2015/09/23

Significado de Mateus 1

Significado de Mateus 1

Significado de Mateus 1




1.1 — A genealogia [NVI] ou o livro da geração [ARC] é um registro das origens familiares da pessoa. As genealogias eram muito importantes para os judeus no primeiro século. Uma genealogia: (1) provava que a pessoa era realmente israelita, (2) identificava a tribo à qual ela pertencia, e (3) qualificava certos judeus para os ofícios religiosos como levitas ou sacerdotes (Ed 2.61,62). A genealogia de Cristo é essencial para a história do cristianismo. Mateus descreve a descendência de Cristo desde Abraão, Isaque e Jacó, para mostrar que Jesus era judeu, mas não deixa de mencionar Davi, para informar aos seus leitores que Jesus tinha direito ao trono de Davi (2 Sm 7.12), algo que aconteceria no futuro (Mt 18.28).

O fato de o Filho de Davi preceder o Filho de Abraão é muito significativo. A ordem dos nomes está invertida, pois cronologicamente Abraão precedeu Davi mil anos. A razão de Mateus inverter a ordem se encontra na natureza da promessa que Deus fez a Abraão e a Davi. As promessas que Deus fez a Davi foram mais específicas do que as que Ele fez a Abraão. As promessas a Abraão foram de ordem pessoal, nacional e universal (Gn 12.1-3; 13; 14-17; 15.1-21; 17.1-21; 21.12,13; 22.16-18); por outro lado, a aliança davídica previa bênçãos pessoais e o direito de sua descendência ao trono (2 Sm 7.13-16; SI 89.1-4,19-37; 132.11-18).

Assim, no Evangelho de Mateus, é enfatizado que o Senhor Jesus veio primeiro para Israel (Mt 10.5,6) e depois para o mundo (Mt 28.19,20). Como a salvação pessoal depende da resposta de cada pessoa ao evangelho, a promessa da vinda do Reino messiânico a esta terra está relacionada à aceitação de Jesus por parte de Israel como seu Messias (At 3.19-21; Zc 12.10— 14.21). Embora Jesus tenha sido rejeitado por Israel como seu Rei, Deus, por Sua graça, também enviou a mensagem do evangelho aos gentios (Rm 11.11-24). Ofato de Jesus ter vindo primeiro para os judeus e depois para os gentios é a chave para entendermos os Evangelhos, Atos e, certamente, todo o Novo Testamento (Jo 1.11,12; At 13.45,46; 18.6; 28.26-28; Rm 11.7-36; 15.8,9).

1.2-7 — A citação de uma mulher na genealogia judaica é algo muito raro. No entanto, além de Maria, quatro mulheres são mencionadas na genealogia de Jesus. E o mais interessante é o tipo de mulheres que Mateus cita aqui: Tamar, que se envolveu numa trama com Judá (Gn 38); Raabe, uma ex-prostituta cananeia que viveu em Jericó (Js 2); Rute, uma moabita que se casou com um israelita (Rt 1.4); e Bate-Seba, a mulher de Urias, que provavelmente era heteia e adulterou com Davi, acarretando terríveis consequências (2 Sm 11.1— 12.23). No começo de seu Evangelho, Mateus nos mostra como a graça de Deus perdoa os pecados mais obscuros e alcança o mundo por meio da nação de Israel. Mostra-nos que Deus pode perdoar o pecado mais vil, resgatar o pecador e torná-lo parte da linhagem real.

1.8-16 — E Asa gerou a Josafá, e Josafá gerou a Jorão, e Jorão gerou a Uzias. Há três reis entre esses dois [Jorão e Uzias] que Mateus omitiu nessa lista: Acazias, Joás e Amazias (assim como Jeoaquim, pai de Jeconias). Apesar de ter plena consciência disso, Mateus relacionou 14 gerações em três períodos, talvez por ser mais fácil de decorar (ver comentário em Mt 1.17). Embora todas as gerações (Mt 1.17) de Abraão a Davi fossem 14, nem todas são relacionadas nos dois últimos versículos deste trecho (Mt 1.15,16). Uma referência especial tem de ser feita a Jeconias (v. 11), pois José é mencionado como descendente desse rei de Judá. O problema é que Jeconias (chamado de Joconias, em Jeremias 22.24, 28, e Joaquim, em 2 Reis 24-8, dependendo se a tradução do seu nome em português vem do hebraico ou do grego) trouxe maldição à descendência de Davi. Em Jeremias 22.24-30, essa maldição é mencionada. Ele não teria filhos e ninguém da sua descendência se sentaria no trono de Davi. O motivo dessa maldição se encontra em 2 Reis 24.9: E fez o que era mal aos olhos do Senhor.

