2015/09/21

Significado de Lucas 9

Significado de Lucas 9

Significado de Lucas 9


Lucas 9

9.1 — Agora Jesus mostra que Sua autoridade pode ser estendida aos 12 discípulos. A nação para a qual Ele veio como Rei (Mt 10.5,6) precisava testemunhar Seu poder e Sua autoridade. Os 12 foram encarregados de cumprir esta tarefa.

9.2 — Toda a nação de Israel necessitava conhecer o Reino de Deus e tomar uma decisão acerca dele e de seu Rei. Jesus encarregou Seus discípulos de propagar as verdades a respeito do Reino de Deus por meio da pregação e da cura.

9.3-6 — Nada leveis convosco. Provavelmente os discípulos não levariam muito tempo para cumprir a missão.

9.7-9 — No palácio de Herodes, especulava-se se Jesus era João Batista ressuscitado, Elias (Ml 3.1) ou um dos profetas. Embora esta passagem sugira que Herodes não tinha certeza da identidade de Jesus, Mateus 14-2 e Marcos 6.16 indicam que o tetrarca via o Salvador como João Batista ressuscitado dos mortos.

9.10-12 — O ministério dos discípulos estava firmado nos mesmos princípios do ministério de Jesus: pregação e cura (v. 2). O tema da pregação de Jesus era sempre o Reino de Deus.

9.13-17 — Este é o único milagre do ministério de Jesus que aparece nos quatro Evangelhos (Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Jo 6.5-14). A alimentação dos cinco mil demonstrou o poder de Jesus para prover.

Abençoou-os, e partiu-os. Aqui alguns veem uma alusão à ceia do Senhor. Embora isso não seja deixado claro na narrativa de Lucas, a descrição é similar à da última ceia (Lc 22.19) e da refeição de Jesus com alguns dos discípulos após Sua ressurreição (Lc 24-30).

9.17 — Doze cestos é apenas uma soma impressionante gerada pelo excesso e não deve ser interpretada como nada além disso. A lição que ficou para os discípulos foi que Jesus era a fonte de seu sustento.

9.18, 19 — Que eu sou? Esta é a maior indagação para Lucas. Quem é Jesus? A descrição do que Jesus faz é importante porque levanta a questão sobre quem é Ele.

9.20 — O Cristo de Deus. A ênfase aqui é na função messiânica de Jesus, que veio ao mundo para trazer redenção à humanidade. Entretanto, Ele logo revelaria aos discípulos que Sua condição de messias teria elementos de sofrimento pelos quais eles não esperavam (v. 22,23).

9.21 — Jesus sabia que a função messiânica que o povo e os discípulos esperavam era muito diferente de Seu papel atual como Messias. O sofrimento pelo qual o Messias passaria não fazia parte da expectativa popular. Além disso, a qualidade de Messias de Jesus não poderia ser abertamente proclamada antes de a verdadeira natureza do Messias ser revelada.

9.22 — Esta é a primeira de muitas predições em Lucas a respeito do sofrimento e da ressurreição de Jesus (Lc 9.44; 12.50; 13.31-33; 17.25; 18.31-33). Os discípulos tentavam compreender 0 que Jesus estava dizendo (Lc9.45; 18.34). Eles não conseguiam perceber como as predições do Salvador se encaixavam nos planos de Deus. Somente após a ressurreição e Suas explicações das Escrituras esses homens de fato começaram a entender (Lc 24.25-27,44-49).

9.23 — Negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Aqui vemos a diferença real entre ser filho e ser discípulo. Recebemos a posição e o privilégio da filiação como uma dádiva (Jo 1.12), ao passo que obtemos o prémio ou a recompensa de partilhar a glória de Cristo em Seu Reino vindouro (Mt 5.10-12; Rm 8.17; Ef 2.8,9; 1 Ts 2.12; 2 Ts 1.15; 2 Tm 2.12) enquanto permanecemos firmes na fé e suportamos as tribulações deste mundo por amor a Ele.

9.24,25 — Não faz sentido tentar salvar nossa vida na terra só para perder tudo quando a morte inevitavelmente chegar. A ação sábia é investir nossos recursos terrenos — tempo, talentos e prosperidade — no que é eterno. Mesmo que percamos nossa vida por amor a Jesus, este investimento gerará retorno para toda a eternidade (Lc 19.11-27; Mt 6.19-21; 19.27-30).

