2019/08/15

Gênesis 25 — Estudo Bíblico

Estudo Bíblico sobre Gênesis



Gênesis 25

Distribuindo Presentes (25.1-6)
Abraão ainda tomou outra esposa e esta união foi frutífera. Quetura (1) teve seis filhos (cf. 1 Crôn 1.32,33) e destes vieram sete netos e três bisnetos. Isto completa a evidência genealógica oferecida em Gênesis de que se cumpriu a promessa de Deus que Abraão seria o pai de muitas nações (17.4).
Abraão (5) ainda tinha responsabilidades com Isaque e com estes outros descendentes. Como filho herdeiro, os principais direitos de Isaque deveriam ser salvaguarda­dos, mas os direitos dos outros filhos também deveriam ser reconhecidos. A solução do patriarca foi dividir seus bens. Tudo o que tinha (ou seja, a porção principal) foi para Isaque, e porções menores, designadas presentes (6), foram para os outros filhos. Estes foram enviados para a terra oriental de Canaã, para que no futuro não houvesse dispu­tas sobre direitos à Terra Prometida.

A Morte e Sepultamento de Abraão (25.7-11)
O período da vida de Abraão foi de cento e setenta e cinco anos. Silenciosamente, com um senso de realização, o patriarca foi congregado ao seu povo (8). Esta frase significa mais que morrer. Inclui a prática de colocar o corpo em uma sepultura com os restos mortais dos antepassados (cf. Gn 25.17; 35.29; 49.29,33; Nm 20.24; 27.13).18 Pela ex­pressão em si não está claro se a vida depois da morte faz parte do seu significado primá­rio. Uma comparação entre Gênesis 15.15 e Hebreus 11.13-16, juntamente com as pala­vras de Cristo em Mateus 22.31-33, não deixa dúvidas de que a vida após a morte estava inerente na expressão. A declaração não inclui o conceito de que o líder morto passou da condição humana para a condição divina — ideia comum às nações pagãs daquela época.
O corpo de Abraão foi posto cuidadosamente ao lado dos restos mortais de Sara, sua mulher (10), e depois os dois filhos, Isaque e Ismael (9), voltaram às suas tarefas cotidianas. Isaque (11) fixou residência junto ao poço Laai-Roi, onde Deus apareceu a Agar, mãe de Ismael (ver 16.14; 24.62). As bênçãos de Deus se concentraram em Isaque.
Diversas características destacam Abraão como homem extremamente incomum em seus dias. Ele obedeceu às instruções expressas de Deus (Gn 12.4; 15.10; Gn 17.23; 21.14; 22.3), ainda que nas ocasiões em que as instruções não estavam devidamente claras, ele tenha hesitado (16.4; 17.17). Não há menção de ele ter adorado outro Deus (Gn 12.7,8; 13.4,18; 15.10,11; 17.3; 19.27; 20.17; 21.33). Ele respeitava e por vezes temia os homens de auto­ridade nas terras que visitou (12.12,13; 14.17,18; 20.1-13). Era de espírito generoso e isento de ganância (Gn 13.8,9; 14.23; 17.18; 18.3-8; 21.14). Ele sabia perdoar e interceder pelos outros (18.22,23; 20.17; 21.25-31). Tinha amor firme por Deus (Gn 22.16), e sabia assu­mir responsabilidade pelos outros (Gn 23.1,2,19; 24.1-9,67; 25.5,6). Acima de tudo, sabia crer em Deus quando não havia provas visíveis (Gn 15.6).
Com relação ao concerto, aprendemos pela vida de Abraão que Deus inicia o concer­to (Gn 12.1; 13.17), protege o participante do concerto (Gn 12.17; 18.1), prende-se com promes­sas (12.1-3,7; 13.14-17) e coloca o homem sob deveres a cumprir (Gn 17.1,9; 18.19).
A fé e a obediência na vida de Abraão determinaram a tônica no restante do Antigo e em todo o Novo Testamento.

ISMAEL, O HOMEM QUE DEUS SEPAROU
Gênesis 25.12-18
Uma das características de estilo no Livro de Gênesis é o ato de dispensar, por meio de uma ou mais genealogias, pessoas estreitamente relacionadas com quem Deus escolheu. Compare as ações dispensadoras feitas com Caim (4.17-24), Jafé (10.2-5), Cam (10.6-20), os descendentes de Sem, exceto com a família de Tera (11.10-26), e mais tarde com Esaú (36.1-43).
Chegou o momento de retirar a família de Ismael do registro da principal linha do procedimento de Deus com o povo do concerto. A genealogia é uma demonstração, em parte, de que as promessas de Deus a Agar (12) se cumpriram (ver 16.12; 21.18).
Os doze filhos de Ismael não só foram príncipes (16), mas seus seguidores encheram muitos acampamentos de tendas e se espalharam por vasto território. Castelos é tradução ruim; seria melhor “aldeias”. Foram nômades e percorreram a terra da frontei­ra leste do Egito (18), atravessando a Arábia central, até a fronteira sul de Assur (Assíria) ao longo do rio Tigre (ver Mapa 1).

