2009/06/25

Comentário de João 19:11-12

19:11 - Jesus respondeu,… Com grande intrepidez e coragem, com liberdcomentario biblico, evangelho de joão, novo testamentoade e confiança, como não estando de forma alguma amedrontado com as suas ameaças, ou afetado com o seu orgulho em que se gabou, e a fim de expor a insignificância deles:

Não terias nenhum poder contra mim, a menos que isso te fosse dado de cima: Querendo dizer, não do Sinédrio Judaico, cuja corte de judicatura estava no templo, que era mais alto do que outras partes da cidade; nem do imperados Romano, ou senado Romano, os maiores poderes; por quem Pilatos foi feito governador da Judéia, e um juiz em todos os casos relacionados com a vida e a morte; mas a referência é ao lugar de cima, onde ele veio,
[1] e ao decreto e conselho de Deus acima, e o acordo entre os três eternos nos cues. Cristo fala de um poder que ele tinha contra ele, ou seja, de tirar a sua vida; ele não tinha nenhum poder legal para fazer isso de forma alguma; nem qualquer poder, correto ou errado, se não tivesse sido dado, se não tivesse sido dado por Deus: e que deve ser atribuído, não meramente a providência geral de Deus, sem a qual nada é feito desse mundo; mas ao conselho determinado de Deus relacionado a essa ação em particular de crucificação de Cristo; caso contrário, Cristo, como Deus, poderia ter golpeado Pilatos imediatamente com a morte, e mesmo sem essa ação ele poderia facilmente ter escapado das mãos dele, assim como ele tinha tantas vezes escapado das mãos dos Judeus; e, como homem e Mediador, ele poderia ter orado a seu Pai, e teria tido mais de doze legiões de anjos, que teriam assim resgatado ele: mas isso não deveria acontecer; o poder havia sido dado a Pilatos desde os céus contra ele; não por algum mal que ele mesmo tinha cometido, ou meramente para gratificar a inveja e a malícia dos Judeus, mas para a salvação dos eleitos, e para a glorificação de suas perfeições divinas: e a isso os Judeus mesmos concordavam em geral,

“Que todas as coisas desse mundo dependem de cima; e quando eles concordam acima primeiro, (eles dizem (s)), eles concordam abaixo; e que não há poder algum abaixo, a menos que esse דאתייהיב שולטנותא לעילא, “poder fosse dado de cima”; e tudo depende disso:”

Portanto, aquele que me entregou a ti tem maior pecado;... מן דילך, “do que o teu”, tal como a versão Siríaca acrescenta, e para a mesma finalidade a Persa. Pilatos tinha sido culpado de pecado já na flagelação de Cristo, com os seus sofrimentos e pelos soldados romanos terem abusado dele; e seria culpado de um maior pecado, devido ter entregado-o para ser crucificado, ele sabia que era inocente: mas o pecado de Judas em entregá-lo nas as mãos dos principais sacerdotes e anciãos, e ao povo dos Judeus, e de entregar-lhe a Pilatos para crucificá-lo, segundo a maneira romana, foram maiores, na medida em que deles procederam de malícia e inveja, e foi feito contra a maior luz e conhecimento, por suas obras, os milagres, e ministério, bem como pelas suas próprias profecias, que eles poderiam, ou deveriam ter sabido, que ele era o Messias, Filho de Deus: e o que deve ser observado, é como há uma diferença no pecado, e que nem todos os pecados são iguais, as circunstâncias das coisas que faz uma alteração; de forma que o decreto de Deus relativo à entrega de seu filho nas mãos de homens pecadores, não desculpa o pecado dos seus traidores.

19:12 - E a partir daí em diante Pilatos buscou libertá-lo,... A partir do momento em que Cristo falou a expressão acima, ou, como a versão Siríaca traduz, מטול הדא, “devido a isso”, ou por causa das palavras que ele tinha falado, da qual concordam as versões Etíope e Árabe: ele procurou por todos os meios, e estudou todas as maneiras para trazer os judeus a concordar com a sua soltura: os motivos foram, por causa da consciência de culpa, e do perigo de contrair mais, e que ele poderia ser um Ser Divino, a quem ele era responsável pelo exercício de seu poder, sua suspeita de que Jesus era o Filho de Deus, ou que ele era mais do que um homem, pois ele percebeu que as suas palavras vinham com poder, pelo efeito que tiveram sobre ele: mas embora ele procurasse libertá-lo, ele não usou o poder que ele tinha se gabado de possuir; a razão em si mesmo era, que ele desejava que os Judeus concordassem com ele; o segredo da providência era que Deus não iria permitir isso; e ainda as coisas devem ser levadas a esta altura, para que ficasse evidente que Cristo sofreu, não pelos seus próprios pecados, mas os nossos, e que ele sofreu voluntariamente:

Mas os judeus gritavam, dizendo, se tu deixares esse homem ir embora, tu não és amigo de César. Estes foram os principais sacerdotes, escribas e anciãos do povo, sobretudo, e por quem, as pessoas comuns eram incentivadas para pedirem sua crucificação: estes ainda fizeram isso com gritos, e em uma maneira mais clamorosa, eles instam dizendo que, se Pilatos o libertasse, ele estaria mostrando pouco respeito a César, por quem ele foi levantado a esta dignidade, a quem ele tinha sido colocado a esta confiança, a quem ele representava, e em nome de quem ele agia. Esta foi uma peça de astúcia neles, pois nada mais poderia afetar Pilatos, do que uma insinuação de falta de amizade e fidelidade a Tibério, que era, então, o César, ou imperador,
[2] e também, foi um exemplo de grande hipocrisia em si mesmos, de fingirem ter uma relação com César, quando eles reclamavam devido a tributação paga a ele, e teriam ficado satisfeitos, em qualquer caso, de terem se livrado do seu jugo e governo, e é uma insinuação muito maldosa, e carregada de uma espécie de ameaça a Pilatos, como se eles trariam uma acusação contra ele ao César, se ele deixasse Jesus sair livre com a sua vida, a quem ele insolentemente chamam “esse homem”, acrescentando...

Quem quer que se faça rei, fala contra César;... Retornando a sua antiga acusação de sedição, visto que a acusação de blasfêmia não teve o seu efeito: o seu raciocínio é muito falacioso, simples e sofismas; pois muito embora possa ser permitido que, quem quer que se estabeleça como um rei temporal em qualquer um dos domínios de César, seria considerado um inimigo dele, um rebelde contra ele, essa declaração poderia ser realmente interpretada como alta traição; ainda que Cristo não tivesse se declarado como tal rei, mas, pelo contrário, que seu reino não era deste mundo, e, portanto, não assume para si uma parte do domínio de César e do governo, e embora os Judeus tivesse tentado o tomar a força, e o estabelecerem como um rei, ele recusou-se, e fugiu deles.
[3]


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Notas

(s) Zohar em Gen. fol. 99. 1.
[1] Cf. João 3:27. N do T.
[2] Cf. Lucas 3:1. N do T.
[3] Cf. João 6:15. N do T.

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