2014/12/06

Interpretação de Gálatas 1


Interpretação de Gálatas 1




Gálatas 1
I. Introdução. 1:1-9.
A. Saudação. 1:1-5.

Interpretação de Gálatas 1
A estrutura convencional da arte de escrever cartas foi aqui utilizada, mas acima do vulgar, pois o autor era um apóstolo com autoridade recebida da Deidade, e ele se dirigia àqueles que pela graça foram libertos deste século presente. Eles, também, não eram homens comuns, pois eram cristãos.
1. Apóstolo. O significado de enviado não será suficiente aqui. Todos os crentes têm tal encargo. Paulo prossegue defendendo sua autoridade especial de mestre cristão, organizador de igrejas, disciplinador e retificador de falsas doutrinas. Não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum. O não negativo estabelece o tom da epístola; é uma polêmica, uma denúncia do erro a fim de colocar a verdade em posição mais vantajosa. Se os judaizantes tinham algum apostolado, era humano. O de Paulo não era. Tinha fonte mais elevada. Não era também por algum homem. Nenhuma pessoa, apóstolo ou outro, fora mediador na autoridade de Paulo (cons. 1:12). Em vez disso veio pela intervenção de Jesus Cristo em sua vida. O contraste torna Cristo mais do que um homem. Por trás dEle e em igualdade com Ele está Deus Pai, apresentado aqui como Aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. O Cristo ressurreto foi quem apareceu a Paulo, e o fez um apóstolo.
2. A identidade dos irmãos que estavam com Paulo é desconhecida. Para localização das igrejas da Galácia, veja Introdução.
3. Graça... e paz são dons gêmeos concedidos por Deus, nunca invertidos em sua ordem. O favor divino recebido torna possível uma vida de plenitude e harmonia com Deus e os crentes em geral. Essas bênçãos vêm do Senhor Jesus Cristo como também de Deus Pai.
4,5. O qual se entregou a si mesmo. Um ato com finalidade, puramente voluntário. Pelos nossos pecados. Pelos (hyper) é geralmente usado em relação às pessoas beneficiadas pela obra de Cristo (cons. 3:13). O pecado pessoal não é a única barreira entre Deus e o homem. O homem precisa ser libertado de toda sua posição neste mundo perverso. O Evangelho não é uma mensagem de melhoramentos mas de libertação. Mundo é uma palavra temporal e não se refere à natureza ou ao homem como tais, mas às circunstâncias da vida humana, corrompidas como estão pelo pecado e dominadas por Satanás, o deus deste século (II Co. 4:4). Cristo, em Sua obra redentora, agiu. em conjunto com Deus, de acordo com Sua vontade (cons. II Co. 5:19). A Deus pertence a glória, o louvor dos santos, para todo o sempre. Sem afirmar a divindade do Filho, o apóstolo apresenta a verdade dela ligando Cristo com o Pai na vocação apostólica, no dom da graça e paz e na consecução da salvação.

B. O Tema da Epístola. 1:6-9.
Em vez de dar graças a Deus por seus leitores, Paulo expressa seu espanto diante da deserção deles. Não enuncia nenhuma bênção, mas em lugar disso prefere com veemência um anátema de advertência.
6. Estejais passando. Eles mudaram de posição, negando assim os próprios termos da vocação divina para a filiação, a qual é na graça de Cristo. Tão depressa. Provavelmente não uma referência à conversão recente, pois os convertidos há pouco tempo são os mais propensos a serem influenciados por falsas doutrinas. Se isto for interpretado temporariamente, significa tão logo depois que os falsos mestres começaram a sua obra, ou tão logo após o apóstolo deixar os gálatas. Talvez esteja-se falando aqui da maneira – tão prontamente, com tal submissão e sem resistência. O afastamento ainda estava se processando, e portanto não tinha se completado. Havia ainda esperanças de inverter a maré. Mas a seriedade da deserção está indicada. Estavam se afastando de Deus, que os chamou à graça, para um outro, isto é, um evangelho diferente. Paulo usa evangelho a título de concessão. Na verdade não há um outro, um segundo evangelho que alguém possa escolher e ainda manter a mensagem divina da salvação eterna.
7. Enquanto a responsabilidade da deserção pertencia aos gaiatas (estejais passando), a explicação para isso encontra-se em outra parte, naqueles que os perturbavam (cons. Atos 15:24), isto é, os mestres judaizantes que desejavam perverter o Evangelho mudando-o em algo bem diferente. Mas não lhes pertencia para que o alterassem, pois era o evangelho de Cristo. O privilégio de proclamá-lo não inclui o direito de mudá-lo.
8. Mas, diz Paulo, ainda que nós (o plural editorial aqui se refere a Paulo, o menos provável na terra de mudá-lo, por causa das circunstâncias de sua chamada) ou um anjo vindo do céu (que ainda menos provavelmente alteraria qualquer mensagem divina; cons. Mt. 6:10), proclamasse ser o Evangelho algo contrário à palavra entregue por nós na Galácia, devia se tornar anátema, amaldiçoado por Deus (cons. I Co. 16:22).
9. Paulo já pronunciara essa advertência quando estivera entre as igrejas da Galácia. Nesta carta ele o faz de novo. Ele era um zeloso guardião da dureza do Evangelho. Ao reiterar sua forte declaração, o apóstolo muda do modo subjuntivo da possibilidade para o modo indicativo da realidade - se algum homem está pregando um evangelho diferente (como os judaizantes estão), que seja anátema.

