2016/06/17

Interpretação de Deuteronômio 4

Interpretação de Números 1

Interpretação de Deuteronômio 4

Índice: Deuteronômio 1 Deuteronômio 2 Deuteronômio 3 Deuteronômio 4 Deuteronômio 5 Deuteronômio 6 Deuteronômio 7 Deuteronômio 8 Deuteronômio 9 Deuteronômio 10 Deuteronômio 11 Deuteronômio 12 Deuteronômio 13 Deuteronômio 14 Deuteronômio 15 Deuteronômio 16 Deuteronômio 17 Deuteronômio 18 Deuteronômio 19 Deuteronômio 20 Deuteronômio 21 Deuteronômio 22 Deuteronômio 23 Deuteronômio 24 Deuteronômio 25 Deuteronômio 26 Deuteronômio 27 Deuteronômio 28 Deuteronômio 29 Deuteronômio 30 Deuteronômio 31 Deuteronômio 32 Deuteronômio 33 Deuteronômio 34

D. Resumo da Aliança. 4:1-49.
O prólogo histórico termina com uma exortação. É uma transição para a seção seguinte sobre as obrigações do relacionamento convencional. A convocação à obediência aqui enunciada, repercutiu sucintamente nos parágrafos que introduzem significativas divisões dentro das estipulações (veja 5:1; 6:1; 12:1). Deuteronômio 4 é notável porque resume, numa certa extensão, todos os aspectos que constituem o padrão documentário dos antigos tratados de suserania. Assim, temos aqui: 1) a identificação do autor da aliança, falando (vs. 1, 2, 5, 10); 2) referências ao passado relacionamento histórico; 3) a apresentação da exigência central de pura devoção ao suserano; 4) apelo às sanções das bênçãos e maldições; 5) invocação de testemunhas (v. 26); 6) a exigência de transmitir o conhecimento da aliança às gerações subseqüentes (vs. 9,10); e 7) alusão à questão dinástica (vs. 21, 22). Esta mistura de diversos aspectos de liderança na instituição da aliança encontrados aqui e em todo o livro, explicam-se pela origem do material no livre discurso de despedida de Moisés. Deuteronômio não é um documento preparado em uma repartição pública com desapaixonado apego à forma legal.
Os versículos 1-8 fazem uma convocação à sabedoria. Os estatutos que Moisés ensinou a Israel foram uma revelação da vontade de Deus (v. 5).
2. Nada acrescentareis. . . nem diminuireis. As leis de Deus não deviam sofrer emendas ou reduções através de legislação humana (cons. 12: 32; Ap. 22:18 e segs.). Toda a obrigação do homem era obedecer, e os israelitas obedientes receberam a promessa de vida e rica herança – para que vivais . . . e possuais a terra (v. 1). O fato de que, em última análise, a piedade e a prosperidade não se separam fica prefigurado na história da teocracia de Israel, pois simboliza o reino de Deus realizado. Ilustração deste fato era o recente juízo divino sobre Israel por causa do seu envolvimento na idolatria de Baal-Peor (v.3; Nm. 25:1-9); pois aqueles que se comprovaram fiéis naquela tentação foram poupados da praga da morte (Dt. 4: 4). De maneira compreensível, então, a obediência às leis divinas identifica-se com a verdadeira sabedoria.
7,8. Deuses tão chegados. . . estatutos e juízos tão justos. Obediência é o caminho para o desfrute das supremas bênçãos da aliança – a proximidade divina no poder salvador, e o conhecimento da verdadeira justiça. Esta luz revelada em Israel tornou-se realmente a luz dos gentios (v. 6b). Nesta exposição do caminho da aliança como o caminho da sabedoria, estabeleceram-se os fundamentos na Torá para a literatura da Sabedoria, a qual veio mais tarde achar o seu lugar no cânon sagrado.
Nos versículos 9-31 declara-se a insensatez da idolatria. Quando Moisés confrontou a nova geração com o desafio de reafirmar a fidelidade que seus pais penhoraram no Sinai, ele mostrou-se vivamente cônscio do pecado do bezerro de ouro dos pais, com o qual transgrediram a aliança quase imediatamente depois dela ter sido selada (cons. 9: 7 e segs. ; Êx. 32). Por isso destacou a proibição contida no segundo mandamento, fazendo o contraste entre o caminho da sabedoria e vida (Dt. 4:1-8) com o caminho da loucura e destruição.
10. E os farei ouvir as minhas palavras. No Horebe, Deus revelou a Israel a maneira certa de adorar. Aquela revelação estava contida na aliança, a qual, foi primeiro comunicada oralmente e depois inscrita nas duas tábuas. A preparação dos documentos em duplicata, uma para o suserano e outra para o vassalo, era o procedimento regular na ratificação dos tratados de suserania. O fato do conteúdo das tábuas ser chamado de “dez mandamentos” ou “aliança” aponta para a natureza da aliança como declaração do senhorio divino.
