2019/08/26

Interpretação de Números 31

Interpretação de Números 31

Interpretação de Números 31



Números 31

VI. Guerra contra Midiã. 31:1-54.
O Senhor ordenou a destruição dos midianitas porque constituíam o povo desprezível e responsável pela orgia de Baal-Peor (cap. 25). (Para tomar conhecimento da degradação dos cultos cananitas, veja G.E. Wright, Biblical Archaeology, págs. 111-119.) Quando os guerreiros hebreus retornaram da batalha, com as mulheres e crianças midianitas cativas, Moisés fê-los lembrar que essas mulheres eram as mesmas de Baal-Peor, que eram moralmente baixas e que por isso deviam morrer. Pode parecer um julgamento cruel, mas era dos males o menor. A alternativa era deixar que as midianitas vivessem e corrompessem Israel, o que seria transigir com o sofrimento humano e desonrar a Deus. As crianças midianitas do sexo masculino também foram mortas, pois se fossem criadas entre os filhos de Israel, teriam destruído a herança deles. As únicas que ficaram com vida foram as moças virgens, as quais poderiam ser assimiladas por Israel. Tempos depois o mesmo princípio foi aplicado naqueles casos em que mulheres não israelitas (mas nunca homens) tornavam-se parte da linhagem messiânica (Raabe e Rute por exemplo).
Nada se diz da luta com Madiã, o que indica que o propósito central deste longo capítulo foi estabelecer a lei relativa aos despojos e prisioneiros de guerra. Caso contrário a derrota de Midiã poderia ter sido mencionada em alguns poucos versículos (cons. o tratamento dado às vitórias sobre Arade, Siom e Ogue; Nm. 21). Esta lei especificava que todo o despojo tinha de Ser purificado, ou pelo fogo ou com “a água da purificação” (31:23; 19:9). Metade dos despojos (de cativos e animais) era dos homens de guerra, e a outra metade para aqueles que ficavam no acampamento. Então, da metade que pertencia aos soldados, uma parte em quinhentos devia ser dado aos Sacerdotes como oferta ao Senhor. Da metade que pertencia ao restante da congregação, uma parte em cinquenta devia ser dado aos levitas. Depois da derrota de Midiã, os soldados fizeram oferta especial do ouro e das jóias que tomaram. Isto eles entregaram ao santuário “para fazer expiação” pelas suas “almas”,
A. Destruição de Midiã. 31:1-18.
3. A vingança do Senhor contra eles. Vingar é “punir justa ou merecidamente aquele que errou” (Webster). O Senhor convocou Israel para proporcionar tal castigo a Midiã. Este mandamento, contudo, não é justificativa para qualquer uma das guerras santas da era cristã, pelo simples motivo de que nesta era não houve um Moisés que recebesse por meio de revelação a informação de quando e onde o Deus soberano queria se fazer vingado.
6. Fineias . . . o qual levava consigo os utensílios sagrados. . . as trombetas. Este uso do Urim e das trombetas pelos sacerdotes na batalha (27:21; 1 Sm. 28: 6), os nomes singulares dos cinco reis de Midiã (Nm. 31:8; Jz. 21:12), e a aceitação das virgens midianitas por esposas, todos são detalhes que se opõem à opinião defendida por alguns de que o capítulo é um Midrash posterior e portanto de pouco valor histórico (ICC, pág. 418).
17. Matai de entre as crianças todas do sexo masculino. O Senhor, e não Moisés, foi o responsável por esta matança. Deus não disse que era Aquele que visita “a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”? (Êx. 20:5). Se nos recusamos a reconhecer a prerrogativa de um Soberano justo de julgar o pecado, nós o reduzimos a algo menor que um homem pecador.
B. Purificação dos Guerreiros. 31:19-24.
23. Tudo o que pode suportar o fogo. Nesta provisão o Senhor diferenciou entre aquelas coisas que podiam Ser purificadas pelo fogo (metais) e aquelas que não podiam (gente e artigos de madeira). Tudo aquilo que não podia, inclusive os guerreiros e seus prisioneiros, tinham de ser purificados com “a água da purificação” feita com as cinzas de uma novilha vermelha de acordo com a lei do capítulo 19.
C. Dividindo os Despojos da Guerra. 31:25-54.
30. De cada cinquenta um . . . e os darás aos levitas. Da metade que pertencia aos guerreiros, uma parte em quinhentos, devia ser dado aos Sacerdotes como oferta ao Senhor (v. 28). Aqui, uma parte de cada cinquenta da porção do povo foi destinado aos levitas. Múltiplos de cinco, ao que parece, prevaleciam para prosélitos do fisco no mundo semita. José criou uma lei no Egito que estipulava um imposto de um quinto dos seus produtos (Gn. 47 : 26).
32. Seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas. Diz-se que estes números são elevados demais para serem autênticos. O recenseamento no capítulo 1 e aquele do 26 apresentou um resultado de mais de 600.000 homens de guerra no exército de Israel. Compare com o recenseamento de Davi com 800.000 homens de guerra em Israel e 500.000 em Judá (II Sm. 24:9). Não é lógico que os críticos aceitem o recenseamento de Davi, mas duvidem das cifras de Moisés. A civilização egípcia por trás de Moisés era muito mais sofisticada que aquela que sustentava Davi. Não há maneira de se provar que as cifras de Moisés não são corretas.
VII. Estabelecimento de Duas Tribos e Meia na Transjordânia.
(32:1-42)
Rúben e Gade, que tinham muito gado, vendo que as terras de Jazer e Gileade eram boas para pastagens, pediram a Moisés para ficar morando ali. Moisés temia que o estabelecimento das duas tribos a leste do Jordão pudesse abalar a moral do povo, como os “maus relatórios” dos espiões há trinta e sete anos antes. Ele os lembrou dos trágicos resultados da incredulidade de seus pais em Cades. Se agora eles por sua vez, disse Moisés, fugissem de enfrentar o inimigo, poderiam desencadear resultados semelhantes e a nação seria destruída. Rúben e Gade aceitaram o conselho e de boa vontade ofereceram-se para lutar com seus irmãos até que todos estivessem em suas herdades, retomando depois para seus lares. Moisés concordou com isto, com uma advertência final de que fazer menos que isso seria pecado. E acrescentou: “Sabei que o vosso pecado vos há de achar” (v. 23). As duas tribos prometeram fazer conforme Moisés ordenara (v. 25). E assim Rúben, Gade e a meia tribo de Manassés receberam inúmeras cidades na Transjordânia. Reconstruíram as cidades, deram-lhes novos nomes e providenciaram abrigos para o seu gado. 

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