2017/09/28

Gálatas 1 — Comentário Devocional

Gálatas 1 — Comentário Devocional

Gálatas 1 — Comentário Devocional



 

Gálatas 1

1.1 - Paulo e Barnabé tinham acabado de chegar de sua primeira viagem missionária (At 13.2—14.28). Tinham visitado Icônio, Listra e Derbe, cidades localizadas na província romana da Galácia (atualmente a Turquia). Ao voltar a Antioquia. Paulo foi acusado por alguns judeus crentes de estar enfraquecendo o cristianismo para torná-lo mais atrativo aos gentios. Esses judeus cristãos discordavam de suas declarações no sentido de que os gentios não precisavam obedecer à maioria das leis religiosas que os judeus haviam observado durante séculos. Alguns dos acusadores de Paulo tinham até acompanhado o apóstolo a essas cidades da Galácia e dito aos gentios convertidos que precisavam se submeter à circuncisão e obedecer a todas as leis e costumes judaicos para serem salvos. De acordo com essas pessoas, os gentios precisavam primeiro tornar-se judeus para depois tornar-se cristãos. Em resposta à presente ameaça, Paulo escreveu esta carta às igrejas da Galácia, na qual explica que obedecer às leis do AT, ou às leis judaicas, não traz a salvação. As pessoas são salvas pela graça, através da fé. Paulo escreveu esta carta por volta do ano 49 d.C., um pouco antes do Concilio de Jerusalém, quo resolveu a controvérsia lei versus graça (At 15).

Paulo foi chamado por Jesus Cristo e por Deus Pai para ser um apóstolo. Ele apresenta suas credenciais no início desta carta porque algumas pessoas da Galácia estavam questionando sua autoridade. Para mais informações sobre a vida de Paulo, ver seu perfil em Atos 9. Nesta ocasião já fazia 15 anos que Paulo se tornara cristão.

1.2 - Na época de Paulo, a Galácia era uma província romana situada na região central da atual Turquia. A maior parte dessa nação era um grande e fértil planalto para onde havia se mudado um grande número de pessoas por causa das condições favoráveis à agricultura. Um dos objetivos de Paulo durante sua viagem missionária era visitar regiões densamente povoadas a fim de atingir o maior número possível de ouvintes.

1.3-5 - Todo o plano de Deus era nos salvar através da morte de Jesus. Fomos salvos do poder da iniquidade que existe no mundo atual — um mundo governado por Satanás e cheio de crueldade, tragédia, tentação e engano. Ser resgatado desse mundo não significa ser retirado dele; significa não ser mais seu escravo. Você foi salvo para viver para Deus. Será que sua vida reflete toda a gratidão que sente por essa salvação? Será que você transferiu para Cristo toda a lealdade que tinha para com esse mundo?

1.6 - Algumas pessoas estavam pregando “outro evangelho”. Estavam ensinando que. para serem salvos, os gentios crentes precisavam obedecer às leis e aos costumes judaicos, especial mente ao rito da circuncisão. A fé em Cristo não era suficiente. Essa mensagem enfraquecia a verdade de que a salvação é uma dádiva, e não uma recompensa por certos atos. Jesus Cristo tornou essa dádiva disponível a todas as pessoas, e não somente aos judeus. Tenha cuidado com as pessoas quando dizem que precisamos mais do que uma simples fé em Cristo para sermos salvos. Quando elas estabelecem requisitos adicionais para a salvação, estão negando o poder da morte de Cristo na cruz (ver 3.1-5).

1.7 - A Bíblia diz que existe apenas uma maneira de alcançar o perdão: crer em Jesus Cristo como nosso Salvador e Senhor Nenhuma outra pessoa, método ou ritual pode nos dar a vida eterna. Tentando ser tolerantes e compreensivas, algumas pessoas afirmam que todas as religiões são caminhos igualmente válidos para Deus. Em uma sociedade livre, todos têm o direito às suas opiniões religiosas, mas isso não garante que suas ideias sejam corretas. Deus não aceita religiões feitas pelos homens como um substituto da fé em Jesus Cristo. Ele nos deu apenas um caminho — Jesus Cristo (Jo 14.6).