Não há detalhes aqui de seu pecado ou pecados, mas eles foram tão terríveis que Deus impediu sua descendência de herdar o trono de Davi. E já que a descendência humana de Jeconias foi proibida de assentar-se no trono de Davi, Jesus não poderia ser o Messias e, ao mesmo tempo, vir da descendência desse rei por meio de José. No entanto, Maria era da descendência da Natã, filho de Davi (1 Cr 3.5). Por essa razão, Jesus pôde vir da descendência de Davi por meio de Maria e legalmente ser filho de Davi por meio de José.
O NASCIMENTO DE JESUS
Ninguém sabe exatamente quando Jesus nasceu. Até mesmo o ano de seu nascimento não passa de uma suposição baseada em informações disponíveis. Gregório, o inventor do nosso calendário, viveu na Era Medieval e estabeleceu a data do nascimento de Jesus em 1 d.C. Mas ele calculou errado. O historiador judeu Flávio Josefo data a morte de Herodes, o Grande, em 4 d.C., e tanto Mateus (M t 2.1) com o Lucas (Lc 1.5) presumem que este Herodes governava na época do nascimento de Jesus. Mas algo que não está muito claro é quanto tempo antes da morte de Herodes, o Grande, Jesus nasceu. Sabem os que este se tornou “rei” dos judeus em 37 d.C. Contudo, não há nenhum registro histórico , a não ser em M ateus (Mt 2.16), que menciona o assassinato das crianças de Belém por decreto de Herodes. Josefo observou que Herodes ordenou o assassinato dos membros da própria família para proteger seu trono. Dessa forma, não é de estranhar que o assassinato de algum as crianças plebeias de Belém passasse despercebido em meio às diversas atrocidades cometidas por este Herodes, deixando-nos assim sem saber quando isso aconteceu. M as, tendo em vista que o medo de Herodes [de que o Messias lhe tom asse o trono] levou-o a decretar a morte das crianças com menos de dois anos de idade para baixo, o nascimento de Jesus deve ter acontecido um ou dois anos antes da morte deste monarca; provavelmente entre 5 ou 4 a.C. A data de 5 a.C. se encaixa m ais com a citação feita por Lucas de que Augusto, que reinou de 27 a.C. a 14 d.C., era o imperador rom ano quando Jesus nasceu (Lc 2.1). Mas, ao citar Cirênio (Lc 2.2), Lucas cria um problema. Após a morte de Herodes, o Grande, Roma dividiu seu território entre os filhos deste que sobreviveram. Arquelau reinou na Judéia (M t 2.22), até que foi deposto pelos rom anos em 6 d.C. 

Só então Cirênio foi nomeado governador, depois de ter servido por mais de uma década com o com andante do exército rom ano naquela região. No entanto, é possível que Lucas tenha feito referência a ele citando apenas sua última ocupação. Outros estudiosos tentaram estipular a possível data do nascimento de Jesus com base em fenômenos astronómicos que pudessem explicar a estrela de Belém (Mt 2:2,7-10). O cometa Halley apareceu em 12 ou 11 a .C, e outro cometa, em 5 d.C. Contudo, na antiguidade, os cometas eram um presságio do mal, de eventos catastróficos. Em 7 d .C , uma rara conjunção entre os planetas Júpiter, Vênus e Saturno (que ocorre som ente a cada 794 anos) aconteceu na constelação de Peixes. Porém, não passa de mera especulação a ideia de que a estrela com grande luminosidade que Mateus descreve era ou não um desses planetas. Para algum as pessoas da antiguidade [os sábios], a estrela era um sinal de que Jesus era o Messias, em cumprimento à profecia sobre a estrela que subiria de Israel, citada por Balaão (Nm 24.17; Mt 1.18-25; Lc 2.1-20). Sobre como a profecia em Isaías 7.14, Mateus deixa bem claro que ela só foi cabalmente cumprida com o nascimento virginal de Jesus: o sinal aos povos de todas as épocas de que Deus estava se manifestando a eles.

