2015/09/21

Significado de Lucas 7

Significado de Lucas 7

Significado de Lucas 7


Lucas 7

7.1 — Cafarnaum ficava na costa noroeste do mar da Galileia. Era uma importante cidade na parte norte da província, e tinha sua economia centrada na pesca e na agricultura. Altamente judaica, foi o centro do ministério de Jesus na Galileia (Lc 4.31-44).

7.2-4 — Enviou-lhe uns anciãos. O trecho de Mateus 8.5-13 não menciona os mensageiros. Ê possível que Mateus tenha reduzido esta passagem, como acontece frequentemente (Mt 9.2,18,19; 11.2,3), pois um emissário na cultura antiga falava oficialmente por aquele que o havia mandado (2 Rs 19.20-34). Isso também acontece hoje. Podemos citar o exemplo da assessoria de imprensa do governo, que muitas vezes fala pelo presidente da República. Lucas 7.2-4 também ilustra uma cooperação exemplar entre judeus e gentios em uma cultura na qual a etnia era divisora.

7.5 — O governo romano considerava as sinagogas muito valiosas porque sua ênfase moral ajudava a manter a ordem.

7.6,7 — O centurião, por intermédio dos mensageiros, comunica sua atitude humilde exemplar e sua fé, sobre a qual Jesus comenta no versículo 9.

7.8 — O centurião comparou sua autoridade como comandante de soldados à autoridade de Jesus sobre a vida e a saúde. O homem sabia que apenas a palavra de Jesus era suficiente para curar seu servo.

7.9 — Nem ainda em Israel tenho achado tanta fé. O exemplo de fé do centurião veio de fora da nação de Israel. Este é um dos dois únicos casos em que é dito que Jesus maravilhou-se (Mc 6.6).

7.10 — Acharam são o servo enfermo. A cura aconteceu sem que Jesus estivesse presente, da forma como o centurião creu.

7.11-13 — Eis que levavam um defunto. Este era um cortejo fúnebre. O cemitério ficava localizado fora dos muros da cidade. Os funerais eram normalmente realizados no dia da morte porque conservar um corpo em casa durante a noite fazia com que a casa ficasse impura. Antes do sepultamento, o defunto era ungido. Em uma cidade do tamanho de Naim (v. 11), muitas pessoas devem ter parado para compartilhar o luto.

7.14.15 — O fato de Jesus ter tocado o esquife indica que Ele preferiu ajudar o homem morto do que permanecer cerimonialmente puro (Nm 19.11,16).

7.15 — E o defunto assentou-se. Uma descrição surpreendente acontece aqui, e indica que o milagre foi a restauração da vida. Outros casos em que Jesus fez mortos ressuscitarem são o da filha de Jairo (Lc 8.40-56) e o de Lázaro (Jo 11.38-44). Observe, novamente, a ação imediata o milagre diante da intervenção de Jesus (Lc 4.39; 5.13,25).

7.16,17 — A multidão reconheceu o paralelo entre o restabelecimento da vida do filho da viúva realizado por Jesus e a obra dos grandes profetas Elias (1 Rs 17.17-24) e Eliseu (2 Rs 4.8-37).

7.18-21 — És tu aquele que havia de vir? A incerteza de João pode ter surgido porque Jesus não mostrava sinais de ser o Messias político e conquistador que a maioria dos judeus estava esperando naquela época.

7.22,23 — Jesus prefere que Sua obra fale por si, em vez de fazer afirmações messiânicas. Ele se vale da cura dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos e da ressurreição dos mortos, bem como da ênfase de Sua pregação do evangelho. As alusões rememoram Lucas 4.18,19 e relembram os textos do Antigo Testamento, os quais descrevem o que acontecerá quando Deus trouxer a salvação (Is 35.5-7; 26.19; 29.18,19; 61.1). Os vínculos com Lucas 3 e 4 mostram que Jesus afirma trazer o fim e, deste modo, é o Messias que João Batista anunciou.

7.24-26 — As perguntas que Jesus fez enfatizaram que João Batista desempenhou uma função especial no plano de Deus. As multidões não foram ao deserto para ver a paisagem, tampouco para ver um homem vestido com roupas finas. As pessoas foram ver um profeta.

7.27 — Eis que envio meu anjo [mensageiro, na nvi] . Esta é a mesma citação de Malaquias 3.1 (Mt 11.10; Mc 1.2). João Batista era a figura prometida, o precursor que prepararia o caminho para a chegada da salvação de Deus (Lc 1.16,17; 3.4-6). A expressão preparará diante de ti o teu caminho tem relação com a preparação do povo (Lc 1.17). A referência a ti é exclusiva do Novo Testamento e pode fazer alusão a Êxodo 23.20, que diz que a nuvem foi diante do povo para guiá-lo e protegê-lo. O fato de o autor ter feito referência aqui ao povo, e não a Jesus, foi porque a passagem refere-se a Lucas 1.16,17, aqual fala de um povo preparado.

