2018/08/10

Estudo sobre Salmo 74

Estudo sobre o Salmo 74

Salmo 74
A destruição do templo

O Salmo 74 é um acompanhamento apropriado ao Salmo 73, pois elabora um exemplo específico do triunfo dos ímpios, a saber, a destruição do templo em Jerusalém pelos babilônios. O Salmo 74 está intimamente relacionado com os Salmos 78 e 79, que também falam da destruição de Jerusalém. Outro denominador comum desses três salmos e vários outros salmos de Asafe é sua ênfase em Deus como o pastor de Israel.

O título deste salmo diz: “Um maskil de Asafe”. O significado de maskil é incerto, mas parece significar tanto um “salmo habilidoso” quanto um “salmo instrutivo”. O músico Asafe era contemporâneo do rei Davi. A destruição do templo descrita no Salmo 74 ocorreu em 586 aC, cerca de quatrocentos anos após a vida de Asafe.

Isso levou alguns comentaristas a sugerir que este salmo não foi escrito pelo Asafe de Davi, mas por um descendente posterior de Asafe, talvez alguém que compartilhou seu nome. De acordo com essa teoria, o termo “Asafe” se referiria não apenas a um indivíduo, mas a uma sucessão de músicos de uma mesma família.

No entanto, esse salmo poderia ter sido escrito pelo tempo do Asafe de Davi por meio de inspiração profética, assim como Moisés em Deuteronômio, capítulo 28, escreveu sobre a queda de Jerusalém muito antes de acontecer.

Asafe pode ter escrito o Salmo 74 numa época em que Israel foi levado com entusiasmo por causa da construção do templo. Seu propósito pode ter sido o de olhar para o destino final do templo. Assim como a profecia de Moisés soou uma solene advertência na véspera da entrada na Terra Prometida, Asafe fez um aviso similar na véspera da construção do templo. Seu testemunho, como o de Moisés, serviria como um aviso em toda a história de Israel.

Serviria também como um conforto no momento em que a profecia se cumprisse, já que a previsão da destruição mostraria que mesmo esta terrível catástrofe não estava fora do plano e controle de Deus. Este salmo poderia então servir como uma oração para alívio deste desastre.

Salmos 74:1–3
Um maskil de Asafe

Para os fiéis em Israel, a destruição do templo, que servia como símbolo da presença de Deus, era uma evidência de que Deus os havia abandonado. Mas isso parecia inconsistente com o amor que Deus lhes havia mostrado quando ele os adotou como seu povo escolhido, quando lhes deu a Terra Prometida e quando sua glória apareceu no templo de Salomão. Certamente ele não deixaria seu povo nessa condição.

A destruição
Salmos 74:4–8

Quando os babilônios destruíram Jerusalém e o templo, a devastação foi completa. Muitos anos depois, quando Neemias veio reconstruir as muralhas da cidade, as pilhas de escombros ainda eram tão grandes que atrapalharam seu passeio pela cidade.

A referência no versículo 8 à destruição de “todo lugar onde Deus era adorado na terra” é intrigante, já que havia apenas um templo legítimo em Israel. Poderia se referir a locais de culto não-sacrificial como sinagogas, mas não há evidência de que as sinagogas locais existissem antes do exílio.

Aprofunde-se mais!

É improvável que Asafe lamentasse a destruição de lugares altos ilegítimos, que estavam espalhados por toda a terra, mas ele pode estar se referindo simplesmente a todas as cidades de Israel das quais os verdadeiros adoradores vinham a Jerusalém. Talvez a referência seja à destruição do templo e à muito anterior destruição do tabernáculo em Silo. Embora separados no tempo, esses dois eventos foram paralelos em significado e impacto, como veremos nos salmos posteriores de Asafe.

A destruição de Jerusalém deu aos babilônios orgulho tanto em seu poder como na superioridade de seus deuses. Esse orgulho e a crueldade que o acompanhavam exigiam uma resposta de Deus, mas nenhuma resposta semelhante parecia estar próxima.

A deserção
Salmos 74: 9–11

Após a destruição de Jerusalém, parecia que Deus havia abandonado o remanescente que permaneceu na terra. Os profetas Ezequiel e Daniel estavam com os exilados na Babilônia. Jeremias havia permanecido em Judá, mas a maioria dos sobreviventes rejeitou sua liderança e ele foi levado à força para o Egito. Em meio a essas circunstâncias, que são descritas nos capítulos 41 a 44 de Jeremias, a situação parecia sem esperança, mas os poucos fiéis não perderiam a esperança.

Bondade do passado de Deus
Salmos 74: 12–17

Para alguns em Israel, poderia parecer que Deus não fez nada porque ele não podia fazer nada. Mas tal noção foi refutada pelo poder que Deus mostrou na criação. Embora esses versos se refiram principalmente à criação, eles também lembraram os ouvintes do êxodo do Egito. Na linguagem poética de Israel, tanto as águas do mar que Deus “amansou” no terceiro dia da criação quanto a nação do Egito que mora ao longo do poderoso Rio Nilo foram às vezes retratadas como um monstro marinho. Leviatã era um nome para esse monstro. Ao usar esse termo, Asafe cria uma referência dupla que lembra o povo da criatividade de Deus, bem como seu poder redentor. Esse poder era a esperança deles.

Apelo por Socorro
Salmos 74: 18–23

Em seu apelo final, Asafe repousa seu caso em duas fundações: a honra de Deus e o amor de Deus por seu povo. Ele ora como fazemos na oração do Pai Nosso: “Santificado seja o seu nome”. Ele ora por libertação não apenas para que possa se beneficiar, mas também para que a honra de Deus seja mantida. Isso será feito quando o arrogante orgulho dos babilônios sobre o poder de seus deuses for silenciado.

Ao usar o nome “pomba” dos amantes carinhosos como o nome de Deus para sua amada noiva, Asaf enfatiza a grandeza do amor de Deus por Israel. Ele apela para as promessas da aliança que Deus fez a Israel como sua noiva e pede-lhe para restaurar sua união. O salmo 74 encerra com uma nota de esperança, mas a resposta completa a este pedido só virá nos salmos que se seguem.


Fonte: Brug, J. F. (2001). Psalms: Psalms 73-150 (2nd ed.). The People's Bible (p. 10). Milwaukee, Wis.: Northwestern Pub. House.

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