2016/10/14

Significado de Números 22

Significado de Números 22

Significado de Números 22



Números 22

22.1Nas campinas de Moabe. Com estas palavras chegamos ao fim das viagens de Israel descritas no livro de Números. No livro de Josué, toda a série de acontecimentos da jornada e a conquista da terra são resumidas.
A expressão para além do Jordão, perto de Jerico [nvi] faz referência à área que foi conquistada até então, o território em que seriam assentadas duas tribos e meia (cap. 32). Entretanto, a parte principal da terra ficava a oeste do rio Jordão. A primeira cidade naquele lugar que os israelitas precisariam conquistar era a mais antiga cidade murada do mundo, a velha Jericó.
22.2-4 — Notavelmente, os capítulos 22 a 24 levam o leitor para fora do acampamento de Israel, a um território hostil. Estes capítulos focam em Balaque, o rei de Moabe, e Balaão, o vidente que Balaque contratou para amaldiçoar espiritualmente Israel. Moabe ainda não estava enfrentando os exércitos ameaçadores de Israel. Todavia, Balaque sabia que seu inimigo, Seom de Hesbom, fora derrotado pelos israelitas (Nm 21.21-32), e ele tinha razões para temer que seu reino fosse o próximo a enfrentar Israel. Deus proibiu Seu povo de atacar Moabe (Dt 2.1-9), mas o rei ou não sabia, ou não acreditava nisso. Ele e os habitantes de Moabe estavam com muito
que não poderia enfrentar Israel no campo de batalha e vencer. Então, ele decidiu usar outra estratégia: enfrentá-los não militar, mas espiritualmente. Os anciões de Midiã, com quem Balaque se consultou, eram os líderes de um povo nômade, e os dois povos provavelmente tinham um acordo mútuo de proteção.
22.5 — Balaque procurou um profeta pagão que pudesse engajar-se na batalha espiritual contra Israel, amaldiçoando os israelitas. Na mente de Balaque e Moabe, apenas assim ficariam protegidos contra Israel. Os moabitas acreditavam que as bênçãos e as maldições dos “deuses” deles podiam ser manipuladas por “agentes” habilidosos; indivíduos que presumivelmente negociavam com os deuses. Naquela época, o mais famoso desses agentes era Balaão, um vidente da Mesopotâmia.
Em 1967, uma descoberta das inscrições das profecias de Balaão do século 8 a.C. foi feita na Jordânia. Esta descoberta, que se deu onde ficava a antiga Moabe, é uma impressionante evidência do renome deste profeta, mesmo centenas de anos após sua morte. Mas, o Balaão das Escrituras é altamente repreensível. Na Bíblia, ele se torna um paradigma do mal, bastante próximo de uma figura satânica (Nm31.8,16; Dt 23.4,5; Js 13.22; 24.9,10; Ne 13.2; Mq 6.5; 2 Pe 2.15; Jd 11; Ap 2.14).
Balaão era um baru, um vidente especializado em adivinhação por meio de entranhas de animais. Ele examinava o fígado de um animal abatido ritualmente para descobrir, conforme o tipo e as marcas que continha, a vontade dos deuses. Tais profetas também observavam os movimentos dos animais e dos pássaros vivos, a fim de apurar certos sinais [agouros] enviados pelas divindades. As pessoas acreditavam que estes indivíduos pudessem, de alguma forma misteriosa, influenciar o comportamento dos deuses por meio de inúmeros ritos.
Se Balaão conseguisse exercer influência sobre o “deus” de Israel (como Balaque supunha), então ele também poderia reverter a bênção do Senhor em maldição, e destruir Israel. Entretanto, o profeta pagão se tornou sem querer o agente de algumas das mais sublimes profecias sobre o glorioso futuro de Israel (cap. 23; 24). Balaão continuou como um inimigo de Israel e procurou derrotá-lo, mas morreu no acampamento dos midianitas (cap. 31), os inimigos de Israel na guerra santa de conquista de Canaã.
22.6-8 — A conhecida reputação de Balaão, aquela em que todos acreditavam, de que ele era capaz de influenciar os deuses, está explícita na frase: porque eu sei que quem tu abençoares será abençoado e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado. Por trás disso tudo estava, é claro, a irrevogável realidade da bênção de Deus sobre Israel e Sua maldição sobre todos aqueles que tentassem prejudicar Seu povo (Gn 12.2,3).
À luz da teologia bíblica, a história de Balaão é um teste da aliança abraâmica (Gn 12.1-3; 15). Visto que a experiência de Israel no deserto fora tão dissoluta, com repetidas queixas e rebeliões do povo e até mesmo dos líderes deste, surge a pergunta: Israel ainda estava sob a bênção divina? Por trás da história do paganismo e da feitiçaria, entretanto, está a questão teológica de maior importância para o futuro do povo de Deus. No versículo 8, Balaão fala do Senhor como se fosse íntimo dele. Pelo fato de o contratado de Balaque ser internacionalmente conhecido como um vidente, é possível que Balaão tenha ouvido com atenção narrativas contadas por emissários de Moabe e Midiã e aprendido o nome do Deus de Israel. Na verdade, a história da libertação de Israel do Egito por Deus foi provavelmente amplamente divulgada por todo o Oriente Médio (Dt 2.25).
