2016/09/23

Significado de João 13

Significado de João 13

Significado de João 13


João 13

13.1-6 — Um princípio importante sobre conhecer e fazer é demonstrado aqui. Veja que os versículos 1 e 3 dizem que Jesus sabia, e os versículos 4 e 5 dizem que Ele fez. Nossas ações são o resultado dos nossos pensamentos mais profundos. Jesus fez o que fez porque sabia o que sabia. O homem é o que imagina ser em sua alma (Pv 23.7).

13.1 — Até ao fim também significa completamente ou até as últimas consequências. O que vem depois dos versículos de 1 a 11 demonstra o imenso amor de Jesus. Ele amou Seus discípulos, embora soubesse que um deles o trairia, outro o negaria, e todos o abandonariam por algum tempo.

13.2 — A frase Acabada a ceia também poderia ser traduzida por iniciada a ceia. Era comum os escravos lavarem os pés dos convidados que chegavam antes de eles se sentarem à mesa para comer (v. 4,5). De todo modo, o que parece é que a ceia ainda não tinha mesmo acabado. A declaração do imenso amor de Jesus registrada no versículo 1 — como havia amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim — é o oposto do gesto de Judas, que saiu apressado para traí-lo.

13.3 — Sabendo (gr. oida). Cristo amava todos (v. 1), conhecia o que de pior havia neles (v. 2) e o melhor que havia em si mesmo (v. 3).

13.4.5 — As vestes. Jesus tirou Suas vestes, ou seja, tirou o que atrapalharia Seus movimentos. Toalha. Após colocar um avental, Jesus parecia um escravo a quem fora dada a tarefa de lavar os pés dos convidados. Embora os discípulos soubessem o que Jesus estava fazendo, nenhum deles se ofereceu para realizar aquela tarefa. Servir não era algo que estava nos planos deles. No entanto, Jesus os amou mesmo sabendo tudo o que sabia acerca deles, até mesmo o que sabia sobre Judas.

Os discípulos sabiam o que tinha de ser feito. E todos eles poderiam ter feito, mas nenhum deles o fez. A passagem em Lucas 22.24 dá uma indicação do que pode ter acontecido. Eles estavam discutindo para ver quem seria o maior dentre eles. E esse tipo de preocupação não leva ninguém a servir (Fp 3.3,4).

Nossas ações são o resultado dos nossos pensamentos mais profundos. Por que Jesus fez o que fez, ou seja, a tarefa de um servo? Porque Ele sabia muito bem o que estava fazendo (v. 1-3). Fazer a tarefa de um servo por algum tempo não intimidou Jesus, pois Ele sabia de onde tinha vindo, para onde iria e o que estava determinado a fazer. E por isso que Paulo nos aconselha: De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Fp 2.5).

13.5 — Começou. João não diz por qual discípulo o Senhor começou, porém, desde o primeiro século, alguns acreditam que tenha sido por Judas. O fato é que ninguém, nem mesmo João, ofereceu-se para fazer a tarefa no lugar de Jesus. O tema dessa história é o amor. E o mais importante no amor é servir.

13.6,7 — O impulsivo Pedro rejeitou enfaticamente aquela atitude de humilhar-se. Mas Jesus respondeu a ele dizendo haver um significado mais profundo que o que parecia. Um dia Pedro entenderia que esse era um exemplo prático da humildade de Jesus.

13.8 — Não tens parte comigo. O ato de lavar era um símbolo de purificação espiritual (v. 10,11). Se Pedro não participasse da purificação, ele não teria comunhão com Jesus (1 Jo 1.9).

13.9,10 — Mas também as mãos e a cabeça. Depois das palavras tão significativas de Jesus, Pedro não teve outra escolha a não ser aceitar. E, mais uma vez, ele extrapola, só que agora no sentido oposto.

A princípio, Pedro não quer ter os pés lavados pelo Senhor (v. 8); depois, ele quer ter não apenas os pés lavados, como todo o corpo. Então, Jesus lhe diz que não é preciso um banho; Jesus não necessita de lavar senão os pés para tirar a poeira da estrada.

Eis aqui um simbolismo. O cristão já foi purificado. Ele só precisa purificar-se dos seus pecados diários por meio da confissão (1 Jo 1.9). Sendo assim, o ato de Jesus de lavar os pés dos discípulos não é apenas um modelo de servidão, mas também o objetivo derradeiro do Seu serviço — perdoar pecados.

13.11 — Nem todos estais limpos. Essa é a segunda indicação de que havia um traidor entre os apóstolos (Jo 6.70). Porém, ao que parece, ninguém deu muita atenção a essas palavras.

13.12,13 — Mestre e Senhor eram títulos comuns dados aos rabis para honrá-los.

13.14-17 — Vós deveis também lavar (gr. nipto) os pés uns aos outros. Alguns dizem que o Senhor institui a ordenança de lavar os pés nesse episódio. Entretanto, lavar os pés não era uma ordenança judaica; Jesus só queria mostrar aos discípulos que aquela era uma atitude comum.

Jesus não disse que eles deveriam fazer o que Ele fez, mas como ou do mesmo modo que Ele fez. Eles não precisavam de uma ordenança, e sim de alguém que fizesse o que todos sabiam que precisava ser feito, embora ninguém o tivesse feito porque não estava disposto a servir, mas a ser servido. Jesus não estava instituindo uma ordenança aqui, mas usando uma atitude prática para dar um exemplo de amor aos Seus discípulos (Jo 13.1). Cristo não estava sugerindo que um ritual de lava-pés fosse estabelecido, mas que Seu exemplo de humildade em sacrificar-se e em perdoar fosse seguido. Aquele que praticar essas coisas será abençoado.

