Significado de Lucas 4

Lucas 4

4.1, 2 A ordem das tentações difere em Mateus e Lucas. Este apresenta a tentação em Jerusalém por último, provavelmente porque ali é o lugar onde Jesus terá Seu confronto decisivo com Satanás (Lc 13.32-35). Em Sua tentação, Ele demonstrou não apenas Sua capacidade de resistir ao diabo, mas também Sua fidelidade a Deus. Aquilo que Adão não conseguiu cumprir, Jesus conseguiu. N o que Israel falhou no deserto, Jesus foi vitorioso.

4.3 Se tu és o Filho de Deus. Esta é uma expressão condicional. Em outras palavras, o diabo estava dizendo: “vamos presumir que você seja, por dedução, o Filho de Deus”. Na verdade, Satanás estava desafiando a autoridade e questionando a identidade de Jesus.

4.4 Jesus respondeu à tentação de Satanás citando Deuteronômio 8.3. Ele se recusou a fazer qualquer coisa independente de Deus. O Espírito o levou ao deserto a fim de prepará-lo para Seu ministério. Assim, atender às instruções de Satanás mostraria insubordinação ao Pai.

4.5 Esta tentação era uma forma de oferecer poder a Jesus pelos meios errados. Os métodos de Satanás envolveram “pular” a cruz, uma instigação para “tomar o caminho mais fácil” até o poder.

4.6, 7 A mim me foi entregue. A afirmação de Satanás aqui é exagerada. Ele tem muita influência sobre a terra (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 2 Co 4-4; Ef 2.2), mas não a autoridade de conceder reinos.

4.8 Vai-te, Satanás. Posteriormente, Jesus repreendeu Pedro, quando ele se tornou o canal para a mensagem do diabo (Mt 16.23). Em resposta à segunda tentação de Satanás, Jesus citou Deuteronômio 6.13. O Salvador sabia que apenas Deus é merecedor de adoração e somente Ele deve ser inquestionavelmente obedecido.

4.9 A expressão pináculo do templo pode aludir à entrada mais alta do templo ou à extremidade sudeste deste.

4.10, 11 Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem. Satanás citou o Salmo 91.11,12, lembrando Jesus da promessa divina de proteção. Entretanto, a mera utilização de palavras bíblicas nem sempre revela a vontade de Deus, principalmente se elas são ditas em um contexto errôneo.

4.12 Não tentarás ao Senhor. Em resposta à terceira tentação de Satanás, Jesus citou Deuteronômio 6.16. Deus deve ser objeto de confiança, não de dúvidas. A passagem de Deuteronômio alude à tentativa de Israel de testar o Senhor em Meribá (Ex 17.1-7). Jesus não repetiria o erro da nação de infidelidade ao Pai.

4.13 Este foi apenas o primeiro encontro que Jesus teve com Satanás (Lc 11.14-23).

4.14-17 O serviço religioso da sinagoga envolvia uma leitura da Lei e uma dos Profetas, com um desenvolvimento que vinculava os dois textos. Jesus leu o trecho de Isaías 61. O rolo era mantido na sinagoga e foi entregue a Jesus como um presente.

4.18, 19 Ao citar Isaías 61, Jesus demonstrou que tinha consciência de estar cumprindo o ofício de Messias (v. 24). Ele curou os quebrantados do coração, o que faz referência àqueles desencorajados por causa de sua má situação de vida. Jesus proclamou liberdade aos cativos. No Antigo Testamento, o cativeiro diz respeito ao exílio de Israel (Lc 1.68-74). Aqui, o cativeiro alude ao pecado (Lc 1.77; 7.47; 24.47; At 2.38; 5.31; 10.43; 13.38; 26.18). Jesus deu vista aos cegos, uma referência às Suas obras milagrosas (Lc 7.22), com implicações espirituais (Lc 1.78,79; 10.23,24; 18.41-43). Jesus pôs em liberdade os oprimidos. Esse era originalmente o chamado de Israel, mas a nação fracassou em sua tarefa (Is 58.6). O que Israel não conseguiu fazer, Jesus fez. A ilustração aqui remete à realidade física e espiritual. Jesus proclamou o ano aceitável do Senhor, uma alusão ao Jubileu. Este acontecia a cada 50 anos e, nesta época, os débitos eram perdoados, os escravos conseguiam sua liberdade, as terras voltavam para seus donos originais. O Ano do Jubileu permitia que se recomeçasse (Lv 25.10). Jesus ofereceu o cancelamento total da dívida espiritual e um novo começo àqueles que cressem em Sua mensagem.

4.20 Jesus fechou o livro no meio da passagem (Is 61.2). Ele não continuou porque a afirmação seguinte — o dia da vingança do nosso Deus — não estava sendo cumprida até então. Este é um exemplo clássico de acontecimentos previdentes que possuem expressivos intervalos de tempo entre si.