II. A Defesa do Apostolado de Paulo. 1:10 - 2:21.
A. Um Apostolado Especial Confirmado. 1:10-17.
10. Uma vez que o apóstolo falara tão asperamente, ele sentiu que devia esclarecer agora que não buscava persuadir os homens no sentido de conciliá-los ou buscando o favor deles. Ele se preocupava, antes, em estar agradando a Deus. Agradar os homens ajustando a mensagem aos desejos deles é atitude inconsistente para o servo de Cristo.
11. Na qualidade de servo de Cristo, a apóstolo só podia proclamar a mensagem do Evangelho. Embora ele a pregasse, não lhe dera origem, nem qualquer outro homem.
12. Uma vez que Paulo penetrara tardiamente nas fileiras apostólicas, os homens poderiam supor que ele recebera o Evangelho dos seus predecessores ou que o aprendera através de um curso de instrução. Não era assim. Ele o recebera por revelação de Jesus Cristo. Esta era a mais alta autoridade. Como, então, poderia a sua mensagem ser questionada?
13. Nada menos que uma direta intervenção na vida de Paulo foi necessária para abrir o seu coração à verdade do Evangelho. Seu modo de vida pré-cristão era bem conhecido. A palavra proceder (gr. anastrofê) significa "padrão de vida". Tudo no Judaísmo era determinado. Qualquer um que estivesse familiarizado com o Farisaísmo poderia predizer qual seria o curso da vida de Saulo. Mas no seu caso houve um elemento especial que se tomou notório. Ele fora perseguidor dos cristãos (nem todos os fariseus foram até esse ponto a fim de exibirem o seu devotamento ao Judaísmo). Como o lobo voraz de Benjamim, ele estava ocupado em devastar a igreja, a qual ele depois reconheceu ser a verdadeira congregação de Jeová.
14. Esta determinação fora do comum e o excesso de fúria granjeou para Saulo uma reputação excepcional no Judaísmo. Ele continuou avançando na devoção à sua fé e respectivas tradições, ultrapassando os homens de seu próprio tempo, e dando prova do seu zelo perseguindo os cristãos. Considerações humanas nada significavam para ele quando comparadas ao cumprimento de sua vocação em benefício de sua religião. Ele considerava suas atividades assassinas como os judeus consideravam o apedrejamento de Estêvão: feito a serviço de Deus (Jo. 16:2; Atos 26:9-11). Claramente, então, Paulo não poderia ser influenciado a favor do Evangelho antes de sua conversão, e ele não poderia ter recebido sua mensagem dos homens, conforme os judaizantes alegavam.
15. A conversão de Paulo foi operada em linha com o propósito de Deus. O apóstolo, tal como Jeremias (Jr. 1:5), fora separado desde o nascimento para a obra de sua vida. Sua conversão foi como se fosse uma revelação do Filho de Deus dentro de sua alma. Esta declaração não teve a intenção de despertar especulações quanto à psicologia da experiência de sua conversão, mas antes para estabelecer a realidade e profundidade dessa transformação. Paulo fora cego à divindade do Filho de Deus. Seu preconceito contra seus próprios patrícios que consideravam Jesus o seu Messias, fora devido a sua crença de que o Nazareno era um impostor, uma fraude.
16,17. O principal dos propósitos divinos desta revelação dentro da alma do apóstolo foi para que ele, por sua vez, proclamasse este conhecimento aos outros, especialmente aos gentios. A realidade e suficiência do seu encontro com o Senhor ressuscitado vê-se no fato de que ele não consultou a carne e o sangue (uma expressão indicando humanidade, com ênfase especial sobre a fraqueza e insuficiência) quer localmente, em Damasco, quer em Jerusalém, o centro da vida eclesiástica, onde os apóstolos tinham o seu quartel-general. Se Paulo não tivesse certeza quanto à sua mensagem, uma viagem a um desses centros teria sido natural e necessária. Mas ele era um apóstolo tão verdadeiro quanto os Doze, inteiramente de posse da verdade do Evangelho recebido do próprio Senhor.
O apóstolo menciona a Arábia não como um lugar de pregação, porque, ainda que a pregação fosse o motivo da chamada, não é o assunto que ele está considerando a esta altura. Paulo está discutindo a fonte do seu Evangelho. Ele menciona a Arábia em contraste com Jerusalém. Nenhum apóstolo se encontrava ali. Ali não havia ninguém que pudesse informá-lo sobre o Senhor e Sua obra salvadora. É provável que o recém-convertido viajasse para a Arábia a fim de ficar a sós com Deus, a fim de pensar bem sobre as implicações do Evangelho. Não há nenhuma necessidade de se supor que cada aspecto da verdade aparecesse como um raio em sua mente no momento de sua conversão. Da Arábia Paulo retornou a Damasco. Esta referência acidental confirma a informação obtida em Atos 9:3, que a conversão aconteceu perto dessa cidade.