9.26 — O reconhecimento de Jesus será recompensado no julgamento vindouro. Não reconhecê-lo levará a uma grande perda (1 Co 3.12-15; 2 Co 5.10; 2 Tm 2.12; 1 Jo 2.28; 2 Jo 7,8; Ap 3.11; 22.12).

9.27 — Até que vejam o Reino de Deus. Considerando que estes discípulos morreram antes da volta de Jesus, a referência aqui é, sem dúvida, à transfiguração (v. 28-36). Com isso, provavelmente também há a predição da descida do Espírito no Dia de Pentecostes (Lc 10.9; 11.20; 17.21).

9.28,29— Na transfiguração, Jesus mudou Sua aparência e transformou-se em uma figura radiante, a ponto de Suas vestes se tornarem brancas e mui resplandecentes. A descrição aqui é similar à da glória de Moisés após ver o Senhor (Ex 34.29-35).

9.30,31 — A palavra morte significa, literalmente, êxodo. Esta importante alusão ao evento principal de salvação do Antigo Testamento é exclusiva da passagem de Lucas sobre a transfiguração. Faz-se, então, a comparação entre a morte de Jesus e a jornada rumo à salvação da nação de Israel sob a liderança de Moisés. Só que a jornada de Jesus o levaria para o lado de Deus, de onde Ele retornará para exercer autoridade (At 2.30-36; 10.42; 17.31).

9.32,33 — Pedro quis construir tendas para os dois visitantes do Antigo Testamento e para Jesus, talvez como uma forma de prolongar a visita deles.

Não sabendo o que dizia. Esta repreensão a Pedro provavelmente aconteceu por causa de sua sugestão de igualdade entre Moisés, Elias e Jesus. Além disso, ele pode ter sido censurado por querer celebrar a chegada do escatom [este termo originalmente indicava uma pessoa ou um objeto que estava longe, no exterior, ou seja, fora do alcance visual. Esse é o sentido espacial do termo: extremidade, fim, o lugar mais distante. Neste caso, fazia referência ao sacrifício de Cristo na cruz, algo que ainda não estava na hora de acontecer] antes dos principais acontecimentos necessários à sua ocorrência.

Esta é a primeira das várias observações em Lucas 9 as quais sugerem que os discípulos tinham muito o que aprender. Precisamos conservar em nossa mente a ideia de que vemos nos Evangelhos Cristo instruindo os 12, que serão considerados os edificadores fundamentais (Ef 2.20) da Igreja a ser inaugurada em Atos 2, no Dia de Pentecostes. O ministério de Jesus não foi só ao alcance das massas, mas também instruiu os 12. Cristo trabalhava com o princípio de que qualidade gera quantidade, e não o contrário. Os líderes em crescimento na Igreja hoje precisam retomar este conceito.

9.34,35 — Este é o meu Filho amado. Aqui está o segundo endosso celestial de Jesus (Lc 3.22). A referência ao Filho amado relembra as palavras de Salmo 2.7 e Isaías 42.1. A expressão a ele ouvi alude a Deuteronômio 18.15-18 e identifica Jesus como o Profeta prometido na passagem anteriormente citada. Jesus, como o novo Profeta, lideraria um novo grupo de pessoas à salvação (Mt 21.43; Rm 11.1-36; 1 Pe 2.9,10), da mesma forma que fizera Moisés com a nação de Israel. N a condição de Revelador da vontade de Deus, Jesus tinha muito para ensinar aos discípulos sobre o desígnio divino.

9.36 — Não contaram a ninguém. Nesta passagem, não somos informados do motivo pelo qual os discípulos permaneceram calados no que diz respeito à transfiguração. Mateus 17.8,9 e Marcos 9.9,10  observam que Jesus ordenou tal silêncio, e Marcos deixa claro que os discípulos não entenderam o acontecimento na ocasião (veja 2 Pe 1.16-21 para a reflexão de Pedro acerca da experiência).

9.37,38 — Enquanto três discípulos tiveram uma grande experiência com Jesus, os outros tentavam realizar a cura. O contraste e a falha são expressivos. Mais uma vez, os discípulos tinham muito a aprender.

9.39,40 — Um espírito o toma. Esta descrição detalhada dos sintomas demonstra a seriedade do caso. O fato de que o menino era filho único (v. 39) acrescenta gravidade ao acontecimento.

9.41 — O geração incrédula e perversa! Esta repreensão indica a falta de fé dos discípulos em relação à expulsão do espírito descrito nos versículos 38 a 40. Há também a sugestão de um clima competitivo entre eles (v. 46). O mesmo é verdadeiro hoje. Podemos realizar mais para Cristo e Seu Reino se não fizermos questão de quem leva o crédito.

