2015/09/21

Significado de Lucas 6

Significado de Lucas 6

Significado de Lucas 6


Lucas 6

6.1 — De acordo com a tradição judaica, os discípulos estavam colhendo, debulhando e preparando comida. Assim, violavam o mandamento de não trabalhar no Sábado. É claro que a esta altura os fariseus já estavam observando Jesus atentamente (v. 7).

6.2 — Os fariseus queriam saber por que os discípulos tinham violado as tradições da Lei de Moisés (Lc 14.3; Mt 12.12; 19.3; 22.17; 27.6; Mc 3.4; 12.14).

6.3,4 — Em resposta às acusações dos fariseus contra Seus discípulos, Jesus recorreu a 1 Samuel 21.1-7 e 22.9,10. Davi e seus homens comeram os pães da proposição, coisa que só os sacerdotes podiam fazer. Isso não lhes era lícito, mas Deus não puniu Davi por tal. O alimento foi retirado dos 12 pães colocados sobre a mesa do lugar santo, os quais eram trocados uma vez por semana (Ex 25.30; 39.36; 40.22,23; Lv 24.5-9). Jesus explicou que, se Davi e seus soldados puderam violar a Lei para matar a fome, os discípulos poderiam fazer o mesmo. Jesus estava tentando mostrar que a Lei não deveria ser aplicada tão estritamente de modo a passar por cima das necessidades da vida diária (Mc 2.27).

6.5 — Apesar das leis e dos costumes que os fariseus citaram (v. 2), Jesus tinha autoridade sobre o Sábado. Aqui a afirmação de Jesus como uma autoridade divina é similar à Sua afirmação de autoridade para perdoar os pecados em Lucas 5.21,24.

6.6-8 — Conhecendo bem os seus pensamentos [dos fariseus]. Jesus age como um profeta e, toda vez que essa expressão aparece, pode-se esperar a ação dele ou a Sua correção de um pensamento inadequado (Lc 5.22; 9.47; 11.17; 19.15; 24.38; Jo 2.25). A ordem para o homem da mão mirrada levantar faz com que a cura seja um acontecimento público.

6.9 — A questão levantada por Jesus era para ressaltar a forma correta de agir em um Sábado (v. 2). O Mestre escolheu fazer o bem. A intriga dos fariseus representava o mal e a destruição. Era isso que verdadeiramente desrespeitava o sábado (v. 7).

Aqui a palavra salvar significa simplesmente curar, coisa que Jesus estava prestes a fazer.

6.10,11 — A palavra furor significa raiva irracional e irrefletida. Os trechos paralelos de Mateus 12.14 e Marcos 3.6 deixam claro que os fariseus começaram a conspirar de fato contra Jesus após este confronto.

6.12 — Vemos aqui um exemplo de Jesus passando um tempo com Deus antes de um importante acontecimento em Sua vida (Lc 3.21; 22.41-44).

6.13 — Jesus selecionou os Seus discípulos, aqueles que se tornariam responsáveis pela liderança no início da Igreja (Mt 10.2-4; M c3 .16-19; At 1.13). A matéria-prima era a humanidade comum, mas Cristo moldou esses homens para serem os pilares de fundação da Igreja que nasceu no Pentecostes (compare com Ef 2.20).

6.14 — Bartolomeu provavelmente é Natanael, de João 1.45.

6.15 — Mateus é Levi, de Lucas 5.27-32 (Mc 2.14-17).

6.16 — Judas, filho de Tiago, provavelmente é Tadeu (Mt 10.3; Mc 3.18). Este não é o meio-irmão do Senhor.

6.17,18 — Um lugar plano provavelmente faz referência a um platô. A definição e o conteúdo a seguir indicam que Lucas está dando uma versão menor do Sermão da Montanha, omitindo a parte que tem a ver com a Lei. Os pontos similares entre esta passagem de Lucas e a de Mateus 5—7 são: (1) ambos começam com uma série de bem-aventuranças; (2) as duas passagens contêm os ensinamentos de Jesus a respeito de amar seus inimigos; (3) ambos terminam com a parábola dos dois construtores. A matéria do Sermão era o percurso dos discípulos. O público que assistia aos ensinamentos do Mestre era formado pelos discípulos e por uma grande multidão. A fama de Jesus se estendeu até as regiões gentias: Tiro e Sidom. As pessoas eram atraídas pelos Seus ensinamentos e Seu ministério de cura.

6.19 — O poder de cura de Jesus era uma obra especial do Espírito por intermédio dele (At 10.38).

6.20 — Embora Jesus estivesse falando com toda a multidão, as bem-aventuranças dos versículos 20 a 23 são direcionadas aos discípulos. Bem-aventurados quer dizer felizes, e diz respeito ao regozijo e ao benefício especial que vêm sobre aqueles que experimentam a graça de Deus.

De modo geral, os discípulos de Jesus não eram ricos (1 Co 1.26-29; Tg 2.5). Eles eram homens pobres que vieram humildemente a confiar em Deus. Todas as promessas do domínio do Senhor, agora e no futuro, pertenciam a esses discípulos.

6.21 — A razão para a fome e para a pobreza é encontrada no versículo 22: a perseguição. Jesus prometeu que Deus proveria o sustento de que necessitavam os discípulos. Qualquer sofrimento presente seria transformado em alegria.

6.22,23 — Neste trecho bíblico está a razão das precárias condições dos discípulos: a perseguição por causa do Filho do Homem. A identificação com Jesus geralmente levava à rejeição e à dificuldade, mas o discípulo que deixou tudo para seguir a Cristo entende o que é colocar o Mestre em primeiro lugar; reconhece que Deus está ciente de todo sofrimento.

