2015/09/21

Significado de Lucas 22

Significado de Lucas 22

Significado de Lucas 22


Lucas 22

22.1 — Esse versículo inicia a narrativa da paixão, a passagem que mostra a morte e a ressurreição de Jesus. A Festa dos Pães Asmos (ou Festa do Pão sem Fermento) acontecia imediatamente após a Páscoa. Na verdade, as duas festas eram consideradas uma só. A Páscoa celebrava a noite da décima praga do Egito, quando Deus passou pelos primogênitos de Israel e estes foram poupados pelo anjo da morte. A Festa do Pão sem Fermento comemorava o êxodo (Ex 12; Lv 23.5,6). Muitos judeus peregrinos viajavam até Jerusalém para participar das festividades.

22.2 — Andavam procurando como o matariam. Os líderes ainda queriam achar uma maneira de matar Jesus, mas o medo de Sua popularidade os impedia (Lc 19.47,48; 20.19).

22.3 — A jornada até a cruz não foi só uma conjunção de fatores humanos, ou a trama de Judas. Forças malignas estavam em ação contra Jesus. Satanás é mencionado nas tentações de Jesus, em Lucas 10.18 e em 13.16. O nome deriva do termo hebraico que significa adversário (Jo 1.9-11).

22.4 — O envolvimento de Judas na trama para trair Jesus foi bem-vindo, do ponto de vista dos líderes religiosos judeus. Eles puderam prender o Senhor em segredo e mais tarde alegar que a força motriz para detê-lo veio de Seu próprio grupo de discípulos. Os capitães, levitas que eram membros da guarda do templo, seriam aqueles que fariam a prisão.

22.5 — Os quais se alegraram e convieram em lhe dar dinheiro. Este detalhe mostra a razão por que Judas foi chamado de ganancioso. Mateus 26.15 registra que foi Judas quem levantou a questão do dinheiro. A oferta de Judas simplificou enormemente toda a situação. Desta forma, os líderes ficaram satisfeitos e quiseram recompensá-lo.

22.6 — Para lho entregar sem alvoroço. Os líderes não desejavam capturar Jesus em público, senão uma revolta popular aconteceria.

22.7,8 — Os Evangelhos Sinópticos deixam bastante claro que Jesus foi traído no dia da Páscoa (Mt 26.17-19; Mc 14.12-16).

22.9,10 — Segui-o. Jesus está novamente no controle dos acontecimentos e diz aos discípulos onde deveriam preparar a refeição.

22.11,12 — Cenáculo. Estes cômodos geralmente ficavam disponíveis para atender os milhares de peregrinos que iam até Jerusalém para as celebrações da Páscoa e da Festa dos Pães Asmos. Tais acomodações eram normalmente mobiliadas com divãs para que os hóspedes, durantes as festas, pudessem repousar e alimentar-se. O acesso ao cômodo era provavelmente feito por uma escada construída na parte externa da casa.

22.13 — Como lhes havia sido dito. As declarações de Jesus eram certeiras, mesmo quando não tratavam de questões espirituais.

22.14-30 — Uma comparação dessa passagem com João 13.1-30 indica que Lucas reordenou os acontecimentos de maneira tópica. Em Lucas, a ceia é instituída e distribuída entre os convidados. Nesse momento, Jesus menciona o traidor. Na passagem de João, Judas já tinha ido embora no momento em que a ceia é compartilhada. O registro de Lucas não menciona a partida de Judas. Além disso, Lucas cita dois cálices, enquanto os outros três Evangelhos fazem referência apenas a um. Uma refeição de Páscoa tinha quatro pratos e quatro cálices. Desse ponto de vista, é claro que os escritores do Evangelho sintetizaram os acontecimentos da reunião. As palavras sobre a tomada do pão e do cálice em Lucas são muito parecidas com as em 1 Coríntios 11.23-26.

22.15 — Desejei muito comer convosco esta Páscoa. Jesus pôde gozar da companhia de Seus discípulos antes de Seu padecimento, e também lhes transmitiu preciosos ensinamentos antes de partir.

22.1 6 — Não a comerei mais até que ela se cumpra no Reino de Deus. No Reino vindouro, quando a vitória final for celebrada, Jesus comerá novamente.

22.17,18 —Já não beberei do fruto da vide. Como já foi esclarecido no versículo 16, Jesus abster-se-á de celebrar uma refeição até que Ele retome.

22.19 — Isto é o meu corpo... fazei isso em memória de mim. Jesus instituiu uma nova refeição, que não era apenas um memorial de Sua morte, mas também uma ceia de união solidária. E uma proclamação e um símbolo da esperança dos fiéis em Seu retorno, quando todas as promessas divinas serão cumpridas (1 Co 10.16,17; 11.23-26). O pão da ceia do Senhor representa o corpo de Cristo, oferecido em favor de todos os seus discípulos.

22.20 — Este cálice é o Novo Testamento. O vinho da ceia do Senhor ilustra a concessão da vida, um sacrifício de sangue, que inaugura a nova aliança para aqueles que respondem à oferta de salvação de Jesus (Hb 8.8,13; 9.11-28). Esta é a mais forte imagem substitutiva do Evangelho de Lucas: Jesus morreu na cruz em nosso lugar para expiar nossos pecados (At 20.28).