4.21 Jesus proclamou o cumprimento do plano de Deus e da promessa em si mesmo, visto que Ele é aquele que fora descrito na passagem. Lucas geralmente registra a condição de cumprimento incluindo a referência hoje (Lc 2.11; 5.26; 12.28; 13.32,33; 19.5,9; 22.34,61; 23.43).

4.22 As pessoas ficaram admiradas com o poder das palavras de Jesus e a natureza de Sua mensagem. Não é este o filho de José? Esta dúvida se fez presente, pois o filho de um humilde carpinteiro não poderia ser, da perspectiva limitada e humana, a figura central no plano de Deus.

4.23 O pedido por mais sinais serviria para Jesus provar Sua alegação repetindo a obra miraculosa que Ele fizera em Cafarnaum (Mc 1.21-27). Tais solicitações por sinais geralmente eram ditas com um tom de ironia (Lc 11.16; 22.64; 23.8,35-37).

4.24 Jesus deixou claro que Ele era o mensageiro das boas novas de salvação. Entretanto, Ele sabia que um profeta era frequentemente rejeitado. Esta é uma lição do Antigo Testamento à qual Jesus e os autores do Novo Testamento aludem (Lc 11.47-51; At 7.51-53).

4.25-27 Jesus falou de um período de ampla infidelidade a Deus (1 Rs 17; 18; 2 Rs 5.1-14). Durante este tempo, o julgamento veio sobre a nação em forma de fome. Os únicos que receberam a cura foram os gentios. Com tal alusão, Jesus avisou Seus ouvintes de que não deveriam ser infiéis como seus ancestrais rejeitando Sua mensagem.

4.28-30 A multidão, que conhecia a história do Antigo Testamento, não entendeu o sentido das palavras de Jesus. Ela queria jogá-lo do precipício. Esta é a primeira menção da desaprovação em Lucas, mas ainda não chegou o período da rejeição completa a Jesus. Em seguida, Ele é libertado de forma sobrenatural, apenas passando pelo meio da aglomeração violenta que o levara até o precipício.

4.31, 32 Lucas enfatiza a doutrina de Jesus (v. 15). A percepção da autoridade de Jesus provavelmente teve origem em Suas discussões diretas das questões, em vez da mera observação da tradição.

4.33,34 Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Os demônios sabiam que Jesus possuía autoridade divina, e não queriam que Ele interviesse. Bem sei quem és: o Santo de Deus. Até mesmo o temor que o demônio sentiu serviu como evidência da divindade de Jesus. No Antigo Testamento, o título Santo de Deus faz referência à pessoa que recebeu o chamado especial de Deus (veja santo homem em 2 Rs 4-9 e santo em Sl 106.16). Lucas registra o uso desta denominação como uma prova de que Jesus é o Messias prometido (Lc 1.31-35; 4.41).

4.35-37 A palavra repreender em aramaico era um termo que trazia a ideia de fazer com que o mal se submetesse. A autoridade de Jesus sobre as forças malignas ficou clara. Ele possui a autoridade e o poder para dar a salvação, bem como para subjugar todos os Seus oponentes. Cala-te. Por meio desta expressão, Jesus, não Satanás e seus demônios, controlava quem declararia Sua identidade messiânica. Por que Jesus silenciou tal confissão não ficou claro. Algumas possibilidades são consideradas: (1) uma confissão messiânica poderia rotulá-lo como um revolucionário político, algo que Jesus não era; (2) Jesus pode ter preferido que Suas obras indicassem Sua identidade messiânica (Lc 7.18-23); (3) os israelitas poderiam vir a pensar que não era adequado um Messias ser anunciado antes de completarem as obras messiânicas. Outros que foram considerados Messias pelos judeus neste período, como o Mestre da Justiça de Qumran e Simeão Ben Koseba, também hesitaram em fazer afirmações messiânicas diretas; (4) talvez não agradasse a Jesus o testemunho de um demônio; (5) pode ser que não fosse a hora de Jesus revelar Sua identidade messiânica.

4.38, 39 O fato de a sogra de Simão ter se levantado e servido os convidados imediatamente [NVI] indica que sua recuperação da febre foi instantânea. As curas miraculosas na Bíblia eram sempre imediatas (Lc 5.13).

4.40,41 Tu és o Cristo, o Filho de Deus. Esta confissão, exclusiva do Evangelho de Lucas, mostra a estreita ligação que Lucas faz entre as qualidades de filho e de messias de Jesus.

4.42, 43 O Reino é mencionado mais de 40 vezes em Lucas e oito vezes em Atos. Jesus anunciou o domínio de Deus por intermédio de Sua pessoa, lidando com o pecado (Lc 24.47), fazendo chegar o Espírito à medida que Ele mediava as bênçãos da parte de Deus (Lc 24.49), e reinando com Seus seguidores de acordo com as promessas do Antigo Testamento (SI 2.7-12; At 3.18-22).

4.44 Neste contexto, Galileia provavelmente faz referência a toda a Palestina (Lc 23.5; At 10.37; 11.1,29; 26.20).

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