Significado de Lucas 7

Lucas 7

7.1 Cafarnaum ficava na costa noroeste do mar da Galileia. Era uma importante cidade na parte norte da província, e tinha sua economia centrada na pesca e na agricultura. Altamente judaica, foi o centro do ministério de Jesus na Galileia (Lc 4.31-44).

7.2-4 Enviou-lhe uns anciãos. O trecho de Mateus 8.5-13 não menciona os mensageiros. É possível que Mateus tenha reduzido esta passagem, como acontece frequentemente (Mt 9.2,18,19; 11.2,3), pois um emissário na cultura antiga falava oficialmente por aquele que o havia mandado (2 Rs 19.20-34). Isso também acontece hoje. Podemos citar o exemplo da assessoria de imprensa do governo, que muitas vezes fala pelo presidente da República. Lucas 7.2-4 também ilustra uma cooperação exemplar entre judeus e gentios em uma cultura na qual a etnia era divisora.

7.5 O governo romano considerava as sinagogas muito valiosas porque sua ênfase moral ajudava a manter a ordem.

7.6, 7 O centurião, por intermédio dos mensageiros, comunica sua atitude humilde exemplar e sua fé, sobre a qual Jesus comenta no versículo 9.

7.8 O centurião comparou sua autoridade como comandante de soldados à autoridade de Jesus sobre a vida e a saúde. O homem sabia que apenas a palavra de Jesus era suficiente para curar seu servo.

7.9 Nem ainda em Israel tenho achado tanta fé. O exemplo de fé do centurião veio de fora da nação de Israel. Este é um dos dois únicos casos em que é dito que Jesus maravilhou-se (Mc 6.6).

7.10 Acharam são o servo enfermo. A cura aconteceu sem que Jesus estivesse presente, da forma como o centurião creu.

7.11-13 Eis que levavam um defunto. Este era um cortejo fúnebre. O cemitério ficava localizado fora dos muros da cidade. Os funerais eram normalmente realizados no dia da morte porque conservar um corpo em casa durante a noite fazia com que a casa ficasse impura. Antes do sepultamento, o defunto era ungido. Em uma cidade do tamanho de Naim (v. 11), muitas pessoas devem ter parado para compartilhar o luto.

7.14.15 O fato de Jesus ter tocado o esquife indica que Ele preferiu ajudar o homem morto do que permanecer cerimonialmente puro (Nm 19.11,16).

7.15 E o defunto assentou-se. Uma descrição surpreendente acontece aqui, e indica que o milagre foi a restauração da vida. Outros casos em que Jesus fez mortos ressuscitarem são o da filha de Jairo (Lc 8.40-56) e o de Lázaro (Jo 11.38-44). Observe, novamente, a ação imediata o milagre diante da intervenção de Jesus (Lc 4.39; 5.13,25).

7.16, 17 A multidão reconheceu o paralelo entre o restabelecimento da vida do filho da viúva realizado por Jesus e a obra dos grandes profetas Elias (1 Rs 17.17-24) e Eliseu (2 Rs 4.8-37).

7.18-21 És tu aquele que havia de vir? A incerteza de João pode ter surgido porque Jesus não mostrava sinais de ser o Messias político e conquistador que a maioria dos judeus estava esperando naquela época.

7.22, 23 Jesus prefere que Sua obra fale por si, em vez de fazer afirmações messiânicas. Ele se vale da cura dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos e da ressurreição dos mortos, bem como da ênfase de Sua pregação do evangelho. As alusões rememoram Lucas 4.18,19 e relembram os textos do Antigo Testamento, os quais descrevem o que acontecerá quando Deus trouxer a salvação (Is 35.5-7; 26.19; 29.18,19; 61.1). Os vínculos com Lucas 3 e 4 mostram que Jesus afirma trazer o fim e, deste modo, é o Messias que João Batista anunciou.

7.24-26 As perguntas que Jesus fez enfatizaram que João Batista desempenhou uma função especial no plano de Deus. As multidões não foram ao deserto para ver a paisagem, tampouco para ver um homem vestido com roupas finas. As pessoas foram ver um profeta.

7.27 Eis que envio meu anjo [mensageiro, na NVI]. Esta é a mesma citação de Malaquias 3.1 (Mt 11.10; Mc 1.2). João Batista era a figura prometida, o precursor que prepararia o caminho para a chegada da salvação de Deus (Lc 1.16,17; 3.4-6). A expressão preparará diante de ti o teu caminho tem relação com a preparação do povo (Lc 1.17). A referência a ti é exclusiva do Novo Testamento e pode fazer alusão a Êxodo 23.20, que diz que a nuvem foi diante do povo para guiá-lo e protegê-lo. O fato de o autor ter feito referência aqui ao povo, e não a Jesus, foi porque a passagem refere-se a Lucas 1.16,17, a qual fala de um povo preparado.

