Significado de João 14

Significado de João 14

Significado de João 14


João 14

14.1 — Depois de anunciar a traição de Judas (Jo 13.21), Sua partida iminente (Jo 13.33) e a negação de Pedro (Jo 13.38), Jesus diz aos Seus discípulos para não ficarem turbados, mas para confiarem nele.

Crede em Deus, crede também em mim. A solução simples, porém profunda, para todos os problemas é simplesmente crer. Nós fazemos o que fazemos porque cremos no que cremos. Nossos atos não passam de um produto das nossas mais fortes convicções. No entanto, a questão principal aqui é no que cremos, qual o objeto da nossa fé.

Pensar da forma correta é a base de uma atitude correta, e nós começamos a pensar da forma correta quando pensamos em Deus. Assim, em todo o capítulo 14 do Evangelho de João vemos Jesus, o Mestre eterno, falando a nós acerca de Deus. E Ele não diz mais nada sobre a negação de Pedro. Ao contrário, Jesus revela ao discípulo uma verdade para que ele creia em Deus Pai (há 23 referências sobre isso no capítulo 14), Deus Filho e Deus Espírito Santo. Tudo isso faria com que Pedro continuasse confiando, até mesmo quando o diabo tentasse cirandá-lo como trigo (Lc 22.31,32).

14.2 — Moradas, na verdade, são mansões. Todos desejam ter um lugar tranquilo e seguro para morar. Mas um lugar assim já foi preparado para todos os filhos de Deus. Jesus já foi na frente para fazer isso. Pedro jamais deixou de pensar na sua morada pessoal, segura e eterna no céu (1 Pe 1.3,4). O Senhor estava dizendo aos Seus discípulos que, por mais que eles passassem por tribulações, teriam um lugar de paz e descanso no futuro.

14.3,4 — Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo. Pedro pode ter falhado com Jesus, mas Jesus não falhará com Pedro. Ele voltará para buscar Pedro e todos que creem nele (1 Ts 4-16,17). Essa, com toda certeza, é a essência do Seu amor incondicional. Ele nos ama como somos, mas ama-nos mais ainda para permitir que continuemos sendo o que somos. Eram essas as verdades que Jesus queria plantar definitivamente no coração dos 12. Elas fariam com que eles ficassem firmes (Fp 1.6).

14.5 — Onde... como. Jesus tinha acabado de dizer que ia para a morada do Pai, a fim de preparar-lhes um lugar (v. 2), e eles sabiam como chegar lá (v. 4). Mesmo assim, Tomé perguntou aonde Ele iria e queria conhecer o caminho (veja o comentário de 14.8).

14.6 — Jesus se tornou o caminho para o Pai por meio da Sua morte e ressurreição. Cristo também é a verdade e a vida. Por ser a verdade, Ele é a revelação de Deus. Por ser a vida, Ele é a ligação entre Deus e nós.

14.7,8 — Também conheceríeis a meu Pai. Jesus veio para revelar o Pai (Jo 1.18), e conhecer Jesus é o mesmo que conhecer o Pai (1 Jo 2.23). Mostra-nos o Pai. Jesus tinha acabado de dizer que quem via a Ele via o Pai, mas, mesmo assim, Filipe pede para ver o Pai. Como Tomé, Filipe parecia ter dificuldade para apreender certas verdades (v. 5).

14.9 — O Senhor chamou a atenção de Filipe porque ele mesmo deveria saber a resposta para sua pergunta.

Quem me vê a mim vê o Pai. O Senhor explicou novamente, e com toda a paciência, que Ele estava revelando-lhes Deus (v. 7). Era impossível não entender o que Jesus estava dizendo. Ele estava afirmando claramente ser Deus.

14.10,11 — Crês... crede-me. O Senhor fez um apelo para que eles cressem nele pelas Suas palavras (v. 10) e pelas Suas obras (v. 11). Suas palavras mostravam quem Ele era. Ele disse: Eu sou a água da vida (Jo 7-37), o pão da vida (Jo 6.48), a luz do mundo (Jo 8.12; 9.5) e o bom Pastor que dá a sua vida pelas ovelhas ( Jo lO. l l ) . J e sus declarou ser semelhante a Deus (Jo 7.28,29). Afirmou ser o Eu sou (Jo 8.24,28,58) e um com o Pai (Jo 10.30). Além disso, Jesus disse que o Pai estava nele, e Ele no Pai (Jo 10.38). E Suas obras também revelam quem Ele é. Jesus transformou água em vinho (Jo 2.1-11), curou as pessoas (Jo 4-43-54; 5.1-9), multiplicou milagrosamente pães e peixes (Jo 6.1-12), acalmou o mar (Jo 6.15-21), ressuscitou mortos (Jo 11.38-44)- Em todo o tempo, Jesus fez com que Seus discípulos soubessem de tudo isso e supriu a necessidade deles de conhecerem a verdade, a fim de crerem em Deus.

14.12 — Jesus realizou as maiores obras possíveis, inclusive ressuscitando mortos. Como Ele pôde dizer que os cristãos fariam obras maiores? A resposta se encontra em tudo que os apóstolos fizeram. As obras de Jesus na terra se limitaram à Palestina; os apóstolos pregaram em muitos outros lugares e viram a conversão de milhares de pessoas.

