2015/09/21

Significado de Lucas 3

Significado de Lucas 3

Significado de Lucas 3


Lucas 3

3.1 — Tibério César começou seu reinado após a morte de seu padrasto, Augusto, em 14 d.C. A Judeia era uma província senatorial, administrada por um governador ou um procurador. Pôncio Pilatos ocupava tal posição e era responsável por gerir a região e cobrar impostos para Roma. Herodes aqui é o Herodes Antipas, que governou a Galileia e a Pereia de 4 a.C. a 39 d.C. O irmão de Herodes, Arquelau, teve o controle da Judeia e de Samaria até 6 d.C., quando foi banido. O outro irmão de Herodes, Filipe, controlou a área da parte norte, a leste do rio Jordão.

3.2 — Anás, o sumo sacerdote (7— 14 d.C.), foi sucedido em seu ofício por Caifás, seu genro, por volta de 18 d.C. A partir de então, Caifás serviu com pequenas interrupções até 37 d.C. Além de Caifás, todos os cinco filhos de Anás exerceram o sumo sacerdócio em um determinado ponto. E bastante claro que Anás conservou a influência bem como o título de seu ofício anterior.

Os vários governantes que Lucas lista mostram a complexidade da situação política e histórica de Israel durante a época de Jesus. Um israelita do primeiro século tinha de lidar com os decretos do imperador romano, com as regulamentações do governo sobre o povo, e com os julgamentos e os líderes religiosos de Israel. A data estipulada destes acontecimentos relativos a João Batista, considerando o ano 33 d.C. da crucificação e a data base de chegada de Tibério ao poder total, é 29 d.C. (Lc 23.12).

3.3 — Batismo significa ser identificado com. De forma figurada, podemos dizer que acontece uma coisa similar quando um pano cru é identificado (tingido) com a cor do corante ao ser mergulhado em um recipiente cheio deste líquido. A medida que João Batista pregava e identificava o povo com a sua mensagem, este era batizado como um sinal externo de seu arrependimento interior e de mudança de mentalidade.

3.4-6 — Preparai o caminho do Senhor. Esta citação de Isaías 40.3-5 declara a vinda da libertação de Deus. Lucas cita o texto de forma mais profunda que Mateus e Marcos. Ele estende a passagem até a menção de que a salvação será vista por toda carne (v. 6), enfatizando assim que o evangelho é para todas as pessoas. A preparação para a chegada de um rei significava tipicamente que a estrada era preparada para uma jornada específica. A isso é que Isaías compara à chegada da salvação de Deus, após o cativeiro babilônico e na obra final de redenção. Isaías 40 introduz a totalidade do trecho bíblico que abrange os capítulos 40 a 66 de Isaías, onde discute ambos os acontecimentos (Is 49.8-11; 52.11,12; 62.6-10, especialmente Is 57.14-17). Um acontecimento ilustra, em um grau menor, o outro evento maior, visto que Deus trabalha com padrões. Os escritores do Evangelho comparam João àquele que anuncia o tempo certo para a preparação de tal chegada. A preparação aludida aqui é espiritual, a prontidão de coração, como sua pregação mostra.

3.7 — A medida que as multidões agrupavam-se para ouvir João Batista, muitas pessoas passavam pelos rituais exteriores do batismo, mas suas ações não representavam mudança de atitude interior. Elas não estavam verdadeiramente interessadas no tipo de rei e de reinado que João estava apresentando.

3.8,9 — João Batista avisou que os frutos do arrependimento eram necessários, não a afirmação de uma descendência de Abraão. A ligação genealógica não mudaria a atitude de alguém diante de Deus.

3.10-14Mestre, o que devemos fazer? Em resposta a esta pergunta das pessoas, João mostrou que uma mudança genuína de pensamento e comportamento, valorizando relacionamentos éticos e morais de umas com as outras, expressaria o real sentido do arrependimento e mudaria a ação da multidão, dos publicanos e dos soldados. O arrependimento era estipulado a fim de haver doação para os necessitados, de fugir da ganância e desonestidade, de alcançar a integridade no desempenho do trabalho, de conseguir a contenção do abuso do poder e de obter a satisfação com o salário básico.