7.28 O menor no Reino de Deus é maior do que ele. Apesar de João Batista ter sido o maior dos profetas, foi considerado menor que uma alma remida. João Batista foi o precursor de Jesus e um servo fiel de Deus. Já os remidos tornaram-se os verdadeiros filhos de Deus.

7.29, 30 Lucas, de forma geral, contrasta as respostas com a mensagem de João. Os publicanos [...] justificaram a Deus. Isso significa que eles responderam ao comunicado de João, submetendo-se ao seu batismo. Os fariseus, entretanto, rejeitaram o conselho de Deus, o que indica que estes se recusaram a ouvir João e não foram batizados (Mt 3.7-12).

7.31-34 Jesus fez uma comparação entre as crianças que brincavam na praça e a geração atual de Israel, ao referir-se especialmente aos líderes religiosos judeus. O Mestre ressaltou que os líderes agiam como crianças ao rejeitarem a missão dele e de João Batista. Uma hora reclamaram e disseram que João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, tinha demônio. Depois, acusaram Jesus, que comia pão e bebia vinho, de viver dissolutamente e estar associado aos pecadores. Qualquer que fosse o estilo de vida do mensageiro de Deus, os líderes religiosos protestavam e rejeitavam o indivíduo.

7.35 A sabedoria de Deus é comprovada por aqueles que respondem a ela e recebem suas bênçãos.

7.36 Naquela época, a refeição feita com um religioso era realizada de forma que o convidado se assentasse à mesa principal enquanto os outros ficavam ao longo da parede externa ouvindo a conversa. E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele. Este não é o mesmo acontecimento de Mateus 26.6-13; Marcos 14.3-9; Jo 12.1-8, pois estes ocorreram na casa de um leproso, lugar no qual nenhum fariseu iria.

7.37, 38 O pecado da mulher não é especificado. Esta não é Maria Madalena, em Lucas 8.2. A unção feita pela pecadora se deu em resposta à mensagem de compaixão de Jesus pelos que cometiam ofensas (v. 41-43,50). Um vaso de alabastro era produzido com um tipo de pedra própria para lavrar, por isso preservava a qualidade do caro e precioso perfume. Há humildade e devoção no ato servil da mulher, bem como uma grande dose de coragem, pois ela realizou tal façanha em frente à multidão que sabia de suas ofensas. Embora a pecadora não fale uma palavra durante toda a passagem, sua ação diz muito a respeito de seu coração arrependido.

7.39 Se este fora profeta. Vemos aqui que o fariseu duvidou da identidade de Jesus, porque o associara abertamente aos pecadores. A reunião de Jesus com os ofensores é um tema proeminente em Lucas (Lc 1.34; 5.8,30,32; 13.2; 15.1,2,7,10; 18.13; 19.7; 24.7). Um fariseu rejeitava tal agrupamento.

7.40 Jesus responde indicando que sabia a respeito da reputação da mulher, todavia estava mais interessado no que a mulher poderia vir a ser por meio da graça de Deus.

7.41 Jesus frequentemente comparava o pecado a um débito financeiro. Um denário [NVI] equivalia à diária de um trabalhador braçal. Assim, quinhentos denários correspondiam aproximadamente ao ordenado de um ano e meio.

7.42, 43 Qual deles o amará mais! Aqui Jesus quis dizer que o tamanho do amor demonstrado pelo Salvador será diretamente proporcional à gravidade dos pecados que Ele perdoara. A mulher sabia que ela tinha sido perdoada por coisas graves, e, como consequência, ela mostrou ter um amor profundo pelo Senhor.

7.44-46 Jesus contrastou as ações da mulher com as atitudes do fariseu Simão, dando a entender que a pecadora sabia mais a respeito de perdão do que aquele homem (v. 47).

7.47, 48 Seus muitos pecados lhe são perdoados. Jesus confirmou que o amor da mulher, demonstrado por suas ações, veio do perdão recebido.

7.49 Quem é este, que até perdoa pecados? O murmúrio por causa da declaração de Jesus a respeito do pecado indica que pelo menos algumas pessoas no público rejeitaram Sua autoridade.

7.50 Fé é o meio humano de receber a benevolência de Deus (Ef 2.8,9).

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