2019/08/19

Interpretação de Deuteronômio 15

Interpretação de Números 1

Interpretação de Deuteronômio 15



Deuteronômio 15

1. Ao fim de cada sete anos. Isto se refere ao ano sabático que arrematava cada período de sete anos dentro do ciclo do Jubileu (cons. 14:28). A instituição do ano da remissão foi estabelecida no Livro da Aliança (Êx. 23:10,11) e exposta nas instruções levíticas (Lv. 25:2 e segs.).
2. A remissão do Senhor. O hebraico shemitta, “remissão”, vem de uma raiz significando deixar cair. Em Êx. 23:11 aplica-se à terra no sentido de permanecer inculta. Por isso o ano da remissão é “sábado de descanso solene para a terra” (Lv. 25:4). Aqui se aplica às dívidas no sentido do perdão. Muitos têm interpretado isto como uma moratória de um ano sobre a cobrança dos débitos do credor. Contudo, o fato do sétimo ano da remissão e do ano do Jubileu da liberdade pertencerem a uma só unidade simbólica indica que se refere a um cancelamento permanente de dívidas. O descanso solene do Jubileu que fechava o ciclo simplesmente prosseguia com o princípio da restauração da liberdade pessoal e o retorno imobiliário. Em cada nível a remissão sabática era uma renovação do livramento original que o Senhor realizou em benefício do povo da aliança, quando este se encontrava escravizado e a reintegração das famílias em suas heranças originais. De maneira agradável, o sábado propriamente dito estava associado com a libertação dos necessitados realizada pelo Senhor, do povo que chorava em grilhões (cons. Dt. 5:14, 15). O livramento do sétimo ano era do Senhor, embora Sua misericórdia se manifestasse pela filantropia dos Seus servos. Tinha a finalidade de renovar o símbolo teocrático do reino de Deus periodicamente por meio de uma nova realização da graça salvadora e restauradora do Senhor que fora tão abundantemente experimentada no começo da vida teocrática de Israel. Ao mesmo tempo, apontava profeticamente para a ação redentora futura de Deus, antecipando o reino de misericórdia messiânico em prol dos pobres e desamparados (cons. Sl. 72). Este projeto de consumação está sempre presente no simbolismo sabático.
4. Para que entre ti não haja pobre. A necessidade de tal caridade, como se observa parenteticamente (vs. 4 -6), seria prevenida pela ausência de pobres em Israel, se tal fidelidade sempre fosse manifestada no que diz respeito à repartição das bênçãos da aliança na mais rica medida. Na realidade, contudo, por causa da falta de fidelidade em Israel, os pobres sempre estiveram presentes (v. 11; cons. Mc. 14:7).
9. De sorte que os teus olhos (não) sejam malignos para com teu irmão pobre. Tais, na realidade, eram as perversas propensões do próprio povo da aliança, a ponto de precisar sei advertido pala que esta provisão septenial de misericórdia para com os pobres não se transformasse em oportunidade de opressão dos mesmos nos períodos intermediários. A prática da comemoração de um ano de remissão, parece a alguns, financeiramente impraticável (um dos motivos porque alguns comentadores interpretam a remissão como uma suspensão temporária da dívida). Mas o povo da fé foi convocado a reconhecer que dentro dos arranjos convencionais peculiares de Deus com a nação teocrática, a obediência a esta estipulação eia uma garantia de prosperidade – pois por isso te abençoará o Senhor teu Deus (v. 10; cons. Lv. 25:20, 21). Que as Escrituras não recomendam este procedimento como política normativa fora da comunidade teocrática de Israel no V-T- está evidente até pela cláusula exclusiva em Dt. 15: 3a. O estranho (v. 3a) não é, como o “forasteiro” ou “o estranho dentro das portas”, um membro permanente da comunidade, mas alguém que visita a comunidade temporariamente com propósitos comerciais ou coisa parecida.
