2015/11/10

Interpretação de João 21


1. O cenário dos aparecimentos após a Ressurreição muda de Jerusalém para a Galileia. O mar de Tiberíades. outra designação para o Mar da Galileia (cons. 6:1). 

2. Juntos. Refere-se, não à ocupação comum deles, mas ao discipulado e à sua experiência de ver Jesus ressuscitado dos mortos. Pedro e João destacam-se no incidente a ser narrado. 

3. Vou pescar. Pedro não suportava ficar inativo. À vista do seu barco e das águas do seu amado mar, e talvez a necessidade de manter corpo e alma despertos, ditou esse súbito pronunciamento. É arriscado pensar que Pedro fosse voltar à pesca como ocupação permanente. Falando-se a verdade, o infinitivo do verbo  “pescar “ está no tempo presente, o que sugere ação prolongada. Mas isto é contrabalançado pelo verbo vou que sugere uma expedição e não uma carreira. Além disso, a aquiescência dos outros discípulos esclarece que eles compreenderam que o propósito de Pedro era temporário. À vista dos aparecimentos do Senhor (cons. 20:21-23), é inaceitável que eles estivessem voltando à pesca como ocupação definitiva. Nada apanharam. Isto foi providencial, preparando o caminho para a intervenção de Cristo.  

4,5. De pé na praia, Jesus falou mas não foi reconhecido. Filhos pode-se traduzir por rapazes, sem prejudicar o sentido da palavra. Tendes aí alguma cousa de comer? A forma da pergunta encerra a suspeita de que não tinham. Coisa de comer. Algo que se come com pão, mas também com sentido de peixe. Não. Dói a um pescador admitir que nada apanhou. 

6. Lançai a rede à direita do barco. A posição do barco permaneceu a mesma, o equipamento de pesca foi o mesmo, os homens eram os mesmos, com a mestria habilidade; mas agora suas redes vazias se encheram; tudo por causa da palavra de Cristo (veja Jo. 15:5). 

7. O milagre despertou rapidamente a percepção do  “discípulo amado “ de que o estranho devia ser Jesus. É o Senhor. A mente de Pedro devia ter rapidamente retrocedido a uma outra ocasião nesse mesmo lago quando sob a palavra de Jesus ele jogou a rede e apanhou uma grande quantidade de peixe (Lc. 5:1-11). A ansiedade de Pedro em ver Jesus pessoalmente dá a entender que ele não tinha consciência de estar fora da vontade de Deus em ter ido pescar. Veste. Seria impróprio saudar o Senhor sem estar devidamente vestido. 

8. Os outros discípulos seguiram-no com o barco. Duzentos côvados. Cerca de 92 metros. 

9. Os discípulos de Jesus iam ser lembrados de que aquele que garante sucesso no trabalho cristão também é suficiente para suprir as necessidades diárias dos seus. Peixe. Um só peixe. Pão. Um só filão. Jesus providenciaria para que fosse suficiente, como já fizera antes com os pães e peixes no caso da multidão. 

10. Trazei alguns dos peixes que acabastes de apanhar. O propósito não era aumentar o que já estava preparado. Não há indicação de que os peixes fossem preparados, cozidos e comidos. Cristo queria que os homens desfrutassem de toda a alegria do seu trabalho. Generosamente Ele disse  “que agora apanhastes “, apesar da incapacidade deles sem a ajuda Sua 

11. Os peixes foram contados como de costume. Seu número simplesmente indica a grandeza da pesca. Se há algum simbolismo relacionado com a rede que não se rompeu, é que aqueles que são evangelizados através do trabalho orientado por Cristo não se perderão, mas serão preservados até alcançarem a praia celestial. 

12. Comei. A palavra se aplica especialmente ao desjejum, embora às vezes fosse usado para com outras refeições. Foi uma ocasião solene, com os discípulos sentindo um respeito renovado na presença do Senhor. 

14. Terceira vez. Outros dois aparecimentos aos discípulos em grupo foram narrados no capítulo anterior. O restante dos acontecimentos desta aparição relaciona-se quase que exclusivamente com Pedro e João, embora os outros aproveitassem dos seus ensinamentos. 