A pregação de Pedro no Pentecostes trouxe mais seguidores a Jesus do que Ele próprio conseguira em todo o Seu ministério terreno. Os discípulos fizeram tal obra porque Jesus foi para o Pai e enviou o Espírito Santo para conceder poder a todos eles.

14.13,14 — Veja a relação entre as obras e a oração (At 1.14; 2.42; 3.1; 4.31). A oração eficaz é feita em nome de Jesus. Essa é a oração que está de acordo com a vontade de Cristo. O resultado da oração é a glorificação do Pai, não a nossa própria glória.

14.15 — O amor não se resume apenas ao sentimentalismo, mas à obediência aos mandamentos de Deus.

14.16 — Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre. Os três membros da Trindade são mencionados aqui. Jesus orou ao Pai para que enviasse o Espírito Santo.

14.16.17 — Os versículos 16 e 17 possuem três preposições que descrevem a relação entre o Espírito Santo e o cristão: o Espírito está com (gr. meta) os cristãos para ter comunhão com eles (v. 16); para permanecer junto a eles para (gr. para) defendê-los (v. 17); e estará neles [em eles] (gr. en) como uma fonte de poder (v. 17; At 2.1-4).

14.17 — O Espírito Santo é chamado de o Espírito da verdade (Jo 15.16; 16.13; 1 Jo 4.6) porque Ele é a verdade e guia-nos em toda a verdade (1 Co 2.13; 2 Pe 1.21).

A expressão porque não o vê, nem o conhece não significa que o mundo não pode identificar de modo visual o Espírito Santo, tendo-se em vista ser Ele espírito. O sentido aqui é outro: o Espírito de Deus está atuando neste mundo, mas o mundo não consegue ver o que Ele está fazendo (1 Co 2.14).

14.18 — Órfãos. Antes, Jesus havia chamado os discípulos de filhinhos (Jo 13.33). Aqui, Ele diz que não os deixaria órfãos, mas que voltaria para eles. Alguns propõem três interpretações para o tempo em que se cumpriria o que Jesus disse: (1) depois da ressurreição, (2) no Pentecostes, na pessoa do Espírito Santo, e (3) na Sua segunda vinda.

14.19 — Vós me vereis. Jesus voltaria para os discípulos, mas não da mesma maneira como eles o estavam vendo naquele momento. O mundo viu Jesus somente em carne, mas os discípulos o veriam no sentido espiritual.

14.20,21 — Esses dois versículos são a conclusão da resposta de Jesus à solicitação de Filipe: Mostra-nos o Pai (v. 8). Quando um cristão obedece aos mandamentos de Jesus com amor, ele tem uma experiência íntima com o Senhor e passa a conhecê-lo mais.

14.22 — Os discípulos esperavam que o Messias se revelasse publicamente e livrasse Israel de Roma e do sacerdócio corrupto que havia no templo. Jesus disse que os discípulos o veriam, mas o mundo não (v. 19). Judas, não o Iscariotes, perguntou como isso ia acontecer.

14.23 — Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Ao responder à pergunta de Judas (v. 22), Jesus explica que se manifestaria aos discípulos em resposta ao seu amor e à sua obediência. Faremos nele morada. Se um cristão ama e obedece ao Senhor, ele terá comunhão com Deus.

14.24 — Quem não me ama não guarda as minhas palavras. Se alguém não ama Cristo, não lhe obedece. A desobediência é algo muito sério, pois as palavras de Jesus são as palavras de Deus.

14.25,26 — Tenho-vos dito isso, estando convosco. Jesus disse isso aos discípulos enquanto estava com eles; quando o Espírito Santo viesse, Ele os faria lembrar de tudo quanto Jesus dissera, assim como lhes ensinaria todas as coisas (1 Co 2.13). Essa promessa se cumpriu primeiro na vida dos apóstolos, como é descrito no Novo Testamento. Mateus e João escreveram as palavras de Jesus. Pedro escreveu sobre o evangelho em suas duas epístolas e provavelmente contou a Marcos algumas de suas memórias sobre Jesus.

14.27 — Paz. Os judeus costumavam despedir- se dizendo shalom, que significa paz. O Senhor logo iria partir, então adicionou algo mais a esse adeus: a minha paz. O pronome possessivo minha é enfático. Esse não é um cumprimento comum; é a forma especial de Jesus nos conceder Sua paz. A paz que Jesus dá tira todo medo e toda aflição do coração, pois Ele está no controle de tudo.

14.28 — O Pai é maior do que eu. Não significa que Jesus é menor do que Deus. O adjetivo maior indica uma posição diferente. Já que o Filho é humilde e submisso, submeteu-se à autoridade do Pai (1 Co 11.3; 15.28).

14.29-31 — Nada tem em mim alude à ausência de pecado em Jesus. E o que Jesus disse que iria acontecer-lhe não significa que Satanás tinha poder sobre Ele. Jesus logo se entregaria voluntariamente para morrer na cruz por amor e obediência ao Pai (v. 31).

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