1.16 — José, marido de Maria. A genealogia de Jesus nos leva até José, um legítimo herdeiro do trono de Davi. Mateus, entretanto, tem todo o cuidado de não citar Jesus como filho de José. O termo grego traduzido por da qual — em Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus — é um pronome relativo, no feminino, que só pode referir-se a Maria.

Se o escritor do Evangelho quisesse incluir José como pai de Jesus, poderia usar o mesmo sistema que havia usado em sua genealogia antes (Mt 1.16a), na qual ele usa a palavra gerou. Ficaria assim então: Jacó gerou a José, e José gerou Jesus. Do mesmo modo, Mateus poderia ter usado um pronome no plural, em vez de um pronome no singular feminino, e assim incluiria ambos os pais [José e Maria]. Mateus, porém, sabiamente refuta qualquer ideia de que Jesus tenha nascido de alguém mais, senão de Maria e do Espírito Santo.

Tanto o termo Cristo quanto Messias significam o Ungido; o primeiro é uma palavra grega, e o segundo, hebraica. No Antigo Testamento, a unção apontava para duas coisas: a escolha de Deus e Sua capacitação para uma obra. Tradicionalmente, as pessoas eram ungidas para exercer uma dessas três funções: profeta, rei ou sacerdote. O Senhor Jesus foi ungido por Deus dessas três formas: foi escolhido pelo Pai para ser o Salvador, recebendo uma capacitação sobrenatural (Lc 4.18-21; At 10.38) para exercer as funções de Profeta, Rei e Sacerdote por excelência (embora Cristo seja Profeta, Rei e Sacerdote, a ênfase no evangelho de Mateus recai sobre Sua realeza.)

1.17 — A genealogia se divide em três listas de nomes que somam 14 gerações. Sem dúvida, assim fica mais fácil decorar. No entanto, essa divisão tem um significado muito importante. O somatório das letras do nome Davi é 14; pois, no alfabeto hebraico, cada letra equivale a um número. Isso é significativo, já que o cabeça da lista é o Filho de Davi (Mt 1.1). Mateus pode estar chamando mais atenção para o significado dravídico desse título de Jesus. O destino do trono de Davi também é aludido aqui.

Nas primeiras 14 gerações, o trono dravídico é estabelecido; nas 14 seguintes, fica destituído, pois os israelitas são deportados para a Babilônia; nas últimas 14 gerações, o trono é confirmado com a vinda do Messias, descendente de Davi. Mais adiante, a promessa da aliança é confirmada em cada uma dessas três gerações: primeiro, na abraâmica (Mt 1.3-6); segundo, na davídica (Mt 1.6-11); e terceiro, na nova aliança (Mt 1.12-16).

1.18 — Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajutarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. No mundo todo, o que geralmente oficializa um casamento é a assinatura de um contrato (Ml 2.14).

Na cultura judaica, essa aliança verbal era feita um ano antes da consumação do casamento e tinha o mesmo valor de um documento escrito. Foi nesse período de um ano em que Maria estava desposada com José que ela achou-se ter concebido do Espírito Santo.

E deixado bem claro nas Escrituras é que Maria era virgem nesta época. Isto é reforçado pelas palavras antes de se ajuntarem [José e Maria], e a concepção virginal, deduzida pelo relato de Mateus, é confirmada de modo bem evidente em Lucas 1.34, 35.

Maria passou os três primeiros meses de gravidez na Judeia, com sua prima Isabel (Lc 1.36-56). Esta sabia que a gravidez de Maria era algo miraculoso, pois sua gravidez também havia acontecido por uma intervenção divina (Lc 1.39-45). Depois, quando Maria voltou para Nazaré, José soube que ela estava grávida. Sendo ele um homem justo e, não querendo infamá-la, intentou deixá-la secretamente (Mt 1.19). [Mas foi avisado em sonho para que não o fizesse, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo (v. 20).]

