Interpretação de Números 10

Interpretação de Números 10

Interpretação de Números 10


Números 10
K. As Duas Trombetas de Prata. 10:1-10.
A Experiência anterior de Israel com trombetas está registrada em Êx. 19:16-20. Ali, palavras de origem cananita e fenícia, ambas falam do som da trombeta feita de chifre de carneiro que acompanhava os terríveis trovões e relâmpagos sobre o Monte Sinai. Agora se trata de uma trombeta inteiramente diferente. Estes hasosrot eram clarins de prata, descritos em fontes extrabíblicas como tubos longos e finos com abertura larga. Dessa ocasião em diante, os hebreus usaram este instrumento particular como “estatuto perpétuo”, apenas para propósitos sagrados (por exemplo, Nm. 31: 6; II Reis 12:13 ; Ed. 3:10).
Deus também ordenou uma variedade de convocações. Duas trombetas deviam tocar juntas para reunir todo o povo à porta do Tabernáculo, e uma trombeta devia tocar só para os príncipes. As Escrituras fazem distinção entre o simples toque de reunir para o povo e o toque de alarme como sinal para se levantar o acampamento. Os sacerdotes deviam ir à frente de Israel nas batalhas tocando o alarme, para que o povo fosse lembrado diante do Senhor seu Deus. Deviam também, daquele dia em diante, tocá-lo nas reuniões festivas, nas luas novas, nas ofertas queimadas e nas ofertas pacíficas. O apóstolo Paulo sem dúvida tinha em mente o uso desses instrumentos quando usou a metáfora referindo-se à trombeta em I Co. 14:8.
9. E perante o Senhor vosso Deus haverá lembrança de vós. O Senhor precisa ser lembrado para salvar o Seu povo? A resposta é Sim e Não. Israel não O considerava uma divindade limitada, cujo interesse estivesse desviado para outras coisas, ou como um deus que fosse dormir e que tivesse de ser despertado com o toque das trombetas. Críticos que defendem este ponto de vista apelam para Sl. 44:22-24, e citam as palavras, “Desperta! Por que dormes, Senhor?” Mas um exame acurado deste Salmo mostra que é uma queixa diante de Deus, o qual conhece os “segredos dos corações” e que castiga Seu povo. Seu povo se encontra em dificuldades e parece que Ele nada faz; daí o sentimento de depressão que se expressa em linguagem hiperbólica. Uma narrativa relativa ao uso das trombetas em momentos de desespero, encontra-se em II Cr. 13:12-15. Na batalha o povo “clamou ao Senhor e os sacerdotes fizeram soar as trombetas”. Realmente, as trombetas como “estatuto perpétuo” simbolizavam a dependência de Deus. Do mesmo modo a oração, como expressão mais articulada de dependência, lembra Deus de abençoar o Seu povo.
III. Do Deserto do Sinai ao Deserto de Parã. 10:11 – 14:45.
Começando pelo vigésimo dia do segundo mês do segundo ano, as tribos partiram do Sinai na ordem indicada nos capítulos anteriores, e sob a orientação da nuvem seguiram para o Deserto de Parã. O tempo que se passou não ficou declarado, mas sabemos que os acontecimentos cobriram pelo menos alguns meses (quarenta dias para os espiões e diversas semanas ou meses para os capítulos 10-12). Sua rota os levou pelo caminho de Taberá (11:3 ) e Quibrote-Ataavá (11:35) até Cades (13:26).
A. Partida do Sinai. 10:11-36.
A ordem da marcha (vs. 11-28), um convite feito a Hobabe (vs. 29-32) e a importância da arca (vs. 33-36) constituem os diversos assuntos relacionados com a partida de Israel do Sinai.
12. Puseram-se em marcha. No hebraico seria levantaram acampamento segundo suas paradas (estágios). Seguiram o procedimento descrito no capítulo 2. E a nuvem repousou no deserto de Parã. O versículo é uma declaração resumida antecipando a sua chegada em Parã (cons. v. 33 - “a arca... ia adiante deles caminho de três dias”, etc.).
17. Os filhos de Gérson e ... Merari partiram, levando o tabernáculo. Uma pequena mudança de 2:17, onde se dizia que os levitas viajavam no meio da hoste, seguindo as tribos conduzidas por Rúben. O versículo 21 esclarece este ponto informando-nos que os coatitas, levando as coisas santas, viajaram no seu lugar costumeiro; enquanto “os filhos” de Merari e Gérson avançaram para armar o tabernáculo, preparando-o para a chegada das coisas santas (10:21b). Devemos nos lembrar que havia mulheres, crianças e aqueles acima de cinquenta anos nos acampamentos dos levitas, além daqueles que realmente levavam as cargas. Parece mais provável que apenas os carregadores é que são mencionados no verso 17.
21. Levando as coisas santas. Os coatitas não levavam o santuário mas as coisas santas usadas nele. O uso de miqdeish (“santuário”) não é impróprio, pois Números 18:29b indica que a palavra pode significar uma parte sagrada além de um lugar sagrado, embora este último seja o significado costumeiro. Até que estes chegassem. Veja comentário do versículo 17.
