2015/09/21

Significado de Lucas 4

Significado de Lucas 4

Significado de Lucas 4


Lucas 4

4.1,2 — A ordem das tentações difere em Mateus e Lucas. Este apresenta a tentação em Jerusalém por último, provavelmente porque ali é o lugar onde Jesus terá Seu confronto decisivo com Satanás (Lc 13.32-35). Em Sua tentação, Ele demonstrou não apenas Sua capacidade de resistir ao diabo, mas também Sua fidelidade a Deus. Aquilo que Adão não conseguiu cumprir, Jesus conseguiu. N o que Israel falhou no deserto, Jesus foi vitorioso.

4.3 — Se tu és o Filho de Deus. Esta é uma expressão condicional. Em outras palavras, o diabo estava dizendo: “vamos presumir que você seja, por dedução, o Filho de Deus”. Na verdade, Satanás estava desafiando a autoridade e questionando a identidade de Jesus.

4.4 — Jesus respondeu à tentação de Satanás citando Deuteronômio 8.3. Ele se recusou a fazer qualquer coisa independente de Deus. O Espírito o levou ao deserto a fim de prepará-lo para Seu ministério. Assim, atender às instruções de Satanás mostraria insubordinação ao Pai.

4.5 — Esta tentação era uma forma de oferecer poder a Jesus pelos meios errados. Os métodos de Satanás envolveram “pular” a cruz, uma instigação para “tomar o caminho mais fácil” até o poder.

4.6,7 — A mim me foi entregue. A afirmação de Satanás aqui é exagerada. Ele tem muita influência sobre a terra (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 2 Co 4-4; Ef 2.2), mas não a autoridade de conceder reinos.

4.8 — Vai-te, Satanás. Posteriormente, Jesus repreendeu Pedro, quando ele se tornou o canal para a mensagem do diabo (Mt 16.23). Em resposta à segunda tentação de Satanás, Jesus citou Deuteronômio 6 .13.0 Salvador sabia que apenas Deus é merecedor de adoração e somente Ele deve ser inquestionavelmente obedecido.

4.9 — A expressão pináculo do templo pode aludir à entrada mais alta do templo ou à extremidade sudeste deste.

4.10,11 — Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem. Satanás citou o Salmo 91.11,12, lembrando Jesus da promessa divina de proteção. Entretanto, a mera utilização de palavras bíblicas nem sempre revela a vontade de Deus, principalmente se elas são ditas em um contexto errôneo.

4.12 — Não tentarás ao Senhor. Em resposta à terceira tentação de Satanás, Jesus citou Deuteronômio 6.16. Deus deve ser objeto de confiança, não de dúvidas. A passagem de Deuteronômio alude à tentativa de Israel de testar o Senhor em Meribá (Ex 17.1-7). Jesus não repetiria o erro da nação de infidelidade ao Pai.

4.13 — Este foi apenas o primeiro encontro que Jesus teve com Satanás (Lc 11.14-23).

4.14-17 — O serviço religioso da sinagoga envolvia uma leitura da Lei e uma dos Profetas, com um desenvolvimento que vinculava os dois textos. Jesus leu o trecho de Isaías 61. O rolo era mantido na sinagoga e foi entregue a Jesus como um presente.

4.18 ,1 9 — Ao citar Isaías 61, Jesus demonstrou que tinha consciência de estar cumprindo o ofício de Messias (v. 24). Ele curou os quebrantados do coração, o que faz referência àqueles desencorajados por causa de sua má situação de vida. Jesus proclamou liberdade aos cativos. No Antigo Testamento, o cativeiro diz respeito ao exílio de Israel (Lc 1.68-74). Aqui, o cativeiro alude ao pecado (Lc 1.77; 7.47; 24.47; At 2.38; 5.31; 10.43; 13.38; 26.18). Jesus deu vista aos cegos, uma referência às Suas obras milagrosas (Lc 7.22), com implicações espirituais (Lc 1.78,79; 10.23,24; 18.41-43). Jesus pôs em liberdade os oprimidos. Esse era originalmente o chamado de Israel, mas a nação fracassou em sua tarefa (Is 58.6). O que Israel não conseguiu fazer, Jesus fez. A ilustração aqui remete à realidade física e espiritual. Jesus proclamou o ano aceitável do Senhor, uma alusão ao Jubileu. Este acontecia a cada 50 anos e, nesta época, os débitos eram perdoados, os escravos conseguiam sua liberdade, as terras voltavam para seus donos originais. O Ano do Jubileu permitia que se recomeçasse (Lv 25.10). Jesus ofereceu o cancelamento total da dívida espiritual e um novo começo àqueles que cressem em Sua mensagem.

4.20 — Jesus fechou o livro no meio da passagem (Is 61.2). Ele não continuou porque a afirmação seguinte — o dia da vingança do nosso Deus — não estava sendo cumprida até então. Este é um exemplo clássico de acontecimentos previdentes que possuem expressivos intervalos de tempo entre si.

