2018/04/09

Estudo sobre Romanos 8:37-39

Estudo sobre Romanos 8:37-39

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Romanos 8:37-39

No ponto mais baixo ecoa um irresistível cântico de vitória. Já em Rm 5.3-5 aflições suportadas pessoalmente foram arrastadas para dentro de um processo de esperança. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores (vencemos arrasadoramente), por meio daquele que nos amou. Paulo antepõe [no grego] ao verbo “vencer” o prefixo “super”126: não apenas vencer, mas ser “supervitorioso”, vencer estrondosamente.

38,39 Finalmente, também poderes intelectuais tentam isolar-nos do âmbito da bênção e do poder do amor de Deus. Em sua grandiosa exposição da culpa humana em Rm 1.18–3.20, Paulo ainda mantivera completamente de lado esses poderes. Nada devia encobrir a responsabilidade própria do ser humano por seu agir. No entanto, logo depois que introduziu o evangelho, a partir de Rm 3.21, tinha de falar também de potências supra-individuais, como se evidencia especialmente a partir de Rm 5. Pois o evangelho, que segundo Rm 1.16 representa ele próprio um poder dinâmico (dynamis), não penetra num vácuo de poder, mas em sistemas inteiros que se encontram em rebelião contra Deus. Essa realidade o apóstolo encara agora, numa síntese e conclusão, a fim de erigir também nessa área a confissão da supremacia do amor de Deus. Para tanto, recorre ao peso da experiência espiritual: Eu fui convencido e agora estou bem certo (convencido).

Há paralelos da enumeração seguinte em muitas cartas, mas essa os supera em extensão e consistência. Entre as dez expressões estão contrapostos quatro vezes dois pontos angulares que, evidentemente, cada vez abrangem a plenitude daquilo que fica entre eles. Morte e vida engloba, de modo análogo a Rm 14.7 e Fp 1.20, toda a nossa existência de criaturas. Na “morte” devem ser incluídas todas as suas formas preparatórias (Ap 21.4), de maneira que surge diante dos olhos a influência de múltiplos poderes causadores de sofrimento (enfermidade, fadigas, infortúnio, pobreza, opressão, discórdia e guerra). Da mesma forma cumpre abrir o leque de “vida”, a saber, segundo suas forças que rompem, impulsionam, entusiasmam, mas que também podem tornar-se sempre a desgraça do ser humano. A dupla “anjos – principados” permite que se observe a hierarquia multissegmentada de espíritos que servem e comandam. “Coisas do presente – nem do porvir” chama à consciência a terrível grandeza do “tempo”. Não se deve louvar o dia antes da noite. O tempo corre, nós corremos irremediavelmente com ele, queiramos ou não. Que mais haveremos de enfrentar! “Altura – profundidade” torna real a extensão do espaço. Já naquele tempo se atribuíam essas definições de lugar a esferas de poder ameaçador, para ressaltar sua realidade elevada e abissal. Paulo fala em 2Co 10.5 dos presunçosos e “toda altivez (‘altos edifícios mentais’) que se levante contra o conhecimento de Deus”. Nós, pessoas modernas, também falamos dos altos e baixos na alma e sabemos quanto somos dependentes deles. Já no v. 38 foi entremeado o coletivo “poderes”. O final: nem qualquer outra criatura classifica retrospectivamente todas as grandezas citadas (cf Cl 1.16). Segundo Gn 1,2 Deus criou não somente objetos concretos, mas também forças que movem, classificam e governam as coisas. Mas também elas foram arrastadas com a queda do ser humano, o que agora reverte negativamente sobre ele. Em vez de servirem ao ser humano, elas são capazes de ameaçá-lo. O cosmos não funciona mais ao natural. Esses poderes também se digladiam mutuamente. Como forças caóticas, já teriam há muito transformado o cosmos em caos, se não existisse Deus que as detém (2Ts 2.6). Separadas de Deus, elas não podem nada além de separar de Deus e levar à perdição. Por isso a obra de Cristo também as alcança. Deus fez de Cristo o Senhor delas, para derrotá-las (Ef 1.10,20-22; 1Co 15.25). Nessa questão, o tema “Cristo e os poderes” não deve ser reduzido para Cristo e os poderes políticos, nem se deve, num curto-circuito, fazer da igreja um instrumento político.

Nesse ponto Paulo não entra nos detalhes. Ele foi cativado pelo “grande amor (de Deus) com que (Deus) nos amou” (Ef 2.4). Note-se bem que esse amor é uma ação, não uma qualidade imóvel. Numa data determinada, Deus interveio ativamente no mundo perturbado. O sacrifício de Cristo conferiu ao conjunto da criação a inclinação decisiva e irresistível para a salvação. De sua ressurreição, Paulo colhe a certeza que ele já delineou nos v. 28-30. Nada pode anular esse feito de Deus e essa prática do amor, nem romper nossa comunhão com Deus nele fundamentado. Um cosmos inteiro de forças de oposição não poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Pelo contrário: nossa fé é a vitória que venceu o mundo (“o cosmos”) (1Jo 5.4).

Aprofunde-se mais!
Estudo sobre Romanos 8:37-39

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