9.42 — Neste versículo, a autoridade de Jesus está novamente em foco.

9.43 — A autoridade de Jesus revela a majestade de Deus. Há uma ótima reação popular a respeito de Jesus, mas Ele sabe que será de curta duração (v. 44).

9.44 — Observe que Jesus predisse que Ele seria traído, mesmo que muitos estivessem maravilhados com Seu ministério (v. 43).

9.45 — E temiam interrogá-lo acerca dessa palavra. A sugestão aqui é que os discípulos ainda tinham muito a aprender. O medo demonstra que eles entenderam alguma coisa acerca do que Jesus falara, mas não compreenderam como e por que o Mestre dizia tais coisas de si mesmo, visto que Ele era o Messias. Os discípulos continuariam confusos a respeito do motivo pelo qual o sofrimento se enquadraria no desígnio divino até a morte e ressurreição de Jesus (Lc 24.25,26,43-49).

9.46 — E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Aqui está uma grande ironia. Jesus prediz Seu sofrimento, e os discípulos competem entre si a respeito do Reino (Lc 22.24; Mc 10.35-45). Os discípulos ainda tinham muito a aprender; e nós também temos quando tentamos construir nosso próprio reino, em vez de edificar o de Cristo. Não há nada de errado em desejar um lugar de glória e honra no Reino de Deus, mas eles não estavam cumprindo alguns princípios que Jesus lhes deu (Lc 22.14-25; Jo 13.12-17,33-35). Ê pela forma como buscamos servir ao próximo em amor que demonstramos nobreza de caráter. Todos esses princípios serão parte da avaliação final de Cristo de nossa obediência (Lc 9.23,24; 1 Co 4.5; 2 Co 5.10).

9.47,48 — O menor, esse mesmo é grande. O que Jesus quis dizer foi que a proeminência não é medida pelo poder e dinheiro que se possui, o que usualmente é a razão humana pela qual alguns são servidos. Ao contrário, o que engrandece um homem é a predisposição para servir o próximo.

9.49 — Vimos um que em teu nome expulsava os demônios. A questão aqui é que os discípulos achavam errado outros compartilharem de suas benesses, mas os 12 ainda estavam aprendendo. Os pastores de hoje também precisam entender que um ministério está sendo realizado não quando eles fazem tudo enquanto as pessoas meramente olham, mas quando treinam e capacitam os fiéis a usarem o dom que Deus lhes deu. Não é função de um líder ser substituto das pessoas, mas sim desempenhar o papel de gestor do povo para realizar o trabalho do ministério.

9.50 — Jesus ressaltou que todo aquele que exerce o dom de Deus, quando não está contra Seu ministério e o dos discípulos, está a favor deles e deve ser autorizado a ministrar. Ministrar para Jesus não é privilégio de uns poucos selectonados (Rm 12.3-8; 1 Co 12.3-27; Ef 4.1-16; 1 Pe 4-10,11). Novamente, não devemos preocupar-nos em construir nossos próprios domínios, mas alegrar-nos na edificação do Reino de Deus, não importando quem a esteja fazendo.

9.51 — Manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. Esta é a primeira indicação de que a atenção de Jesus estava voltando-se para Seu sofrimento final em Jerusalém (Lc 9.53; 13.22,33-35; 17.11; 18.31; 19.11,28,41). Entretanto, a jornada até Jerusalém não seria direta. Em Lucas 10.38-42, vemos Jesus na casa de Marta e Maria em Betânia. Em Lucas 17.11, encontramos Ele em Samaria e na Galiléia. A viagem até Jerusalém se realizaria de acordo com os desígnios e a vontade de Deus. Jesus estava aproximando-se do desfecho de Sua missão com Sua morte e ressurreição. O Evangelho de Lucas singularmente enfatiza esta jornada a Jerusalém. Lucas registra muito dos ensinamentos e das parábolas de Jesus em Seu trajeto, e como o Salvador contrastou Seu caminho de sofrimento com o caminho dos líderes religiosos judeus.

9.52 — Os samaritanos eram descendentes dos judeus que se casaram com os gentios depois da queda do Reino do Norte, Israel. Consequentemente, os samaritanos desenvolveram seus próprios rituais religiosos, os quais eles praticavam no monte Gerizim, em vez de no templo em Jerusalém. Embora tenha havido uma profunda hostilidade entre os judeus e os samaritanos, Jesus ministrou para ambos os grupos.

