2019/08/15

Gênesis 41 — Estudo Bíblico

Estudo Bíblico sobre Gênesis



Gênesis 41

A DRAMÁTICA ASCENSÃO DE JOSÉ AO PODER, 41.1-57
O caso de José parecia não ter solução até que se passaram dois anos inteiros (1). Faraó teve um sonho que desafiou a perícia interpretativa dos melhores adivinhos do Egito. O impasse levou o copeiro-mor a se lembrar de José que, quando levado à presen­ça de Faraó, revelou com precisão o segredo do sonho. Foi recompensado não apenas com a libertação da prisão, mas com a ascensão à posição de poder ao lado do próprio Faraó.
O Sonho Enigmático (41.1-8)
O sonho de Faraó parecia enganosamente simples. Em pé junto ao rio (1), o qual, no Egito, só podia ser o rio Nilo, Faraó viu sete vacas, formosas à vista e gordas de carne (2), saírem da água e pastarem no prado. Outras sete vacas (3) também saíram da água, mas eram feias à vista e magras de carne. O que era incomum foi que estas vacas magras comiam as vacas gordas.
Faraó acordou, mas dormindo outra vez sonhou (5) que brotavam de um mesmo pé sete espigas cheias e boas. A palavra espiga alude a plantas que produzem cereais, como trigo ou cevada, e não a milho. Cheias (5) aqui tem o sentido de serem robustas e saudáveis. Em contraste com esta excelente qualidade, sete (6) outras es­pigas miúdas e queimadas do vento oriental brotaram e consumiram as espigas saudáveis.
Perturbado pelos sonhos, Faraó chamou todos os adivinhadores do Egito e todos os seus sábios (8). Contando-lhes os sonhos, Faraó buscava uma explicação, mas ninguém sabia interpretar os sonhos. Entendiam que tais sonhos continham men­sagens ocultas relativas a eventos futuros e era importante que fossem decodificados.

A Revelação do Segredo (41.9-36)
Foi nesta conjuntura que o copeiro-mor (9) lembrou seu período na prisão em que ele e o padeiro-mor (10) tinham sonhado e José interpretou os sonhos corretamente. Conforme a interpretação do seu sonho (11) é melhor “com a sua própria significa­ção” (ARA). O copeiro contou a história a Faraó. José foi chamado e, depois de preparado às pressas para uma audiência com Faraó (14), foi introduzido à sua presença. Quando Faraó lhe disse que ele tinha a reputação de ser intérprete de sonhos, José protestou, afirmando que o poder não estava nele, mas em Deus (16). Os adivinhos pagãos se van­gloriavam de possuir poderes próprios, embora quase sempre junto com um deus ou deusa. José, como todos os crentes no verdadeiro Deus, considerava que a predição do futuro era um dom divino. Predições exatas só ocorrem quando Deus escolhe dá-las aos seus servos. Moffatt traduz a frase: Deus dará resposta de paz a Faraó (16), assim: “É a resposta de Deus que responderá a Faraó”.
Faraó (17) contou os sonhos com alguns toques de reação pessoal. Ele havia ficado particularmente impressionado com o fato de as sete vacas (19) esqueléticas comerem as sete vacas gordas (20) sem causar mudança na aparência física. Nenhum dos ma­gos (24) conseguiu decifrar os sonhos.
José (25) não teve dificuldade em interpretar. Mas ao fazê-lo destacou proposital­mente que o único Deus (ha elohim, o termo hebraico tem o artigo definido enfático que denota distinção) verdadeiro estava prestes a agir no Egito. Tratava-se de testemunho surpreendente na presença do monarca, que era considerado pelo povo como o deus sol em forma física, mas que neste caso foi impotente. Este verdadeiro Deus notificou a Faraó o que estava a ponto de fazer.
Os dois sonhos formavam uma unidade com uma mensagem relacionada com as futuras condições de colheita no Egito. As sete vacas formosas (26) e as sete espigas formosas simbolizavam sete anos de safras abundantes. Seus respectivos opostos re­presentavam sete anos de fome (27), que viriam imediatamente depois dos sete anos de grande fartura (29).
A chuva não é fator significativo no clima do Egito, estando quase que completamen­te ausente no Alto Egito. Portanto, a profecia só poderia significar que as inundações do rio Nilo, as quais acontecem nos meses de verão e fertilizam o vale, ocorreriam normal­mente por sete anos. Mas nos sete anos seguintes seriam insuficientes para que as co­lheitas no Egito amadurecessem devidamente. Durante séculos, a provisão de comida no Egito dependeu das inundações do rio Nilo e que nem sempre foram suficientes para as necessidades agrícolas.
José reparou que, visto que ambos os sonhos significavam a mesma coisa, a situação era urgente, porque a coisa era determinada de Deus (32) e logo aconteceria. José passou a dar a Faraó alguns conselhos práticos que não faziam rigorosamente parte da interpretação. Sugeriu que um varão entendido e sábio (33) fosse incumbido com a responsabilidade de juntar e armazenar todo o excesso das colheitas durante os sete anos de fartura (34) para que houvesse alimento durante os sete anos de fome (36).