7.28 — O menor no Reino de Deus é maior do que ele. Apesar de João Batista ter sido o maior dos profetas, foi considerado menor que uma alma remida. João Batista foi o precursor de Jesus e um servo fiel de Deus. Já os remidos tornaram-se os verdadeiros filhos de Deus.

7.29,30 — Lucas, de forma geral, contrasta as respostas com a mensagem de João. Os publicanos [...] justificaram a Deus. Isso significa que eles responderam ao comunicado de João, submetendo-se ao seu batismo. Os fariseus, entretanto, rejeitaram o conselho de Deus, o que indica que estes se recusaram a ouvir João e não foram batizados (Mt 3.7-12).

7.31-34 — Jesus fez uma comparação entre as crianças que brincavam na praça e a geração atual de Israel, ao referir-se especialmente aos líderes religiosos judeus. O Mestre ressaltou que os líderes agiam como crianças ao rejeitarem a missão dele e de João Batista. Uma hora reclamaram e disseram que João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, tinha demônio. Depois, acusaram Jesus, que comia pão e bebia vinho, de viver dissolutamente e estar associado aos pecadores. Qualquer que fosse o estilo de vida do mensageiro de Deus, os líderes religiosos protestavam e rejeitavam o indivíduo.

7.35 — A sabedoria de Deus é comprovada por aqueles que respondem a ela e recebem suas bênçãos.

7.36 — Naquela época, a refeição feita com um religioso era realizada de forma que o convidado se assentasse à mesa principal enquanto os outros ficavam ao longo da parede externa ouvindo a conversa. E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele. Este não é o mesmo acontecimento de Mateus 26.6-13; Marcos 14.3-9; Jo 12.1-8, pois estes ocorreram na casa de um leproso, lugar no qual nenhum fariseu iria.

7.37,38 — O pecado da mulher não é especificado. Esta não é Maria Madalena, em Lucas 8.2. A unção feita pela pecadora se deu em resposta à mensagem de compaixão de Jesus pelos que cometiam ofensas (v. 41-43,50). Um vaso de alabastro era produzido com um tipo de pedra própria para lavrar, por isso preservava a qualidade do caro e precioso perfume. Há humildade e devoção no ato servil da mulher, bem como uma grande dose de coragem, pois ela realizou tal façanha em frente à multidão que sabia de suas ofensas. Embora a pecadora não fale uma palavra durante toda a passagem, sua ação diz muito a respeito de seu coração arrependido.

7.39 — Se este fora profeta. Vemos aqui que o fariseu duvidou da identidade de Jesus, porque o associara abertamente aos pecadores. A reunião de Jesus com os ofensores é um tema proeminente em Lucas (Lc 1.34; 5.8,30,32; 13.2; 15.1,2,7,10; 18.13; 19.7; 24.7). Um fariseu rejeitava tal agrupamento.

7.40 — Jesus responde indicando que sabia a respeito da reputação da mulher, todavia estava mais interessado no que a mulher poderia vir a ser por meio da graça de Deus.

7.41 — Jesus frequentemente comparava o pecado a um débito financeiro. Um denário [NVI] equivalia à diária de um trabalhador braçal. Assim, quinhentos denários correspondiam aproximadamente ao ordenado de um ano e meio.

7.42,43 — Qual deles o amará mais'! Aqui Jesus quis dizer que o tamanho do amor demonstrado pelo Salvador será diretamente proporcional à gravidade dos pecados que Ele perdoara. A mulher sabia que ela tinha sido perdoada por coisas graves, e, como consequência, ela mostrou ter um amor profundo pelo Senhor.

7.44-46 — Jesus contrastou as ações da mulher com as atitudes do fariseu Simão, dando a entender que a pecadora sabia mais a respeito de perdão do que aquele homem (v. 47).

7.47,48 — Seus muitos pecados lhe são perdoados. Jesus confirmou que o amor da mulher, demonstrado por suas ações, veio do perdão recebido.

7.49 — Quem é este, que até perdoa pecados? O murmúrio por causa da declaração de Jesus a respeito do pecado indica que pelo menos algumas pessoas no público rejeitaram Sua autoridade.

7.50 — Fé é o meio humano de receber a benevolência de Deus (Ef 2.8,9).


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