6.24 — As desventuras dos versículos 24 a 26 contrastam com as bem-aventuranças dos versículos 20 a 23. A desventura é o brado de dor resultante do infortúnio. Da mesma forma que Deus apresentou bênçãos aos obedientes e maldições aos desobedientes em Deuteronômio 28, Jesus mostrou graça e desventuras aos discípulos que estavam antecipando o Reino. As mesmas bênçãos e os mesmos infortúnios aplicam-se aos fiéis hoje, na avaliação de suas obras (1 Co 3.12-15; 2 Co 5.10; l j o 2.28; Ap 22.12).

Mas ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação. A base para esta observação é encontrada no cântico de louvor de Maria, em Lucas 1.51-53. Tudo o que os ricos recebem é aquilo que adquirem na terra (Mt 6.19-21). Lucas registra muitas das observações críticas de Jesus acerca da riqueza. A opulência dos ricos impede-os de enxergar sua pobreza espiritual e sua necessidade de salvação (Lc 1.53; 12.16-21; 14.12; 16.1-14,19-26; 18.18-25; 19.1-10; 21.1-4).

6.25,26 — Fartos e fome. Isso é chamado de reversão escatológica. Aqui Jesus não condena os ricos, a abundância. O Mestre alerta que o sofrimento será o destino daqueles que valorizam mais as riquezas terrenas do que as espirituais. Rides e lamentareis e chorareis. Novamente, o conforto e o bem-estar serão substituídos pela dor (1 Jo 2.28; Ap 3.17,18).

6.27,28 — Fazei bem aos que vos aborrecem. Esta expressão dá uma sensação tangível à prática do amor. A ameaça da perseguição religiosa era bastante real quando Jesus apresentou Seu extraordinário comando de amar. A referência ao inimigo amaldiçoador sugere o contexto de perseguição religiosa.

6.29 — Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. Esta é a descrição de estar sempre vulnerável diante da injustiça. Aquele que busca amar sempre estará exposto e em risco. A túnica era o que se vestia por baixo. A capa ficava por cima.

6.30 — Não lho tornes a pedir. A instrução de Jesus aqui era para esquecer e perdoar. As ordenanças dos versículos 29 e 30 são expressas em termos tão absolutos que forçam o ouvinte a refletir sobre elas, contrastando-as com as respostas normais que as pessoas dariam a tais injustiças.

6.31 — Como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira fazei-lhes também. Esta é a regra de ouro. Note que o comando de Jesus é estabelecido observando atitudes positivas (compare com Lv 19.18). O amor, tal qual Jesus descreve, reconhece as preferências das pessoas e é sensível a elas.

6.32-34 — Repetindo os exemplos, Jesus mostra que o amor do discípulo deve ser maior do que o do mundo e tal sentimento requererá sacrifícios.

6.35 — A prática de amar seu inimigo é moldada pelo próprio Deus, que é benigno até para com os ingratos e maus. Jesus também diz que será grande o [seu] galardão por causa das perdas sofridas por praticar este tipo de amor. A compensação divina será cem vezes maior (Mt 19.28,29).

6.36 — Sede, pois, misericordiosos. Esta é outra forma de definir a essência do amor — é o perdão. Os discípulos são instruídos a aplicar um padrão condizente com aquele que Deus exerce (como também vosso Pai é misericordioso).

6.37 — Não julgueis [...] não condeneis [...] soltai. A ideia aqui não é ignorar o pecado ou recusar-se a discutir suas consequências (Lc 11.39-52; G1 6.1,2). Em vez disso, deve-se ser benevolente e perdoar rapidamente.

6.38 — Boa medida, recalcada, sacudida e transbordando. Esta ilustração vem do comércio de cereais, atividade em que os grãos eram derramados, sacudidos e, em seguida, colocados no recipiente até o transbordamento. Esta é a boa medida que retorna àqueles que são generosos.

6.39 — Um cego. Esta expressão faz, referência aos mestres que não conseguem saber para onde vão e são incapazes de liderar os outros. Jesus estava advertindo acerca da arrogância. Discutese, neste trecho, se Jesus estava aludindo aos fariseus, ou simplesmente alertando Seus discípulos a respeito dessas perigosas atitudes. O foco nas ações dos discípulos sugere a última hipótese, embora a observação também se aplique aos mestres que conflitavam com Jesus.

6.40 — O que for perfeito será como o seu mestre. Aqui Jesus observa que normalmente o discípulo se toma como seu mestre. Conclusão: tenha cuidado em saber quem o instrui.

6.41 — O argueiro, que representa um pequeno defeito moral em alguém, está em contraste com a trave, que diz respeito a uma grande transgressão cometida por aquele que faz a crítica.

6.42-45 — Tira primeiro. Esta expressão deixa claro que o confronto acerca do pecado continua. Jesus diz que aquele que critica deve lidar com o pecado em sua própria vida, para então poder estar em posição de ajudar outra pessoa nesta questão.

6.46 — Senhor, Senhor. Jesus esclarece que aqueles que o chamam por este título de respeito reconhecem a submissão a Ele. Entretanto, quando as mesmas pessoas ignoram Suas instruções, elas são culpadas de hipocrisia.

6.47-49 — Ouve as minhas palavras, e as observa. Aquele que ouve os ensinamentos de Jesus e age de acordo com eles tem condições de enfrentar qualquer circunstância difícil. Ouve e não pratica. Não agir conforme as instruções de Jesus fará com que a pessoa seja oprimida pelas circunstâncias. O resultado é, consequentemente, a derrota completa (1 Co 3.12-15; 2 Jo 8).


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