2019/08/26

Interpretação de Números 6

Interpretação de Números 6

Interpretação de Números 6



Números 6
D. A Lei do Nazireado. 6:1-21.
Deus desejava que o Seu povo se tornasse um “reino de sacerdotes e uma nação santa” (Êx. 19:6). O nazireado era um passo que qualquer israelita, homem ou mulher, podia dar na consecução deste ideal. Tal pessoa colocava-se na condição de uma vida consagrada a Deus e livre de contaminação. O sumo sacerdote, é claro, também era separado e purificado (Lv. 21:0, 12). Mas esta condição de vida baseava-se no seu oficio hereditário. D voto do nazireado era tomado geralmente de livre e espontânea vontade. e só por um certo período de tempo. O termo neizir significa “separar”, e neste contexto sempre significa separar para o Senhor. Aqui estão representadas duas fases distintas desta consagração. A primeira foi introduzida em Nm. 6:3, onde o devoto é instruído a separar-se através de certa prática de auto-renúncia. A segunda fase, prescrita em 6:13-21, é chamada apropriadamente de “a lei do nazireado”. Esta fase, a ser realizada no final do período da separação, exigia uma elaborada série de ofertas.
Um nazireu devia se abster não só de bebidas intoxicantes, mas também de qualquer coisa que fosse produto da videira (v. 4). Oseias 3:1 informa-nos que bolos de uvas-passa eram uma característica de vida luxuosa. 1 Samuel 25:18, 36 fala da abundância de passas na casa de Nabal, um homem fico e sensual. No espírito de auto-negação, a vida luxuosa devia ser desprezada por um nazireu. A consagração de um nazireu, contudo, devia ser melhor simbolizada pelo uso do cabelo comprido (Nm. 6:5). O cabelo de Sansão era um símbolo de força e virilidade dedicadas a Deus; mas quando o homem forte desprezou esta dedicação, perdeu o dom da graça. Embora tal força não fosse garantida a todos os nazireus, de todos se exigia, como de Sansão, que tudo dedicassem ao Senhor. Isto se prova pela orientação dada aos nazireus para fazerem grandes ofertas (v. 21).
Por causa do cabelo (nezer, “coroa”) consagrado do nazireu é que ele devia evitar a contaminação através dos mortos. Se ele se contaminasse, teria de rapar o cabelo contaminado e recomeçar o seu voto de novo (v. 12). Assim como o cordeiro ou cabrito da oferta tinha de ser puro, a “oferta do cabelo” também tinha de ser pura, pois o cabelo do nazireu era uma oferta queimada diante do Senhor. O cabelo representa a própria vida, pois só um homem vivo produz cabelo. Ele o oferecia, portanto, em lugar do seu próprio corpo, como um sinal de que ele mesmo era um “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Entende-se porque Paulo (Atos 18:18; 21:24) e Tiago, o ancião de Jerusalém (Eusébio, Ecclesiastical History ii. 23), fizeram voto de nazireado, vendo nele o profundo significado espiritual da antiga lei do nazireado.
A segunda fase da lei do nazireado começava no fim dos “dias do seu nazireado” (Nm. 6:13). Devia fazer uma oferta pelo pecado por causa de todos os seus pecados ignorados, depois uma oferta queimada e uma oferta pacifica simbolizando a submissão e a adoração. No auge destas cerimônias o devoto devia ter sua cabeça rapada, e o cabelo consagrado era colocado sobre brasas em baixo da oferta pacifica (vs. 18-20).
2. Fizer voto especial, o voto de nazireu. O primeiro verbo aqui (peilei’) significa “fazer uma coisa extraordinária ou maravilhosa” (cons. a mesma raiz em um dos epítetos do Messias em Is. 9:6). Aqui e em outras passagens (Lv. 22:21; 27:2; Nm. 15:3,8) foi usado para expressar a dificuldade de se fazer um voto solene. A tradução da E.R.A., voto especial, é uma tentativa de mostrar esta diferença. Permitia-se também que o devoto fizesse uma oferta voluntária, além deste mínimo exigido (v. 21)
7. O nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça. Nezer indica não simples “consagração” mas consagração relacionada com a “cabeça”, quer fosse uma coroa consagrada (Êx. 29:6; Zc. 6:11) ou o cabelo ungido do sumo sacerdote (Lv. 21:12), ou, como aqui, o “cabelo consagrado” do nazireu (cons. Nm. 6:19, onde encontramos as palavras “a cabeleira de”). Em lugar de o nazireado do seu Deus, leia-se “o cabelo consagrado do (pertencente ao seu Deus (ainda) está sobre a sua cabeça”,
13. Será trazido à porta. Não há motivo para um nazireu “ser trazido”. A construção gramática do hebraico aqui é a costumeira; mas considerando que este verbo não tem forma reflexiva, a cláusula poderia ser assim “ele mesmo se trará”.
21. Afora o que as suas posses lhe permitirem; isto é, as ofertas especiais que um nazireu devia ofertar em aditamento ao que estava especificado nesta lei. Embora isto se refira ao que um homem poderia acrescentar à sua oferta a mesma terminologia foi usada com referência à contribuição do homem pobre que não tinha posses para adquirir a oferta prescrita (Lv. 5:11). Segundo o voto que fizer, assim fará. Isto é, de acordo com o que ele prometeu, devia fazer. Algumas vezes outra pessoa pagava pelo voto de um nazireu, como parece ser o caso em Atos 21:24.
E. A Bênção Sacerdotal. 6:22,27.
Esta é uma bênção linda, no excelente estilo poético semita e cheio de uma mensagem muito necessária àqueles que enfrentavam incertezas e as forças hostis co vida do deserto. Fala da bondade de Deus no cuidado e na proteção do Seu povo. Quando um indivíduo ou uma nação se tornam o objeto do favor divino o infortúnio, a fome, o perigo ou a espada só servem para provar o quanto o Senhor ama seus filhos e como é capaz de libertá-los.
23. Assim abençoareis os filhos de Israel: dir-lhes-eis. A gramática desta sentença tem sido discutida. Contudo, o famoso gramático, Gesenius, afirma que a forma em questão ocorre “especialmente em livros posteriores do Velho Testamento” (Lexicon, par. 113). Sabemos agora que textos ugaríticos (c. 1400 A.C.) confirmam a construção como a expressão idiomática antiga e frequente.
24. O Senhor te abençoe e te guarde. De um lado Deus providencia tudo o que é bom para os seus escolhidos: por outro lado, Ele sustenta, guarda e protege do inimigo que poderia privá-los do bem.
25. Faça resplandecer o seu rosto. Uma expressão hebraica típica. Quando a face de um homem resplandece (Pv. 16:15), está cheio de felicidade; mas quando o seu rosto está cheio de sombras, é evidente que o mal e o desespero se apossaram de sua ajuda (Joel 2:6).
26. E te dê a paz. Sheilom (“paz”) é uma palavra de largo alcance, incluindo conceitos de inteireza, segurança, saúde, tranquilidade, satisfação, amizade e paz com Deus e os homens.


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