2019/09/19

Estudo sobre Êxodo 4

Estudo sobre Êxodo 4



Êxodo 4
Um servo relutante (4.1-17)
Moisés talvez não tivesse dúvida alguma acerca da revelação de Deus que ele havia experimentado, mas percebeu que seus irmãos israelitas não seriam facilmente persuadidos do fato de que o Deus dos seus pais havia visitado mais uma vez o seu povo. “As visões não eram frequentes” (ISm 3.1) era tão verdadeiro em relação a esse período quanto o seria em relação aos últimos dias dos juízes. Por isso, Moisés levanta mais uma objeção ao projeto proposto por Deus. A objeção é silenciada com uma demonstração do poder de Deus, e Moisés é equipado com três sinais (v. 2-9) que seriam suficientes para confirmar as suas afirmações diante do seu próprio povo. v. 1. A réplica mordaz de 2.14 deve ter ecoado nos ouvidos de Moisés durante anos. Na primeira ocasião, ele “pensava que os seus irmãos compreenderiam que Deus o estava usando para salvá-los, mas eles não o compreenderam” (At 7.25). v. 2ss. A sua vara de pastor se transforma em serpente. A proeza tem semelhança superficial com o encantamento de serpentes como provavelmente era praticado no Egito naquela época; nesse caso, a vara se transforma em serpente antes que seja realizada a proeza mais conhecida (mas cf. 7.10ss). v. 5. Deus leva em consideração a condição triste e o ânimo abatido dos israelitas (contraste com Mc 8.12). v. 6,7. A cura instantânea da lepra — sem falar do surgimento dela — (v. acerca de lepra o comentário em Lv 13) deve ter impressionado tanto os egípcios quanto os israelitas. Contudo, não se fala da realização desse sinal diante do faraó. Sobre a aflição instantânea com lepra como juízo divino, leia Nm 12.915. Miriã havia questionado a singularidade da experiência de Moisés com Deus, exatamente o ponto que esses três sinais tinham o propósito de definir para todos os tempos, v. 9. A realização do terceiro sinal tinha de esperar até que Moisés voltasse ao Egito; ele não poderia testá-lo antes. Esse sinal, na verdade, era uma miniatura da primeira praga com que o Egito seria punido (cf. 7.14-24). v. 10. Moisés insiste no seu argumento de que Deus escolheu o homem errado. Jeremias também usou a desculpa de que não era bom no uso das palavras (Jr 1.6); Paulo, por outro lado, converteu essa desvantagem (2Co 10.10; 11.6) numa vantagem (lCo 1.17; 2.1-5). Moisés até confessa a sua frustração porque sua falta de eloquência continua a mesma depois do seu encontro com Deus. Esse era o seu “espinho na carne”, embora não o fosse para Paulo; em ambos os casos, a sabedoria divina tinha as suas razões, v. 11. A resposta, nos termos mais abrangentes possíveis, é que toda condição humana está sob o controle de Deus (cf. Is 45.7). v. 14. o levita: a designação aqui talvez signifique mais do que simplesmente “descendente de Levi”; de outro modo, ela parece desnecessária, já que se trata do irmão de Moisés (mas v. as tentativas de explicação de Cassuto e Cole). se alegrará: Arão ao menos iria dar as boas-vindas a seu irmão e lhe daria apoio moral, v. 15. Mesmo assim, Moisés continua sendo aquele com quem Deus vai se comunicar, v. 16. Quando falarem com os israelitas, Moisés e Arão vão estar num relacionamento semelhante ao que há entre Deus e seus porta-vozes, os profetas (cf. 7.1).

7) Moisés retorna ao Egito (4.18-31) 

v. 18. Moisés não confidencia a Jetro a verdadeira razão da sua volta ao Egito, talvez porque ele ainda precisassé se convencer da viabilidade de sua missão, v. 19. Senhor tinha dito\ cf. o v. 27, com referência a Arão. Vê-se como Deus coordena os eventos já nesse estágio inicial da libertação, v. 20. e seus filhos-, além de Gérson (2.22) havia Eliézer (18.4); cp. os v. 19,20 com Mt 2.20, v. 21. Mas eu vou endurecer o coração dele-, embora o texto nos informe que o faraó endureceu o seu próprio coração (8.15,32; 9.34), não precisamos empacar diante das implicações da presente afirmação. Será que isso simplesmente reflete o fato de que “Deus é a primeira causa de todas as coisas” (cf. Cole e comentário do v. 11), ou devemos entender que Deus estava diretamente envolvido no fortalecimento da resistência do faraó? Sobre Deus está a responsabilidade final pelo bem-estar de alguns e o desconforto de outros, e ele pode arcar com essa responsabilidade (cf. Rm 9.14-18). v. 22,23. O faraó deve ser advertido logo no início acerca das consequências da não obediência às ordens divinas. Os v. 24ss contêm uma série de dificuldades e são objeto de diversos artigos e estudos, v. 24. Tendo aprendido, mesmo que tardiamente, que os seus inimigos no Egito já não podem lhe fazer mal, de repente Moisés percebe que a sua vida está em jogo, e isso por parte do Deus que lhe ordenou o retorno. Parece desaconselhável explicar a afirmação “o Senhor foi ao encontro de Moisés e tentou matá-lo” como se significasse que ele ficou seriamente doente. E verdade que a intervenção de Zípora salvou a vida dele, exatamente porque ela abrandou a ira de Deus (o Senhor o deixou, v. 26). A explicação tradicional do episódio, e que deve ser preferida, é que Moisés havia negligenciado a circuncisão de seu filho — talvez porque a família estava morando em Midiã? — e a questão foi levada à atenção dele de forma bastante convincente (cf. comentário de 6.5). v. 25. Zípora de alguma forma entendeu a causa do apuro em que estava seu marido e, com uma faca de pedra (cf. Js 5.2), realizou a circuncisão. Depois disso, o quadro é um tanto obscuro. Em vez de dizer que Zípora tocou os pés de Moisés, o hebraico diz que ela tocou “os pés dele”, o que poderia significar os pés de Moisés ou os pés do filho dele. pés também era um eufemismo para se referir aos órgãos genitais. A afirmação de Zípora (marido de sangue), repetida no v. 26 quase como se fosse um provérbio, poderia significar que o seu marido, que ela quase tinha perdido, estava seguro agora para ela com base num ritual de sangue. As palavras dela provavelmente não significam uma repreensão a Moisés, v. 27. A solidariedade fraternal marca a conduta de Arão nesse estágio (cf. SL 133.1,2). v. 29ss. A.ajuda de Arão deve ter contribuído para conduzir à correta resposta dos israelitas.

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