2010/05/12

Natureza da Literatura Apocalíptica

Natureza da Literatura Apocalíptica

(Enciclopédia Bíblica)

LIVRO DE APOCALIPSE, ESTUDOS BÍBLICOS E TEOLOGICOS
Uma classe inteira de literatura deve seu nome à primeira palavra do texto grego do último livro de nossa Bíblia. A palavra é apokálupsis. Este substantivo provém do verbo a) apokalúptein, que significa “desvendar”, daí “revelar”. O adjetivo “apocalíptico” é usado para qualificar escritos que têm certas afinidades com o Apocalipse do Novo Testamento. Foram feitas associações entre o Apocalipse e outras porções e livros da Bíblia, tais como Daniel e Ezequiel e estes são ditos conterem material apocalíptico em sua natureza. Depois foram feitas associações com escritos não-canônicos, tais como os Segredos de Enoque, e estes são também chamados “escritos apocalípticos”. Desta forma, como o termo foi considerado como descritivo de muitos escritos que não poderiam ser classificados de outra maneira, o gênero literário recebeu seu nome. Basicamente, “apocalíptica” é a literatura não diferente do Apocalipse.

Mas, o que caracteriza esta literatura? Muitos estudiosos a incluem nos “tratados para tempos difíceis” (G.E. Ladd, A Commentary on the Revelation of John — Um Comentário Sobre o Apocalipse de João — p.8). Esta literatura surgiu no período da história de Israel depois que a voz profética fora silenciada. Durante tempos de severa perseguição, livros apocalípticos surgiram na ausência de um profeta para responder à pergunta: “Porque o justo sofre?” Os livros apocalípticos pretendem ser uma revelação divina, geralmente através de um intermediário celestial, a alguma pessoa proeminente na história passada da nação, na qual Deus promete vingar seu povo sofredor, destruir toda a impiedade e trazer paz duradoura. A diferença básica entre a profecia e o texto apocalíptico é que a profecia lidava com as obrigações éticas do período em que o profeta escreveu, ao passo que o texto apocalíptico centralizava-se num tempo no futuro, quando Deus iria intervir catastroficamente, para julgar o mundo e estabelecer a justiça (Rist, Introduction and Exegesis of the Revelation of St. John the Divine — Introdução c Exegese do Apocalipse de S. João, o Divino — p. 347).

Há cerca de tantas definições da natureza desta literatura quanto há escritores sobre os livros deste gênero. Um método é definir o texto apocalíptico por três aspectos óbvios: forma, função e conteúdo. A virtude deste método é que estes aspectos são bem evidentes. Cada um destes tem cercas características, que precisam ser observadas. Estas são: 1) A forma, como tendo pseudonímia (ou anonímia), simbolismo, mitologia, orientação cosmológica, numerologia (gematria), experiências extáticas, alegações de inspiração, visões (esotéricas), drama, empréstimos de outros apocalipses, alegoria e prosa. 2) A função (ou propósito), como respondendo às necessidades que surgem das perseguições, resolvendo o problema colocado pela justiça de Deus e o sofrimento do homem (teodicéia), e expondo os objetivos do nacionalismo. 3) O conteúdo inclui determinismo, escatologia, transcendentalismo, uma filosofia pessimista da história, dualismo, divisão eônica do tempo e um mínimo de ensinos éticos e morais.

Naturalmente, é observável imediatamente que cada escrito apocalíptico não teria todas estas características; alguns têm mais, outros menos. Mas os três aspectos são de importância na definição deste gênero. Ê também evidente, ao ler-se o texto apocalíptico, que um aspecto pode ser dominante sobre os outros dois. Geralmente, contudo, é o aspecto da forma que chama a atenção para este tipo de literatura. As características destes aspectos foram desenvolvidas durante um período de séculos, resultantes de crenças religiosas básicas (cf. P. Hanson, The Dawn of Apocalyptic — A Alvorada do Apocalíptico). Foi sugerido, por Stanley B. Frost (Old Testament Apocalyptic — O Apocalíptico do Velho Testamento — 1952, p. 6), que o apocalíptico surgiu quando a escatologia judaica (conteúdo), mesclou-se com o mito semítico (forma), durante a perseguição da nação judaica (função). Isto é verdadeiro quanto ao apocalíptico judaico. Muito do chamado “apocalíptico neotestamentário” parece ser uma fusão do mito judaico e gentio, para propósitos gnósticos: forma (mito judaico e gentio), conteúdo (escatologia), função (gnóstica ou do conhecimento). Esta, em termos mínimos e elementares, é a definição do apocalíptico.

Algumas das literaturas não-canônicas que foram classificadas como “apocalípticas” são as seguintes: Entre os textos apocalípticos do Velho Testamento, deve ser observado que nenhum tem o título “Apocalipse”, ao passo que os apocalípticos do Novo Testamento têm. Os judaicos são:

1) O Livro de Enoque, também conhecido como Primeiro Enoque ou Enoque Etiópico; escrito por volta de 164-64 a.C.
2) A Assunção de Moisés, escrita por volta de 50 a.C. — 25 d.C.
3) Os Segredos de Enoque, também chamado Segundo Enoque, escrito no início do primeiro século.
4) O Livro de Baruque, ou Segundo Baruque, escrito no primeiro século.
5) IV Esdras foi escrito depois de 90 d.C.

Os “Apocalipses do Novo Testamento” são:

1) O Pastor de Hermas (apenas uma das visões, a quinta, é considerada apocalíptica), escrito por volta do início do segundo século.
2) O Apócrifo de João, escrito por volta da metade do segundo século.
3) O Apocalipse de Pedro, escrito por volta da metade do segundo século.
4) O Apocalipse de Paulo, escrito no final do quarto século.
5) O Apocalipse de Tomé, do quinto século. O Apocalipse de Maria, depois que os acima foram escritos.
6) O Apocalipse de Estevão, que é muito tardio.


Fonte: Introdução ao Estudo do Novo Testamento de Broadus David Hale.

Mais estudos bíblicos do livro de Apocalipse:

Cf. O Que são os Sete Espíritos de Apocalipse?
Cf. Armagedom e seu Significado Bíblico
Cf. Introdução Geral ao Livro de Apocalipse
Cf. Teologia do Livro de Apocalipse
Cf. Interpretação do Livro de Apocalipse
Cf. Visão Geral do Livro de Apocalipse
Cf. Título do Livro de Apocalipse

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