2015/12/25

Teologia de Alexandria

Teologia de Alexandria
Orígenes (186-255) foi o maior teólogo-filósofo e figura do cristianismo da Igreja, antes do concilio de Niceia. Nasceu em Alexandria e ali ficou até o ano 232. Sua erudição lhe dá uma proeminência na Igreja antiga que só foi ultrapassada por Jerônimo. Era bem versado na filosofia e procurou expressar a fé cristã por meio da filosofia, sobretudo no platonismo; particularizando-se no neoplatonismo. A escola alexandrina (mormente Orígenes e Clemente) desenvolveu um a forma distintiva de cristianismo. Foi Clemente de Alexandria quem declarou que a porção melhor da filosofia grega (como as ideias de Platão) serviu de mestre-escola para conduzir os gregos a Cristo, segundo a lei de Moisés fizera no caso dos judeus. Características distintivas da teologia alexandrina:

1. A ênfase sobre a missão universal do Logos, que opera através de meios para salvar os homens, meios não confinados à Igreja cristã. Em outras palavras, o Logos (ver o artigo) teria uma missão que vai além dos limites da Igreja cristã, agora e após a morte física. O conhecimento viria lentamente, embora com segurança, para todos os homens (Orígenes), mesmo no caso das multidões que durante toda a sua vida terrena não têm contato com o cristianismo. Essa ideia de forma alguma é anticristã, visto que Cristo é o Logos em um a de Suas missões. Mas o Logos não está restringido a qualquer organização ou cultura.

2. A preexistência da alma, e a queda de todas elas antes da associação com o corpo físico. A vida na Terra é encarada como um campo de provas p ara almas já caídas no pecado.

3. Os homens penetram nesse campo de provas como seres humanos ou como espíritos angelicais caídos, por não haver diferença substancial entre a alma humana e os anjos (ver o artigo a respeito), exceto quanto à extensão da queda.

4. Orígenes criou o útil conceito da “eterna geração” do Filho, conferindo ao Logos um eterno aspecto de filiação. Essa ideia ajudou na formulação da doutrina da trindade.

5. Interpretações simbólicas ou alegóricas de trechos bíblicos problemáticos, mormente do Antigo Testamento. Por exemplo, o sacrifício de Isaque refletiria uma fé muito primitiva, que ainda contemplava a utilidade e a correção dos sacrifícios humanos. Tal ideia é totalmente inaceitável diante de uma visão iluminada de Deus e daquilo que Ele requer do homem. É difícil imaginar que Deus submeteria alguém a esse tipo de teste, assim sancionando o conceito da correção dos sacrifícios hum anos. Portanto, rejeitam os a narrativa em seu aspecto literal, embora possamos extrair dela lições quanto à dedicação suprem a. Outras questões difíceis, no terreno histórico ou científico, foram similarmente alegorizadas por Orígenes, como a história da criação. Orígenes postulava três níveis de interpretação: 1. O literal; 2. o simbólico ou alegórico; e 3. o místico. As mais profundas necessidades da alma só podem ser satisfeitas com a interpretação mística.

6. A oportunidade não cessaria por ocasião da morte biológica. A missão do Logos não seria limitada pelo tempo. A morte põe fim à vida do corpo, mas não confina a alma. A missão de Cristo pode atingir os homens bem longe, no corredor da eternidade futura. Orígenes pensava em um universalismo absoluto (ver o artigo). Outros membros da mesma escola pensavam em ampla oportunidade p ara além da morte biológica. Ver o sobre Efé. 1:10 e o relato sobre a descida de Cristo ao hades, em I Ped. 3:18, onde há uma longa nota expositiva a respeito. Ver o artigo sobre a restauração,  nesta obra, bem como sobre a descida de Cristo ao hades.

7. As chamas purgatoriais do juízo seriam necessárias, porque o homem precisa pagar por seus erros, visto que não há salvação sem santificação, por meio da purificação. Todavia, o julgamento é remedial, e não meramente retributivo, tornando-se um dos meios de levar os homens a Cristo, na pós-vida. (Ver I Ped. 4:6). Vários dos itens acima satisfazem o anelo do coração humano por um tipo de cristianismo mais otimista e abrangente. Certas dessas características têm sido preservadas na Igreja do Oriente ortodoxa e eslavônica), ou pela Igreja Anglicana, sobretudo no que toca à ampla oportunidade de salvação, que não terminaria no túmulo. Textos bíblicos como Efé 1:10 e I Ped. 3:18-4:6 são utilizados para demonstrar a sabedoria alexandrina quanto a alguns desses pontos. 

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