B. Falta de Contato Anterior com os Apóstolos em Jerusalém. 1:18-24.
Para se dizer a verdade, não foi uma ausência completa, como Paulo francamente admite, mas os contatos foram breves, pessoais e quase acidentais.
18. Quanto desses três anos pertencem à Arábia e quantos a Damasco não sabemos, mas o intervalo fortalece a alegação de Paulo. Se ele não tivesse recebido o Evangelho em sua conversão, não leda esperado tanto tempo para ser informado sobre ele.
Para avistar-me com Cefas. O verbo avistar (no grego) está em contraste deliberado com consultei (1:16), pois este último dá a entender uma consulta com a intenção de ser esclarecido sobre algum assunto, enquanto que aquele se refere a travar conhecimento com uma pessoa ou coisa. Às vezes tem sido usado em relação à urna excursão para ver os pontos turísticos de uma localidade. A visita foi breve (quinze dias).
19. Paulo não se avistou com outro apóstolo além de Tiago, o irmão do Senhor. Este é o Tiago que se tomou o líder da igreja de Jerusalém (cons. Atos 12:17).
20. O apóstolo declara-se desejoso de jurar que está dizendo a verdade. Nenhum judeu teria coragem de fazê-lo se estivesse para dizer uma mentira, pois seria o equivalente a convidar Deus a derramar a Sua ira sobre ele. A profunda solenidade das declarações de Paulo é a medida da desconfiança que os judaizantes semearam nos corações dos seus convertidos.
21. O próximo passo de Paulo, levado pela oposição à sua pregação em Jerusalém (Atos 9:29, 30), foi à Síria e Cilícia. Obviamente ele não teve nessas áreas remotas nenhuma oportunidade de receber alguma instrução dos apóstolos.
22. Provavelmente o apóstolo mencionou as igrejas da Judéia a fim de fortalecer seu argumento. É provável que a maioria dos apóstolos se encontrassem nos distritos adjacentes durante esse período, portanto a falta de contato de Paulo com as igrejas da Judéia significava falta de contato com os apóstolos que ali serviam. Os Doze não supervisionavam o trabalho na Síria; Barnabé foi enviado para lá (Atos 11:22-26). Durante os anos em que Paulo serviu nessa região, onde ele fora educado, esteve inteiramente independente dos outros apóstolos. Seu outro propósito de mencionar as igrejas da Judéia foi o de sublinhar a grandeza da mudança que sua conversão operou nele. Ele agora anunciava a fé que outrora procurava destruir. A mudança significou paz para os crentes da Palestina (Atos 9:31)





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