2009/12/17

Teologia do Livro de Tiago

Teologia do Livro de Tiago

Craig L. Blomberg

TEOLOGIA, LIVRO DE TIAGO, CARTA, NOVO TESTAMENTO
A Carta de Tiago é uma exortação prática, assumindo mais teologia do que ensina. Alguns afirmam que a carta não tem teologia. A validade dessa afirmação depende do que se entende por “teologia”. Por um lado, Tiago tem pouco a dizer sobre a maioria das doutrinas cristãs, nem sempre ele relaciona suas exortações à pessoa de Cristo. Na verdade, ele menciona Jesus Cristo apenas duas vezes (1:1, 2:2), e apenas uma vez como objeto de crença (2:1). Se, então, pela teologia, entendemos um sistema de crença de que sempre se refere à pessoa e à obra de Cristo como um importante ponto focal, então a Carta de Tiago, de fato, falta uma teologia.

Isto é, no entanto, uma definição demasiada restrita de “teologia”. Entendido como o conjunto de crenças que é explicita e implicitamente assumida como base para suas pretensões, a teologia está muito presente na carta. Tiago, afinal, está escrevendo para os cristãos que já sabem o básico da fé cristã; seu objetivo é trazer a sua conduta em conformidade com essas crenças. Além disso, não devemos esquecer o ensinamento teológico específico, que é encontrado em Tiago. Sua carta faz uma contribuição importante para a nossa compreensão de questões como a relação entre fé e obras, a oração, a natureza de Deus e materialismo. Todos estes são definidos em um contexto prático, mas vai ser um dia triste para a igreja quando tal “divindade prática” não for considerada teologia.

Portanto, quanto que a natureza homilética e ocasional da carta nos impeça de esboçar uma teologia de Tiago, nós podemos procurar sua contribuição para muitas áreas importantes da teologia.

§1 Deus.


Se usarmos a palavra “teologia” no seu sentido mais estrito, como a doutrina de Deus, então Tiago certamente tem uma quantidade considerável de teologia. Pois Tiago consistentemente baseia o tipo de conduta que espera de seus leitores sobre sua compreensão da natureza de Deus. Os cristãos devem viver, Tiago argumenta, em plena consciência do caráter do Deus que servem. Assim, é porque Deus dá “generosamente sem encontrar falhas” que os cristãos não devem hesitar em pedir-Lhe sabedoria (1:5). A bondade dos dons de Deus é enfatizada em 1:17, onde Tiago salienta também a invariabilidade do caráter de Deus. Deus dá tudo o que é perfeito, Tiago afirma, e é incapaz de ser seduzido pelo mal. Devido a isso, as pessoas não deviam tolamente pensar que Deus poderia ser o Autor de suas tentações (1:13).

Teologia está adequadamente também no centro de um dos textos-chave na carta, 4:4-10. Tiago aqui acusa seus leitores da sua mundanidade e convoca-os ao arrependimento. Tanto a acusação e a intimação são baseadas no caráter de Deus. Porque Deus “anseia” pelos espíritos daqueles que redimiu (Marg NVI.; Cf. Também ARA), Seu povo deve dar-se inteiramente ao seu Deus, pois dar os nossos afetos ao mundo é cometer adultério espiritual (v. 4). Mas, porque Deus também é misericordioso (v. 6), Ele está disposto a aceitar de volta aqueles que recorrem a Ele em arrependimento sincero (vv. 7-10).

Tiago, é claro, acredita que só há um Deus (2:19) – “um Legislador e Juiz” (4:12). Surpreendente, portanto, é a aplicação de Tiago da denominação de “Juiz” a Jesus Cristo (5:7-9). Além disso, enquanto Tiago usa “Senhor” para designar Jesus (2:1, 5:7, 8), ele usa também para designar Deus, o Pai (3:9, 4:10, 15, 5:4, 10, 11, 15). Ao falar dessa maneira, Tiago implica que Jesus é Deus.



Fonte: Baker's Evangelical Dictionary of Biblical Theology. Editado por Walter A. Elwell.

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