1.7 - Aqueles que haviam confundido os crentes da Galácia e pervertido as Boas Novas eram zelosos cristãos judeus que acreditavam ser obrigatórias para todos os crentes as práticas do AT, como a circuncisão e as restrições alimentares. Como esses mestres desejavam transformar os gentios cristãos em judeus, eles eram chamados judaizantes. Algum tempo depois que a carta aos Gálatas havia sido enviada, Paulo teve um encontro com outros apóstolos em Jerusalém para discutir essa questão com mais profundidade (ver At 15).

A maior parte dos cristãos gálatas era formada por gregos que desconheciam as leis e os costumes judaicos. Os judaizantes formavam uma facção extrema de judeus cristãos. Esses dois grupos criam em Cristo, mas seus estilos de vida eram completamente diferentes. Não sabemos porque os judaizantes teriam percorrido grandes distâncias para ensinar suas erradas noções aos recém convertidos gentios. Podem ter sido motivados por (1) um desejo sincero de integrar o judaísmo à nova fé cristã, (2) um sincero amor por sua herança judaica ou (3) um desejo invejoso de destruir a autoridade de Paulo. Sinceros ou não, o fato é que os ensinos desses judaizantes ameaçavam as novas igrejas, portanto era necessário refutá-los. Quando Paulo disse que seus ensinos distorciam e mudavam o evangelho, não estava rejeitando tudo que era judeu. Ele próprio era um judeu que prestava seu culto no templo e frequentava as festas religiosas. Mas se preocupava para que nada pudesse se interpor no caminho da simples verdade de sua mensagem — que a salvação, tanto para judeus como para gentios, era somente através da fé em Jesus Cristo.

É mais difícil de se localizar uma pequena alteração da verdade do que uma mentira evidente. Os judaizantes estavam distorcendo a verdade a respeito de Cristo. Embora afirmassem segui-lo, negavam que a obra de Jesus na cruz era suficiente para a salvação. Sempre haverá pessoas que distorcem as Boas Novas. Ou não entendem os ensinamentos da Bíblia ou se sentem pouco confortáveis com a verdade como ela e. O que podemos dizer às pessoas que estão distorcendo a verdade? Antes de aceitar os ensinamentos de qualquer grupo, descubra o que este ensina a respeito de Jesus Cristo. Se o que ensinam não estiver de acordo com a verdade contida na Palavra de Deus, está deturpado.

1.8, 9 - Paulo denunciou veementemente o fato de os judaizantes estarem deturpando as Boas Novas de Cristo. Ele disse que mesmo que um anjo do céu viesse pregar outra mensagem, este anjo deveria ser eternamente amaldiçoado (ser anátema). Se um anjo viesse pregar outra mensagem, ele não seria do céu, não importava a sua aparência. Em 2 Coríntios 11.14,15, Paulo adverte que Satanás se disfarça de anjo de luz. Aqui ele invoca uma maldição sobre qualquer ser angelical que anunciar um falso ensino — uma resposta adequada ao emissário do inferno. Paulo estendeu essa maldição até a si mesmo, caso deturpasse o evangelho. Sua mensagem nunca deveria mudar, pois a verdade de Deus também nunca muda. Paulo usou uma linguagem muito forte porque estava tratando de uma questão de vida ou morte.

1.10 - Será que você passa sua vida tentando agradar a todos? Paulo precisou falar severamente com os cristãos da Galácia por estarem correndo sério perigo. Ele não pediu desculpas por suas palavras tão francas, pois sabia que não podia servir fielmente a Cristo se permitisse a esses cristãos continuar no caminho errado. De quem você procura aprovação — dos outros ou de Deus? Ore para ter a coragem de procurar a aprovação de Deus acima da aprovação de qualquer outra pessoa.

1.11ss - Mas por que os gálatas ouviriam Paulo em vez dos judaizantes? Paulo respondeu a essa questão apresentando suas credenciais. Sua mensagem havia sido recebida diretamente de Cristo (1.12). Ele havia sido um judeu exemplar (1.13,14); havia tido uma especial experiência de conversão (1.15.16; ver também At 9.1 -9), e seu ministério havia sido confirmado s aceito pelos outros apóstolos (1.18,19; 2.1 -9). Paulo também apresentou suas credenciais aos coríntios e aos filipenses (2 Co 11-12; Fp 3.4-9).

