2015/09/21

Significado de Lucas 16

Significado de Lucas 16

Significado de Lucas 16


Lucas 16

16.1 — O mordomo era um servo que supervisionava e administrava uma propriedade. A acusação contra o mordomo em questão era de incompetência.

16.2 — Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. O homem rico reagiu à acusação de incompetência pedindo que o mordomo prestasse contas de seu trabalho, e, depois disso, este já não poderia mais continuar sendo o administrador.

16.3 — Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. O mordomo não queria desempenhar atividades comuns, tampouco admitir que estava pobre.

16.4 — Eu sei o que hei de fazer. Ele expressa algo como: “tive uma ideia”, e então prepara um esquema que faz com que os outros o ajudem.

16.5,6 — Cem medidas de azeite... cinquenta. Três explicações são comumente dadas acerca do direito do mordomo de alterar a quantidade devida ao seu mestre: (1) o mordomo simplesmente reduziu o valor por conta própria; (2) o mordomo retirou a taxa de juros do débito, de acordo com a Lei (Lv 25.36,37; Dt 15.7,8; 23.20,21) ou (3) o mordomo retirou sua própria comissão, sacrificando apenas sua parte do dinheiro, e não a de seu senhor. Os três diferentes padrões para a redução do valor refletem diferentes índices para bens distintos.

16.7 — Cem alqueires de trigo. A medida hebraica utilizada aqui é o coro (ex.: 100 coros de trigo), que poderia corresponder a 10 efas ou 30 seás. Entretanto, há vários padrões para o coro, o que faz com que a medida apresentada não seja exata. Utilizando o maior padrão definido, a quantidade seria de 1.100 alqueires ou 3.930 litros do cereal, uma produção de 40 hectares de terra. Provavelmente valeria algo em torno de 2.500 a 3.000 denários. Usando o menor padrão, a quantidade seria apenas cinco por cento desse total. Contudo, mais importante do que o tamanho é a redução da conta.

16.8 — O mestre reconheceu a previdência na generosidade do mordomo. Os estudiosos divergem se o administrador foi desonesto e roubou o mestre por meio de tais reduções ou se ele foi prudente, usando sua autoridade para fazer os descontos (v. 6,7). O fato de o mestre ter elogiado o mordomo pode indicar que ele não foi roubado, e que as reduções dos débitos foram resultado do cumprimento da Lei ou do abatimento de sua própria comissão.

16.9 — A riqueza deve ser usada generosamente para construir obras que durem. O termo riquezas da injustiça é utilizado porque comumente essas riquezas geram perversidade e egoísmo nas pessoas (1 Tm 6.6-10,17-19; Tg 1.9-11; 5.1-6).

16.10 — Fiel... injusto... mínimo... muito. Pequenas atitudes desonestas podem gerar grandes desonestidades no futuro. Da mesma forma, exemplos mínimos de generosidade podem resultar em grandes benefícios mais tarde.

16.11 — Riquezas injustas... verdadeiras. Encontramos aqui o emprego do versículo 10. Uma pessoa que não sabe lidar com o dinheiro certamente não tem condições de usufruir das riquezas espirituais, que são muito mais valiosas.

16.12,13 — No alheio. Outra aplicação do versículo 10. Se alguém não é fiel com relação ao que pertence aos outros, por que deveria ser confiado a essa pessoa o risco de administrar suas próprias posses, em um contexto em que não há responsabilidade?

16.14-16 — Jesus demonstra a divisão básica dos planos de Deus aqui. O tempo da promessa se estendeu da Lei e dos Profetas até João Batista. Agora, a promessa do Reino de Deus é pregada. Uma nova era se aproxima. A expressão todo homem emprega força para entrar nele poderia ser traduzida como “todos são exortados insistentemente para entrar”, enfatizando a premência da mensagem.

16.17— E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da Lei. Aqui, a Lei é vista em termos de promessa, como o versículo 16 sugere. O que Jesus quis dizer foi que o objetivo da Lei, a promessa do domínio de Deus, seria concretizado. A nova aliança se consumaria e substituiria a antiga (At 2.14-40; 3.14-26). Esse versículo também é importante para a doutrina da inerrância da Bíblia. Cristo disse que a impressionante ação de destruição do universo é mais provável de acontecer do que algo que Deus tenha falado em Sua Palavra não se cumprir ou ser impreciso.

