2017/10/28

Jó 1 — Comentário Devocional

Jó 1 — Comentário Devocional

Jó 1 — Comentário Devocional



Jó 1

1.1 - Ao lermos o livro de Jó, obtemos informações desconhecidas pelos personagens da história. Jó, o personagem principal do livro, perdeu tudo o que tinha, embora fosse inocente. Enquanto Jó lutava para compreender o motivo de todas aquelas desgraças, tornava-se claro que ele não viria a conhecê-los. Jó teria de conviver com as respostas e explicações que possuía. Somente então sua fé seria completamente desenvolvida. Precisamos viver a vida como fez Jó — um dia de cada vez, sem respostas completas para todas as questões do viver. Será que nós, assim como Jó, confiaremos em Deus mais que em qual quer outra coisa? Ou cederemos à tentação de dizer que Deus não se interessa realmente?

1.1 A localização da terra de Uz é incerta. Sabemos apenas que Uz tinha muitas pastagens e plantações (1.2), situava-se próxima ao deserto (1.19), e estava perto dos sabeus e dos caldeus o sufi ciente para ser atacada (1.14-17). Uz é também mencionada cm Jeremias 25.19,20. A maioria dos estudiosos acredita que Uz estava localizada a leste do rio Jordão, próximo à Canaá (Israel), onde viviam os judeus (aqueles a quem primeiro Deus se revelou).

1.1ss Ao vermos a calamidade e o sofrimento no livro de Jó, devemos lembrar-nos que vivemos em um mundo caído, onde o bom comportamento nem sempre ó recompensado, e o mau nem sempre é punido. Quando presenciamos um notório criminoso prosperar ou uma criança inocente sofrer, dizemos: “Isto é errado”. E é mesmo. O pecado tem distorcido a justiça e tornado feio e imprevisível o nosso mundo. O livro de Jó mostra um homem bom sofrendo sem culpa aparente. Infelizmente, assim é o nosso mundo. Mas a história do Jó não termina em desespero. Através de sua vida podemos ver que a fé em Deus e justificada, mesmo quando nossas situações parecem não ter esperanças. A fé baseada em recompensas ou prosperidade. Para ser inabalável, a fé tem de ser construída na confiança de que o propósito principal de Deus se realizará.

1.5 - Não se sabe ao certo, mas Jó provavelmente viveu durante os dias dos patriarcas (Abraão, Isaque, Jacó), antes que Deus houvesse dado a sua lei por escrito e escolhido sacerdotes como líderes religiosos. Durante os dias de Jó, o pai era o líder religioso da família. Por não haver sacerdote que o instruísse na lei de Deus. Jó agia como sacerdote, e oferecia sacrifícios a Deus, pedindo perdão pelos pecados que ele e sua família houvessem cometido. Isto demonstra que ele não considerava a si mesmo sem pecado. Jó fazia isto por convicção e amor a Deus, e não apenas por ser este o seu papel como cabeça da casa. Você cumpre com os seus deveres espirituais porque é o que se espera de você, ou o faz espontaneamente, de todo o coração?

1.5 - Jó demonstrou grande preocupação com o bem-estar espiritual de seus filhos. Temendo que houvessem pecado no coração deles, oferecia sacrifícios. Hoje, os pais podem mostrar a mesma preocupação, orando pelos seus filhos. Isto significo “sacrificar" algum tempo diariamente para pedir perdão por eles, ajudá-los a crescer, protegê-los e ensiná-los a agradar a Deus.

1.6 - A Bíblia fala de outras reuniões celestiais, onde Deus e os anjos planejam suas atividades na terra, e onde os anjos também trabalham (1 Rs 22.19-23). Por ser o criador de todos os anjos — tanto os que o servem quanto os que se rebelaram — Deus tem completo poder e autoridade sobre eles.

1.6,7 - Satanás, originalmente um anjo de Deus, tornou-se corrupto pelo seu orgulho. Ele tem sido mau desde sua rebelião contra Deus (1 Jo 3.8). Satanás considera Deus como inimigo. Ele tenta atrapalhar a obra de Deus na vida das pessoas, mas está limitado pelo poder de Deus, e pode fazer apenas o que lhe e permitido (Lc 22.31.32; 1 Tm 1.19,20; 2 Tm 2.23-26). Satanás é chamado de inimigo porque busca ativamente por pessoas a quem possa tentar (1 Pe 5.8,9), e porque o seu desejo é que as pessoas odeiem a Deus. Ele faz isto através da mentira e da decepção (Gn 3.1-6). Jó, um homem correto o inocento, que fora grandemente abençoado, era o alvo perfeito para Satanás. Qualquer pessoa comprometida com Deus deveria esperar os ataques do inimigo. Satanás, que odeia a Deus, também odeia as pessoas.