12. . . . o despedirás forro. Embora dentro da estrutura dos sete anos, esta lei, divergindo de 14:28, 29 e 15:1-11, não se refere às unidades sabáticas regulares dentro do ciclo do Jubileu, mas a um período de sete anos, começando sempre que um individuo hebreu passasse a ser servo contratado. Esta provisão de manumissão também estava contida no Livro da Aliança (Êx. 21:2-6), e encontra um correlativo dentro da legislação levítica referente ao ano do Jubileu (Lv. 25:39-55; cons. Jr. 34: 14). Ou hebréia. A inclusão da mulher hebréia, possivelmente implícita em Êx. 21:2-6 (cons. Êx. 21:7-11, que trata do caso especial da serva-concubina) torna-se aqui explícita. Como no caso da remissão da dívida, também na remissão do escravo, os limites da aplicação aplicavam-se à irmandade israelita.
À vista do contraste instituído entre o “irmão” e o “estrangeiro” neste contexto e da identificação do servo hebreu como irmão (Dt. 15:12), a teoria que considera o “servo hebreu” como “servo estrangeiro” deve ser considerada falsa. De acordo com esta teoria, o que Êx. 21:6 e Dt. 15:17 permite para o servo hebreu, Lv. 25:44-46 proíbe para um israelita. Mas Levítico 25 refere-se à escravidão compulsória e rigorosa, enquanto que a passagem que fala do servo hebreu refere-se ao serviço voluntário e concorde. A estipulação de uma manumissão do Jubileu em Lv. 25:40, 41 suplementa o direito do servo hebreu da remissão após os sete anos como favor especial quando o Jubileu chegava antes dos seus sete anos de serviços prestados.
16. Se . . . disser: Não sairei. Este direito suplementar, tal como o da remissão no sétimo ano, estava sujeito ao direito adicional do servo de permanecer voluntariamente por toda a vida a serviço do seu amado senhor (cons. Êx. 21:5, 6). Na reformulação deuteronômica desta provisão, ela se torna mais liberal (15:13, 14) e citam-se vários induzimentos à obediência (vs. 15, 18).
19-23. O assunto dos primogênitos mencionado em 14:23 (cons. 12:6,17) foi retomado agora. Legislação anterior sobre o assunto encontra-se em Êx. 13:2, 11.16; 22:29,30; 34:19, 20; Lv. 27:26, 27; Nm. 18:15-18. O tratamento deuteronômico não é exaustivo, pois tem apenas a intenção de esclarecer a importância da lei do altar central (Dt. 12) em relação à lei dos primogênitos dentro das circunstâncias antecipadas das tribos dispersas e expostas às perigosas influências dos santuários cananitas locais. Assim, a nova formulação refere-se a um fato não notado na legislação anterior, isto é, que o ofertante e sua família deviam participar da refeição sacrificial que acompanhava a apresentação dos primogênitos.
20. Comê-lo-ás, perante o Senhor. Isto foi aqui mencionado de maneira explícita a fim de destacar a exigência de que toda festa sagrada tinha de se realizar no santuário central (12:6, 17), embora em Canaã as festas comuns seriam permitidas em outros lugares (12:15 e segs.). Não há uma contradição inexplicável entre a concessão dos primogênitos aos sacerdotes e suas famílias (Nm. 18:15-18) e este participar da família do ofertante na refeição cerimonial. Veja 14:23-27 onde há uma situação semelhante relacionada com a disposição dos dízimos. De ano em ano. A oferta anual era substituída pela oferta do oitavo dia (cons. Êx. 22:30) exatamente porque o comei da carne em casa eia doravante permitido (Dt. 12:21). Veja em Lv. 22:19 e segs. coment. sobre o versículo 21a; também Dt. 17:11. Observe novamente a preocupação em mostrai a importância da legislação fundamental de Deuteronômio 12 quanto a este assunto particular dos primogênitos (15:22, 23;cons. 12: 15, 16, 22 e segs.).


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2 comentários:

  1. Este estudo está muito bom como sempre. Graça e paz de Cristo

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  2. Como o Senhor cuida dos pequenos: Ano da remissão e leis a favor dos pobres.

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