15. Esta cena tem sido às vezes intitulada  “A Restauração de Pedro “, mas isso pode levar a uma má interpretação. Pedro já fora restaurado no sentido de receber o perdão (Lc. 24:34). Mas a liderança de um discípulo desviado dificilmente seria aceita no futuro, quer pelo próprio Pedro ou seus irmãos, se Cristo não o indicasse explicitamente. Amas-me? Mais importante do que o amor aos homens está o amor a Cristo. Mais do que estes. Alguns entendem estes como se referindo aos instrumentos da pesca. Se fosse assim, Pedro teria respondido sem nenhuma evasiva, sem usar uma outra palavra para amor, diferente da que Jesus usou. O próprio fato de que Jesus experimentou o amor de Pedro na presença dos seus irmãos dá a ideia de que os outros estavam envolvidos. Pedro se vangloriara que permaneceria leal mesmo se os outros não permanecessem (Mc. 14:29). Apascenta os meus cordeiros. Cristo não deseja confiar Seus pequeninos a alguém que não o ama. 

16. A segunda série de pergunta e resposta deu lugar a uma missão um tanto diferente, pelo menos verbalmente. Pastoreia as minhas ovelhas é literalmente Seja o pastor (ou tome contadas minhas ovelhas

17. A tristeza de Pedro pode ser devida a duas coisas. Primeiro, a pergunta três vezes repetida poderia fazê-lo pensar na sua tripla negação. Segundo, Jesus deixou de usar uma palavra indicando amor (agapao) e usou aquela que Pedro usou (fileo) indicando esta uma afeição cálida mas talvez considerada inferior à primeira, Essa distinção, entretanto, neutraliza-se pelo fato de que em outras passagens de João a segunda palavra foi usada com sentido muito elevado (5:20 por exemplo). Minhas ovelhas (cons. 10:14, 27). Elas são preciosas ao Senhor; deu a sua vida por elas. Pedro precisava amar para assumir seu ofício pastoral. 

18. A aceitação dessa comissão teria alto custo o começo da vida de Pedro foi uma vida de liberdade. Um dia essa liberdade desapareceria, mas só quando Pedro fosse velho. A profecia lhe assegurou anos de serviço. Estenderás as tuas mãos. Linguagem aplicável à crucificação. A tradição da igreja primitiva sustenta que Pedro morreu desse modo, 

19. Com que gênero de morte. Ele devia se sentir honrado em morrer com o mesmo tipo de morte do Senhor. A palavra glorificar também se usou em relação à morte de Jesus (12:23). Segue-me. Trata se de movimento físico, mas muito mais do que isso está implícito (cons. 13:36). Pedro estava sendo convocado a segui-lO constante e fielmente, a permanecer imperturbável, tal como Jesus permanecera à vista da cruz que se aproximava. 

20. João também o seguiu sem ser convidado. Pedro notou e comentou. 

21. Sendo amigo de João, Pedro estava curioso em relação ao futuro que o Senhor pretendia dar a este

22. A resposta de Jesus tinha um propósito, repreender Pedro por estar perturbado com o futuro de João. Bastava-lhe preocupar-se em fazer a vontade de Deus em sua própria vida. Essa repreensão se percebe no tu enfático, que está ausente do versículo 19. 

23. As palavras de Jesus, entretanto, foram imediatamente mal interpretadas como se assegurassem que João viveria até a volta do Senhor. O se foi facilmente omitido. O próprio João corrige esta falsa impressão.  

24. Este. Uma referência ao discípulo do versículo 23, isto é, João. Dá testemunho. Isto talvez aponte para o testemunho oral de João sobre as coisas contidas no Evangelho, separadamente do fato de que ele também as escreveuSabemos. A identidade dessas pessoas que acrescentaram o seu testemunho para confirmar a veracidade do que João escreveu, é desconhecida. Ao que parece eram homens associados a João em Éfeso, possivelmente anciãos da igreja. 

25. O pensamento é uma extensão do que já foi declarado em 20:30. Creio. É esquisito depois do plural sabemos do versículo anterior. Há quem pense que o secretário de João acrescentou esta palavra final. Somos novamente lembrados que o registro do nosso Evangelho não tem a intenção de registrar todas as atividades de nosso Senhor nos dias da sua carne.  

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