1.19 — Respaldado pela lei judaica, revelada em Deuteronômio 24.1 (Mt 5.27-32; 19.3-9; Jr 3.1,8), José poderia divorciar-se formalmente de Maria, alegando a infidelidade dela, uma vez que eles já tinham feito uma aliança matrimonial, embora ainda não tivessem consumado o casamento. Ele poderia ter tomado público o divórcio, ou ter feito isso de um^ forma mais discreta na presença de duas testemunhas. Mas como José era justo e piedoso, e como a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.

1.20 — Porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. Os versículos 1 a 17 provam que, legalmente, Jesus era filho de José, mas os versículos 18 a 25 negam que José era o pai biológico de Jesus. Era necessário incluir o nome de José, descendente de Davi, na genealogia de Jesus a fim de enfatizar o direito legal deste ao trono como Rei de Israel. Contudo, aqui também era necessário esclarecer que Jesus é Filho de Deus, e não de José, tendo em vista Sua missão como o Salvador da humanidade. Assim, Mateus destaca a majestade de Jesus, ao passo que Lucas dá detalhes da miraculosa concepção do Messias pelo Espírito Santo.

1.21,22 — E lhe porás o nome de Jesus. Jesus significa Yahweh é Salvação ou Salvador, e seu equivalente no hebraico do Antigo Testamento é Josué. O fato de José dar esse nome a seu filho é algo muito importante. Quando o pai dava um nome a seu filho, estava afirmando que este fazia parte de sua família. Isso deu ao Senhor Jesus o direito legal de pertencer à descendência de Davi. E mesmo que José não tivesse pensado neste nome para a criança, teve de obedecer a Deus.

1.23,24 — Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel. Essa é uma citação de uma profecia em Isaías 7.14, por meio da qual Isaías consola Acaz, o rei de Judá. Dois reis, Rezim, o rei da Síria, e Peca, o rei de Israel, uniram-se contra Acaz. Mas Isaías diz a Acaz para não temer, pois os planos de seus inimigos seriam frustrados. Como um sinal a Acaz, uma mulher teria um filho, e antes de o menino chegar à idade de discernir o certo do errado [por volta dos 12 anos], esses dois reis não seriam mais uma ameaça para ele. Há muitas interpretações sobre o que teria levado Mateus a citar essa profecia do Antigo Testamento. Alguns veem a profecia de Isaías como uma referência específica à concepção virginal de Jesus, e nada mais. Segundo eles, somente o nascimento miraculoso de Jesus pode ser considerado o sinal que mais se parece com aquele por meio do qual Yahweh com consolou Acaz (compare com Isaías 7.11).

Como a palavra hebraica traduzida por virgem em Isaías 7.14 também significa mulher jovem, alguns sugerem que Isaías estava profetizando sobre um filho que Acaz teria ao longo de sua vida — ou talvez sobre o filho de Isaías Maer-Salal- Has-Bas (Is 8.3).

Outros interpretam as palavras de Isaías como uma profecia de que uma virgem, contemporânea a ele, casar-se-ia e teria um filho. Seja lá de quem esta criança fosse filho, esse foi sinal imediato para Acaz da dissolução repentina da aliança entre Rezim e Peca pela Síria. E embora esta profecia tenha sido cumprida nos dias de Isaías, Mateus deixa bem claro que ela foi cumprida cabalmente pelo nascimento virginal de Jesus; um sinal aos povos de todas as épocas que Deus estava entre eles.

De qualquer forma, no texto grego de Mateus, ele traduz essa passagem de Isaías da Septuaginta, fazendo uso da palavra grega parthenos, que significa virgem.

1.25 — José não conheceu Maria até que ela desse à luz. Este versículo deixa bem claro que Maria permaneceu virgem somente até o nascimento de Jesus. Os irmãos e irmãs que Jesus teve depois eram filhos de José e Maria (Mt 13.55,56). E José não poderia ter tido filhos de um casamento anterior, como alguns sugerem, pois assim Jesus não seria considerado herdeiro do trono de Davi se não fosse o primogênito.

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