinamento apenas nos primeiros cinco livros do Antigo Testamento, os livros de Moisés. Os saduceus negavam que pudesse haver ressurreição, e inventaram um burlesco exemplo para sugerir que a doutrina era impossível.

20.28 — No judaísmo, uma viúva sem filhos deveria casar-se com o irmão de seu falecido marido, de acordo com um costume conhecido como levirato (Dt 25.5; Rt 4 -1-12). A Lei foi elaborada para perpetuar o nome de um homem que morreu sem deixar filhos.

20.29-32 — Sete irmãos. O exemplo fala de sete casamentos sem filhos, e da posterior morte da mulher.

20.33 — De qual deles será a mulher...? Esta pergunta foi feita no intuito de mostrar que a ressurreição gera resultados absurdos.

20.34,35 — Jesus contrastou a vida na era presente e na que há de vir. O casamento não fará parte da era vindoura, por isso o exemplo dos saduceus (Lc 20.28-33) era sem cabimento. Jesus sustentou a doutrina da ressurreição em Sua resposta, falando do mundo vindouro e da ressurreição; isto mostra que os dois conceitos estavam claramente associados. Cristo também observou que apenas os que forem havidos por dignos receberão os benefícios da era que há de vir.

20.36 — São iguais aos anjos e são filhos de Deus. Paulo explica mais tarde que, na ressurreição, teremos corpos espirituais (1 Co 15.25-58). Esta será uma nova experiência, que não terá necessariamente comparação com as experiências humanas, tais como o casamento.

20.37 — Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó. A resposta de Jesus aqui é mais sutil. Ele diz que, se Deus é o Deus dos patriarcas, então eles estão vivos.

20.38 — Deus... de vivos. Deus só se relaciona com aqueles que estão vivos. A citação da Lei feita por Jesus (Ex 3.1-6,15) provavelmente causou impacto nos saduceus, que respeitavam os ensinamentos dos livros de Moisés.

20.39,40 — Escribas. Os escribas, que aceitavam a visão dos fariseus, derivada das Escrituras, sobre a ressurreição, ficaram satisfeitos com a resposta e louvaram a Jesus.

20.41-43 — Nesse trecho, Jesus levanta uma questão teológica. O dilema que Ele expõe é: como o Messias (a palavra hebraica para Cristo) pode ser chamado de Filho de Davi, quando o próprio Davi lhe deu o título de Senhor/Meu Senhor. Esta é uma citação de Salmos 110.1 (Lc 22.69; At 2.30-36). O Messias era descendente de Davi e, mesmo assim, Davi lhe concedeu o respeito destinado a um superior, situação inversa da que normalmente acontecia nos tempos antigos. Jesus não estava negando a designação Filho de Davi para o Messias. Ele estava simplesmente observando que o título Senhor é mais central. Até mesmo Davi, um dia, se curvará aos pés do Messias e confessará que Ele é o Senhor (Fp 2.10).

20.44 — Como Ele é seu Filho? Jesus não responde a essa pergunta. Essa é uma questão para reflexão. Para Jesus, o título-chave é Senhor. Como a discussão subsequente mostra, o Messias é Filho de Davi; mas aqui isso é menos importante do que ser Ele o Senhor de Davi.

20.45-47 — Devoram as casas das viúvas. Jesus observou a hipocrisia dos escribas e a atitude deles de tirar vantagem dos outros. Tal ação será julgada.


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