1.12 - Não sabemos os detalhes dessa revelação. Paulo está se referindo a alguma coisa além de sua experiência na estrada de Damasco. Ele insiste que suas palavras representam mais que suas ideias ou especulações.

1.13.14 - Paulo havia sido um dos judeus mais religiosos de sua época, pois observava escrupulosamente as eis e perseguia sem tréguas os cristãos (ver At 9.1.2}. Antes de sua conversão. Paulo era mais zeloso pelas leis do que os próprios judaizantes. Havia ultrapassado seus contemporâneos na prática e no conhecimento religioso. Era sincero em seu zelo — mas de forma errada. Quando encontrou Jesus Cristo, sua vida mudou. A partir desse momento, começou a dirigir todas as suas energias para a edificação da Igreja cristã.

1.14 - Para ser plenamente judeu, a pessoa deve ser descendente de Abraão Além disso, um judeu fiel observa as leis e as tradições judaicas. Os gentios não eram judeus (1 16). nem na nacionalidade nem na religião. Na época de Paulo, os judeus consideravam todos os gentios como pagãos e evitavam qual quer contato com eles, pois acreditavam que estes traziam a corrupção espiritual. Embora os gentios pudessem se tornar judeus pela religião e pela circuncisão, e também obedecendo às leis e tradições, nunca seriam plenamente aceitos. Muitos judeus tinham dificuldade de entender que a mensagem de Deus era dirigida aos judeus e também aos gentios. Alguns acreditavam que os gentios antes precisavam se tornar judeus e somente depois disso poderiam ser cristãos. Mas Deus planejou salvar tanto os judeus como os gentios e havia revelado seu propósito através dos profetas do AT (ver. por exemplo. Gn 12.3; Is 42.6; 66.19). Este propósito foi realizado por Jesus Cristo, e isso estava sendo proclamado aos gentios através de Paulo.

1.15, 16 - Como Deus estava guiando seu ministério, Paulo não estava fazendo nada além do que Ele havia planejado e lhe capa citado a fazer. Da mesma forma, o Senhor havia indicado Jeremias para ser seu porta-voz antes mesmo de seu nascimento (Jr 1.5). Deus também o conhece intimamente, e o escolheu para pertencer a Ele, mesmo antes de seu nascimento (ver SI 139). Ele o quer muito próximo de si para poder realizar o plano que elaborou para sua vida.

1.15-24 Paulo fala a respeito de sua conversão para mostrar que a mensagem que proclamava vinha diretamente de Deus, que o havia incumbido de pregar as Boas Novas aos gentios. Depois de ter sido chamado por Deus, Paulo não consultou mais ninguém e passou três anos na Arábia. Em seguida, falou com Pedro e Tiago, mas não teve nenhum outro contato com os judeus cristãos por muitos anos. Durante esse tempo. Paulo pregou aos gentios a mensagem que Deus lhe havia enviado. Ela não vinha do discernimento humano, mas de Deus.

1.18 - Essa foi a primeira visita de Paulo a Jerusalém como cristão, como registrado em Atos 9.26-30.

1.21 - Por causa da oposição existente em Jerusalém (ver At 9.29,30), Paulo havia ido à Síria e à Cilicia. Nessas remotas áreas, não tinha oportunidade de receber instruções de outros apóstolos.

1.24 - A mudança ocorrida na vida de Paulo dava motivos de louvor àqueles que o viam ou ouviam falar a seu respeito. O testemunho de Paulo os deixava impressionados. Louvavam a Deus porque somente Ele poderia ter transformado esse zeloso perseguidor de cristãos em um verdadeiro cristão. Podemos não ter sofrido uma mudança tão drástica como Paulo, mas ainda assim nossa nova vida deve honrar a Deus todos os dias e de todos os modos. Quando as pessoas olham para você, será que reconhecem a mudança que Deus operou em sua vida? Se esse não for o caso, talvez você não esteja vivendo como deveria.



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