3.11 — Uma túnica era usada por baixo, e a outra era uma vestimenta externa. Um indivíduo não precisava de duas quando outra pessoa não possuía nenhuma.

3.12-14 — Os publicanos eram agentes judeus empregados por aqueles que adquiriram o direito de coletarem impostos para o estado romano. Os coletores de impostos frequentemente cobravam a mais para cobrir suas despesas pessoais e aumentar o seu rendimento. Eles eram malvistos tanto por suas práticas abusivas como por apoiarem o estado dominante.

3.15-17 — Aquele que é mais poderoso do que eu. Esta é a primeira menção direta a Jesus feita por João Batista. O batismo deste precursor do Messias era algo menor se comparado ao que estava por vir de Jesus, Aquele que traria o batismo com Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11). Estas duas facetas da obra de Cristo relacionam-se com Sua primeira e segunda vindas.

A referência ao batismo com o Espírito Santo é feita sete vezes no Novo Testamento — quatro vezes nos Evangelhos (Mt 3.11; Mc 1.8; Jo 1.33), duas vezes em Atos (At 1.5; 11.16) e uma nas Epístolas (1 Co 12.13). Como consequência da obra de Cristo em Sua primeira vinda, os fiéis são inseridos em uma família (1 Co 12.13) aos cuidados do Espírito Santo.

Quando Cristo vier pela segunda vez, Ele virá com o fogo do julgamento. Note que nos Evangelhos, duas das quatro passagens paralelas que dizem respeito à hipocrisia também mencionam o fogo do julgamento. Palha aqui alude às cascas sem utilidade do trigo que são separadas da porção aproveitada do cereal com a joeira, uma ferramenta de madeira que levanta os grãos no ar para que o vento possa separá-las. A palha seria queimada, ilustrando aqueles que seriam submetidos ao julgamento.

3.18-20 — Encerrar João num cárcere. Este acontecimento é relatado mais cedo em Lucas do que em Mateus (Mt 14-3-5) e em Marcos (Mc 6.17-20). Tal fato está claramente adiantado cronologicamente, visto que João Batista não poderia batizar Jesus nos versículos 21 e 22 se estivesse na prisão! Herodes desposara primeiro a filha de Aretas IV da Arábia, mas divorciou-se dela para se casar com Herodias, que já era a mulher de seu irmão Filipe.

Não só a separação foi uma questão difícil, mas também o casamento com um parente tão próximo era problemático (Lv 18.16; 20.21). Lucas observa que esta foi uma questão levantada por João Batista, e este foi decapitado por causa disso. Seu ministério não foi muito aceito pelos poderosos, mas João foi muito fiel a Deus.

3.21,22Ouviu-se uma voz do céu. Este foi um dos dois endossos celestes do ministério de Jesus. O outro está em Lucas 9.35. Tu és meu Filho amado; em ti me tenho comprazido. Esta frase combina duas ideias: a de que Jesus é Rei e Servo. A primeira delas vem do Salmo 2.7; a segunda, de Isaías 42.1. Isto representa a eleição de Jesus por Deus, e o benefício especial do qual Ele gozava.

3.23-38 — Como se cuidava. As pessoas naturalmente achavam que Jesus era filho biológico de José e Maria. Lucas corrigiu este mal-entendido enfatizando que Jesus não era filho natural de José, apenas legal.

A genealogia de Lucas é distinta da de Mateus, embora ambas remontem a Davi e a Abraão. Lucas traça a genealogia de Jesus até Adão, mostrando a importância espiritual de Jesus para todas as pessoas. Mateus exibe a linhagem legal de Davi até José e, finalmente, até Jesus, enquanto Lucas enfatiza a descendência física, de Davi até Maria e, depois, até Jesus.


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