2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 20

Estudo sobre Apocalipse 20

Estudo sobre Apocalipse 20



VIII. SATANÁS É AMARRADO; O REINADO DOS MÁRTIRES (20.1-6)
Depois que os poderes subordinados do mal foram destruídos, resta apenas tratar com Satanás. Um anjo do céu — não o anjo caído do abismo (9.1,11) — o acorrenta e prende no abismo por mil anos (v. 1-3). Cf. 1 Enoque 88.1, em que um dos principais arcanjos “pegou aquela primeira estrela que havia caído do céu, e a amarrou pelas mãos e pés, e a lançou no abismo”, no qual foram então lançadas as outras estrelas caídas (v. comentário de 9.1). O despacho de Satanás para o abismo é evidentemente posterior à sua expulsão do céu (12.9); aquele precedeu o surgimento da besta e do falso profeta, enquanto esta segue a destruição deles. Os mil anos da prisão de Satanás no abismo certamente são idênticos aos mil anos do v. 4, durante os quais os mártires ressuscitados reinam com Cristo.
Em algumas fases da escatologia judaica, esperava-se que “os dias do Messias”, introduzidos pela aparição do Messias na terra, precedessem a era por vir. A duração desses dias era estimada de diversas formas (cf. os 400 anos de 2Esdras 7.28,29); a estimativa de mil anos era associada a SI 90.4 (cf. 2Pe 3.8). Mas, para os cristãos, o Messias já tinha vindo, e com sua exaltação à mão direita de Deus seu reinado já havia começado (5.6ss; cf. ICo 15.24-28). O período do milênio dos v. 4-6, no entanto, não começa com a entronização de Cristo, mas em um momento posterior, com a ressurreição dos mártires para compartilharem do seu trono (cf. 3.21). v. 4. Vi tronos: Cf. Dn 7.9: “tronos foram colocados”, em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Cf. Dn 7.22 (RV): “o juízo foi dado aos santos do Altíssimo” (cf. tb. ICo 6.2,3). No v. 4, as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus (cf. 1.9; 12.11) são provavelmente as mesmas pessoas que não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca (cf. 13.15ss). Não mais debaixo do altar (6.9), eles são glorificados com Cristo (como já vimos em 14.1ss; 15.2). Eles ressuscitaram: A correta tradução do aoristo grego ezêsan. e reinaram com Cristo durante mil anos: Não é dito, e talvez nem mesmo sugerido, que a terra é o lugar em que eles reinam com ele (v. comentário de 5.10), embora a terra certamente desfrute de um abençoado repouso durante esse período do acorrentamento de Satanás (v. 3). v. 5. O restante dos mortos não voltou a viver atê se completarem os mil anos: Cf. os v. 12,13. Esta é a primeira ressurreição: Isto é, a ressurreição dos que ressuscitaram no v. 4. v. 6. A segunda morte não tem poder sobre eles: V. comentário do v. 14. serão sacerdotes de Deus e de Cristo, além de reinarem com Cristo; cf. 1.6; 5.10.

IX. GOGUE E MAGOGUE (20.7-10)
A prisão de Satanás é uma restrição para o mal, mas não o extirpa. Um breve intervalo de ações do Diabo se interpõe entre os mil anos e o juízo final. Satanás, solto do abismo, retoma sua atividade de enganar as nações, e encontra ferramentas fiéis em Gogue e Mago-gue: Aqui, como em Ez 38.1ss, e em diversos (mas não todos os) lugares em que Gogue aparece na literatura judaica, seu ataque ocorre entre a era messiânica e o estabelecimento da nova Jerusalém. Enquanto Ezequiel localiza “Gogue, da terra de Magogue” (Ez 38.2) em seu preciso lugar geográfico (Ásia Menor), junto com seus súditos aliados (do norte, leste, e sudoeste do Crescente Fértil), a delimitação geográfica desaparece aqui, e a referência abarca as forças marginais do mal dos quatro cantos da terra (v. 8). (Nos Oráculos Sibilinos iii.319,320, a “terra de Gogue e Magogue” é localizada “no meio dos rios da Etiópia”). Além disso, enquanto em Ez 38.2 Magogue é o território do qual Gogue é o governante, Gogue e Magogue aqui, como na literatura rabínica e sibilina, são nomes paralelos, usados juntos como símbolos de potências mundiais opostas a Deus. Seu número écomo a areia do mar. Cf. Gn 22.17; ISm 13.5 etc., acerca do símile; Ezequiel descreve o exército de Gogue como “uma nuvem que cobre a terra” (Ez 38.16). v. 9. marcharam por toda a superfície da terra: Tirado de Hc 1.6, em que uma invasão dos caldeus é descrita de forma semelhante. Cercaram o acampamento dos santos, a cidade amada: Acerca da última expressão, cf. SI 78.68; 87.2. Alguns pensaram em termos de uma nova fundação no lugar da antiga cidade “que figuradamente é chamada Sodoma e Egito” (11.8); não precisamos pensar, contudo, em termos de uma cidade murada e edificada (cf. Ez 38.11,14), mas, antes, em uma comunidade do verdadeiro Israel, acampado no deserto, como ocorreu com o antigo Israel. Não os fiéis ressuscitados, mas a igreja-mãe de 12.13ss, que havia sido protegida dos seus inimigos na perseguição movida pela “besta”, provavelmente deveria ser identificada como o alvo do seu ataque, mas um fogo desceu do céu e as devorou: Cf. Ez 38.22 (e de forma mais geral Gn 19.24ss; 2Rs 1.10,12). v. 10. O Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre: Isso deve ser “o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos” de Mt 25.41. As “correntes inquebráveis e o fogo do castigo” que Milton vislumbra como o calabouço de Satanás na sua queda primeva são destinados a ele por João no fim dos tempos. onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta: Cf. 19.20. Os dois prisioneiros anteriores evidentemente ainda estão aí, pois, junto com seu novo companheiro, serão atormentados dia e noite, para todo o sempre. Visto que a besta e o falso profeta são figuras representativas de sistemas, e não de indivíduos, está em vista aqui evidentemente a destruição definitiva do mal.