9.53,54 — Senhor, queres que digamos que desça fogo e os consuma, como Elias também fez? Com esta pergunta, Tiago e João mostraram que queriam que Jesus levasse o julgamento às vilas de Samaria que não os recebessem, assim como Elias fez em 2 Reis 1.9-16. Sua ânsia por julgamento era antiética em relação à resposta de amor de Jesus.

9 .55,56 — A atitude de Jesus mostra que Ele recusou o pedido. Os discípulos não entendiam que sua função era disseminar graça. O direito de julgamento está em outras mãos para outras ocasiões.

9.57-62 — Aqui temos mais ensinamento com Jesus. Vemos que três homens poderiam ter-se tornado discípulos, mas eles não preenchiam os requisitos estabelecidos por Jesus. Cada um deles tinha um empecilho que o impedia de chegar ao próximo nível da condição de discípulo. Entretanto, todos os problemas individuais encontravam sua origem num ponto principal: faltava- lhes poder, amor e disciplina; essas deficiências entristeciam o coração do Senhor.

9.57 — O primeiro homem que se prontificou a seguir a Cristo era fervoroso, acalorado e entusiasmado. O problema foi que ele não se deu conta, de forma real, do alto preço a pagar por tal decisão. Logo, provou que seu entusiasmo era baseado no calor do momento, algo que não seria forte o suficiente para sustentá-lo na amplitude da batalha que ele enfrentaria ao tornar-se um seguidor de Cristo.

9.58 — Jesus informou a Seus discípulos que Ele não tinha sequer o conforto de uma casa comum, diferente do restante do povo. Desta forma, Cristo ressaltou que segui-lo implicaria renúncia de alguns confortos e prazeres terrenos, algo que é válido para nós nos dias de hoje.

9.59 — O segundo homem que poderia tornar-se discípulo colocou a responsabilidade familiar antes de Jesus. A preocupação com a casa dele era a pedra no caminho deste homem. Ao contrário do primeiro voluntário (v. 57), este indivíduo era lento e pensativo. Ele pesava todo o custo da condição de discípulo. A pureza cultual era considerada muito importante nos círculos judaicos. Assim, um sepultamento rápido do morto se fazia necessário (Lc 7.11-17).

9.60 — Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos. Aqui Jesus deixa claro que um discípulo deve ter prioridades definidas e biblicamente fundamentadas. A observação é retórica, pois, na verdade, um morto não pode enterrar outro morto. Esta é uma forma enfática de dizer que o chamado de Deus deve ter primazia. Em períodos de premência, como a época em curso aqui, o funeral não era necessário (Jr 16.5-7). A obrigação social não deve cancelar a imediação do ministério. Também pode ser que a observação retórica a respeito dos mortos faça referência aos espiritualmente mortos. Sendo assim, o mundo poderia tomar conta das questões materiais da vida e da morte, mas o discípulo deveria priorizar o ministério. O problema do homem neste trecho é que ele não priorizou o que era correto e, deste modo, não compreendeu a urgência em tomar uma atitude quando Jesus o chamou. Tais ações inadequadas fazem com que percamos grandes oportunidades de investimento (Fp 4.15).

9.61 — Deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. Este pedido é parecido com o que Eliseu fez a Elias (1 Rs 19.19,20), o qual foi concedido. O período em curso aqui requeria maior urgência, por isso o pedido foi negado.

9.62 — Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus. Este terceiro homem que se ofereceu para ser discípulo era hesitante — “ficou em cima do muro”. No entanto, Jesus deixou claro que a condição para segui-lo é não permitir que os empecilhos interfiram na obediência a Ele.

O uso da expressão olha para trás recorda a esposa de Ló (Gn 19.26). A observação de ser apto (ou adequado) para o Reino de Deus mostra a forma séria como Jesus se compromete com ele. E um aviso de que aquele que vai até Jesus deve estar preparado para permanecer com Ele (1 Co 15.2; Cl 1.21-23; Mt 7.21-23; 22.11-13; Lc 13.25-27). A expressão lança mão do arado significa engajar- se em uma tarefa. Aqui, o trabalho é servir ao Reino. Só que o primeiro discípulo não estava pronto porque não tinha avaliado as consequências. O segundo também não estava preparado, pois não percebeu a urgência de seguir Jesus quando Ele disse “siga-me”.

E o terceiro dispôs-se a partir, mas hesitou quando olhou para as coisas que deixaria para trás. Estas são lições muito valiosas para aqueles que aspiram à condição de discípulos e à integração no Reino de Deus.


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