2014/12/03

Interpretação de Gálatas 5


Interpretação de Gálatas 5


IV. O Evangelho de Paulo Praticado. 5:1 – 6:15.


Gálatas 5
A. O Evangelho Praticado em Liberdade. 5:1-12.
Interpretação de Gálatas 5
A recusa de se submeter à circuncisão foi o primeiro sinal do gozo desta liberdade.
1. Para a liberdade foi que Cristo nos libertou é a declaração do fato pelo apóstolo, acompanhado do apelo a que permaneçam nessa liberdade e que não se envolvam novamente com a escravidão. Sob um certo aspecto é mais fácil viver tomo escravo do que fazer uso adequado la liberdade (por exemplo, Israel no deserto desejando retornar ao Egito).
2-4. É preciso escolher, diz Paulo, entre Cristo e a circuncisão. Ele não diz isso dos judeus (cons. Atos 21:21), mas dos gentios, que não têm antecedentes relacionados com a circuncisão. O caso destes o rito só poderia significar uma tentativa deliberada de alcançar um mérito pela adoção de uma posição legalista, buscando a justificação pelas obras. No começo, a circuncisão não tinha tal implicação, pois com Abraão foi um sinal e selo da justificação que ele já tinha obtido pela fé (Rm. 4:11). Mas no decorrer do tempo, ela se transformou em um símbolo de mérito. Sendo assim, Cristo não poderia beneficiar-se do recipiente da circuncisão, que na verdade se colocou sob a obrigação de guardar toda a lei, tendo em vista a justificação como resultado. Aceitar a circuncisão significava abandonar o terreno da graça em Cristo (da graça decaístes) em favor da autojustificação que é inferior e impossível. O verdadeiro crente permanece na graça (Rm. 5:2).
5. Enquanto o legalista se atola na insegurança – pois ele não sabe quando fez o suficiente para satisfazer o padrão da justiça divina – aqueles que estão justificados pela fé, que têm o Espírito como penhor de sua aceitação para com Deus, esperam confiantemente pela fé a consumação (a esperança da justiça) na glória (cons. Rm. 8:10, 11).
6. Tendo demonstrado o longo alcance da fé na esperança, o apóstolo indica seu alcance no amor. Em Cristo ninguém tem vantagem por possuir a circuncisão; nem falta alguma coisa a quem não a tem. Cl que conta é o amor, que resume em si tudo o que a Lei exige (Rm. 13:9, 10). Justificar a fé não exclui esta consideração importante sobre o amor. Pelo contrário, a fé, operando através do amor, é apenas o meio viável pelo qual as exigências da Lei podem ser cumpridas.
7-10. O progresso espiritual dos gálatas fora impedido. Alguém perturbara esses convertidos afastando-os da verdade. Em outro lugar (1:7; 5:12) fala-se de um grupo de agitadores legalistas; aqui, entretanto, fala-se de um indivíduo, presumivelmente o líder. Esta propaganda não emanara dAquele que os chamara e lhes dera o impulso para a corrida (cons. 1:6). Os leitores tinham sido enganados dando ouvidos a uma falsa doutrina. E que nenhum deles alegasse que Paulo estava exagerando, que estava fazendo muito alarde com os problemas na Galácia. Um provérbio serviria para enfatizar a loucura deles. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Talvez os que realmente se converteram ao legalismo fossem poucos até o presente momento. Não obstante, os crentes deviam estar em guarda para que o erro não se espalhasse. Se fosse honestamente enfrentado, poderia ser impedido. Paulo tinha confiança em uma resolução feliz da dificuldade, não com base nos seus convertidos ou em seu próprio ministério, mas no Senhor. Não obstante, uma reviravolta favorável nos acontecimentos não aliviaria a responsabilidade daquele que estava desviando o rebanho. Sofrerá a condenação.
11,12. "Alguns poderão argumentar," diz Paulo, "que eu sou inconsistente em falar contra a circuncisão". Era sabido, por exemplo, que ele circuncidara Timóteo (Atos 16:3). Mas esse foi um caso especial, pois o jovem era meio judeu, a quem o pai, um grego, não circuncidara. Se Timóteo andasse com Paulo por aí nessas condições, teria despertado uma oposição desnecessária entre os judeus. Nenhum princípio fora violado nessa circuncisão particular. A prova de que Paulo não pregava a circuncisão estava no fato de que continuava perseguido (pelos judeus). Se ele circuncidasse os gentios, esses mesmos judeus olhariam para ele de maneira mais amigável. Mas se ele pregasse a circuncisão, o escândalo da cruz estaria desfeito até onde o seu ministério estava envolvido. A graça envolve a incapacidade do homem de participar na sua própria salvação. Esta verdade se opõe ao orgulho humano. Paulo não se escandaliza com a cruz mas com aqueles que vos incitam à rebeldia (E.R.A.) – que vos andam inquietando (E.R.C.). Sua indignação levou-o a fazer uma forte declaração: Eu quereria que fossem cortados (E.R.C.), ou melhor, que se mutilassem. Como um homem emasculado perde o poder de propagação, assim esses agitadores seriam reduzidos à impotência de propagar sua falsa doutrina. Esse é o fervente desejo ao qual o apóstolo Paulo dá vazão aqui.