12. O Senhor vos parou do meio do fogo (veja também v. 15). A maneira da verdadeira adoração também foi revelada pela própria natureza da teofania. Pois, embora a voz fosse ouvida declarando as palavras da aliança, nenhuma forma de Deus foi vista mas apenas o fogo devorador da glória de Deus. Os símbolos visíveis da auto-revelação de Deus assim reforçaram a proibição do segundo mandamento.
Israel devia abster-se da idolatria e não devia adorar a obra de mãos humanas – imagem esculpida (vs. 16-18,23; com 5:8) – mas também não devia adorar a obra das mãos de Deus, o exército dos céus (v. 19). A adoração do que era visível e criado era característica das nações gentias as quais Deus abandonara à sua própria e louca perversidade (v. 19b; cons. 29:26 ; Rm. 1:21 e segs.).
20. Para que sejais povo de herança. Se Israel se voltasse para a idolatria, estaria escolhendo o destino da rejeição de sua eleição divina como possessão redimida e exclusiva do próprio Deus (veja também 7:6; 14:2); um privilégio exclusivo que exigia um serviço e devoção exclusivos.
23. Guardai-vos. Profeticamente Moisés advertiu que o gozo prolongado das bênçãos de Canaã, bênçãos que nem ele receberia (vs. 21,22a), poderia provocar o esquecimento do passado (v. 25; cons. v. 9). Que os israelitas, portanto, se lembrassem que o Deus ao qual tinham jurado fidelidade no Sinai, apareceu ali como fogo consumidor (v. 24). Se provocado ao ciúme pela idolatria, Ele desencadearia as maldições da aliança sobre tal loucura. E que maldição poderia ser maior que abandonar aqueles que repudiam a eleição divina à futilidade da idolatria que escolheram e à comunidade dos homens de mentes e destinos igualmente depravados? (vs. 27,28; 28: 64 e segs.)
29-31. De lá buscarás . . .e o acharás. Contudo, a aliança divina é aliança de salvação, e seu cumprimento está garantido pelo juramento que Deus fez aos patriarcas. Portanto, depois da loucura de Israel e após o juízo, Deus garantiria o arrependimento de modo que além da maldição do exílio, haveria bênçãos da restauração (cons. 30:1 e segs.).
32-40. Estes versículos apresentam as evidências da verdadeira religião. A identidade do Senhor como Deus somente nenhum outro há senão ele (v. 35) – Criador soberano dos céus e da terra, evidenciou-se por suas maravilhosas auto-revelações em teofania e milagre redentor (vs. 35, 39 ; cons. Êx. 10:2).
32. Pergunta . . . se sucedeu jamais coisa tamanha como esta. Seus atos gloriosos no Horebe e no Egito foram sinais sem paralelo; nenhum ídolo das nações jamais identificou-se assim. Se o propósito da vocação de Israel foi levar os povos ao temor reverente (v. 36), e conhecimento do Senhor como Deus (vs. 35, 39), a fonte dessa vocação encontrou-se na livre graça de Deus (cons. 9:5).
37, 38. Porquanto amou teus pais. Moisés remontou a origem do livramento do Egito e da herança do prometido repouso (penhor do qual era a ocupação da Transjordânia) ao amor soberano de Deus pelos patriarcas, principalmente Abraão.
39. O Senhor é Deus. Moisés ainda apontou para a totalidade das misericórdias milagrosas do passado e para as sanções da esperança futura da aliança (v. 40) como motivos para o reconhecimento consciente das reivindicações da divindade exclusiva do Senhor.
41-43. Como parte do prólogo histórico do tratado deuteronômico, o mais recente acontecimento significativo no benévolo governo de Deus sobre Israel foi citado aqui. Em obediência à orientação divina, (cons. Nm. 35:1,14), Moisés apontou três cidades de refúgio na região conquistada por Israel na Transjordânia, uma em cada setor, ao norte, no centro e ao sul (cons. 19:1-13).
44-49. Esta passagem é transicional. Como sumário das conquistas da Transjordânia (vs. 46b-49; cons. 2:32-36; 3:1-17), serve de conclusão ao prólogo histórico. Mas também é imediatamente introdutório às estipulações (vs. 44-46a). A cena da cerimônia da aliança e do adeus de Moisés foram apresentadas de maneira precisa (cons. 1:3.5; 3:29).

45. Quando saíram do Egito assinala a transação, como se pertencesse à era mosaica da prolongada viagem do Egito ao Jordão. A ratificação desta aliança devia ser finalmente concluída na nova era quando Israel entrasse em Canaã sob a liderança de Josué (cons. 11:29 e segs.; 27). 

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