22.9-14 — O primeiro encontro dos servos de Moabe e Midiã com Balaão terminou fracassado. Deus misericordiosamente instruiu Balaão, em uma visita que se deu provavelmente sob a forma de visão noturna, para que este não fosse com os homens amaldiçoar Israel, porque o povo era abençoado. Visto que Israel estava sob a bênção de Deus, qualquer tentativa de amaldiçoar a nação seria um ataque à palavra de Deus e traria desgraça para aquele que o fizesse (Gn 12.3).
22.15-21 — O segundo encontro dos emissários de Moabe e Midiã com Balaão aparentemente reverteu as coisas. Os enviados eram pessoas nobres e levaram grandes presentes, subornos e promessas. Mais uma vez, Balaão falou de Deus de uma maneira familiar: o mandado do Senhor, meu Deus. Esta não era uma confissão de fé em Deus. Na verdade, era uma manipulação esperta da parte de Balaão, uma alegação falsa e pretensiosa. Ele queria ser visto como mediador entre o Deus de Israel e os emissários de Balaque, da mesma forma que era identificado como profeta de muitos outros deuses. O jogo duplo de Balaão pode ser observado na forma como o Senhor falou com ele pela segunda vez, alterando as claras ordens que lhe dera a primeira vez (v. 12). Se Balaão fosse um verdadeiro profeta, as palavras de Deus no versículo 12 não teriam sido modificadas. Mas, por causa de sua ganância (2 Pe 2.15; Jd 11), Balaão recebeu uma “nova” palavra de Deus.
22.22-30 — E a ira de Deus acendeu-se, porque ele [Balaão] se ia. Isto aconteceu porque Balaão pretendia fazer o que Balaque o contratou para executar, ou seja, amaldiçoar Israel. Deus não poderia ficar irado com a sua ida, mesmo porque foi Ele próprio que autorizou a partida (v. 20). Entretanto, Deus dera ordens claras a Balaão para fazer apenas o que Ele lhe dissesse (v. 20). Aparentemente, Balaão planejava dizer o que lhe fosse mais rentável em termos financeiros.
Balaão tinha a fama de conseguir interpretar a vontade dos deuses por meio da “leitura” das vísceras dos animais. Todavia, nesta situação (viu, pois a jumenta o Anjo do Senhor; v. 23), o vidente estava cego na presença do verdadeiro Deus. Foi o animal que percebeu a genuína vontade de Deus, desviando-se do anjo que bloqueava o caminho.
Neste trecho bíblico, podemos ler as surpreendentes palavras: o Senhor abriu a boca da jumenta. Embora esta frase tenha sido objeto de considerável escárnio, apresenta um enorme desafio àqueles que possuem fé bíblica. Qualquer um que tenha uma visão adequada de Deus não questiona o conceito em que a habilidade divina concede a um animal a capacidade momentânea de imitar a fala humana. Afinal, o que é isso comparado à encarnação? A única questão a respeito dos milagres na Bíblia é a sua importância. Isto é, o que significa quando Deus faz esse tipo de coisa?
Como C. S. Lewis argumentou, cada milagre nas Escrituras deve ser comparado ao grande milagre de Deus, a encarnação de Cristo. Se podemos acreditar que o Filho de Deus veio a terra como um homem, morreu e ressuscitou, qual a dificuldade em aceitar o fato de que um homem ouvira palavras saídas da boca de um animal? Se a encarnação e ressurreição de Cristo são reais, então a fala de todos os animais, parte da criação divina, não é nada! Sendo assim, não devemos dar mais valor a este milagre do que a própria Bíblia dá. A jumenta não pregou nem transmitiu a Palavra de Deus. Balaão é que deveria fazê-lo. Tudo o que a jumenta fez foi indagar por que estava sendo punida por Balaão: Que te fiz eu? (v. 28) A coisa mais divertida é que Balaão respondeu sem nenhuma surpresa. E durante todo o tempo, há o pressentimento da presença do Anjo de Yahweh (poderia ser Cristo?) com Sua espada empunhada para estripar a rota pagã. A expressão o Anjo do Senhor indica a presença de Deus (Gn 22.11,15). O Senhor era o adversário de Balaão.
22.31-35Então, o Senhor abriu os olhos a Balaão. A expressão mostra que o vidente era cego e finalmente pôde enxergar a majestade daquele que a jumenta já havia visto durante o percurso. Agora, Balaão ficou de joelhos. Seu pecado era desejar amaldiçoar aqueles a quem Deus abençoara. De maneira bastante impactante, o Anjo de Senhor instruiu Balaão a falar somente aquilo que Deus dissesse a ele.
22.36-40 — A frase de Balaão — a palavra que Deus puser na minha boca, esta falarei — deve ter sido enigmática para Balaque (Nm 23.11,25; 24.10,25). Os sacrifícios do versículo 40 não foram para Deus, obviamente. Tais ritos se destinaram aos ídolos pagãos. A parte que Balaque enviou a Balaão incluía o fígado, órgão que o falso profeta usava em suas adivinhações (Nm 24.1).

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