22.21,22 — Jesus sofreria, como estava determinado no plano de Deus, e Seu traidor enfrentaria um terrível infortúnio.

22.23 — Qual deles seria. A revelação gerou uma discussão à mesa a respeito de qual dos companheiros de Jesus iria voltar-se contra Ele.

22.24 — Qual deles parecia ser o maior. Observe a triste ironia nesse versículo. Enquanto Jesus enfrentava a realidade de ser traído e morto, os discípulos discutiam qual deles era o maior.

22.25 — Benfeitores. Essa denominação sugere que as pessoas deviam ser gratas pelos líderes generosos de sua nação e que precisavam reconhecer seu poder e autoridade.

22.26 — Como o menor... como quem serve. Na Igreja, a liderança não se engrandece; ela serve. Isto mostra respeito pelos outros, como um jovem demonstra pelo mais velho. Os verdadeiros líderes trabalham pelos outros, como um servo faz. Em suma, a grandeza, do ponto de vista do S e nhor, é exatamente o oposto da visão mundana.

22.27 — Sou como aquele que serve. Jesus cita Sua própria condição como um exemplo. E curioso considerar se Cristo estava referindo-se ao lava-pés, que somente João 13 registra, ou aludindo ao Seu ministério de forma geral.

22.29 —Jesus deu autoridade aos apóstolos, para que continuassem a edificar a Igreja, que é uma parte do Reino. A autoridade que Cristo lhes outorgou era semelhante ao poder que o Pai lhe destinou.

22.30 — Comais e bebais... vós assenteis sobre tronos. Esta é uma promessa de autoridade e bênção futura. Foi prometido aos discípulos um lugar no banquete da vitória e o direito de ajudar Jesus em Seu domínio sobre Israel, em Sua segunda vinda (Mt 19.28; 2 Tm 2.12).

22.31 — Satanás vos pediu. A palavra grega nesse trecho está no plural, sugerindo que Satanás pediu permissão para atormentar todos os discípulos.

22.32 — Mas eu roguei por ti... te converteres. A palavra grega, aqui, está no singular, referindo- se especificamente a Pedro. Na verdade, Jesus orou ao Pai pelo restabelecimento de Pedro antes mesmo de ele cair (v. 54-62), e instruiu o discípulo a animar os santos, fortalecendo-os.

22.33 — À morte. Pedro superestima sua lealdade e não pressente o perigo nas observações de Jesus. Paulo também diz estou pronto, mas sua confiança estava na dinâmica do evangelho (Rm 1.15- 17), e não no entusiasmo vacilante da carne.

22.34 — Três vezes. Jesus prediz que uma negação tripla aconteceria antes que o galo cantasse de manhã.

22.35,36 — Quando vos mandei. A referência aqui é à missão dos discípulos registrada em Lucas 9.1-6 e 10.1-24. Os discípulos dependiam de Deus para prover suas necessidades, e todas elas foram supridas por Ele por intermédio de pessoas generosas. Entretanto, a situação mudou. Aqui, Jesus os instrui a levar bolsa, alforje e uma espada em suas jornadas, para que estivessem preparados para a rejeição futura.

22.37 — Aquilo que está escrito. Jesus citou Isaías 53.12, que descreve um justo que sofreu como um criminoso. O Senhor observou que Sua morte cumpriria a predição de Isaías.

22.38 — Interpretando de forma equivocada as instruções de Jesus no versículo 36, os discípulos sinalizam que têm armas para lutar (v. 50,51).

22.39 — Monte das Oliveiras. Em Mateus 26.36, aparece Getsêmani, enquanto em João 18.1 é mencionado um horto.

22.40 — Orai. Jesus aconselha os Seus discípulos a clamarem pela proteção de Deus nessa hora.

22.41 — Orava. Jesus faz o que aconselhou aos Seus discípulos. Um tiro de pedra corresponde a alguns metros.

22.42 — Jesus agonizava por causa da proximidade de Sua morte e da consequência da ira de Deus. O cálice é uma figura de linguagem que simboliza ira (SI 11.6; 75.7,8; Jr 25.15,16; Ez 23.31-34).

22.43 — Que o confortava. A resposta de Deus à oração de Jesus não permitiu que Seu Filho evitasse o sofrimento. Entretanto, Deus proveu auxílio celestial para Jesus em vista do que estava para acontecer. Algumas vezes, Deus responde às orações eliminando as provações; outras, Ele responde fortalecendo-nos diante delas.

22.44 — E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue. A oração e a intensa emoção de Jesus (v. 42-44) transformaram-se em uma reação física. Embora Jesus provavelmente não tenha sangrado aqui, Seu suor era como gotas de sangue.

22.45 — Dormindo de tristeza. Os discípulos ficaram cansados e dormiram por causa da emoção que os dominou, mas isso lhes custou um tempo útil de oração.

22.46 — Orai. Jesus repete Seu chamado à oração. Eles precisavam orar mais do que nunca nesses momentos que antecediam à grande aflição, quando a tentação espreitava.