13.18 — Jesus citou Salmos 41.9 para explicar a atitude de Judas.

Levantou contra mim o seu calcanhar refere-se a um gesto de insulto ou de preparação para dar um chute. E, embora o pior ainda não tivesse acontecido, essa foi a atitude de Judas naquele momento. Ele estava comendo com os discípulos, mas já estava pronto para atacar.

13.19,20 — O que eu enviar. A traição de Judas não devia abater a fé dos discípulos (v. 19) ou impedi-los de servir (v. 20). Nem todos receberam Jesus, e nem todos o receberão (v. 16).

13.21 — Turbou-se em espírito. Prestes a ser abandonado, traído e morto (Jo 12.27), Jesus ficou angustiado (Jo 11.33).

13.22 — Sem saberem de quem ele falava. Os discípulos não tinham a menor ideia de que era Judas quem iria trair Jesus. Mateus e Marcos dizem que cada um deles começou a perguntar: Porventura sou eu, Senhor? (Mt 26.22; Mc 14-19).

13.23 — Estava reclinado no seio de Jesus. Naquela época, as pessoas não se sentavam em cadeiras junto à mesa para comer. Elas reclinavam seu corpo para o lado esquerdo, à beira de uma mesa baixa de madeira, próxima ao chão, apoiavam o ombro sobre ela e comiam com a mão direita, esticando seus pés para a extremidade oposta. Reclinando-se dessa maneira, a cabeça de alguém ficava próxima ao peito daquele à sua esquerda. O discípulo a quem Jesus amava jamais é revelado nas Escrituras, mas, segundo a tradição da Igreja primitiva, era João, o autor desse Evangelho.

13.24,25 — Pedro fez sinal a este, para que perguntasse. Evidentemente, Pedro não estava sentado ao lado de Jesus. Ele também não estava ao lado de João, e, por isso, pediu que João perguntasse a Jesus quem iria traí-lo.

13.26,27 — No início, Satanás manipulou o coração de Judas (v. 2), mas nesse ponto ele entrou nele. Veja que os atos de Judas foram o resultado dos desejos mais profundos do seu coração.

13.28,29— Jesus já tinha falado com João sobre a questão do pão, e, por essa razão, ele foi o único que entendeu o que significava tudo aquilo.

13.30 — E era já noite. Judas não somente saiu para as trevas naturais da noite, como também entrou nas trevas espirituais, separando-se de Jesus, a luz do mundo (Jo 8.12; 9.5).

13.31,32 — E glorificado o Filho do Homem. Jesus se manifestaria como o Filho de Deus e o Salvador do mundo ao morrer, ressuscitar e enviar o Espírito Santo. Deus seria glorificado nele no amor, na verdade e na justiça que seria revelada no que Jesus iria fazer.

13.33 — Havia chegado a hora de Jesus anunciar Sua partida aos discípulos. Filhinhos é uma expressão de grande afeto usada somente nesse Evangelho. João não a esqueceu e usou-a várias vezes em 1 João.

13.34 — O mandamento de amar era algo novo porque Jesus estabeleceu uma nova condição para ele. Moisés disse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv 13.34). Jesus disse que essa nova condição era amar como eu vos amei a vós. Jesus deu aos Seus discípulos o exemplo de amor que eles deveriam seguir (v. 1-17).

13.35 — Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos. Os ímpios reconheceriam os discípulos de Jesus não pela doutrina diferente, pelos milagres maravilhosos nem pelo amor aos perdidos; eles os reconheceriam pelos seus atos mútuos de amor (compare uma figura de linguagem correspondente ao significado literal desse princípio em João 15.8).

A Igreja primitiva tomou posse desse princípio maravilhoso do amor contagiante (At 4.32-37; 1 Ts 1.3). Francis Schaeffer chama isso de a marca do cristão. E essa é a melhor maneira de defender a doutrina de Cristo.

13.36 — Senhor, para onde vais? Essa pergunta, já respondida por Jesus duas vezes, revela que Pedro não havia entendido nada do que Jesus dissera antes, nos versículos 34 e 35. O fato de, muitas vezes, não entendermos Seus planos é a razão que também nos leva a fazer sempre a mesma pergunta tola: “Por que, Senhor?”

13.37 — Por ti darei a minha vida. Pedro estava pronto para morrer por Jesus, mas ainda não estava pronto para viver para Ele. O apóstolo estava pronto para atacar um batalhão de soldados somente com sua espada (Jo 18.10), mas não estava disposto a lavar os pés dos seus irmãos como Jesus fizera (Jo 13.4). Na verdade, Pedro ainda conservava muito do velho homem. Jesus daria Sua vida por Pedro, em vez de Pedro dar sua vida por Ele. Não obstante, Jesus não desistiu de Pedro (Jo 21.18,19).

A tradição da Igreja afirma que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido, pois achava-se indigno de ser crucificado como seu Senhor.

13.38 — Enquanto me não tiveres negado três vezes. Ao ouvir Jesus dizer isso, Pedro ficou chocado e não disse nada. Depois, Pedro só é citado novamente em João 18.10. Porém, Lucas nos leva a entender que Jesus o havia preparado para tal revelação estarrecedora (Lc 22.31,32). Com toda certeza, Jesus era o mestre eterno, como Isaías (Is 42.3) e Mateus (Mt 12.20) profetizaram.

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