16.18 — Adúltera. Jesus ilustra as exigências morais da Lei citando a inviolável natureza do matrimônio, algo tão privilegiado que até mesmo um segundo casamento é visto como adultério. Em outros textos (Mt 5.32; 19.9), Cristo fala que a imoralidade sexual é uma exceção, e pode ser um motivo correto para a permissão do divórcio, embora a separação nunca seja retratada como a opção preferencial.

A imoralidade sexual faz referência a quê, especificamente? O “divórcio permissível” existe? Uma pessoa pode casar-se novamente após tal divórcio? Estas são questões amplamente debatidas na Igreja. Jesus não dá aqui em Lucas uma explicação detalhada da questão, visto que os textos de Mateus são mais completos. Entretanto, tudo o que Ele diz nesse trecho serve como ilustração da autoridade moral de Seu ensinamento. Outros escritos importantes a respeito do divórcio são: Dt 24-1-4; Mc 10.1-12; 1 Co 7. 7-16. No judaísmo, também havia debate sobre esse tema. A escola rabínica de Shammai permitia o divórcio apenas por imoralidade, enquanto a escola de Hillel o admitia por uma ampla variedade de razões (Mishná, Guittin, 9.10).

16.19 — Vestia-se de púrpura. As roupas púrpuras eram extremamente caras, porque o tecido era tingido com uma substância extraída de um molusco.

16.20,21 — Os cães lambiam as chagas de Lázaro. Isso piorava sua infecção e também o fazia permanecer ritualmente impuro, pois os cachorros se alimentam de lixo, e comem, inclusive, animais mortos.

16.22 — O seio de Abraão foi o lugar abençoado do morto. Acompanhantes angelicais para os mortos também são identificados no judaísmo. Esse versículo dá a entender que aqueles que morrem conhecem imediatamente seu destino.

16.23 — Observe a inversão da sorte nessa passagem. Aqui, o homem rico estava sofrendo e Lázaro, em paz. Hades, no Antigo Testamento, é o lugar onde os mortos são reunidos. Também é chamado de Sheol em Salmos 16.10; 86.13. No Novo Testamento, Hades é quase sempre mencionado em um contexto negativo (Lc 10.15; Mt 11.23; 16.18). Hades é onde os mortos perversos residem.

16.24 — Estou atormentado. O homem rico desejava alívio de seu sofrimento. A imagem da sede na experiência do julgamento é comum (Is 5.13; 65.13; Os 2.3).

16.25 — O tratamento que o homem rico dispensava aos outros foi dado a ele próprio. Em toda a sua vida, o abastado faltou com a compaixão, e agora não havia nenhuma misericórdia para ele.

16.26 — Um grande abismo. Este detalhe ilustra o fato de que os injustos, quando morrem, não podem entrar na esfera dos justos.

16.27,28 — O homem rico pede que um mensageiro celeste seja enviado para dizer a seus irmãos que não cometam o mesmo erro irreversível. E difícil saber se a preocupação do abastado com os irmãos era sincera, ou uma maneira distorcida de dizer que, enquanto esteve vivo, ele não recebeu instrução apropriada sobre o julgamento.

16.29 — Eles têm Moisés e os Profetas. Abraão deixou claro que os irmãos do homem rico sabiam o que fazer, visto que possuíam a mensagem de Deus nos antigos escritos. A ideia aqui é que a generosidade em relação ao dinheiro e o cuidado com os pobres foram ensinados no Antigo Testamento (Dt 14.28,29; Is 3.14,15; Mq 6.10,11).

16.30 — Algum dos mortos. A premissa do homem rico era de que a ressurreição de algum dos mortos traria arrependimento aos seus irmãos.

16.31 — Se não ouvem. Uma pessoa que rejeita a mensagem de Deus não será persuadida pela ressurreição de algum dos mortos. Embora o pedido do abastado por um mensageiro celeste seja negado na parábola, ele foi honrado na narração da passagem, pois a história é parte de um evangelho que anuncia a ressurreição de Jesus Cristo.


2 comentários:

  1. Uma bela parábola do nosso senhor e salvador Jesus Cristo que muitas vezes é entendida de forma errada

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