B. O Evangelho Praticado em Amor. 5:13-15.
13. Enquanto a liberdade é inerente à vocação cristã para a salvação, ela não deve ser convertida em licenciosidade. Isto é o que acontece quando a liberdade é considerada como uma oportunidade para a carne satisfazer seus apetites. A única contra-medida eficiente é servir os outros pelo amor. O pensamento pode ser parafraseado assim: Vocês professam ser muito zelosos pela Lei, a qual eu lhes declarei ser escravidão. Mas, se vocês realmente estão procurando a escravidão, eis aqui um tipo que é inofensiva, até mesmo beneficente. Eu a recomendo a vocês. Sejam escravos uns dos outros na demonstração do amor (cons. Rm. 13:8).
14. Esta é a exigência do V.T. (Lv. 19:18), e no N.T. não tem nada mais elevado.
15. Havia necessidade terrível de que o amor fosse exercitado nas igrejas gálatas, pois Paulo dá a entender que havia ali lutas e amarguras entre eles. O forte antagonismo estava provavelmente entre aqueles que tinham sucumbido à propaganda dos legalistas e daqueles que não tinham. A simpatia de Paulo estava com este último grupo, mas ele reconhecia que sem amor eles não podiam vencer aqueles que se lhes opunham. Discussão sem amor resulta em conflito contínuo.
C. O Evangelho Praticado em Espírito. 5:16-26.
Embora não conste, a liberdade (5:1, 13) não ficou esquecida aqui. "O amor é o guarda da liberdade cristã. O Espírito Santo é o seu guia" (G. G. Findlay, The Epistle to the Galatians in The Expositor's Bible, pág. 347). Esta seção, com seu contraste entre a carne e o Espírito, foi um tanto antecipada pela declaração de 3:3. A vida no Espírito está sendo agora apresentada como o antídoto para as inclinações da carne, o princípio do pecado que persiste nos santos. Portanto, há uma guerra necessária e legítima, em contraste com aquilo que foi insinuado em 5:15.
16,17. Andar no (melhor, pelo) Espírito. Só desse modo os crentes podem levantar-se acima das limitações da carne: evitar a realização dos desejos dela. A promessa é enfática – e jamais satisfazeis. Carne e Espírito são opostos, travando contínuo combate. Se o cristão está andando no poder de um deles, não pode estar no controle do outro. A declaração, são opostos entre si, é um tanto parentética, e a conclusão do versículo depende diretamente da segunda das duas declarações precedentes do versículo. Por trás da resistência do Espírito à carne está o propósito de que os crentes devem ser guardados de praticarem as coisas que eles (de outro modo) fariam.
18. Na realização da vitória sobre a carne, é preciso que a pessoa se coloque sob a liderança do Espírito. A Lei leva a homem a Cristo (3:24). Então o Espírito assume o controle e dirige o filho de Deus para a plenitude da vida em nosso Senhor. Esta plenitude será resultado inevitável, se o Espírito não for limitado pelo pecado no crente (Ef. 4:30). Em lugar de dizer, em concordância com o primeiro pronunciamento desta seção, que ser dirigido pelo Espírito significa ser libertado da carne, o apóstolo tira uma conclusão inesperada. Ser dirigido pelo Espírito demonstra liberdade da lei. Apego à lei significa multiplicação de transgressões (cons. Gl. 3:19) em lugar de redução. Evidentemente existe um laço íntimo entre a lei e a carne (cons. Rm. 8:3).
19-21. As obras da carne podem ser esperadas prolificando livremente na atmosfera do legalismo. Um raio de ironia se percebe aqui ao fazer referência às obras – "Atentem para as realizações da carne!"
Em primeiro lugar vêm os pecados sensuais. Prostituição é um termo geral para imoralidade sexual. Impureza inclui toda sorte de corrupção sexual. Lascívia indica audácia descarada nesse tipo de vida.