X. O ÚLTIMO JULGAMENTO (20.11-15)
v. 11. vi um grande trono branco e aquele que nele estava assentado-. Em Dn 7.9: “e um ancião se assentou” para julgar no último julgamento. Mas, em Ap 1.13ss, aquele “semelhante a um filho de homem” compartilha das características do “ancião” (de dias) de Daniel; e, visto que, segundo Jo 5.27, o Pai “deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem”, podemos pensar no Filho do homem como o que está sentado nesse trono (cf. Mt 19.28; 25.31). A terra e o céu fugiram da sua presença: Cf. Is 34.4; Mc 13.31; 2Pe 3.10. Mas a linguagem aqui serve principalmente para destacar a majestade tremenda do Juiz e do julgamento, v. 12. Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono: Esses são o “restante dos mortos” do v. 5; agora eles também foram ressuscitados. e livros foram abertos: Gomo em Dn 7.10, esses são os registros da vida dos homens; cf. Sabedoria 4.20 (acerca dos ímpios): “Quando forem prestar contas de seus pecados virão cheios de terror e seus delitos os acusarão frontalmente” (BJ). o livro da vida: Cf. 3.5; 13.8; 17.8. Os mortos foram julgados [...] segundo o que estava registrado nos livros: O último julgamento é conduzido com justiça escrupulosa; se a salvação é sempre pela graça, o julgamento divino é sempre de acordo com as obras dos homens (cf. 2.23; 22.12; Rm 2.6 etc.), v. 13. O mar entregou os mortos que nele havia: A morte no mar, sem que se pudesse colocar um monumento para marcar o lugar em que estava o corpo de uma pessoa, era considerada um destino terrível e desolador. Em alguns círculos judaicos, pensava-se que a ressurreição seria possível somente para os que haviam sido enterrados em terra seca. v. 14. a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo: A morte e o Hades são personificados como em 6.8. O evangelho proclama Cristo como a “morte da morte e a destruição do inferno”; em ICo 15.26, a morte é vista como o “último inimigo a ser destruído” por ele, mas em 2Tm 1.10 a fé o vê como aquele que, por sua própria morte e ressurreição, já “tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho”. 0 lago de fogo é a segunda morte. Talvez porque acontece com pessoas que foram ressuscitadas da “primeira” morte (cf. Hb 9.27). v. 15. Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo: E uma exegese curiosa a que deduz disso que todos os que comparecem ao juízo final são destinados à perdição. E verdade, aqueles que cometeram a apostasia e adoraram “a imagem da besta” não têm lugar no livro da vida (13.8); mas os mortos que estão diante do trono incluem toda a humanidade desde os primeiros dias. A cena que João pinta aqui, com seus matizes vívidos e sombrios, deixa marcas inesquecíveis; não tem a intenção de satisfazer a curiosidade acerca de detalhes escatológicos, mas de desafiar o leitor com um lembrete daquele a quem se deve prestar contas no final.
Oh, que possamos estar diante do Cordeiro, Quando a terra e os mares se forem;

Nenhum comentário:

Postar um comentário