Nomeação de Surpresa (41.37-45)
Em reunião deliberativa, Faraó e seus servos (37) chegaram à conclusão de que a interpretação e os conselhos de José eram excelentes. Faraó (38) o caracterizou varão em quem há o Espírito de Deus, e informou a José (39) que resolveram que ele seria o homem indicado para supervisionar o plano de armazenamento de colheitas. Seu cargo estaria ao lado do próprio Faraó em termos de poder e autoridade.
Para simbolizar o novo ofício de José, Faraó lhe deu o anel que usava (42), no qual estava estampado o selo de autoridade, vestiu-o de vestes de linho fino, e pôs um colar de ouro no seu pescoço. Deu-lhe um carro (43), no qual desfilou publicamente com a proclamação de que ele deveria ser honrado pela populaça. Em seguida, mudou-lhe o nome (45) para Zafenate-Paneia, que quer dizer “abundância de vida ou o deus fala e vive”. Por fim, José se casou com uma moça de família de alta posição da cidade sacerdotal de Om (45). Os gregos chamavam esta cidade Heliópolis; ainda hoje é um subúrbio da atual Cairo. O nome da moça era Asenate, que significa “alguém pertencen­te à deusa Neith”. José foi lançado em estreito contato com o paganismo do Egito, mas não foi vencido por ele.

O Projeto de Conservação das Colheitas (41.46-57)
José foi levado para o Egito quando tinha apenas “dezessete anos” (37.2). Fazia treze anos que estava no Egito e ainda era jovem de trinta anos (46) quando se tornou o segundo governante mais poderoso em posição no Egito. Ele sabia exatamente o que fazer. Durante os anos de colheitas abundantes, juntou todas as colheitas que iam além das necessidades imediatas do povo e as armazenou em numerosas cidades (48) do Egito. Produziu... a mãos-cheias (47) é melhor “produziu abundantemente” (ARA). Durante este tempo, nasceram-lhe dois filhos (50). O primeiro foi chamado Manasses (51, “que esquece”) como testemunho de que Deus havia apagado dos pensamentos tris­tes e íntimos de José os anos de trabalho e de toda a casa de meu pai. O segundo filho foi chamado Efraim (52, “dupla fertilidade”) como testemunho das providências misericordiosas de Deus na terra da minha aflição.
“A Canção do Exílio” é dada em 41.50-52. 1) Esquecimento do trabalho, 51; 2) Frutificação em tempos de adversidade, 52 (W. T. Purkiser).
Quando chegaram os sete anos de fome (54), o Egito estava preparado com uma grande provisão de alimentos armazenada para a emergência. Mas a seca cruzou as fronteiras do Egito e atingiu a Palestina e outros países vizinhos. Dentro do próprio Egito, logo as pessoas sentiram fome e pediram comida. Sem demora, José as abasteceu de provisões segundo um plano já em execução. As pessoas tiveram permissão de com­prar os grãos armazenados e, assim, tiveram o suficiente para comer. Habitantes de outros países ficaram sabendo da provisão que havia no Egito e foram comprar (57) alimentos.

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