Depois vêm os pecados religiosos. Idolatria é a devoção aos ídolos. A palavra grega que foi traduzida para feitiçarias encaixa-se no termo "farmácia" e significa basicamente a administração de drogas e poções mágicas, mas passou a representar todo o tipo de prática de feitiçaria (cons. Ap. 9:21; 18:23).
Um terceiro grupo abrange os pecados de temperamento. Esses passam por toda a escala desde inimizades, que é algo latente, passando pelas porfias, que é algo operante (indicando neste caso disputas devidas ao egoísmo), pelas dissensões (antes, divisões) e facções, ou exibições de espíritos partidários (invejas podem se relacionar às anteriores pois ajudam a criar divisões, como também podem ser associadas com o próximo item), até chegar aos homicídios (E.R.C.), o clímax dos antagonismos impropriamente acalentados.
Na quarta categoria podemos colocar as bebedices e glutonarias. A lista poderia ser ampliada – e coisas semelhantes. Aqueles que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus (cons. I Co. 6:9, 10). Um crente pode cair em semelhantes práticas do mal se andar de acordo com a carne. Por isso é que se faz a inclusão desta lista na sua presente posição dentro desta carta, onde a vida do cristão está sendo revista.
22,23. Tudo aqui está em contraste com o precedente: fruto em lugar de obras; o Espírito em lugar de carne; e uma lista de virtudes grandemente atraentes e desejáveis em lugar das coisas feias que acabaram de ser citadas. A palavra fruto, estando no singular, como se apresenta nas cartas de Paulo, tende a enfatizar a unidade e coerência da vida no Espírito oposta à desorganização e instabilidade da vida sob os ditames da carne. É possível, também, que o singular tenha a intenção de apontar para a pessoa de Cristo, no qual todas essas coisas são vistas em sua perfeição. O Espírito procura produzi-las reproduzindo Cristo no crente (cons. 4:19). Passagens tais como Rm. 13:14 sugerem que os problemas morais dos homens redimidos podem ser resolvidos pela suficiência de Cristo quando apropriada pela fé.
À luz da preferência de Paulo pela forma singular de fruto, não se toma necessário recorrer ao expediente de colocar um travessão depois da palavra amor para indicar que todos os outros itens dependem deste. O amor é decisivo (I Jo. 4:8; I Co. 13:13; Gl. 5:6). Gozo é o que Cristo concede aos seus seguidores (Jo. 15:11) e é pelo Espírito (I Ts. 1:6; Rm. 14:17). Paz é o dom de Cristo (Jo. 14:27) e inclui uma reação interior (Fp. 4:6) e relacionamento harmonioso com os outros (contraste com Gl. 5:15,20). Longanimidade relaciona-se com a atitude da pessoa para com os outros e envolve uma recusa em revidar ou se vingar do mal recebido. Literalmente é paciência. Benignidade seda melhor traduzida para amabilidade. É a benevolência nas atitudes, uma virtude visivelmente social. Bondade é uma probidade da alma que aborrece o mal, uma honestidade definida de motivações e conduta. Fidelidade (se fosse , estaria no começo da lista). Um caso paralelo é Tito 2:10, "lealdade". Mansidão baseia-se na humildade e indica uma atitude para com os outros, mantendo a devida negação do ego. Domínio próprio (lit., reprimir com mão firme), ou controle da vida do ego por meio do Espírito.
Contra estas coisas não há lei. "A Lei existe com o propósito de refrear, mas nas obras do Espírito não existe restrição" (J.B. Lightfoot, Galatians, pág. 213). A mesma verdade foi declarada em outra passagem, Rm. 8:4.
24-26. Aqueles que são verdadeiramente de Cristo devem ser como Ele na participação da cruz. Eles crucificaram a carne. Idealmente, isto aponta para a sua identificação com Cristo na Sua morte (2:20). Praticamente, enfatiza a necessidade de carregarmos o princípio da cruz na vida redimida, uma vez que a carne, com as suas paixões e desejos continua sendo uma realidade sempre presente (cons. 5:16, 17). A mesma tensão entre a provisão divina e a apropriação humana se encontra em relação ao Espírito.

Vivemos no Espírito segundo a disposição divina, por meio do dom do Espírito na conversão. Mas andamos em Espírito por uma questão de vontade pessoal, dando cada passo na dependência dEle. Se alguém andar assim, não desejará vanglória – cobiça do ego, frustrado quando não tem sucesso. "A vanglória desafia a competição, à qual os de natureza mais forte reagem na mesma moeda, enquanto que os mais fracos são levados à inveja" (Hogg e Vine, Galatians, pág. 305).



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