22.47 — Para o beijar. A traição concretiza-se por meio de uma atitude falsa.

22.48 — Jesus não apenas relembra a Judas o que ele fez, como também observa a ironia de ser traído com um beijo.

22.49 — Senhor, feriremos à espada. Os discípulos perguntam se eles devem lutar.

22.50 — E um deles feriu o servo. Em João 18.10, é dito que este discípulo impetuoso foi Pedro (Mt 26.51; Mc 14-47). Sua violenta atitude poderia ter dado a impressão de que os discípulos eram sediciosos.

22.51 — E, tocando-lhe a orelha, o curou. Jesus misericordiosamente curou o ferimento da orelha daquele que estava ali para levá-lo à morte. O Senhor ilustra aqui o amor aos inimigos de que havia falado em Lucas 6.27-36.

22.52 — Como para deter um salteador? O termo grego para salteador era usado tanto para bandidos como para revolucionários. Jesus repreendeu Seus captores por tratá-lo como se Ele fosse um perigoso transgressor.

22.53 — Não estendestes as mãos contra mim. Jesus observa a covardia desses homens, pois eles não o perseguiram publicamente, nas ocasiões em que Cristo ensinava no templo. Vossa hora... trevas. O Senhor Jesus aponta que as forças malignas estão em ação (Jo 8.44; 13.30; 14.30).

22.54 — Esta é a primeira vez que Jesus fica defronte a Anás (Jo 18.13).

22.55 — Assentou-se Pedro entre eles. O fogo indica que era uma noite fria. Pedro os seguira para saber o que aconteceria ao Senhor.

22.56 — Este também estava com ele. A criada identifica Pedro como um discípulo.

22.57 — Negou-o. Esta é a primeira negação.

22.58 — Tu és também deles... não sou. A segunda negação acontece um pouco depois.

22.59 — Pois também é Galileu. De acordo com Marcos 14.70, o modo de falar de Pedro denunciava que ele vinha da mesma região em que pregava Jesus.

22.60 — Não sei o que dizes. A terceira negação confirma a palavra de Jesus. Cantou o galo. O sinal que Jesus predisse acontece.

22.61,62 — Olhou para Pedro. Ao que parece, uma janela no pátio se abriu e Pedro soube que o Senhor estava ciente de suas negações. Chorou amargamente. O Senhor conhecia Pedro melhor do que ele mesmo (v. 34). O discípulo ficou muito consternado por ter falhado com Jesus.

22.63 — Zombavam dele, ferindo-o. Mateus 26.67 e Marcos 14.65 ainda descrevem o abuso sofrido por Jesus nas mãos dos soldados. Estes insultavam o Senhor, cuspiam e batiam nele.

22.64 — Profetiza-nos. Os soldados iniciaram uma espécie de jogo para zombar de Jesus. Eles cobriram Sua cabeça e ordenaram que Ele adivinhasse quem o estava espancando.

22.65 — Blasfemando. Eles desonravam, ou difamavam, Cristo. Novamente, a ironia está presente, pois Jesus será acusado de blasfêmia no julgamento (Mc 14.64).

22.66-68 — Aqui, descreve-se um grande julgamento matutino que envolveu todos os líderes religiosos do Sinédrio. De acordo com antigas fontes, esse julgamento violou várias regras legais judaicas: realizar julgamento na manhã de uma celebração; encontrar-se na casa de Caifás; levar o acusado a juízo sem defesa e dar o veredicto em um dia, em vez de dois dias, exigidos em casos de crime com sentença de morte.

22.69 — Desde agora significa de agora em diante. Jesus dizia que a autoridade estava com Ele a partir desse momento. Embora estivesse sendo julgado, Cristo é, na verdade, o Juiz final. Assentará à direita do poder de Deus. A resposta de Jesus aqui alude à no Salmos 110.1. Esta resposta foi o que o condenou. Ao que tudo indica, o que ofendeu a audiência foi a afirmação de Seu assentamento na presença de Deus e o exercício da divina autoridade. Na realidade, a réplica à pergunta dos religiosos foi mais do que eles esperavam. Não era uma blasfêmia alegar ser o Messias. Blasfêmia foi a afirmação de ser o Juiz do povo judeu, com a autoridade de Deus. A observação de Jesus também envolve a esperança de vindicação. Ainda que o povo o matasse, Jesus terminaria ao lado de Deus. O título Filho do Homem é uma alusão a Daniel 7 (Mt 26.64; Mc 14.62).

22.70 — Filho de Deus. Os líderes judeus sentiram que Jesus estava afirmando grande autoridade aqui. Eles perceberam que Cristo declarava uma singular e sublime relação com Deus, colocando-se no mesmo nível dele. No modo de ver dos líderes, isso não era possível. Vós dizeis que eu sou. Jesus observa que eles mesmos chegaram a tal conclusão, e não a rejeita.

22.71 — Pois nós mesmos o ouvimos da sua boca. Os líderes judeus concluíram que Jesus tinha feito uma declaração de culpa. Cristo foi condenado por Sua afirmação de possuir um relacionamento com Deus no qual Ele exerce autoridade da mesma forma que o Senhor Jeová.


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