1.6-12 - Desta conversa, aprendemos algo importante sobre Satanás. (1) Ele é responsável perante Deus. Todos os seres angelicais, bons ou maus, são compelidos a apresentarem-se diante de Deus (1.6). Deus sabia que Satanás planejava atacar Jó. (2) Satanás pode estar em apenas um local de cada vez (1.6,7). Seus demônios o auxiliam em seu trabalho, mas como um ser criado, ele é limitado. (3) Satanás não pode ler a nossa mente ou prever o futuro (1.9- 1 1). Se pudesse, ele saberia que Jó não cederia à pressão. (4) Porque Satanás nada pode fazer sem a per missão do Criador (1.12), o povo de Deus pode vencer seus ataques através do poder divino. (5) Deus coloca limites para os atos de Satanás (1.12; 2.6). A resposta de Satanás à pergunta de Deus (1.7) mostra-nos que Satanás é real e ativo na terra. Cientes deste fato, devemos permanecer próximo Aquele que ó maior que Satanás — o próprio Deus.

1.7ss - Algumas pessoas sugerem que este diálogo tenha sido in ventado pelo autor do livro. Poderia esta conversa entre Deus e Satanás ter de fato acontecido? Outras passagens bíblicas contam-nos que Satanás realmente tem acesso a Deus (ver Ap 12.10). Ele foi até a presença de Deus para fazer acusações contra Josué, o sumo sacerdote (Zc 3.1,2). Se esta conversa não houvesse ocorrido, então os motivos para o sofrimento de Jó não teriam significado, e o livro de Jó seria reduzido a simples ficção.

1.8.12 - Jó era um modelo de confiança e obediência a Deus; ainda assim Deus permitiu que Satanás o atacasse de forma especial mente cruel. Embora Deus nos ame, crer nele o obedecê-lo não nos isenta de calamidades na vida. Reveses, tragédias e tristezas atingem tanto os crentes corno os não crentes. Contudo, Deus es pera que, durante nossas provas e nossos sofrimentos, expressemos nossa fé ao mundo. Como você reage aos problemas? Você pergunta a Deus: “Por que eu?" Ou diz: “Usa-me, Senhor!"

1.9 - Satanás atacou Jó, dizendo que Jó era inocente e integro apenas porque não possuía motivos para voltar-se contra Deus. Desde que começara a seguir a Deus, tudo corria bem para Jó. Satanás queria provar que Jó adorava ao Senhor, não por amor, mas porque Deus lhe dera muitas riquezas. Satanás analisou com precisão o porquê de muitas pessoas seguirem a Deus. São crentes que o servem pelo que podem obter, ou quando tudo vai bem. A adversidade destrói esta fé superficial. Por outro lado, a adversidade fortalece a verdadeira fé, aprofundando-lhe as raízes em Deus, para que possa suportar as tempestades. Qual a profundidade da sua fé? Aprofunde sua fé em Deus, para que possa suportar qualquer tempestade futura.

1.12 - Esta conversa entre Deus e Satanás ensina-nos um importante fato sobre Deus — Ele está atento a qualquer tentativa de Satanás de causar sofrimento e dificuldade à nossa vida. Embora possa permitir que soframos por motivos além da nossa compreensão. Deus nunca é pego de surpresa pelos nossos problemas, e é sempre compassivo.

1.15-17 - Os sabeus eram do sudoeste da Arábia, enquanto os caldeus eram da região norte do Golfo Pérsico. 

1.16 - O “fogo de Deus" era a forma poética para descrever um relâmpago (1 Rs 18.38; 2 Rs 1.10 14). Neste caso, ele precisou ser extremamente poderoso para matar 7 mil ovelhas.

1.20-22 - Jó não escondeu seu desgosto. Ele não havia perdido sua fé em Deus; ao contrário, suas emoções demonstraram que ele era humano, e que amava a família. Deus criou nossas emoções, e não é pecado ou inapropriado expressá-las como fez Jó. Se você sofreu uma grande perda, uma decepção ou mágoa, admita seus sentimentos a si mesmo e aos outros, e permita-se senti-los.

1.20-22 - Na primeira etapa das provas de Satanás. Jó perdeu as posses e a família, mas reagiu de forma justa para com Deus, ao reconhece-lhe a soberania e a autoridade sobre tudo o que lhe dera. Satanás perdeu este primeiro round. Jó passou no teste e provou que as pessoas podem amar a Deus por quem Ele é. e não pelo que Ele dá.


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