Estudo sobre Gênesis 26
Gênesis 26
Isaque no território dos
filisteus (26.1-35)
E surpreendente que Gênesis
tenha tão pouca informação sobre Isaque; em contraste com os muitos
capítulos dedicados a Abraão, Jacó e José, este é o único capítulo que
se ocupa com Isaque. Por isso é mais surpreendente ainda descobrir quantos
detalhes da sua caminhada correspondem de forma muito próxima com as
histórias de Abraão. A natureza repetitiva do capítulo tem a intenção
de ensinar que “a promessa divina é renovada para cada geração” (A.
S. Herbert); esse tema é explícito nos v. 3 e 4 e implícito em todo
o restante do capítulo.
No entanto, mesmo assim há
elementos distintos. Ao ir para Gerar (v. 1,6) e se encontrar com Abimeleque
e Ficol (v. 26), e ao fazer a sua mulher passar por sua irmã
(v. 7), ele estava repetindo a experiência de Abraão (v. cap. 20);
mas não foi ao Egito, como foi o caso de Abraão (v. 2; contraste com
12.1020); tampouco foi Rebeca levada ao palácio real, como havia ocorrido
com Sara (v. 8; contraste com 20.2). (Um aspecto interessante é que a
palavra acariciando no v. 8 é mais um jogo de palavras com o nome
“Isaque”; exatamente a mesma palavra hebraica ocorre em 21.9; v. o
comentário.)
Em virtude da fome,
Isaque foi levado da região semi-árida do Neguebe (cf. 24.62) para a
região mais fértil e populosa ocupada pelos precursores dos filisteus
(v. 1). Houve então muitas possibilidades de tensões, e
podemos entender a advertência de Abimeleque ao seu povo (v. 11) como
proteção divina para Isaque e sua família. Isaque então fez a transição da
vida seminômade para a agricultura (v. 12), e exatamente a sua
prosperidade foi um motivo de irritação para a população local, que
evidentemente deu passos concretos para afugentar os descendentes
de Abraão ao tapar com terra os poços de determinada região em
torno deles (v. 15-18). Os novos poços foram mais um motivo de conflitos,
como indicam os seus nomes (v. 19ss); mas a bênção de Deus sobre a
descendência de Abraão já dava espaço e liberdade de ação aos
dois grupos (v. 22). Encontramos já aqui uma lição para épocas
posteriores; havia espaço em Canaã tanto para os israelitas quanto para os
filisteus, desde que houvesse boa vontade dos dois lados. Abimeleque,
pelo menos, foi rápido em aprender essa lição, e um acordo solene foi
feito entre ele e Isaque (v. 26-33), que tornou o nome Berseba ainda mais
adequado (cf. 21.31). O nome Seba (v. 33) deve ser mais uma palavra
denotando “juramento”.
Esaú casou com mulheres
da população local (v. 34,35). Isso não somente contrastou com os
casamentos de Isaque e Jacó, mas também teve o efeito de começar uma
ruptura na família.Índice: Gênesis 1 Gênesis 2 Gênesis 3 Gênesis 4 Gênesis 5 Gênesis 6 Gênesis 7 Gênesis 8 Gênesis 9 Gênesis 10 Gênesis 11 Gênesis 12 Gênesis 13 Gênesis 14 Gênesis 15 Gênesis 16 Gênesis 17 Gênesis 18 Gênesis 19 Gênesis 20 Gênesis 21 Gênesis 22 Gênesis 23 Gênesis 24 Gênesis 25 Gênesis 26 Gênesis 27 Gênesis 28 Gênesis 29 Gênesis 30 Gênesis 31 Gênesis 32 Gênesis 33 Gênesis 34 Gênesis 35 Gênesis 36 Gênesis 37 Gênesis 38 Gênesis 39 Gênesis 40 Gênesis 41 Gênesis 42 Gênesis 43 Gênesis 44 Gênesis 45 Gênesis 46 Gênesis 47 Gênesis 48 Gênesis 49 Gênesis 50