2016/10/08

Números 21 — Análise Bíblica

Números 21 — Análise Bíblica

Números 21 — Análise Bíblica



Números 21

21:1-35 Incidentes na jornada rumo a Moabe
Os israelitas começaram a sair do deserto e se aproximar de terras habitadas. A fim de entrar na terra prometida, seria necessário conquistar os povos que viviam ao redor das fronteiras de Canaã. Esse capítulo relata as vitórias de Israel sobre alguns reis. Mas o povo continuou a desobedecer, e foi castigado por voltar a murmurar.
Enquanto os israelitas atravessavam o deserto de Negue-be saindo de Cades rumo à terra prometida, foram atacados pelo rei cananeu Arade (21:1). O ataque levou Israel a fazer um voto a Deus: Se, de fato, entregares este povo nas minhas mãos, destruirei totalmente as suas cidades (21:2). Essas palavras são, ao mesmo tempo, uma promessa e um pedido de socorro. Os israelitas reconheceram que Deus era o único capaz de entregar os inimigos em suas mãos. Assim, o povo se comprometeu a obedecer à ordem de Deus e destruir as cidades depois de conquistar aquela terra. Israel recomeçaria a vida na terra que o Senhor lhe havia prometido.
Deus ouviu essa súplica, e os israelitas derrotaram totalmente os cananeus, destruindo tudo, conforme haviam prometido (21:3). 0 lugar onde conquistaram a vitória foi chamado de Horma, que em hebraico significa lugar de destruição. Nas ocasiões em que Israel se lembrou de clamar ao Senhor por socorro, Deus permitiu ao povo ser bem-sucedido.
No entanto, esse tempo de vitória e relacionamento próximo com Deus foi curto, pois o povo logo voltou a murmurar.
Os israelitas se impacientaram com a longa volta ao redor de Edom e falaram contra Deus e Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil (21:5). A impaciência do povo o levou a blasfemar contra o pão que Deus lhes havia provido do céu e a rejeitar Moisés, o servo de Deus.
Numa ocasião anterior, queixas semelhantes haviam trazido uma praga sobre o arraial (cap. 11). Desta vez, Deus castigou o povo enviando serpentes venenosas, e muitos morreram depois de ser picados (21:6). Ao perceberem que haviam pecado contra Deus e Moisés, os israelitas imploraram a seu líder que intercedesse por eles (21:7). Moisés orou pelo povo, e o Senhor respondeu ordenando que ele fizesse uma serpente de bronze e a colocasse numa haste. Todos que tivessem sido mordidos e olhassem para a serpente de bronze viveriam (21:8-9). Essa serpente se tomou um símbolo do poder curativo de Deus, e, posteriormente, Jesus a empregou para simbolizar a sua própria obra (Jo 3:14-15).
Depois desse incidente, os filhos de Israel se puseram a caminho novamente e acamparam em Obote, um local a leste de Seir. De lá, os israelitas viajaram até Ijé-Abarim, defronte de Moabe. Seguiram, então, até o vale de Zerede, próximo à parte sudeste do mar Morto, e, de lá, para Amom, entre Moabe e o território dos amorreus (21:10-13).
É impossível dizer exatamente onde ficavam todos esses lugares, pois muita coisa mudou ao longo da história. 0 mais importante, porém, é que Deus conduziu os israelitas nessa jornada e lhes deu vitória ao se deslocarem de um lugar para outro entre as terras de Moabe e Edom. Trechos de um documento antigo chamado Livro das Guerras do Senhor (21:14) nos dão um vislumbre em forma poética das aventuras do povo nessa jornada. 0 livro mencionado é uma fonte desconhecida na qual, talvez, as vitórias de Israel (ou melhor, do Senhor) foram registradas na forma de cânticos de vitória e narrativas. 0 AT faz referência a outras coletâneas desse tipo, como o “Livro dos Justos” (Js 10:13; 2Sm 1:18), o “Livro da História dos Reis de Israel” (lRs 14:19) e o “Livro da História dos Reis de Judá” (lRs 15:7). Ao que parece, estes dois últimos eram registros da história de vitórias e derrotas dos reis de Israel e Judá, enquanto o Livro dos Justos e o Livro das Guerras do Senhor eram coletâneas de poemas que falavam sobre as vitórias e dificuldades de Israel.
0 significado dos poemas registrados em 21:14-18 também não é claro, mas, como a menção de Amom e Ar indica, o enfoque é sobre as regiões onde Israel passou em Edom e na terra de Moabe. Tudo indica que são relatos heroicos escritos com o propósito de exortar o povo a marchar em vitória e conquistar. Depois dos poemas, o autor indica outros locais onde o povo parou ao longo da jornada.
Ao terminarem de contornar Edom, os israelitas se aproximaram de territórios pertencentes a Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã. Israel pediu passagem pelos territórios amorreus, mas o pedido foi negado (21:21-22a).
Seom reuniu seu exército e atacou Israel. Não há dúvida de que era um rei poderoso, pois suas tropas haviam destruído Moabe (21:27-30). Esse fato deixa claro que a derrota total de Seom nas mãos dos israelitas foi obra do Senhor. Israel tomou e ocupou todas as cidades dos amorreus (21:226-32; cf. tb. Dt 2:24-37).
Mais adiante, Israel derrotou Ogue, rei de Basã (21:33-35; cf. tb. Dt 3:1-11). Essa vitória e o triunfo sobre Seom são citados com frequência no AT, pois foram acontecimentos extremamente importantes que Israel recordou repetidamente ao longo de sua história (cf. Jz 11:19-21; Ne 9:22; Sl 135:10-11; 136:18-21; Jr 48:45).

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