25. A retaguarda de todos os arraiais. A retaguarda, ou recolhedor (mais achegado ao hebraico, meassep) é uma palavra de significado meigo. Aplica-se a um homem que recolhe as ovelhas perdidas do seu vizinho e as leva para casa a fim de cuidar delas; do mesmo modo o Senhor nos recolhe quando a nessa mãe ou nosso pai nos abandona (SI. 27:10). Ou quando o mal oprime com o cativeiro, o Deus de Israel não vai apenas diante do Seu povo, mas também Se torna o “Recolhedor” dos que ficaram para trás (Is. 52:11).
29. Hobabe, filtro de Reuel, o midianita. Os parentes da esposa de Moisés são chamados de midianitas em Êx. 2:16; 3:1; 18:1, mas de queneus em Jz. 1:16; 4:11. Ambos são povos nômades que vivem interligados. O termo queneu se refere a ferreiros ambulantes, especialmente artífices do vale rico de cobre em Arabá. Sua presença entre o povo de Israel encaixa-se bem na narrativa da feitura da serpente de bronze (Nm. 21:8, 9) e a obra executada no Tabernáculo. Os casamentos e a antiga associação dessas duas tribos permite que Hobabe, o cunhado de Moisés, fosse chamado de midianita e também queneu. os próprios queneus que se tornaram parte de Israel continuaram sendo chamados de queneus e israelitas (I Cr. 2:55 ). Também é possível que o nome midianita se tomasse um termo genérico para os muitos beduínos com seus camelos ao leste de Arabá. Os nomes ismaelita e midianita são usados alternadamente em Gn. 37:27, 28, 36. Também somos informados sobre os midianitas a camelo que lutaram contra Gideão e há uma associação do nome Midiã com os edomitas (Gn. 25:4) e os moabitas (Gn. 36:35 ; Nm. 22:3, 7). Sogro de Moisés. Reuel, poderia ser o nome do avô desta família, ou poderia ser um outro nome para Jetro (cons. Êx. 2:18; 3:11. O termo hoten, “sogro”, significa qualquer parente do sexo masculino devido ao casamento, de modo que as palavras em Jz. 4: 11 poderiam ser traduzidas para “Hobabe, o cunhado”. E te faremos bem; porque o Senhor prometeu boas coisas a Israel. Quando o Senhor fala, Sua palavra é uma promessa.
30. Não irei. Hobabe tomara a decisão de retornar à sua terra natal; mas Jz. 1:16 informa que Moisés o persuadiu a ir, pois lemos ali que ele entrou em Canaã com Israel.
31. Tu sabes que devemos acampar-nos ... e nos servirás de guia. O Targum judeu e a LXX, interpolando aqui, apresentam Moisés rogando a Hobabe que sirva de guia a Israel, quando Deus já lhes dera uru meio de orientação sobrenatural. Nada há de incongruente no pedido de Moisés, pois dependência de Deus para orientação divina e até mesmo intervenção sobrenatural não relega o uso do conhecimento humano quando ele existe. Hobabe conhecia bem o deserto e poderia ajudar na viagem e nos acampamentos, mostrando os segredos do deserto.
33. Monte do Senhor. No Monte Sinai Deus revelou-se como Justo Soberano, expressando as exigências de Sua vontade divina, como também Sua ira contra todo pecado. Embora o Monte do Senhor estivesse agora por trás deles, sua mensagem (o testemunho) permanecia inscrito nas tábuas de pedra guardadas na arca. A arca da aliança do Senhor. A arca foi muitas vezes chamada de arca do testemunho; aqui ela é a arca da aliança. Em Êx. 34:28 a aliança está identificada com os Dez Mandamentos. A arca era o lugar de habitação do Senhor e das tábuas da Lei. Como tal era um símbolo da pureza divina. Quando o sumo sacerdote se aproximava da arca uma vez por ano, simbolizava então a aliança da misericórdia com uru povo corrompido, que por meio do sangue da expiação podia ser purificado e assim desfrutar dos benefícios do favor divino para com eles e seus filhos.
34. A nuvem do Senhor. Com a experiência do Monte do Senhor lá atrás e a arca na frente à procura de um lugar de pouso, os israelitas também tinham uma nuvem sagrada sobre eles como símbolo da presença divina. Não só os orientava, mas também lhes assegurava conforto e lhes dava confiança, e possivelmente os protegia dos elementos, especialmente do sol ardente, espalhando-se sobre todo o acampamento, conforme sugerido em SI. 105:39 (KDD, pág. 62).
35. Partindo a arca, Moisés dizia. Moisés pronunciou esta oração na primeira etapa da viagem do Sinai. Tornou-se uma oração clássica usada, ao que parece, sempre que a arca partia (cons. Sl. 68:1; 132; 8; II Cr. 6: 41, 42). Moisés também orava quando descansavam (Núm. 10:36). A oração fala eloquentemente da eficiente operação do relacionamento entre Deus e a Igreja Militante. Ele vai diante dela, e as portas do inferno não podem prevalecer contra ela. Ele habita no meio dela e ela é fortificada e se torna uma grande hoste. 

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