4.21 — Jesus proclamou o cumprimento do plano de Deus e da promessa em si mesmo, visto que Ele é aquele que fora descrito na passagem. Lucas geralmente registra a condição de cumprimento incluindo a referência hoje (Lc 2.11; 5.26; 12.28; 13.32,33; 19.5,9; 22.34,61; 23.43).

4.22 — As pessoas ficaram admiradas com o poder das palavras de Jesus e a natureza de Sua mensagem. Não é este o filho de José? Esta dúvida se fez presente, pois o filho de um humilde carpinteiro não poderia ser, da perspectiva limitada e humana, a figura central no plano de Deus.

4.23 — O pedido por mais sinais serviria para Jesus provar Sua alegação repetindo a obra miraculosa que Ele fizera em Cafarnaum (Mc 1.21-27). Tais solicitações por sinais geralmente eram ditas com um tom de ironia (Lc 11.16; 22.64; 23.8,35-37).

4.24 — Jesus deixou claro que Ele era o mensageiro das boas novas de salvação. Entretanto, Ele sabia que um profeta era frequentemente rejeitado. Esta é uma lição do Antigo Testamento à qual Jesus e os autores do Novo Testamento aludem (Lc 11.47-51; At 7.51-53).

4.25-27 — Jesus falou de um período de ampla infidelidade a Deus (1 Rs 17; 18; 2 Rs 5.1-14). Durante este tempo, o julgamento veio sobre a nação em forma de fome. Os únicos que receberam a cura foram os gentios. Com tal alusão, Jesus avisou Seus ouvintes de que não deveriam ser infiéis como seus ancestrais rejeitando Sua mensagem.

4.28-30 — A multidão, que conhecia a história do Antigo Testamento, não entendeu o sentido das palavras de Jesus. Ela queria jogá-lo do precipício. Esta é a primeira menção da desaprovação em Lucas, mas ainda não chegou o período da rejeição completa a Jesus. Em seguida, Ele é libertado de forma sobrenatural, apenas passando pelo meio da aglomeração violenta que o levara até o precipício.

4.31,32 — Lucas enfatiza a doutrina de Jesus (v. 15). A percepção da autoridade de Jesus provavelmente teve origem em Suas discussões diretas das questões, em vez da mera observação da tradição.

4.33,34 — Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Os demônios sabiam que Jesus possuía autoridade divina, e não queriam que Ele interviesse. Bem sei quem és: o Santo de Deus. Até mesmo o temor que o demônio sentiu serviu como evidência da divindade de Jesus. No Antigo Testamento, o título Santo de Deus faz referência à pessoa que recebeu o chamado especial de Deus (veja santo homem em 2 Rs 4-9 e santo em SI 106.16). Lucas registra o uso desta denominação como uma prova de que Jesus é o Messias prometido (Lc 1.31-35; 4.41).

4.35-37 — A palavra repreender em aramaico era um termo que trazia a ideia de fazer com que o mal se submetesse. A autoridade de Jesus sobre as forças malignas ficou clara. Ele possui a autoridade e o poder para dar a salvação, bem como para subjugar todos os Seus oponentes. Cala-te. Por meio desta expressão, Jesus, não Satanás e seus demônios, controlava quem declararia Sua identidade messiânica. Por que Jesus silenciou tal confissão não ficou claro. Algumas possibilidades são consideradas: (1) uma confissão messiânica poderia rotulá-lo como um revolucionário político, algo que Jesus não era; (2) Jesus pode ter preferido que Suas obras indicassem Sua identidade messiânica (Lc 7.18-23); (3) os israelitas poderiam vir a pensar que não era adequado um Messias ser anunciado antes de completarem as obras messiânicas. Outros que foram considerados Messias pelos judeus neste período, como o Mestre da Justiça de Qumran e Simeão Ben Koseba, também hesitaram em fazer afirmações messiânicas diretas; (4) talvez não agradasse a Jesus o testemunho de um demônio; (5) pode ser que não fosse a hora de Jesus revelar Sua identidade messiânica.

4.38,39 — O fato de a sogra de Simão ter se levantado e servido os convidados imediatamente [NVI] indica que sua recuperação da febre foi instantânea. As curas miraculosas na Bíblia eram sempre imediatas (Lc 5.13).

4.40,41— Tu és o Cristo, o Filho de Deus. Esta confissão, exclusiva do Evangelho de Lucas, mostra a estreita ligação que Lucas faz entre as qualidades de filho e de messias de Jesus.

4.42,43 — O Reino é mencionado mais de 40 vezes em Lucas e oito vezes em Atos. Jesus anunciou o domínio de Deus por intermédio de Sua pessoa, lidando com o pecado (Lc 24.47), fazendo chegar o Espírito à medida que Ele mediava as bênçãos da parte de Deus (Lc 24.49), e reinando com Seus seguidores de acordo com as promessas do Antigo Testamento (SI 2.7-12; At 3.18-22).

4.44 — Neste contexto, Galileia provavelmente faz referência a toda a Palestina (Lc 23.5; At 10.37; 11.1,29; 26.20).


Nenhum comentário:

Postar um comentário