ISAQUE, O HOMEM CUJA VIDA DEUS POUPOU
Gênesis 25.19-28.9
No Livro de Gênesis, a vida de Isaque é ofuscada pela fé ousada de seu pai, Abraão, e pelas qualidades dramáticas da vida de seu filho, Jacó. Contudo, a primeira parte da vida de Isaque está longe de ser comum. Ele foi um presente milagroso de Deus aos idosos pais, cumprindo uma promessa há muito feita. No momento mais crucial de sua mocidade, ele se entregou docilmente ao pai, embora percebesse que ele estava a ponto de matá-lo. Não há dúvida de que o livramento da morte no monte Moriá causou um efeito permanente em sua perspectiva religiosa. Um incidente que poderia ter gerado medo de seu pai desencadeou uma confiança firme em sua sabedoria. Isaque reagiu confiantemente aos esforços de Abraão em obter uma esposa para ele e recebeu a noiva com gratidão que logo amadureceu em amor. O restante de sua vida está registrado principalmente em dois capítulos. Ele foi uma ponte sólida entre gerações.

UM GUISADO EM TROCA DO DIREITO DE PRIMOGENITURA (25.19-34)
A genealogia que abre esta seção é extremamente curta, alistando somente o pai, o filho e sua esposa, cuja árvore genealógica inclui apenas o pai e a irmã dela. Padã-Arã (20), a pátria de Rebeca, é a extensão dos planaltos entre a região superior dos rios Eufrates e Tigre (ver Mapa 1).
Como Sara, Rebeca (20) era estéril (21); e como Abraão (19), Isaque estava profundamente aflito por este infortúnio e orava para que o SENHOR lhes concedesse fi­lhos. Uma comparação entre os versículos 20 e 26 mostra que passaram vinte anos para que os filhos nascessem. Durante a gravidez, Rebeca se afligiu por causa da atividade excessiva em seu ventre. Se assim é, por que sou eu assim? (23). Desesperada, ela buscou ajuda do SENHOR. Foi assim que ela ficou sabendo que tinha gêmeos, que eles eram de caráter diferente e que seriam genitores de dois povos distintos. Também lhe foi dito que os descendentes do mais novo (que o v. 26 indica que foi determinado pela seqüência do nascimento) construiriam a nação mais forte. A mãe nunca esqueceu esta mensagem.
No nascimento, a diferença entre os bebês gerou reações de evidente admiração nos pais, levando-os a lhes dar nomes de acordo com a aparência. O primeiro menino era ruivo (25, admoni se ar). Estas palavras hebraicas têm ligações óbvias com Edom e Seir, nomes comumente associados com a futura pátria dos descendentes deste menino. Igual­mente, o nome Esaú significa “cabeludo”. O nome do segundo menino foi inspirado pelo fato incomum de estar agarrando o calcanhar do irmão (26) quando nasceu. O nome Jacó (26) significa “agarrador de calcanhar”.
A diferença entre os meninos se intensificou conforme cresciam. Sendo de constitui­ção robusta, a caça foi o primeiro amor de Esaú. Ele apreciava a arte de atirar em ani­mais selvagens. Jacó tinha prazer em cuidar de animais domesticados. Talvez seja esta a razão de ele ser chamado varão simples (27). A palavra hebraica é tam, traduzida por “reto” em Gênesis 6.9.
O caráter contrastante dos rapazes despertou gostos e desgostos nos pais, que tenderam a colocar uma cunha emocional entre eles. O distinto Isaque (28) desenvolveu forte preferência pelo rude Esaú; a vivaz Rebeca concentrou a atenção no menos dinâ­mico Jacó.
Não há que duvidar que a mãe confiara a Jacó o teor da mensagem que Deus lhe pronunciou antes do nascimento dos meninos (23). Ambos deveriam saber que os costu­mes dos antepassados favoreciam o primogênito como herdeiro legal à posição tribal do pai. Jacó também sabia que, mediante acordo, o direito de primogenitura poderia ser transferido para um irmão mais novo.
Astuciosamente, Jacó escolheu a oportunidade e pegou Esaú em seu momento mais fraco, quando ele estava fisicamente exausto e faminto depois de caçada extenuante. Jacó (29) era bom cozinheiro e preparou um guisado gostoso. Usou todos esses elemen­tos como alavanca para barganhar com um Esaú demasiadamente faminto para se im­portar. Esaú, quase de forma irreverente, vendeu seu direito de primogenitura em troca do guisado. Jacó (34) se aproveitou de Esaú, mas Esaú julgou mal o valor de sua primogenitura (cf. Hb 12.15,16).
Em 25.29-34, G. B. Williamson nos apresenta o tema “A Troca que Esaú Fez”. 1) Esaú comerciou valores eternos por satisfação temporal, 31,32; 2) A troca de Esaú foi irrevogável, 33; 3) A barganha esperta de Jacó não era lucro líquido (cf. 27.36,41).

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